Do que leio, assisto, sinto e absorvo. Nunca será uma verdade absoluta, apenas um ponto de vista ou a vista de um ponto. Talvez uma dedução equivocada do meu olhar diante do mundo. Um olhar humano cheio de CID´s sem a presença da IA. Ela não devaneia. Então pra mim não serve. Eu quero o luxo do erro da falta de coesão textual. Aqui na solidão impossível de quem lê e carrega personagens e enredos dentro de si, me leio e releio. Para mim, é o suficiente. Os devaneios são meus, é tudo que tenho.
quinta-feira, 9 de abril de 2015
terça-feira, 7 de abril de 2015
Diário literário
19/2015 - Mito, sonho e loucura (Nelson Valente)
Confesso que solicitei pela estante virtual Skoob por causa do título. A relação é pouca, talvez porque explique a origem da psicanálise e seus derivados e da psiquiatria. Mas, quem lê-lo há de conhecer a História da psicoterapia, a gênese da psicanálise, os princípios básicos de psicologia no terreno da psicanálise, a teoria freudiana da libido e da sexualidade, sobre personalidade, instintos e emoções, sobre a natureza e interpretações dos sonhos, o ego contrariado e suas defesas, psicopatologia, psicoterapias fora da psicanálise e psiquiatria e seus métodos. (Confesso também que os últimos dois capítulos são cansativos e por mais que a linguagem seja simples, torna-se voltado para especialistas). Para quem deseja conhecer sobre o assunto citado e deixando de lado o posicionamento anti-freudiana do autor (que fica explícito) acho bem válido. Indico.
segunda-feira, 30 de março de 2015
Diário Literário
18/2015 Temperamento forte e bipolaridade: dominando os altos e baixos do humor
Diogo Lara é médico psiquiatra e pesquisador em neurociências, área em que se realizou seu doutorado. O que diferencia o livro do médico para os demais é que esse aborda as qualidades do bipolar e não apenas as fases de mania ou depressão. Mesmo havendo uma divergência entre os psiquiatras no termo "espectro" para ele há pessoas que fazem parte do "espectro bipolar e que apresentam alterações de humor, frequentemente associadas a um temperamento forte.
Variações como euforia, agitação, aumento de energia, agressividade, explosividade, impulsividade, aumento de riscos e gastos, distrações, entre outros sintomas do pólo positivos, que se alternam com apatia, desânimo, tristeza, ansiedade e falta de prazer do pólo negativo ou depressivo. Eis a bipolaridade. (Em caso de identificação procure um especialista e não faça diagnósticos precipitados).
O autor aborda os conceitos de temperamento e humor, bipolaridade (espectros e níveis), mecanismos de defesa e ataque, exemplos de pessoas com temperamento forte sem transtorno de humor, do temperamento ao transtorno de humor, bipolares leves, identificação do transtorno de humor, como lidar com a bipolaridade, pessoas famosas com bipolaridade e com toda a tecnologia se vivemos em uma e buscadora de novidade e bipolar. Super indico. Linguagem acessível.
Diário literário
17/2015 "Está com o mal de amor", assim começa o prólogo do livro Amores que matam da autora e psicoterapeuta Patrícia Faur, escrito por Sérgio Sinay. O livro pode ser indicado principalmente para quem lê e acredita que o livro serve para uma grande amiga que passa pelas situações citadas. Comecemos a resenhar sobre o amor. Melhor, sobre o que não é amor. Aliás, melhor ainda, comecemos sobre o título. Amores que matam ou pessoas que se deixam matar pelo amor? Pois o livro aborda sobre pessoas que, em sua trajetória não conseguem desenvolver o amor em sua normalidade. Claro, seu conceitos prontos.
O grupo trabalhado é o de pessoas com vínculos dependentes devidos às semelhanças que possuem com a dinâmica de outras drogas. Vínculos onde uma pessoa cuida excessivamente da outra pessoa e adoece gradativamente. Tal dependência é uma doença, e sabemos que o amor deve ser fruto da escolha e não da necessidade. O viciado (ou viciada, em sua grande maioria) não sente vício em uma pessoa em especial. Mas, em sentir a ânsia de ser amada. Por exemplo, a amante não sente vício no homem casado (quando se trata de uma relação doentia) e sim da promessa que ele vai largar sua esposa.
No amor, a paixão esfria de forma sadia e as imperfeições não são motivos para o término. Para os dependentes, não se consegue sair da etapa da paixão. Vive-se do ser idealizado, do objeto desejado, da ilusão, da promessa e tudo isso remete às características das relações dependentes: Obsessão (pensamento excessivo pela relação e pessoa), controle (de tudo em relação a pessoa), tolerância (à dor emocional) e abstinência (diante da possibilidade imaginária ou não de término, chegam os sintomas de abstinência).
Não pensem que estamos falando de mulheres feias, muito pelo contrário, estamos falando de mulheres bonitas e inteligentes. Em sua grande maioria o que coincide em suas histórias é o passado obscuro, uma infância dura, uma família cujos pais tiveram grande dificuldade para cumprir com eficiência a sua função. Em suas histórias, há muita dor. Quando a família não consegue suprir as necessidades emocionais básicas, as pessoas crescem com fome de amor. A necessidade as torna escravas e não lhes permite escolher. as relações dependentes estão fundadas nessa necessidade e não na escolha. (31)
Nesse contexto que a autora dividiu o livro em sete partes: o vício em relacionamentos, o começo, a desilusão, quando ajudar faz mal, estresse conjugal, dependências afetivas e a recuperação. O capítulo sobre "Quando ajudar faz mal" traz uma análise muito boa sobre codependência. Em todos os capítulos existem exemplos de relacionamentos onde o homem amado torna-se o homicida da mulher dependente. A autora também discute sobre a escolha de profissões e traz no último capítulos sugestões de auxílio para a cura da dependência afetiva. Levando em consideração a nossa cultura que nos remete à dependência desde a infância, acho muito válido a leitura. Indico.
domingo, 29 de março de 2015
Presentes literários
Dois presentes (e aguardando um terceiro chegar do RJ). Isso, de fato me deixa muito alegre. Como disse Sêneca, "Dar livro é, além de uma gentileza, um elogio". Então, a saber:
O EU profundo e os outros EU - Fernando Pessoa
(Esse chegou da Bahia/BA - Valeu Adriana!)
Tem uma apresentação inicial sobre o autor e obra, mas prefiro passar os olhos de forma aleatória sobre os poemas e me deleitar apenas. Sair um bom da "forma" linear é liberdade literária que apenas a poesia pode nos proporcionar.
Baste a quem baste o que lhe basta. O bastante de lhe bastar! A vida é breve, a alma é vasta:Ter é tardar. (62)
Dizem que finjo ou minto/Tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto/Com a imaginação. Não uso o coração. (146)
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| (pg 199) |
AUTOPSICOGRAFIAO poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. (145).
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho. (197)
AUTOPSICOGRAFIAO poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. (145).
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho. (197)
Seleção de livros Reader´s Digest
(Valeu demais Erisse Brasília/DF)
(04 livros - Pense!)
01 - A promessa Ann Weisgarber
02 - Desaparecida John Connor
03 - Ponto por ponto Terri DuLong
04 - Filho da Revolução Luís M. García
Enquanto isso, vamos de leitura. Afinal, penso demais, logo leio em dobro.
quinta-feira, 19 de março de 2015
Diário literário
16/2015 - Conheci Charles Bukowski por causa de uma página no Facebook que agora não lembro o nome. Ficava meio chocada com alguns poemas e em outros achava muita graça. No fundo sempre pensava "fora todo esse falso moralismo que há em nós, é bem por aí". Pesquisei um pouco sobre ele e achei uma promoção do livro "O amor é um cão dos diabos" (Edição 2014). O título não faz parte de um enredo com início, meio e fim, mas é o nome de um de seus poemas. O livro é dividido em quatro partes (1 - Mais uma criatura atordoada pelo amor; 2 - eu, e aquela velha: aflição; 3 - Scarlet e 4 - melodias populares no que restou de sua mente) e contém vários escritos que não possuem a preocupação com estrutura poética.
Falemos um pouco sobre o "melhor poeta da América" segundo Jean-Paul Sartre de forma bem resumida. Nasceu na Alemanha em 1920, era filho de um soldado norte-americano com uma jovem alemã e foi levado aos EUA aos três anos pelos pais. Morou cinquenta anos em Los Angeles e conheceu de perto a pobreza e as camadas sociais mais marginalizadas da sociedade. Leia-se prostitutas, bêbados, drogados e derivados. Escrever e se embriagar, algo presente em seus escritos. Vomitar e ressaca, acrescente também. Ele chega a citar suas "cagadas" e as baratas, sem contar os gatos do cafetão do melhor puteiro do bairro. Suas paixões: mulheres (sim, no plural), bebida (ele dedica um poema para cerveja) e corrida de cavalos. Logo percebe-se que seus poemas são de caráter auto-biográfico, seu alter ego. Morreu de pneumonia aos 73 anos em 1994 decorrente de um tratamento contra a leucemia.
Trechos que me chamaram a atenção (apenas alguns registrados, são vários):
Na primeira parte temos poemas sobre suas aventuras sexuais. Os títulos têm nomes, atribuições físicas, ele e a tal "cagada":
"(...) continuo vivo/e tenho a capacidade de expelir/sobras do meu corpo./e poemas./e enquanto isso acontecer/serei capaz de lidar com/traição/solidão/unhas encravadas/gonorreia/e o boletim econômico do/caderno de finanças. (...) eu sei como amar. Título? "eu".
Sobre a ida e vindas de várias mulheres (e ele considerava uma baita sorte, sendo velho e feio):
"(...) você foi, certa vez, suficientemente forte para viver sozinho". Título: "outra cama".
"(...) as relações humanas simplesmente não são duráveis" Título: "a furadeira".
Na segunda parte os mesmos temas com bons conselhos:
"(...) aprender a vencer é difícil/qualquer frouxo pode ser um bom perdedor (...) e se você tem a capacidade de amar/ame primeiro a si mesmo". Título: "como ser um grande escritor".
Ele também explica o porquê sem nome consta na lista telefônica (inclusive fato que o aproximou de várias mulheres). Ele recebia elogios, ouvia sobre solidão e vários convites. Era o poeta amado das prostitutas.
Terceira parte: Scarlet. O poeta se apegou, e sofreu. A ruiva de cabelos compridos.
"(...) estou tão acostumado à melancolia que a cumprimento como a uma velha amiga".
"(...) circulo pelas ruas/a um passo de chorar/envergonhado de meu sentimentalismo e/possível amor". Título: "cometi um erro".
Na última parte: melodias populares no que restou de sua mente lemos o poema título do livro. Temos também "soldado raso":
"(...) a compaixão se revela em estranhos lugares" e diversos.
Registrei aqui apenas alguns poemas que sublinhei. Não sei o motivo da colocação dos poemas dentro de cada uma das partes. Nota-se apenas que assim como Frida Khalo, descreveu o que viveu. Não indico a leitura às pessoas moralistas.
Para quem tem imaginação fértil, você imagina as cenas. Você imagina o local com as garrafas vazias, cheio de cigarros espalhados pelo chão e até seu temperamento diante do comportamento das mulheres. Acredito que não tinha essa "pegada" toda, mas como consta em muitos poemas, estava acessível não só sexualmente, mas as escutava. Não as julgava. Isso por sim só, já é poesia pura.
sexta-feira, 6 de março de 2015
Contos Modernos
Contos modernos I
- Mas, por quê?
- Lobo mau, o problema não é você. Sou eu. Desobedeço minha mãe, mudo o caminho, ando pelo perigo de forma distraída, e diante do óbvio fico fazendo perguntas imbecis. Você merece alguém melhor. Isso é para o seu bem, afinal, nossa separação vai evitar que o caçador te mate. Vovó já estava idosa mesmo, que o céu a tenha.
Deixou o bobo emudecido e foi atrás de um novo perigo.
* tempos modernos.
Contos Modernos II
Mesmo tendo passado por um Congresso Internacional de Espelhos Mágicos, ele tinha uma certa impulsividade. Era conhecido como o melhor, e tinha contratos com convênios hospitalares e clínicas estéticas quando indicava uma cliente para fazer um "ajuste" após a célebre pergunta:
- Espelho, espelho meu, existe alguém mais lindo do que eu?
Mas, nesse dia esqueceu de tomar seu estabilizador de humor e diante da antipática (a maioria é) cliente respondeu:
- De botox você já está no ponto. Agora, madame! Procure um analista, vá tratar essa insegurança.
Conclusão, hoje trabalha como espelho de academia. Emagrece as clientes no banheiro, o que sempre as leva a voltar.
* Tempos modernos.
Contos modernos III
Todo dia ela fazia sempre igual. Passava o dia no facebook, whatzapp, vídeos do youtube e quando precisava de algo, a cigarra moderna sempre jogava seu charme e seu objetivo alcançava. No passado, era aquela que dos trabalhos em grupo menos participava. Nas provas, dos colegas ela colava. Agora no trabalho, seu alvo, lógico! Quem de fato se esforçava.
Aquela formiga solitária, provavelmente uma misantropa, afinal o que faz uma formiga sozinha fora da Colmeia? Claro! Ela lembra bem da fábula, quem abriu a porta à cigarra foi uma formiga solitária. Julgaram a cigarra e a bondade da formiga, mas ninguém percebeu a estranheza de uma formiga solitária. Aquele alvo seria certeiro, então foi assim seus dias.
Logo o dia para tirar a prova dos nove chegou e ela de ajuda precisou.
- Bom dia querida formiga, como vai!?
- Bem.
- Vejo quanto você é esforçada e inteligente, preciso tanto da sua ajuda.
- Você prefere que eu te cobre à vista ou parcelado?
*tempos modernos
*imagens do Google
A penitência
- Padre, já fui na psicóloga em busca de explicação, no psiquiatra em busca de medicação e no abraço amigo em busca de compreensão. Estou aqui agora em busca de absolvição.
- Sim minha filha, pode falar.
- Fiz tudo que um ser humano faz, mas fiz tudo em excesso. Cometi todos os pecados capitais, mas em dobro. Vivi como se não houvesse amanhã, mas houve. Repeli pessoas amadas, magoei e afastei amores verdadeiros. Atos não tão repulsivos, mas repetitivos e quanto maior o afeto que possuía, mas eu feria. Perdi pessoas padre. Me perdi.
- Você sabe por que fez isso minha filha?
- Hoje sei padre. Mas, não alivia. É como lamber um leite já absorvido por um tapete persa.
- Bom gosto, o seu tapete.
- Padre, é sério.
- Filha, quero saber do seu hoje. Tirando o tapete persa, como você está?
- Me sinto bem, bem de verdade. Só quando teimo em lamber o tapete que congelo no tempo.
- Filha, vou te passar um pai-nosso e uma ave-maria.
- Padre, como assim só um pai-nosso e uma ave-maria? Você escutou os ditos pecados que cometi? Não está pequena essa penitência?
- Filha, sua vida já foi uma penitência. Sinta-se absolvida. Está na hora de lavar esse tapete persa, talvez quem sabe um tapete novo!?
quarta-feira, 4 de março de 2015
Diário cinematográfico Cinquenta Tons de Polêmicas
A pedidos, vou resumir minha "opinião" sobre o filme "Cinquenta Tons de Cinza". Comecei a ler os primeiro capítulos e confesso que é excitável. Pronto, deixo então duas palavras que definem o livro, "excitável" e "comercial". Fora isso, não quero julgar a autora e nem a trilogia. Não tenho o direito de fazer isso. Mas, quero e devo citar algumas preocupações pertinentes, pois o que ouvi de suspiro após o filme é preocupante.
O filme é apenas o começo e como não li nem 10% não sei se vai apresentar o sadismo na sua realidade. Até então, o que é apresentado é um jogo erótico entre adultos consentidos por ambos até que no final ela percebe o que ele deseja. Vê-la sentir dor. O perigo está aí. O sadismo não sendo consensual é ato pervertido e muitos que leram a trilogia nem sabe da origem do termo "sadismo". Acredite, o sadismo não é saudável e muito menos masoquismo (não me refiro ao jogo erótico citado anteriormente). Sadismo inclusive pode estar presente em estupradores.
O termo foi utilizado pela psiquiatria (um pouco de preguiça de fazer um vasto relato histórico) com base na literatura polêmica até hoje de Donatien Alphonse-François, o Marquês de Sade. Diga-se de passagem seus livros foram escritos na prisão. Por conter bastante obscenidade, pedofilia, violência, perversão sexual, muitos o remetem apenas ao sadismo sexual. Engano total. Para Sade, o homem antes de ser um cidadão era um homem da natureza. Todo homem possue essa natureza e com seus escritos ele queria tirar o véu da moralidade que a civilidade lhe impõe e revelá-lo em sua verdadeira natureza.
Sabe aquela notícia que aquela pessoa que, por mais que você goste sente uma certa satisfação em saber que ela foi demitida? Sabe aquele povo que pára e forma fila de carro só pra ver cadáver no chão? Acha que é só curiosidade? E o bandido que morreu e você diz "acha é pouco". Já pensou no sentimento que você tem quando sabe que alguém está melhor que você? Já matou passarinho? Acha que falar mal da vida do outro é apenas fofoca? Estou resumindo Sade, pois ele relacionou muito das perversões às imposições da sociedade ao cidadão. Como disse anteriormente, a psiquiatria que pegou emprestado o termo.
Estudando os comportamentos, estudiosos perceberam que, em pessoas com esse perfil sexual, também havia o conflito com a lei. Buscaram e buscam até hoje as conciliações dos transtornos mentais das ditas "parafilias" (DSM-IV) ou perversão sexuais (ICD-10) que podem ser patológicas, doentias e viciantes, por sua repetição. Vai depender muito do nível de excitação sexual na dor física ou psicológica do parceiro. Claro, para toda prática do sadismo, se faz necessário a presença do masoquista, que pode ser um tipo de codependente. A maioria dos "pervertidos" tiveram problemas na infância (o próprio Christian Gray no filme relata marcas tidas no tórax como queimaduras de cigarro e ser filho de uma mãe viciada que não lembra o rosto).
A literatura sobre o tema é vasto e infelizmente quem leu, assistiu e suspirou vai achar bem enfeitado o tema. Aí que entra o papel da família (sim, a maioria das leitoras foram adolescentes), da escola e da mídia em informar melhor. O sadismo, muito além de impor dor ao outro, pode ser algo contra si mesmo (exemplo de negação na infância e a vingança na mulher ou homem quando adulto). No caso do masoquismo, uma estratégia de fuga, de "deixar estar" e de desistência. Se não for tudo isso, for apenas o jogo erótico sexual CONSENTIDO por ambos, o que se faz em Vegas, fica em Vegas.
Assim termino minha singela contribuição, chamando o enredo de excitável e comercial e o filme de A lagoa azul da Sessão da Tarde. Eu gostei muito da música (meu lado adolescente) tema: Love Me Like You Do. Agora, esse vídeo desse rapaz que deixo aqui embaixo, eu já ri demais. Contêm palavras obscenas e spoiler. Fica o aviso.
Diário cinematográfico "Sniper Americano"
O Sniper Americano bateu recorde de bilheteria nos EUA. Sob direção do também ator Clint Eastwood demonstra a biografia de Chris Kyle, um ex-franco atirador da Marinha. Baseada na obra literária escrita por Kyle, o filme no meu ponto de vista não é uma produção com a finalidade apenas de homenagear e engradecer os soldados norte-americanos. Seria talvez um "os fins justificam os meios" para o Destino Manifesto dos EUA. Kyle, que foi assassinado por um veterano de guerra, Eddie Ray Routh, teve participação na Guerra do Iraque e contabilizou mais ou menos 160 mortes. Seu assassino foi recentemente condenado à prisão perpétua nos EUA e por mais que fosse alegado traumas pós-guerra, o júri popular levou a diante sua condenação.
Pois então, eu gostei do filme. Apenas como filme. Atores lindos, fardas limpas e sempre engomadas, mesmo no vucuvuco e etc. Do contexto psicológico você fica apaixonada pelo patriotismo de Kyle em abrir mão da família para salvar sua nação. Será que sua esposa não entende isso minha gente? Até as discussões do casal são serenas, diferente do casal do filme brasileiro Tropa de Elite I, que a mulher tacá-lhe um tapa na cara no meio da discussão. Kyle, ao meu ver, mesmo no filme demonstra algo suspeito no treinamento ("como você se sente Sr. Kyle?" "eu me sinto perigoso" e quando acerta uma serpente "talvez eu seja melhor em atirar alvos que se locomovam").
Começa então a ação com sua convocação após os atentados que abalaram os EUA no dia 11 de setembro de 2001, ao meu ver, aí que começa o jogo dos sete erros de Eastwood. Não que ele fosse obrigado a citar nada disso no seu filme, mas a ausência de contexto histórico foi pecado capital. Para quem não se interessa por História, fica como verdade o que está na tela. Vale a pena citar RESUMIDAMENTE as buscas de George Bush por Osama Bin Laden (treinado por quem mesmo?) no Afeganistão, depois as buscas por Saddam Hussein com a denúncia de estoques de armas químicas e biológicas de destruição em massa e com a coalizão militar com outros países contra os iraquianos, deu início a um intenso bombardeio no local. E a tal das armas? Basta pesquisar no Google as atrocidades cometidas pelos soldados norte-americanos contra civis, sem contar mulheres. De tão nojento, decidi não reproduzir aqui. É repugnante. Não são todos, mas vá lá. Não me engane apenas com um filme. No fim de 2011, Barack Obama cumpriu a promessa e deixou livre o Iraque da ocupação e cheio de problemas.
Não estou defendo os terroristas que são citados na obra de Chris Kyle como "o mal feroz e desprezível" e que no filme são chamados de "selvagens". Não é isso. Ressalto que o filme demonstra até a morte de Abu Musab al-Zarqawi, conhecido como açougueiro, guerrilheiro e líder terrorista. A capacidade de violência desses terroristas é inenarrável e indescritível. O aumento de adeptos ao terrorismo é alarmante e para explicar a gênese, motivos e grupos seria necessário mais de uma postagem. Aqui a questão não é o terrorismo ou a "lenda", mas a intenção do filme. Acredito piamente que foi um bom pai, marido e soldado. Teve seu lado perverso (humano talvez) pois é dele a frase: "talvez a guerra não seja diversão, mas eu gostei". A postagem toda é apenas para a análise mais pincelada do filme e não apenas geral.
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