Do que leio, assisto, sinto e absorvo. Nunca será uma verdade absoluta, apenas um ponto de vista ou a vista de um ponto. Talvez uma dedução equivocada do meu olhar diante do mundo. Um olhar humano cheio de CID´s sem a presença da IA. Ela não devaneia. Então pra mim não serve. Eu quero o luxo do erro da falta de coesão textual. Aqui na solidão impossível de quem lê e carrega personagens e enredos dentro de si, me leio e releio. Para mim, é o suficiente. Os devaneios são meus, é tudo que tenho.
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sábado, 22 de outubro de 2016
terça-feira, 26 de abril de 2016
Cartas do Inferno - C.S.Lewis
Cartas do Inferno (Cartas de um diabo a seu aprendiz) do célebre autor C.S.Lewis é uma ficção satírica sobre como o cristão é tentado na sua trajetória cristã. Inicialmente, eram cartas publicadas no The Guardian e em fevereiro de 1942, foi lançado como livro e dedicado a J.R.R. Tolkien.
Nessa ficção, Screwtape (Fitafuso), um demônio experiente, ensina ao seu sobrinho, Wormwood (Absinto) a como tentar seu recém-convertido. Eles chamam o cristão de paciente. Digo eles, mas temos acesso apenas às cartas de Fitafuso. Deus é chamado de O Inimigo, e nós, volta e meia chamados de vermes e bípedes.
Como pano de fundo, a Segunda Guerra Mundial, Fitafuso vai indicar como desviar seu paciente da fé genuína. O interesse não é desviar da igreja, mas da possibilidade de relacionamento e transformação. Ele explica para Absinto que O Inimigo leva os cristãos algumas vezes a momentos difíceis, mas o esquecimento de vitórias passadas mina a fé, principalmente por não ser atendido.
O ataque tem muito maiores chances de ser bem sucedido quando por alguma razão o mundo interior seu homem estiver desmazelado, frio e vazio.
Muito interessante como Fitafuso liga os problemas de infância do paciente com a mãe e ensina a Absinto usar comportamentos repetitivos que irrite-o. Para ele, o cotidiano deve ser recheado de comportamento irritantes, como o levantar da sobrancelha. Algo simples, mas vai no subconsciente do paciente sem que ele perceba.
Fitafuso também aborda sobre a não oração, o esfriamento com o grupo da igreja, a necessidade de trocar de igreja (há duas em análise com características próprias), sobre a tentação sexual, e sobre o orgulho que nasce de forma inocente. Subliminar.
Quando o paciente se apaixona, Fitafuso informa sobre seu ódio ao prazer e acusa o Amor com o momento de discórdia entre O Inimigo e o diabo. Achei muito interessante e refleti bastante sobre a questão do passado e presente:
Desejamos
que ele fique na máxima incerteza, e que sua mente fique cheia de aspectos
contraditórios do futuro, para que cada um desses aspectos provoque nele
esperanças e receios. Não há nada como o suspense e a ansiedade para levantar
pela mente humana uma autêntica barricada contra o Inimigo. Ele deseja homens
ocupados com o que fazem, ao passo que nós trabalhamos para deixá-los
preocupados com o que irá acontecer a eles.
Indico. Leitura rápida e atual.
quinta-feira, 3 de março de 2016
O eclipse da Graça Philip Yancey
O motivo principal para Philip Yancey escrever Eclipse da Graça: onde foi parar a Boa Nova do Cristianismo? foi a preocupação de que a igreja está falhando em sua missão de ministrar a graça a um mundo sedento dela. Atualmente, as igrejas estão como a fala de John Updike (A Month of Sundays): "Em geral as igrejas (...) tinham para mim a mesma relação com Deus que um outdoor com a coca-cola, promovia a sede sem saciá-la".
Após ver os resultados de levantamentos feitos pelo grupo de pesquisa George Barna, o autor quis explorar o que causou um sentimento hostil em relação aos cristãos. Participando de um grupo de leituras com participantes diversos e de várias experiências, Yancey registrou algumas pistas dos possíveis motivos para a hostilidade em relação aos cristãos:
"Os cristãos parecem uma legião de polícia moral determinada a impor aos outros a sua concepção de comportamento correto; fontes primárias de fanatismos e guerras; condenam comportamentos que praticam; falta de diálogo ou interação com os grupos seculares; parecem mais ministradores da culpa que ministradores da graça; o envolvimento do cristão com a política e os escândalos advindos de tal interação".
Para trabalhar o tema "a graça em extinção" o autor dividiu a obra em quatro partes:
- Um mundo com sede: a visão do leigo sobre o cristão;
- Ministradores da Graça: como poderíamos melhorar-nos como cristãos, fixando-nos em três grupos, peregrinos, ativistas e artistas;
- É de fato uma Boa Nova: E se for, como se sustentar à luz de alternativas oferecidas pela ciência, pela New Age e por outras crenças; e
- Fé e cultura: o confuso papel do cristão num mundo plural.
É um livro para quem decide rever seu papel como cristão. Com seu estilo singular, Yancey cita vários autores e experiências, o que enriquece muito mais a leitura. Indico.
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Meditações para Maltrapilhos
Esse livro chegou no momento certo na minha vida. É um apanhado de textos retirados de conferências, palestras, devocionais e alguns livros do autor Brennan Manning (Richard Francis Xavier). Abro um parêntese para também indicar dele as obras: A assinatura de Jesus, O impostor que vive em mim, Colcha de retalho e o seu livro mais conhecido, O Evangelho maltrapilho. Meditações para maltrapilhos é um devocionário, mas eu não segui uma leitura por dia, e acrescento que é o tipo de livro que você pode reler sempre.
Sem reservas, fala sobre a prontidão do autor em viver o martírio por Cristo,
que não seria necessariamente morrer, mas para viver para Ele um dia de
cada vez. Além dos seus textos, ele também cita várias frases de outros, o que só acrescenta o nosso devocional.
Santo não é aquele que é bom, mas o que experimenta a bondade de Deus. Thomas Merton
Por que devemos nos portar como Atlas cristãos, carregando o mundo inteiro sobre os ombros, tentando merecer o amor de Deus? (Eu a amei com amor eterno, com amor leal a atraí. Jeremias 31:3). Fé, significa desejar mais intimidade com Jesus Cristo. Se é para nossa fé ser criticada, que seja pelas razões corretas.
Jesus não pediu que confiássemos em Deus, ele ordenou. Achamos, no entanto, que a confiança amenizará a confusão, amortecerá a dor, remirá os tempos. Hebreus 11 testifica que não é assim. Nossa confiança não ameniza o caos. Quando tudo o mais é impreciso, o âmago da confiança diz: Nas tuas mãos entrego o meu espírito.
O maior obstáculo na vida de oração foram as expectativas (Padre Frank Miles)
A cruz é tanto um símbolo da nossa salvação quanto o padrão para a nossa vida.
Talvez por isso que as únicas quatro vezes que "seja feito a tua vontade" ocorre no Novo Testamento são no contexto de martírio. Quanto mais velho eu fico, mas percebo a verdade do adágio: "É mais fácil morrer por Cristo que viver para Ele".
A cruz de Jesus sempre permanecerá um escândalo e uma tolice para discípulos exigentes que buscam um salvador triunfante e um evangelho da prosperidade.
A vida de um cristão não é a imitação de um herói morto.
O Deus do cristão legalista, por outro lado, é com frequência imprevisível, errático e capaz de toda sorte de preconceito.
Você não compreende que discipulado não significa estar certo, ser perfeito ou eficiente? Diz respeito à maneira que as pessoas vivem umas com as outras
E a reação divina de surpresa, naturalmente, é que amar-nos liberta-nos para amar o outro.
domingo, 22 de junho de 2014
17°/2014 Anarquia e cristianismo
Conheci esse autor (sociólogo/teólogo/protestante francês) na leitura de "Política de Deus Política do Homem" um estudo sobre o livro bíblico de Reis. O livro "Anarquia e Cristianismo" é uma aula de História! O autor deixa claro que rejeita absolutamente a violência e descreve a anarquia do ponto de vista de um cristão. Também aponta os motivos de desgosto do anarquismo com o cristianismo, fonte de muitas guerras. Dá-lhe História! No capítulo sobre "Bíblia, a fonte de anarquia". O autor começa o capítulo afirmando que anarquia (an-arkhé) não é negação de domínio ou desordem. O homem ocidental está tão persuadido de que a ordem na sociedade só pode ser estabelecida por um poder central forte, que questionar esses poderes, para ele, equivale a semear a desordem. Vale lembrar de Lutero e a revolta dos camponeses, só para reflexão. Entre outros assuntos é abordado para dar base ao título do capítulo: Referência sobre a Bíblia Hebraica, Jesus e a autoridade da época, o Apocalipse e o contexto histórico no qual foi escrito, a Epístola de Pedro (1 Pe 2.13-17)e Paulo em Romanos 13.1-7. No capítulos finais uma aula de História e demonstração de como o Estado absorveu o cristianismo nos primeiros séculos d.C: Sínodo de Elvira (313); conversão de Constantino (312-313); Sínodo de Arles (314)e o concílio de 314. Finalizando: "os cristãos engajados precisam evitar cair no balaio da ideologia em voga no momento. A Igreja foi monarquista na época dos reis, imperialista com Napoleão, republicana na República e agora socialista (a Igreja Protestante, ao menos) socialista como todo mundo". Palavras de um sociólogo e teólogo protestante. Indico!
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