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segunda-feira, 21 de abril de 2025

Muito Louca - Netflix

 


    Bom, eu busquei filmes de 90 minutos (tenho TDAH e filmes longos são torturantes pra mim) e na verdade a duração de Muito Louca é de 1h34. Tudo bem! Eu e meu esposo ficamos vidrados em Natalia Oreiro, atriz e cantora uruguaia, que fez o papel de Pilar. People, é comédia. Ponto! Mas eu penso como Freud "Brincando a gente pode falar tudo,inclusive a verdade".


    Pilar é uma profissional que está na transição do pai para o filho em uma empresa de publicidade e agora é chefiada por um jovem que anseia por inserir as novidades virtuais em campanhas tradicionais. Percebemos a presença de uma influencer (que descobrimos que só participa da tal campanha publicitária por causa de Pilar, uma mulher quase quarentona). Toda essa tecnologia deixa Pilar deslocada e insegura. Quem nunca? (Nós geração 50/60/70). 

    Enquanto isso, vive amizades que não desconectam do aparelho telefônico, de um enteado que não a respeita e de um marido que não a auxilia nas tarefas domésticas. Quem nunca? Porém, um amigo de anos vai se casar com uma moça da geração atual, e juro, sem dá spoiler, achei Pilar, deveras corajosa. Mas o que quero apontar mesmo é a figura do psiquiatra/psicólogo. Por mais que seja uma produção argentina, percebemos uma mulher medicamentada que aceita tudo e em nada é auxiliada pelo profissional. Quem nunca em várias nacionalidades?

    Um rito, que no decorrer do filme, coloca Pilar no centro da ação, demonstra que o poder de limite e ação sempre esteve nela e com ela. O filme é interessante por abordar conflito de gerações, tecnologia, decisões, saúde mental e limites. Não é o final que eu esperava (geração passada), mas muito válido. 

Era uma vez um sonho - filme Netflix

    Juro por todas as musas gregas que eu não conhecia esse filme de 2020 e que acabei escolhendo por acaso. Assino a plataforma de streaming Netflix por ter em seu catálogo a maioria das animações japonesas do Estúdio Ghibli. Por que não usufruir? Meu esposo ama filmes (eu, não muito) e nesse dia decidimos algo bem café com leite. Bom, não foi. Um tema bem punk! 

    Gente, eu amo Glenn Close desde Atração Fatal (1987) e saiba, ela simplesmente é o foco do filme Era uma vez um sonho. Eu sempre gosto de pesquisar críticas do que assisto: antes, durante e depois. Meu esposo vive me criticando por isso. Enfim, essa sou eu. Em uma dessas pesquisas descobri que o filme é baseado na biografia/livro (1ª imagem) do vice do atual presidente norte-americano Donald Trump, J. D. Vance. Eita!


    O que mais me deixou alegre diante de um enredo familiar super complicado por causa do uso de drogas da mãe de J.D. Vance é que ela está limpa há algum tempo. Depois de Eu, Cristiane F, 13 anos, drogada e prostituída  ou Só por hoje e sempre (biografia Renato Russo) e a atualidade desses personagens (o que me deixa triste), claro que saber que que B. Vance (mãe) continua na luta me dá esperança. O filme não ultrapassa a fase do vício. 


     Voltemos a Glenn Close, que atuação! Gente, o que seria de J. D. Vance sem a ação dessa avó? Quanto de culpa ela leva na criação de B. Vance? Não sei. A decisão foi dele e com muita dificuldade está lá, sendo visto. Sabemos que o enredo poderia ter sido diferente, como de muitos que seguem nesse contexto familiar de dependência química. Antes de finalizar, olha essa foto e a semelhança entre a personagem real e a Glenn que faz o papel da avó. 


INDICO!

terça-feira, 15 de abril de 2025

Como ganhar milhões antes que a vovó morra - Pat Boonnitipat

 


 Como ganhar milhões antes que a vovó morra (Lahn Mah) é um filme de comédia tailandesa de 2024 que teve grande aceitação na Ásia e agora chegou na plataforma de streamming da NetflixA maioria das páginas que contém a sinopse do filme informa (na minha opinião) erroneamente que um jovem abandonou um emprego para cuidar da avó. Bom, eu não entendi que ele tinha um emprego, mas que era um alienado no lucro que poderia obter sendo gamer enquanto sua mãe trabalhava e sustentava a casa de forma sobrecarregada. 

    M., o neto de Mengju, participa do Festival Qingming (pesquisei) com o núcleo familiar formado por: tio mais velho (o preferido e mais bem sucedido da avó), sua esposa e filha; o tio do meio (irresponsável e sem dinheiro) e a mãe. Nessa visitação ao túmulo, percebemos a distância entre as gerações. A avó cobra os procedimentos certos diante da tradição de visitar e celebrar os mortos, mas o neto jovem apenas se atenta ao jogo online e ninguém parece desejar estar ali.

    Após a morte do parente da sua prima e sabendo que a casa foi deixada para ela após cuidar do falecido doente e idoso, M. começa a se interessar em cuidar da avó doente com a esperança de receber a casa como recompensa. Inclusive ele conta que ela está com câncer no intestino, algo que a família não havia até então contado. Eis o enredo resumido, daqui em diante não vou me aprofundar para não dar spoiler. 

    Para M. há uma grande necessidade de ganhar dinheiro rápido e se amparar em plataformas digitais para tal. Ele quer ser influenciador game; sua prima após ser herdeira da casa, faz conteúdo adulto como enfermeira; seja como for, a mensagem é: PRESSA! Como esse conflito é passado na longa metragem? Percebemos uma avó que respeita etapas, procedimentos e detalhes. M., diferente dela, quer esquentar uma água no microondas pois é a mesma coisa da água esquentada na chaleira. Tem outros exemplos no decorrer da convivência dos dois dessas diferenças em fazer e enxergar o mundo.

    M. não cultua nada, não acredita na religião da sua avó, não entende porque ela deixou de comer carne para pagar uma promessa para uma deusa que curou o seu filho mais velho, não entende a importância de ter um caixão a ponto da avó ser humilhada pelo próprio irmão. Com o passar do tempo, mesmo não sendo religioso, M. começa a refletir sobre valores da vida. 

    As imagens também proporcionam a análise sobre o velho e o novo. Casas antigas e prédios altos compõem a cenografia para informar que ambos coexistem no mesmo lugar. M. se adapta na casa da sua avó com TV de tubo, chaleira, guardar dinheiro no armário. Enquanto isso, Mengju, consegue ao menos usar um filtro no aparelho telefônico. Aos poucos, o novo cede e o tradicional ensina explicando a importância dos ritos, do sagrado, da tradição. 


    Com uma leveza poética, o drama ensina com o auxílio do humor, necessário pelo peso do tema, que valores podem ser adquiridos e que a passagem do bastão de uma geração para a outra pode ser realizada de fato. Todos são humanos, todos ali também estão presos pelo peso da tradição não compreendida (geração dos filhos de Mengju), todos ali também sentem uma amargura que determina comportamentos. Não há vilões. M. faz parte da nova geração que indaga, que a princípio tem um objetivo sórdido, mas, que, por ter a coragem de perguntar e criticar, obtém as respostas. Elas que possibilitaram a sua mudança. Indico com a pipoca e lencinhos de papel. Lágrimas e risadas garantidas. 


segunda-feira, 14 de abril de 2025

O quarto ao lado - Pedro Almodóvar


Eu ando pelo mundo prestando atenção
Em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar (Adriana Calcanhotto)

    Devo começar informando que muitas críticas que li sobre o filme O quarto ao lado de Pedro Almodóvar, citaram a ausência das ditas cores tão presentes em seus filmes. Incrível que foi a primeira coisa que percebi, pois uma das características do diretor é usar das cores para transmitir o humor do personagem/situação. Elas estão bem presentes, mas de uma maneira mais "outono", digamos assim. Bom, não vou dar muitas informações técnicas sobre o filme, só resumir em: Julianne Moore e Tilda Swinton. Já é o bastante para você confiar que vai ser interessante. Um diretor genial e duas atrizes fenomenais. Acrescento que é baseado na obra literária de Sigrid Nunez "What we are going through" (O que você está enfrentando) e é a primeira produção em inglês. 

    Bom, duas grandes amigas do passado, Ingrid e Martha. Trabalharam juntas e bem íntimas... na época. Pausa no relacionamento dessa amizade por um distanciamento de tempo e espaço. A primeira se tornou uma escritora famosa e que em seu último livro debate o tema da morte, algo que ela não compreende. A segunda, reporter de guerras que vivenciou muitas tragédias e mortes. As duas tem bagagem cultural e isso vai ser debatido em vários momentos do filme. Martha está vivendo a sua própria tragédia pessoal: um câncer. Após participar de tratamentos como cobaia toma uma decisão a qual envolve Ingrid, a eutanásia. 

    A partir de agora não vou mais falar do enredo, apesar de ser digno de reflexão, afinal é um filme que cita aquecimento global, mundo pós pandemia, solidão, amizade, pessimismo, otimismo, morte e afins. Agora em diante serão as minhas próprias reflexões. Eu detestei Martha. Isso parece algo cruel, afinal é ela que está morrendo e a morte tem esse poder de absolver tudo e todos. Martha tem um conflito com a sua filha e ela tem um motivo para tudo o que fez. A filha ausente em um momento tão delicado e Martha querendo poupá-la, só fortalece a "bondade" da mãe abandonada, que, se analisarmos bem, abandonou a filha ao viajar tanto. 

    O que fortaleceu a minha opinião sobre ela foi a fala do seu ex-contato físico e sexual, Damian (John Turturno), para Ingrid (que também se relacionou/relaciona com ele em um outro formato mais "humano"). Martha tinha pressa em suas relações íntimas e ele chega a citar a palavra "terrorismo". Mas se dermos um maior zoom, ele não é tão diferente de Martha na sua racionalidade diante da vida e da morte. Por isso que será ele o responsável em achar uma advogada para Ingrid. A escritora sempre transfere essa racionalidade para "não quero falar sobre isso agora" ou "vamos falar sobre isso depois". O melhor diálogo foi entre ele e Ingrid:

"Perdi completamente a fé de que as pessoas façam a coisa certa". Damian

"Há muitas formas de viver dentro de uma trágedia" Ingrid 

    Sobre Ingrid, sei que pessoas assim existem. Me refiro a grandeza do seu coração. Mas eu tenho a sensação que foi mais por não saber dizer "não". Martha em certo momento disse que sabia do sucesso da amiga escritora. Por que nunca ligou? Por que as duas não se mantiverem conectadas? Sei que a vida moderna faz mulheres com carreiras de sucesso tomarem decisões dificeis no campo da maternidade e relacionamentos. Sei também que é mais uma das provocações reflexivas do diretor. Mas a frase de Ingrid mediante a informação da câncer da amiga "como eu não fiquei sabendo?" me faz pensar que não eram tão íntimas assim para Ingrid ter que aceitar a escolha da amiga. Ela não foi obrigada, mas a partir da primeira visita teve a sua vida transformada e foi entrando de novo na vida de Martha a partir de pedidos da amiga doente, não por iniciativa própria. 

    Claro que existiam outras amigas que negaram o pedido de Martha fazendo de Ingrid a última opção. Será que era apenas porque Ingrid deixava claro em suas obras que tinha medo da morte? Ao meu ver, qualquer amiga servia.  Volto a repetir, não eram mais íntimas e ela nem sabia do câncer.  A forma como ela passa a agir para colocar o seu plano em ação,  a forma como só pensa em si mesma e passa a justificar como consequência da doença e tratamento, ignorando os sentimentos de Ingrid só reforçaram a minhã visão dela como EGOÍSTA. 

    Deixando de lado o que eu nem chamo de análise, mas apenas de devaneios pessoais, claro que é um filme digno de debate e vinho. As possibiidades de um filme tão curto são dignas de reuniões semanais para pincelar cada item gerador de reflexão. Até o local ambientado em Nova York me pareceu um pouco provocador, já que a cidade norte-americana é uma excelente referência para vida acelerada e líquida. Só é possível parar para refletir em uma situação como a de Martha? Bom, mais um devaneio pessoal. 

    Finalizemos com Edward Hopper e as referências do artista na casa escolhida por Martha. A fotografia total dessa casa nos dá uma sensação de ser a obra cinematográfica dentro de um quadro pintado por Hopper. Aliás, suas obras abordam finitude, contemplação, solitude e sentimos uma mesclagem de Hopper e Almodóvar na seleção de cores. Genial. Há muitas referências literárias, cinematrográficas, musicais e até guerras. Não é um filme simples para quem não conhece todas as citações, porém, possível. 

    Claro que indico para uma abordagem na psiquê humana sobre como enfrentar o fim e como lidar com as questões que deixamos para depois e esse depois chega. Martha acaba transferindo para Ingrid o depois "mãe e filha" - "ela nunca me contou isso sobre o meu pai". Ingrid recebe como presente, talvez a amiga já soubesse disso. Martha lidava com guerras, mas não conseguia lidar com o conflito entre ela e a sua filha. Deixou apenas uma carta para a amiga e uma para a polícia. Para a filha, bens materiais. No quesito das escolhas, bem sabemos que nem todos podem desistir em nome da dignidade diante do óbito e que a grande maioria não tem material poético elitizado para ser paliativo diante da finitude da vida. Mas como bem disse a personagem Ingrid "há várias maneiras para se viver dentro de uma tragédia". Ninguém está imune a passar por elas. 

*é a minha primeira impressão após assistir o filme. Depois de conversas com amigas e reflexões, sei que algo vai mudar (ou não) sobre Martha. Ninguém atravessa uma ponte sozinha quando o assunto é relacionamento e o outro decide por muro. Escrevo em outra postagem qualquer mudança de opinião. 

domingo, 26 de abril de 2020

O Poço (Netflix)


No filme, acompanhamos Goreng (Ivan Massagué), que acorda numa prisão vertical ao lado do companheiro de cela, Trimagasi (Zorion Eguileor). Nessa prisão, a comida é distribuída de cima para baixo. Quem está nos andares de cima come à vontade. Todo o filme, principalmente seu final inusitado e muito aberto, deixou muitas interrogações. Indico muito!