Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de junho de 2026

A Cabeça do Santo - Socorro Acioli

     Como um livro publicado em 2014 se tornou um fenômeno em vendas dez anos depois? O que colocou a escritora, jornalista e professora Socorro Acioli e o seu livro A Cabeça do Santo entre os mais vendidos e emprestado na plataforma da Biblioteca MEC Digital? FLip 2023 Busca Mec Digital MEC A Cabeça do Santo 

    Socorro Acioli já escrevia histórias infantis e paralelo a isso, guardava reportagens sobre uma escultura colossal que estava sem a cabeça no munícipio de Caridade (97 km de Fortaleza, sua terra natal). Única brasileira a participar da oficina de roteiro em 2006/Cuba com o consagrado Gabriel García Marquez (1927-2014), escreveu em dois dias o resumo do atual best-seller que conquistou brasileiros e já foi traduzido para outros idiomas. 


Gabo e Socorro Acioli no workshop em Cuba 2006


    Gabo aprovou e incentivou uma produção cinematográfica, fato que está atualmente em planejamento pela produtora Joana Mariani. No quesito realismo mágico (gênero literário), o autor não teve dúvidas sobre as possiblidades daquele resumo de Socorro Acioli. O livro foi publicado em 2014 pela Companhia das Letras e foi seguindo a trajetória árdua conhecida pelos autores nacionais. . 


     Claro que o talento da escrita da autora é uma explicação óbvia para que a indicação boca-a-boca continue, sendo em 2026 leitura em vários grupos literários. Mas, devemos concordar que o advento das parcerias entre editoras e influencers deu um up nas redes sociais. A geração tiktokiana passou a conhecer em poucas páginas uma crítica social da exploração econômica e política e a força que há na fé de um povo limitado materialmente. 


    O município de Caridade/CE (década de 80), tinha como prefeito o sr. Raul Linhares Teixeira, que desejava a partir de uma escultura de 33  metros aquecer a economia local com o turismo religioso. Contratou o artista Francisco Barbosa de Oliveira (Franzé D´Aurora) para o trabalho. Eu fiquei bem curiosa sobre a verba disponível de um município para tal façanha e provavelmente foi limitada, o que explica a não continuidade. Primeiramente não seria no local que o corpo do santo encontra-se, mas diante de uma adversidade no início da construção mudaram o local e por causa dos ventos fortes e a necessidade de fortalecer internamente, não havia mais dinheiro e colocar a cabeça seria um risco real. 

Por volta de 1980 quando o fabriqueiro Raimundo Lopes Ferreira e muitos outros que trabalhavam na edificação do primeiro nicho, uma parede inteira desabou por cima dos operários e ninguém se machucou”, conta, Margarida Linhares, esposa do então prefeito à época. Seguindo este rastro, resolveu o Prefeito, erigir no alto do Serrote Cágado, nome primitivo do município, um monumento que em tamanho seria o terceiro maior do mundo, com templo, praça pública e dotada de uma infraestrutura necessária para transformar-se num polo de atração dos fiéis e recanto de beleza turística e lazer da região. A proposta foi encaminhada ao professor Alexandre Diógenes da Universidade Federal do Ceará-UFC, assim como, o escultor e artista plástico, Franzé D’Aurora, que elaboraram o projeto do monumento. Apesar das inúmeras dificuldades, principalmente no que se refere ao aspecto financeiro, o projeto foi iniciado usando uma tecnologia nova para época. Numa última analise, constatou o professor, que a estrutura de tamanha magnitude já praticamente concluída precisaria de um reforço interno, devido à intensidade e a força dos ventos naquela altitude, se assim não o fizesse ela não suportaria o peso de tamanha cabeça. A mudança inesperada alterou o orçamento fazendo com que a conclusão fosse adiada por tempo indeterminado. Fonte
    Como historiadora, eu tenho muitas dúvidas sobre a aprovação de uma obra a nível municipal, mas eu não vou me aprofundar nessa temática. O tio do ex-prefeito na época era deputado e fazia parte da equipe do governo e vale lembrar que no período do regime militar, essas obras faraônicas eram padrão e muitas empreiteiras se beneficiaram. Não estou acusando ninguém de nada, só fazendo uma observação que para a época, seria aprovada tranquilamente sem muitas indagações e quando o assunto é religião, a devoção ganha o apreço popular. 
     O livro começa com Mariinha fazendo um pedido para o seu filho Samuel antes de morrer. Que ele acenda três velas em pés de santos diferentes e que vá atrás da sua avó paterna e seu pai desconhecido. Mesmo sem ter a devoção da mãe, Samuel aceita o pedido contrariado. Mariinha, expulsa de casa pelo próprio pai quando descobriu estar grávida de Samuel, acha em uma empreendedora local de artigos religiosos, abrigo. Samuel acende a vela para Padre Cícero, na colina do Horto em Juazeiro do Norte (figura acima - 1969); para São Francisco na cidade de Canindé (figura abaixo - 2005) e para Santo Antônio na fictícia cidade de Candeia. O contato com a sua avó não é afetuoso, mas é ela quem indica a cabeça do santo como abrigo. 


    Samuel sofre um ataque de cães selvagens e dentro da cabeça abandonada, tenta se recuperar da ferida. Ao conhecer Francisco de uma forma nada convencional, comenta que escuta vozes, o que poderia ser um delírio febril por causa da mordida bem inflamada. Seria Samuel dotado de dons espirituais? Francisco, um pré-adolescente, vê nas escutas uma possibilidade de ganhos e após uma primeira tentativa com sucesso, o casamento de Madeinusa e doutor Adriano, a fé perdida pelo corpo sem a cabeça, retorna em forma de romarias das cidades vizinhas e reavivamento da cidade em forma de turismo religioso local. 

    Samuel e Francisco poderiam abusar da crença alheia em prol da sobrevivência? Com estratégias de Francisco e o dom de Samuel, a cidade voltou a existir. Osório e Helenice, casal de políticos, retornam para explorar e lucrar com o ocorrido, demonstrando todo o lado ganancioso de muitos políticos atuais. Esse é o pano de fundo como um retrato da realidade do sertão nordestino que vive sob o descaso político e a sobrevivência pela fé. As personagens não são princesas e nem heroínas, são mulheres que oram e sobrevivem. Não se vitimizam, enfrentam o destino. Elas sonham, apesar da dura realidade. Querem casar, formar família. Não desistem do santo, mas continuam a afogá-lo no copo e ameça-lo no ouvido na cabeça sem corpo, caso não alcancem a benesse. 

    Socorro nos apresenta as romarias, a gastronomia simples, porém rica em nutrientes, a tradição, a exclusão moralista e as feridas da ausência paterna. O livro será tema do samba enredo em 2027/Tijuca, até lá, indico a leitura. Você vai gostar!




sexta-feira, 4 de julho de 2025

A cabeça do santo (ainda não é a resenha)


    Cuidando da minha saúde em tempos de secura, decidi dar uma espiada nas promoções da Amazon (Kindle). Me deparei com esse título, A cabeça do santo, e lembrei de uma entrevista da última Bienal/RJ/2025 onde quase ninguém conseguia citar um título de literatura brasileira (sem ser os clássicos). Mas uma jovem citou e deu um relato muito interessante. No dia pensei "esse livro deve ser muito bom para essa leitora dominar assim a sinopse". Pois bem! Quando dei por mim, baixei e em uma única sentada li 58 páginas, a saber, a primeira parte. Quanto tempo isso não me acontecia ...

    Gente, um livro lançado em 2014 e a forma como "aconteceu" é muito interessante. De forma resumida, a autora precisou de uma narrativa para participar de uma oficina do falecido autor colombiano Gabriel García Marquez em 2006. Ela conseguiu participar. Vou escrever tudo direitinho com maiores detalhes na resenha do livro, pois acredite, a história é fértil e muito interessante. Realmente tem uma cidade chamada Caridade no sertão cearense com uma cabeça de santo. 

    Samuel, após perder a sua querida mãe, Mariinha, viaja para Candeias para cumprir o que prometeu a sua genitora no leito de morte. Eis a aventura, ele acaba dentro de uma cabeça de santo e passa a escutar as orações casamenteiras que mulheres da pequena cidade fazem ao santo para casar. Eu fui sequestrada pela escrita da autora e fui conhecer um pouco mais sobre ela. O livro vai virar filme e já foi traduzido e lançado em outros países. Que demais! Indico e sigo lendo. Logo uma resenha por aqui. 
 

Breve relato do 1º Encontro Literário da Sally

       Não dei muita atenção ao meu encontro literário (25/06), pensei que passaria despercebido e aquele sentimento de "deixa pra lá" e "não tem importância". Mas no fundo do meu ser que amo leitura, tinha. 

    Organizando a minha participação em um festival nipônico aqui na city, segui ocupada, pois é uma forma segura de desviar dos nossos desejos e sonhos. Álias, procrastinar fazendo mil coisas é uma forma segura de acreditar que "não procrastinamos". Assim segui desde o dia que lancei a data do meu 1º encontro literário aqui no blog e mandei convites para muitas pessoas. Não botei muita fé! Porém, a mensagem do whatzapp chegou dois dias antes da data marcada. Daisy, uma grande amiga, havia anotado na agenda e, sua mãe, também uma grande amiga, participaria. Incrível como no impulso da urgência eu não fico no limbo da dúvida. Decidi de forma rápida: farei! 

    Mas deixa eu explicar essa decisão impulsiva que foi mais rápida que a indecisão desde o dia que lancei a data: eu faria o meu primeiro encontro com pessoas confiáveis, amáveis e que não pesava em mim a dúvida do amor que sentem por mim. Nunca gostei de multidão, mas estar entre pessoas que fingem apreço a mim, me deixa muito mal. Convidei de última hora uma amiga leitora que aceitou sem pensar duas vezes. Confesso que li apenas os dois primeiros capítulos, pois no processo de autossabotagem, não ler seria um mecanismo útil de fuga. Mas durante o encontro, explanei sobre o tema, sobre mim e foi uma catarse tão fluída, que eu gostaria que tivesse sido filmado (ou não). 

    Adoeci após o encontro nipônico (meu estado de saúde atual). Eu tão ativa e elétrica me vi obrigada pelo meu corpo a parar e repousar. Passados os dias de dores, sentei e li mais dois capítulos do livro tema do encontro literário - Medo de dar certo: como o receio de não conseguir sustentar uma posição de sucesso pode paralisar você (Natália Sousa). Me conectar novamente custou um pouco. Gosto muito do podcast e até a escuta me deixou irritada por esses dias. Tipo: "agora eu tenho tempo, estou em casa, férias merecidas da faculdade, quase recesso da vida de professora"... mas a identidade de ser tudo tão difícil faz parte do medo de dar certo. 

    Bom, finalizando, li o capítulo 4 - Medo de dar certo devido à ansiedade que o sucesso causa. Anotei com carinho para o próximo encontro (sim! teremos!) 30/07 situações que a autora explana e que me fez refletir muito. Só queria deixar aqui registrado uma situação que ela, Natália, leu um poema de autoria própria e ninguém deu atenção. Ela se sentiu péssima. Então ela foi em um retiro e para não jogar fora as cópias do seu poema, deixou na pousada. Foi lido por todos daquele lugar. Inclusive virou canção na voz de Marisol Mwaba e tive o prazer de assistir e ler. Ainda bem que ela não jogou fora. 


Tu inteira nunca é só
Fincar as raízes no peito, como fazem as árvores na terra. Saber-se tronco, sombra e balanço para as tuas faltas e sumo que cicatriza nas tuas dores. Reconhecer-se parte importante de tudo que existe e descansar na certeza de que tu inteira nunca é só.
Tu inteira nunca é só.
Ser do tamanho que se é sempre, mesmo que o olho nu não a alcance. Ser nu nos amores, nas certezas e nas defesas. Ser enorme em tudo que te habita e viver todas as coisas com a urgência de uma vida que é uma e é só.
Tu inteira nunca é só.
Ser terra, plantio e colheita da tua própria primavera. Ser grande. Ser imensa. Ser tudo que pode e a todo tempo ser descanso e balanço para tua criança e ser amiga dela.
Ser você e com você, ser tudo.
Ser mulher.
Tu inteira, lembre bem: nunca é só!

sábado, 19 de abril de 2025

Literatura nas animações do Studio Ghibli (Parte I)

     Citei na postagem anterior sobre a relação entre o título japonês da animação O Menino e a Garça (título internacional) com o livro How Do You Live? (Como você vive?) do autor japonês Genzaburo Yoshiro (1899-1981). Uma das características do Studio Ghibli, fundado em 1985, é a forma como os diretores adaptam obras literárias em suas produções. Como sigo em minha pesquisa acadêmica, achei pertinente compartilhar algumas informações, ainda mais aquelas de cunho ocidental (tema do meu TCC já explanado em outras postagens). 

    Vou começar com Nausicaã do Vale do Vento (1984) que eu ainda não assisti, pois sigo acreditando que vou conseguir ler todos os mangás que foram produzidos entre 1982 a 1994. Só li o volume 1. Oremos! O nome Nausicaã foi escolhido por Miyazaki por causa da princesa de Feácia do livro Odisseia de Homero. Conheco a obra e super indico. Fiquei me perguntando o que teria feito Hayao escolher essa personagem. Devaneios de Sally. No quesito personalidade, Nausicaã tem por referência o conto do folclore japonês A Princesa que amava insetos. Só uma curiosidade, li algo a respeito sobre Rey (Star Wars) e Nausicaã, deixo aos interessados o link Influência Japonesa em Star Wars

Ulisses e Nausícaa, de Michele Desubleo (1602-1676)

    Túmulo dos Vagalumes (1988) produzido pelo diretor Isao Takahata (1935-2018) é considerado o filme mais triste do Studio Ghibli pela maioria dos fãs. Concordo plenamente. O filme foi baseado no livro Hotaru no Haka (1937) do autor Akiyuri Nosaka (1930-2015) e a obra literária é sobre a vivência do escritor durante a 2ª Guerra Mundial. Sua cidade Kobe foi bombardeada em 1945 pela bomba B-29 e sua irmã faleceu de fome. Ele publica o conto que se torna depois um romance biográfico para se desculpar com a irmã. 

Cidade de Kobe antes do bombardeio

    O serviço de entregas da Kiki (1989) do diretor Hayao Miyazaki foi baseado no livro infantil Entregas expressas da Kiki da autora Eiko Kadono. Ela se baseou em um desenho de sua filha  de uma bruxinha com uma vassoura voando no céu escutando um rádio. Kiki tem 12 anos assim como a filha de Eiko Kadono e seu único poder é voar em uma vassoura. Seus problemas devem ser resolvidos com auxílio da sua inteligência. 

Eiko Kadono

    Na animação japonesa, Miyazaki aborda a passagem da infância para a juventude e sobre a superação da personagem Kiki desenvolvendo a sua capacidade longe orientação familiar e sem o poder da vassoura durante um tempo. Duas abordagens maravilhosas sobre a pré-adolescência feminina. Devaneios de Sally. Ah! As aventuras literárias de Kiki acontecem em 8 títulos, enquanto a animação se baseou apenas no primeiro volume. 


mangá Omoide Poro Poro

    Não achei muita informação sobre o mangá que foi a inspiração para o filme Memórias de Ontem (1991) do diretor Isao Takahata (1935-2018). Com o título Omoide Poro Poro, o mangá foi escrito por Hotaru Okamoto e ilustrado por Yuko Tone (também não há muito material na internet em português). Achei um podcast muito bacana no spotify no #96 no canal OverDriver Spotify Podcast e eles até começam o episódio informando que é uma animação pouco falada no universo Ghibli. 


    O interessante do enredo é que explana o Período Shôwa (1926-1989) e como era geral esse sentimento de nostalgia e busca por identidade em um contexto cultural e social que vivia a personagem Taeko Okajima (alter ego da autora Hotaru Okamoto). Mais interessante ainda o fato que Isao Takahata acrescentou uma adulta de 27 anos, solteira e que vivia em Tóquio para relacionar o tempo narrativo entre presente e passado. Foi um tema inédito na época e bem aceito pelo público. Interessante que nas animações do Studio Ghibli o campo é visto como o tradicional e em Memórias de Ontem vai demonstrar esse contraste entre passado e modernidade. 

To be continued 


quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Mar Morto/Jorge Amado

 


Jorge descreve a comunidade pesqueira e a forma resignada e mítica que todos ali aceitam os seus destinos.

Se é doce morrer no mar, não é tão suave viver para o mar. Também não é tão fácil viver como sombra, como parte, como dependente, como esposa daqueles que para o mar vivem.

Não é somente sobre Guma. É sobre Lívia; sobre Rosa Palmeirão; sobre Maria Clara; sobre Esmeralda e outras mulheres destinadas ao papel de coadjuvantes de seus companheiros.

Iemanjá, Iara, Janaína, Santa de Mont Serrat, seja qual for o nome: personifica os vários papéis femininos de excelência e papel central. Nem que seja no mundo mítico, pois para as esposas e filhas só cabem esperar seus amados. Para devolver ao mar: vivos ou mortos.

No meu mundo particular, lembrei de 1989, eu com 11 anos. Cabuçu/BA. Garçonete na barraca de praia do vô. Vó uma mulher brava. Quase sequestrada pelos ciganos. Pesca em noite de lua cheia. Mangue. Siri. Caranguejo. Salinas. Marisco. Lavagem de corda de caranguejos vivos na beira da praia. Que máquina do tempo a literatura me proporcionou.


terça-feira, 30 de abril de 2024

A animação japonesa através dos tempos




    O livro A animação japonesa através dos tempos (Viktor Danko)  nasceu após a conclusão do autor da sua dissertação de mestrado, onde ele analisou os filmes do diretor japonês Hayao Miyazaki. Interessante a sua percepção sobre a preocupação do diretor e o foco de seus filmes da figura feminina. O livro se propõe a apresentar a história da cinematografia animada japonesa. Segue as influências literárias, a gênese do cinema, o contexto hhistórico pré e pós 2GM e as influências sobre o diretor Miyazaki.



    No capítulo 1 - As artes que influenciaram o mangá e a animação japonesa temos a apresentação da  introdução do Budismo no século VI no Japão, com a sua escrita, as artes plásticas, as artes sacras e a influência chinesa que fizeram parte das primeiras produções artísticas japonesas até que chegassem ao nível de adaptação para o estilo de vida nas ilhas do Japão. O início da produção das próprias narrativas japonesas de caráter histórico ou religioso, poesias, ficção, batalhas e eventos históricos marcam o início da literatura. O desenvolvimento dessa literatura é apresentada no capítulo desde o seu primórdio passando pelo período do governo do xogunato de Tokugawa - período, inclusive de grande produção artistica. O capítulo encerra com a abertura forçada do Japão ao resto do mundo, levando ao desenvolvimento de outras formas gráficas e trazendo alterações nas narrativas.

    No capítulo 2 - A influência de outros países para a literatura ilustrada no novo contexto histórico do Japão, o autor Inicia com a restauração Meiji, o que ocasionou, entre diversas mudanças artísticas, a fusão da tradição japonesa e as novas técnicas e estilos estrangeiros. Após o breve relato do desenvolvimento do mangá, o capítulo finda com a quebra da bolsa de valores (1929 NY) e como ela influenciou no tipo de histórias que seriam produzidas.

    No capitulo 3 - O princípio do cinema de animação no Japão - temos os registros dos primeiros filmes de animação japonesa (1907), uma breve apresentação de animadores japoneses e estúdios, as charges políticas e a utilização do cinema de animação como forma de propaganda para o público mais jovem. Já no capítulo 4 - A influência da Segunda Guerra Mundial nos filmes de animação e nos mangás - A guerra não apenas mudou o cenário político e econômico dos países envolvidos como afetou a forma de pensar e fazer arte. A maneira dos japoneses representar metaforicamente seus inimigos, as narrativas e temáticas tiveram forte teor bélico. O teor nacionalista pós guerra é censurado pelo período de ocupação norte-americana. O teor se torna moral e com papel educador. A ocupação também faz com o que o Japão faça aderência ao modelo econômico capitalista, modificando a estética dos mangás que passam a sofrer influências da Walt Disney, surgindo o mangá moderno. Valores nacionais japoneses são proibidos até 1947 quando a constituição japonesa proíbe toda as formas de censura.

    Animações japonesas durante o pós-guerra e ocupação Norte-Americana, título do capítulo 5, temos  vários exemplos de animações nipônicas, diretores, personagens e temáticas Os trabalhos de Osamu Tezuka, que simplificou as técnicas de produção, diminuindo gastos e unindo produção com as histórias que produzia em mangá. O surgimento das animações na televisão, a consolidação dos gêneros de animações e seus públicos albos e como as animações japonesas tomaram o mercado internacional.

No útlmo capítulo, temos a biografia de Hayao Miyazaki, nascido em 1941, Tóquio, que cresceu em um ambiente repleto de aeronaves. A guerra teve grande impacto em sua vida. Desde jovem teve interesse em ser artista de mangá e no capítulo nos é apresentada a sua trajetória profissional como designer, animador e diretor. Em 1985 funda com Takahata e Suzuki o estúdio Ghibli. O processo de criação dos filmes do estúdio, a apresentação e aceitação no mercado internacional, influências e personagens.Muitas informações bem apresentadas em um livro com poucas páginas. Até agora, único livro que consegui para a pesquisa do meu artigo. Indico! 


sábado, 17 de julho de 2021

O Avesso da Pele


O Avesso da Pele foi o livro do grupo de leitura da Bilbioteca da UNB no mês de junho. Pode parecer apenas o relato de um filho sobre os seus pais, mas é bem mais do que isso, é um relato vivo da sociedade brasileira. Jeferson Tenório apresenta o relato de Pedro sobre a trajetória dos seus pais antes do seu nascimento e após a separação. Seu pai, um professor que descobre o racismo sofrido desde a infância após o contato com um professor, tenta fazer o mesmo com seus alunos, mesmo desmotivado com o sistema educacional falido em Porto Alegre. Sua mãe, com seus monstros psicológicos advindos da infância, tenta a cura no seu relacionamento conjugal, o que, não ocorre. Esse racismo estrutural mascarado ou ideologicamente justificado é a temática que dá um soco no estômago. Não é uma leitura fácil, mas necessária, a começar pela sala de aula. O desfecho pode parecer apelativo, mas é o mesmo que assistimos nos noticiários anestesiados por esse pileque homérico que nos acomete e nos direciona a normalidade da violência vertical. 
 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A Bridget que há em nós


O volume que faltava voltou. Esses eu não troco na estante virtual Skoob, não presenteio e nem me desfaço. Pra quê tantos artigos científicos de psicologia?! Se uma autora em uma única personagem consegue fazer você rir de si mesma e compreender que o achamos ser o de pior em nós, pode ser tema de boas risadas em forma de leitura. Bridget é o tipo de mulher protegida pelo acaso. Indico a leitura dos três livros.