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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

As mulheres do nazismo - Wendy Lower


A autora (Wendy Lower), após anos de pesquisa, participa de uma análise em Zhytomyr (ex playground nazista). Nos documentos que sobreviveram a dois ataques (a evacuação nazista pela terra devastada e a destruição da cidade durante 1943), ela encontrou nomes de jovens alemãs que tiveram participação ativa na construção do império de Hitler na região.O livro aborda sobre mulheres que, tendo crescido na confusão de um mundo em rápida urbanização, nas oscilações de crises econômicas e tumultuosas políticas de massa, tiveram que encontrar um rumo no Terceiro Reich de Hitler. Horrorizadas com a violência da guerra e do Holocausto, muitas mulheres encontraram meios de se distanciar daquilo e minimizar seu papel como agentes de um regime criminoso. Já outras, por exemplo, as mulheres dos territórios do Leste, testemunharam e cometeram atrocidades num sistema aberto, e como parte do que elas viam como uma oportunidade profissional e uma experiência libertadora. A autora traz à tona, testemunhos particulares de mulheres, esposas, cúmplices e testemunhas, citando também a enfermeira como a primeira assassina em massa. Finaliza com o destino dessas mulheres que foram algumas julgadas por tribunais criados para crimes de guerra. A maioria delas não foram condenadas. Indico. 

"Supor que a violência não é uma característica feminina, e que as mulheres não são capazes de assassinato em massa, tem um apelo óbvio: dá esperança de que pelo menos uma metade da raça humana não vai devorar a outra, que vai proteger crianças e, assim, salvaguardar o futuro. Mas minimizar o comportamento violento das mulheres cria um falso escudo contra uma confrontação mais direta com o genocídio e suas desconcertantes realidade". (172)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

É isto um homem? Primo Levi


Primo Levi (1919-1987), italiano, químico e escritor narrou na obra "É isto um Homem?" suas experiências no campo de concentração nazista de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. Ao meu ver, é o tipo de literatura necessária para todos os alunos e interessados em aprender mais sobre o tema "Holocausto". 
Trata-se de uma narrativa repugnante, que até mesmo o leitor pergunta "se seria aqueles, homens" (carrascos e prisioneiros). Sem nenhum traço de humanidade, "kapos" impuseram as maiores atrocidades aos prisioneiros judeus (e outros). Levi descreve desde a sua captura até o resgate dele e de um pequeno grupo de sobreviventes. Se durante a prisão, Levi e os demais perderam suas identidades, conseguiram resgatar quando da fuga dos alemães, que os deixaram à própria sorte. Percebemos o retorno da humanidade, mas nisso já cito praticamente o desfecho, que é emocionante. 
Ler "É isto um homem?" é conhecer como foi a rotina degradante de trabalho sob violência contínua. Levi descreve detalhes, desde os uniformes, regras, forma de dormir, tratamento dado aos doentes, as formas de contrabando interno e externo e suas punições, a divisão do trabalho, o frio, a fome, a sopa, a perca da identidade e da esperança. 
Algumas pessoas acreditam que sua morte tenha sido suicídio. Não sei, o que acredito é que conviver com tais lembranças não deve ter sido fácil, o que o tornou sobrevivente duas vezes. Indico.