sábado, 24 de agosto de 2013

Eu até gosto de ler, mas não leio todo dia. (diário de uma leitora parte I)



Eu até gosto de ler, mas não leio todo dia. (diário de uma leitora parte I)


Confesso! Gosto de ler. A questão é que gosto de ler mais do que você, só isso. Por mais que pareça que gosto de ler demais, passo dias sem ler. Dos poucos detalhes da minha infância que me recordo, um deles é o primeiro livro que li. Sem incentivo, sem metas na escola – ainda que tenha me surpreendido com o prêmio da Biblioteca da E.C.409 Norte que recebi como a melhor leitora na 5ª série –, sem ser leitura obrigatória. Sempre tive biblioteca em casa, fui até ela por conta própria. Abro parênteses, tenho irmãs que também gostam de ler, não no meu ritmo, mas também gostam. A leitura de livros é uma característica mais acentuada nas mulheres da família.



Aonde vou, com exceção da academia, levo um livro. Sem obrigação de lê-lo. Gosto de emprestar, ainda que tenha recebido muitos calotes literários em minha jornada. Sempre tive passos voluntários às Bibliotecas, sem contar inúmeros cadastros, visitas em livrarias sem compromisso e um detalhe: não é meu forte livro com imagens. Sempre treinei a imaginação enquanto leio e isso ano passado foi decisivo em uma recuperação neurológica quando uma síndrome que me foi acometida. 



Nunca tentei convencer ninguém pelo gosto da leitura, nem mesmo meu filho. Sempre que me pedia um livro, eu comprava. Assim também para sobrinhos e outros amigos. Nunca procurei um relacionamento que goste de livros, mas confesso, tive relacionamentos que não compreendiam esse gosto literário. Nunca encontrei alguém que lesse tanto quanto eu, pois eu leio muito, tipo 60 livros por ano e 10 livros ao mesmo tempo. Tenho um ritmo próprio, um livro no ônibus na ida, outro na volta e um capítulo dos outros antes de dormir. Não leio toda noite, só se tiver vontade. Sinto-me constrangida quando alguém me apresenta dizendo que leio muito, parece que sou de outro mundo. 



Quando tive esgotamento mental nesse ano, culparam a leitura. Foi-me proibido ler antes de dormir, larguei até de dormir com os gatos e no fim, não tinha nada a ver o estado físico com as letras e nem com os pelos felinos. Não durmo mais com os gatos, mas voltei a ler antes de dormir. Sim, sou TDAH! Leio páginas diversas vezes, porque percebo que perco o foco durante a leitura. Tenho livros que não lembro de que se trata, ainda mais antes do tratamento com meltifenidato (2004). Vejo pessoas citando acontecimentos e percebo que passou batido. Vou ao livro e dou uma espiada. Costumo ler muitas resenhas antes de ler, e não tenho problemas em saber o final. 



Eu adoro livros que narram fatos ausentes na História oficial e nos livros didáticos (exemplos e indicações: “Escândalos Reais” de Michael Farquhar e “As grandes amantes da História” de Michael Kent). Disseram-me: cuidado! sobre alguns livros e mesmo assim li: “O livro capa preta de São Cipriano” e “Ele veio para libertar os cativos” de Rebbeca Brown. Até hoje não sei o perigo de lê-los. Li livros com temas polêmicos que mexem com a nossa comodidade religiosa “O Evangelho segundo Jesus Cristo” e “Caim” ambos de José Saramago (do autor já li seis livros), “Eunucos pelo reino de Deus” de Uta Ranke Heinemann, “A Bíblia nas suas origens”, “A ética protestante e o espírito do capitalismo” de Max Weber, “O desaparecimento de Deus” de Richard Elliot Friedman, “As prostitutas na Bíblia” de Jonathan Kirsch e “Sexualidade e erotismo na Bíblia” de Santos Benetti. 



Confesso que os livros fazem muito mais sentido quando casa com o que já vivi e senti. Têm os livros manuais, espirituais, históricos, mas eu sei na epiderme sobre a sensação de Sabrina em “A insustentável leveza do ser” de Milan Kundera, assim como também sei sobre Teresa em “o sono compartilhado é o corpo delito do amor”. Sei de Elizabeth Gilbert em “Comer, rezar e amar” quando desesperada sem saber o que fazer, sente dentro de si uma voz dizendo “vá dormir”, pois era a única coisa a se fazer no momento. 




Sei da ansiedade e percepção de desajustamento na sociedade de Brigdet Jones (livro de Helen Fielding com 320 páginas que devorei em poucas horas) e da sua distração no cotidiano. Sei da busca terapêutica de Mercedes (Divã – Marta Medeiros) que encontra suas respostas nas suas próprias perguntas nas sessões terapêuticas. Assim como ela, sei bem o que é sentir saudades de momentos e de quem era naqueles momentos e saber que isso não significa que sinto saudades da pessoa envolvida nisso.  

(continua)

domingo, 18 de agosto de 2013

Diário literário - agosto 2013






Bom, comprei esse livro por causa do título que de alguma forma se remetia ao "Comer, rezar e amar" de Elizabeth Gilbert. Claro, percebi algumas semelhanças, como por exemplo, o motivo que leva os personagens a realizarem a trajetória após um divórcio, no caso de Elizabeth, um divórcio e um amor fracassado.

No livro "Comer, rezar e amar" a autora viaja para Itália (prazer/comida/cultura), Índia (devoção/cultura) e Indonésia (equilíbrio/cultura) e suas experiências são descritas de forma bem detalhadas. No caso de "Beber, jogar e fuder" o relato é sucinto, óbvio.

No primeiro livro a personagem é a autora, no segundo, o personagem é Bob Sullivan, um gerente de contas em uma agência de publicidade que resolve trilhar o desconhecido após 08 anos de casamento, um divórcio e o adultério. Andrew Gottlieb não demonstra que ele seja Bob, não que eu tenha lido.

Sua trajetória foi: Irlanda (pubs/bebedeira cultural/costumes), Las Vegas (cassinos/adrenalina/comportamentos) e Tailândia (prazer hedonísticos/se remete mais a si mesmo) e se no primeiro livro, Elizabeth teve sua guru indiana, seu amigo cowboy texano e o velho xamã, Bob também vai ter os modernos Colins (pubs), Rick (cassinos, golfe e acessos ao tratamento VIP) e Peter.

Enquanto Elizabeth vende sua ideia antes de viajar, Bob Sullivan gasta suas economias. Ambos encontram o segundo amor, o maduro, na última experiência/trajetória, sendo que Bob conhece Alicia na Irlanda. O encontro dos dois na Tailândia, na minha opinião, foi a parte mais divertida de todas. O autor é muito criativo e consegue fazer uma experiência masculina não ser fútil, trivial e nem mesmo vulgar. O direitos do livro foram comprados pela Warner Bros antes mesmo de ser publicado. Indico! Certeza de boas risadas.


The Tudors - O seriado


Pronto! Consegui assistir a série completa de The Tudors (quatro temporadas) depois de várias procrastinações, afinal, sou mais dada à leitura do que imagens. 

A dinastia Tudor (casa real de origem escocesa, governou o Reino Unido entre 1485-1603), a série trata em específico de Henrique VIII, 2° rei da dinastia e que reinou mais de 30 anos. A explicação da beleza do ator que interpreta o monarca (Jonathan Rhys Meyers) é mais convincente que a desculpa para Thiago Lacerda ter interpretado Garibaldi. Explicaram que, quando mais jovem, o monarca era encantador e possuía vários atributos intelectuais e comportamentais. Então tá?! Sem rejeições. 

Bom, não vou fazer uma análise histórica, com críticas ou elogios, pois vi que já tem muito disso na internet, e os erros históricos são repetitivos em várias páginas. Não vou repetir aqui. Que tem alguns erros históricos isso tem, mas me convenceu mais que "Os Bórgias". Sem dúvida. 

A primeira temporada (1518-1530) parece conter os maiores erros históricos (no que trata de Tomás Wolsey e a irmã do rei e seu casamento com o rei de Portugal). Por mais que a ruptura com a igreja sempre tenha sido atribuída pela rejeição da mesma em anular o casamento com a rainha Catarina de Aragão (1ª esposa), sabemos que não foi bem assim. Nobres, fazendeiros e a burguesia mercantil ganhou muito mais influência política com a ruptura. Sem contar a própria Coroa com a expropriação dos feudos e a substituição da autoridade divina da Igreja, fortalecendo o direito divino dos reis. Bom, é dado muito ênfase a isso no seriado e nos vários livros didáticos que temos por aí. 

Na segunda temporada (1531-1536) não curti muito a atriz que fez Ana Bolena (Natalie Dormer) apesar que interpretou muito bem, no último episódio. Até hoje há um debate se as acusações contra Ana Bolena (2ª esposa) são verídicas, leia-se até incesto com o irmão. Sua decapitação ter sido feita por uma espada tem uma explicação bem interessante. Nessa temporada que ocorre de fato a ruptura com a Santa Sé e a criação da Igreja da Inglaterra. Bem original a questão do conflito do sucessor do rei e sua preocupação em ter um herdeiro do sexo masculino, obviamente. Nessa temporada se me recordo bem, que morre Thomas More, o autor do livro A Utopia, pois não rejeitou a fé católica. Então percebe-se que não foi uma Reforma apenas política, também havia a obrigação de rejeitar as doutrinas católicas. Nessa temporada percebe-se a influência protestante na corte e nas decisões do rei, coisa que vai diminuindo nas demais.

Na terceira temporada (1536-1540) eu estranhei a mudança de atriz que interpreta Jane Seymour e detalhe, ela casa-se (3ª esposa) de branco. Pensei ter sido coisa da Rainha Vitória. Com a morte de Jane Seymour, o rei fica mal pacas, conversando só com o bobo da corte. E quantos de nós pensávamos que esse só tinha a serventia de divertir, rs. Tendo que casar novamente, Henrique acaba influenciado por Thomas Cromwell (que aliás, muito bem interpretado) casa-se com Ana de Cléves (4ª esposa). Nessa temporada que aparece Hans Holbein, retratista renascentista alemão do século XVI. O pintor esconde as marcas que Ana possuía no rosto, o seriado também. Mas, aparece a rejeição do rei ao casamento, que acata realizá-lo pela necessidade de aliança com a liga protestante. Essas alianças são demonstradas o seriado todo, ora a França, ora a Espanha, faz e desfaz e em todas as críticas que li, não encontrei nenhuma sobre o papel dos embaixadores na corte. Nessa temporada também demonstra a Peregrinação da Graça, uma revolta popular contra a Reforma Religiosa e toda a destruição dos monastérios. Ana de Cléves vai ser rejeitada e seu casamento anulado, tornando por decreto irmã do rei. Os motivos da separação não ficam evidentes no seriado, apenas o desinteresse físico, mas historicamente foi mais do que apenas isso. No seriado eles ficam juntos sexualmente falando, bom é o que parece, mas parece que de fato não foi bem assim.

A quarta temporada (1540 até sua morte) fica mais corrida que a terceira, os primeiros episódios são sobre o casamento com Catarina Howard (5ª esposa) de 17/18 anos que é decapitada a mando do rei (adultério) e também sobre o casamento com Catarina Parr (6ª esposa). Há a conquista de Bolougne e fica cansativo quanto a isso. Nessa temporada que é demonstrado a tradução da Bíblia para a própria língua do povo, o que o rei critica por surgir questionamentos. Leia-se Anne Askew (demonstra a tortura à mulher) queimada na fogueira por questionamentos quanto à consagração do pão e vinho. Então no final o rei rejeita a primeira pintura de Hans Holbein e mando-o fazer outro retrato, o mais conhecido de todos. E the end.



Bom, eu indico o seriado pelos detalhes (históricos de fato) da corte, das intrigas, do figurino (criticado por alguns) pelo estilo e estrutura gótica presente, pelas questões religiosas (Ato da Supremacia), o Artigos da Fé da Igreja Anglicana, torturas, guerra, papel dos embaixadores, o papel da mulher no casamento e no quesito reprodução, o direito divino dos reis, figuro, mobiliário, e etc, etc, etc.

(É, a imagem tem apenas cinco mulheres, sei lá, devem ter cortado, não fui eu).

terça-feira, 13 de agosto de 2013

TDAH - Minha Hidra de Lerna



Procrastinação é uma palavra que me persegue em atos, quer dizer, na ausência deles. Não creio que seja apenas comigo, ou obrigatoriamente com quem tenha diagnóstico de TDAH. Só é mais potencializado ou há uma predisposição. 

Às vezes eu penso que procrastinação é uma sabotagem, um autoflagelo ou um vício na culpa. Sim, culpa. A educação de uma criança é baseada na culpa, a religião também, tudo envolve culpa, e alguém tem que manter vivo esse vício. Claro, muitos hão de discordar. É melhor defender o vício, do que negá-lo.Também acho que minha realidade é uma, logo meu ponto de vista também.

Não é drama, nunca me permitiram isso, não aprendi a me permitir. Não concordo com fóruns e discussões onde o discurso é o enredo triste, a narrativa soturna, que não conseguiu isso, nunca terminei aquilo, nunca ... nunca... nunca. E isso virou hino que anda rotulando a muitos. Virou regra, padrão, e quem lê um livro inteiro, finaliza uma faculdade, se sobressai na vida profissional, deve estar com o diagnóstico errado. Lembrando que 75% do que li até agora foram de pessoas sem diagnóstico fechado, apenas baseado em sintomas e fracassos.

 Aprendi a ser andorinha sozinha, pois no meu verão quem luta é eu. Acho válida toda forma de amor, toda manifestação de luta, mas sem apresentar alternativas, não concordo. É entregar ao outro, o poder de fazer o manual da minha vida. Se meu exemplo de superação não serve, saio da multidão e me torno exceção no meu panteão solitário. 

Sim, me adaptando ao mundo dos “diferentes”, pois o mundo não para e não se adapta a mim. Enquanto aos “iguais”, experiências me mostraram que são intolerantes e não tão dispostos a lutar contra vícios e hábitos (ainda possuo 95% deles, acredite, 5% faz um diferença do caramba) e aceitar histórias de conquistas, pois isso seria o mesmo que dizer: isso é possível, não se esconda tanto na falta de possibilidade que essa sociedade desigual te impõe, ou não falta de recurso, ou na falta de remédio. 

Enquanto existir alguém pra culpar, e uma história triste a manter, existirá uma necessidade nova surgindo que vai tratar os sintomas e nunca a causa. Também fui e sou judiada por um sistema e vários itens que me deixam em desvantagem, mas olha só, eu tenho boas histórias pra contar. Meu tratamento não é só meltifenidato. Estou treinando meu foco, enfrentando o tédio da rotina, as emoções não tão ritmadas, a impulsividade não convidada, quero ser justa pra toda e qualquer conquista coletiva que houver, inclusive manter as minhas, senão vai dar na mesma. Eu seria a desigualdade, a ditadura da minoria. 

Eis aí minha Hidra de Lerna, vencendo uma cabeça por dia, por ano, por década, até o dia que conseguirei chegar ao seu coração.Não esquenta com a minha opinião, eu chamo o TDAH assim, e na mitologia o foco não era na Hidra e sim no cara. Pra mim, pode ser uma Hidra de Lerna, pra você uma Górgona, onde você precisa de algo para não virar pedra, porque se pedra já está, desconheço na mitologia algo que modifique isso. Beijos distraídos, sem foco.


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Diário Literário agosto/2013


20° livro do ano ainda ... snif. Esse ano não quebro meu próprio recorde. 

Culpa e Graça: uma análise do sentimento de culpa e o ensino do Evangelho
Psiquiatra suíço, começou sua vida profissional como médico em Genebra em 1928. A primeira parte do livro aborda a extensão da culpa humana e a segunda, o perigo de discutir o julgamento de quem pode ser culpado ou não. A terceira parte, já que o livro é uma análise do sentimento de culpa e o ensino do Evangelho, é sobre a forma como Cristo ofereceu o perdão aos desprezados e a severidade àqueles satisfeitos em si mesmo. 

A culpa em alguns casos pode ser patológica, talvez fruto de uma educação onde pais e mestres projetaram os seus próprios preconceitos, problemas e culpas na educação das crianças. A busca pela aprovação e a fuga da rejeição do outro também está relacionada à culpa. No contexto atual, os complexos influenciam as pessoas na leitura do Evangelho, onde uma palavra de condenação alivia mais que uma palavra de consolo e esperança.

Para o autor, a questão não é a culpa, toda a trajetória condenatória e doutrinária da Lei, fez-se para que todos fossem culpados e condenados, cumprindo assim um projeto de Salvação. Essa consciência de culpa sadia, aproxima aquele que crê de Deus. O problema não é sentir culpa, é sentir-se condenado e fazer dessa condenação um karma necessário para alívio de uma culpa patológica, imposta ou doutrinária. 

Fazer parte de uma sociedade onde todos condenam e todos se defendem acentua o sofrimento para quem tem problemas com a culpa, sendo quase impossível reconhecer a falsa culpa da culpa moralista e cultural. A última parte são citadas várias passagens bíblicas que negam as doutrinas legalistas e moralistas. Também cita a importância da psicanálise como auxílio para a cura possível do ser humano. Indico!

sábado, 6 de julho de 2013

Diário literário julho/2013


O Evangelho Maltrapilho - Brennan Manning

Essa é a segunda vez que leio esse livro, pois trata-se do tipo de literatura que deve ser lida várias vezes no decorrer da trajetória chamada vida. Confesso que absorvi mais a leitura agora, ao contrário da primeira vez. Se você me perguntar qual livro escolheria para reler em 2013, eu afirmaria "O Evangelho Maltrapilho", o que não faria com "A Bacia das Almas" de Paulo Brabo ou os vários livros do autor Caio Fábio. 
Brennan, diferente de muitos autores ditos cristãos, foi acusado diversas vezes de herege, universalista, desequilibrado, espiritualmente imaturo e intelectualmente confuso. Para o mesmo, o motivo é simples, os legalistas e puritanos não querem que o cristianismo nos ajude a nos tornamos pessoas completas e sim amedrontar-nos sob o peso do controle de regras e regulamentos.
Publicado em 1990, o Evangelho Maltrapilho não foi escrito para os super espirituais, muito menos para acadêmicos, místicos, destemidos ou zelotes que confessam em alto e bom som que guardam todos os mandamento. O livro foi escrito para os vacilantes de joelhos fracos, para os discípulos instáveis, para os homens e mulheres fracos e pecaminosos com falhas hereditárias e talentos limitados. Para pessoas inteligentes que sabem que são estúpidas, e para discípulos honestos que admitem que são canalhas. 
A igreja há anos aceita a graça na teoria, mas nega-a na prática. A maioria dos cristãos vive na casa do temor, na ênfase do esforço pessoal, onde a espiritualidade começa no eu, não em Deus. O perfeito eu é baseado na disciplina pessoal e na autonegação, uma vez que o fervor passa, a fraqueza e a infidelidade aparecem. Somos todos mendigos, igualmente privilegiados, mas não merecedores, às portas da misericórdia de Deus.
Diante do deus imprevisível, errático e capaz de toda espécie de preconceito, há o cristão legalista compelido a qualquer mágica para aplacá-lo. Mas a confiança no Deus que ama de forma consistente, produz discípulos que possuem a consciência que nada fizeram para merecer o amor e nem a salvação. Afinal, o arrependimento não é o que fazemos para obter perdão, é o que fazemos porque fomos perdoados.
Esses discípulos, maltrapilhos, combinam um senso de incapacidade pessoal com uma confiança no amor de Deus. Os maltrapilhos não sentam-se para serem servidos, eles ajoelham-se para servir. Porém, embora possam ter coração mole, os maltrapilhos são cabeças-duras. Não vivem num mundo ilusório e fora da realidade, pontificado sobre a vida cristã vitoriosa. Eles formam a igreja mendicante, e não a igreja triunfante. 
Os maltrapilhos não são santos, tropeçam com frequência, mas não gastam horas sem fim em autorrecriminação. São justos, não por justiça própria, e sim, pelo sangue que os justificam. A estrada do maltrapilho conduz sempre ao calvário, pois reconhece que o seu eu é a sua cruz, e deve ser negado. 
Somos filhos que abandonam, que voltam por motivos errados, votamos maltrapilhos, mas estamos sempre voltando, pois temos a consciência de que apenas Ele tem palavras de vida eterna. Temos ciência do cansaço e fardo do esforço próprio, e temos Nele o alívio e o amor de sermos quem somos, maltrapilhos.

domingo, 12 de maio de 2013

Diário literário maioo/2013


Andar em círculos
A intenção dos autores é o aprofundamento nas causas da auto-sabotagem e nas diferentes maneiras pelas quais ela se manifesta. Os autores acreditam que a melhor maneira de superaração é vencer antigos traumas e buscar novos caminhos, pois os medicamentos podem aliviar sintomas, mas não fazem nada para lidar com a compulsão à repetição.

No capítulo sobre os comportamentos repetitivos em relacionamentos, o autor ressalta sobre o contrato não assinado, ou seja, o desejo que o outro saciem carências, ausências ou excessos sofridos na infância.

Muito interessante a teoria da transferência, que segundo Freud tem o propósito de mostrar ao paciente que o sentimentos por ele vivido no presente origina-se no passado, e é para o passado que deve ser reconduzido.

Também é comum a presença de comportamentos repetitivos no ambiente profissional, dificultando o relacionamento com colegas e principalmente com autoridade. Na maioridas dos casos é o poder da criança ferida que não permite ao adulto o amadurecimento pleno.
Pessoas com comportamentos de auto-sabotagem tendem a se punir e possuem compulsão ao comportamento repetitivo. Um andar em círculos ou a permanência que trava o indivíduo dotado de potencial para grandes conquistas. 

Os autores finalizam com dicas, sendo a principal a terapia, pois nela, não há pecadores. Indico.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Eu acredito

 

Eu Acredito Que Posso Voar

Eu costumava pensar que eu não poderia prosseguir.
E a vida não era nada, além de uma temível canção
Mas agora sei o significado do verdadeiro amor,
Eu estou aprendendo nos braços do eterno

Se eu posso ver isto, então posso fazer isso,
E se eu só acreditar, nada poderá me impedir.

Eu acredito que posso voar
Eu acredito que eu posso tocar o céu
Penso nisto todos os dias e noites
Abrir minhas asas e voar ...
Eu acredito que eu posso elevar-me
Eu me vejo correndo, atravessando uma porta aberta
Eu acredito que posso voar!
Eu acredito que posso voar!
Eu acredito que posso voar!

Eu vejo que estive no limite da auto destruição.
Às vezes o silêncio pode parecer muito barulhento.
Há milagres da vida que eu tenho que alcançar,
Mas eu sei que primeiro, tem que começar dentro de mim.

Se eu posso ver isto, então posso ser isso,
E se eu só acreditar, nada poderá me impedir.

Eu acredito que posso voar
Eu acredito que eu posso tocar o céu
Penso nisto todos os dias e noites
Abrir minhas asas e voar ...
Eu acredito que eu posso elevar-me
Eu me vejo correndo, atravessando uma porta aberta
Eu acredito que posso voar!
Eu acredito que posso voar!
Eu acredito que posso voar!

Ei, porque eu acredito em você,oh

Se eu posso ver isto, então posso fazer isso,
E se eu só acreditar, nada poderá me impedir.

Eu acredito que posso voar
Eu acredito que eu posso tocar o céu
Penso nisto todos os dias e noites
Abrir minhas asas e voar ...
Eu acredito que eu posso elevar-me
Eu me vejo correndo, atravessando uma porta aberta
Eu acredito que posso voar!
Eu acredito que posso voar!
Eu acredito que posso voar!

Ei, se eu apenas esticar minhas asas
Eu posso voar
Eu posso voar
Eu posso voar, ei
Se eu apenas esticar minhas asas
Eu posso voar
Voar-ar-ar

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Diário Literário março/abril 2013






Após cinco anos de pesquisa a autora reuniu informações de mais de duzentas obras sobre o tema do amor que pode existir entre um homem e uma mulher, ou entre dois homens ou entre duas mulheres. Expondo casos amorosos de diversas épocas a autora dividiu seu trabalho em duas partes, o volume I que vai da Pré-História ao Renascimento e o volume II que vai do Iluminismo até o século XX. Difente da História que se baseia apenas em fatos e datas, a autora se utiliza da História das Mentalidades, que se refere a sentimentos e comportamentos coletivos de determinado período ou lugar.

Fiquei meio sem entender a intenção da autora no término do capítulo sobre a Pré-História. Tudo bem, amor nem pensar no período citado, mas as questões levantadas ao masculino e feminino não linkaram muito. Muito interessante: "Na realidade, a diferença entre sexos é anatômica e fisiológica, o resto é produto de cada cultura ou grupo social. Tanto o homem como a mulher podem ser fortes e fracos, corajosos e medrosos, agressivos e dóceis, passivos e ativos, dependendo do momento e das características que predominam em cada um, independente do sexo. Insistir em manter os conceitos de feminino e masculino é prejudicial a ambos os sexos por limitar as pessoas, aprisionando-as a estereótipos".

Sobre a Grécia, a descrição de mitos (4500 a.C a 146 a.C)na tentativa de descrever o possível sentimento que existia na época entre homens e mulheres. Divisão entre período homérico e Grécia Clássica (incluindo o mito do andrógino; casamento; dote; hetairas e efebos).
Sobre amor/sexo em Roma (146 a.C ao século III) a autora descreveu sobre a civilização romana, Augusto e seu amor por Lívia, sua filha e neta rebeldes que transgrediram leis criadas por ele, as mulheres romanas, Cleópatra (Júlio César e Marco Antônio), como que era o casamento, a procura de um marido, a cerimônia de núpcias, o divórcio ... e muito mais. O link com a modernidade foi o melhor até agora na minha opinião.

No capítulo Antiguidade Tardia (Século III ao V) a autora descreve o período de intervalo entre a Antiguidade Clássica e a Idade Média, período em que o Deus dos cristãos se torna Deus único do Império Romano. Se na Grécia e em Roma o prazer era valorizado, com o cristianismo surge a condenação geral da sexualidade e uma rigorosa regulamentação de seu exercício. O capítulo também aborda sobre a transição do prazer desmedido para a recusa total em nome da fé cristã. Nesse processo transitório entre a Antiguidade Clássica e a Idade Média a desvalorização do corpo, a castidade fundamentada nos textos paulinos, a culpa cristã e a flagelação foram uns dos comportamentos que acompanharam a expansão de uma Igreja coesiva em um mundo instável. Muito do que o mundo atual ainda considera "pecado" não tem origem nos ensinamentos de Jesus Cristo ou nas Tábuas entregues no Sinais, mas nas antigas vicissitudes sexuais de homens que viveram nesse período citado da Roma Imperial, como São Jerônimo e Santo Agostinho.

Capítulo muito extenso sobre a Idade Média (V-XV). O amor, somente a Deus, a ausência total de indivualidade, o corpo totalmente desprezado, as doenças do período explicadas como resultados de pecados dos pais ou de práticas sexuais, a flagelação e o celibato como domínio para conter os impulsos sexuais e o amor cortês que surge no Renascimento do século XII, contrariando os ensinamentos católicos de amor apenas a Deus e não de forma recíproca. O refúgio no adultério demonstrada na literatura cortês. Confesso que esse capítulo é um pouco cansativo. Link com a violência à mulher, não sua origem, mas a permanência de comportamentos de posse masculina e submissão feminina que ultrapassaram séculos.

Século XVI e suas modificações na Europa. Mudanças comportamentais da burguesia, que de fato passa a copiar o comportamento da nobreza. Poucas modificações de mentalidade da Idade Média para o Renascimento. A autora aborda temas que para muitos aconteceram apenas no período medievo, como por exemplo, a caça às bruxas. Para os inquisidores a feitiçaria era mais comum entre eas mulheres do que entre os homens. Para poder anular o poderio do "diabo", homens "santos" e "temerosos" em nome da santa fé, queimavam mulheres, decepavam seus seios e depois colocavam seu mamilo ensanguentado entre os lábios delas. Porém, o que não se conta é que toda forma de repressão e normatização, deixou a maioria das pessoas com medo de serem julgados e torturados, conduzidos assim ao trabalho compulsivo e sem gratificação nesta vida. O que auxiliou, e muito, a concentração do poder na mão de poucos. A autora faz referências à Reforma, Contrarreforma e sobre o puritanismo, tão presente em nossos dias. Com seus mesmos erros, mesmas doutrinas e mesmas ideologias. Quem não está dentro do padrão, reprimido em nome da moral e dos bons costumes, será. INDICO.




Confesso que fugia um pouco desse autor por não curtir muito auto- ajuda, e o mesmo é muito conhecido nessa área por seus vários escritos. Autor de mais de 55 livros nessa área, também é considerado como o "poeta e profeta da medicina alternativa".
O personagem principal é Mickey Fellows, um comediante, divorciado que acabara de perder o pai, Larry. Após uma experiência de contato com o além, ou seja, com seu próprio pai, Mickey recebe a visita do misterioso Francisco. O livro vai girar em torno dos diálogos entre os dois. Temas como medo e ego são abordados, tendo como resultado o riso que não depende da aprovação. O autor procura demonstrar que o sorriso e o bom humor continuam sendo as melhores opções para os dias atuais.
Leitura simples, objetiva e possível de não ser banal ou entediante como alguns livros de auto-ajuda. INDICO. 




Ufa! Esse custou a terminar. O autor dividiu a continuação do livro três em duas partes. Essa, no caso, se concentrou mais em Porto Real, logo alguns personagens não aparecem. Muitas emoções para os que dão ao ar da graça, fatos que me deixaram boaquiaberta! Cersei, Arya e Brienne. O autor é dotado de uma criatividade singular e consegue descrever com detalhes, cenas, pessoas, vestes, momentos e tirar do leitor, personagens queridos.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Minha terra

Poesia dedicada à Rosilda, futura moradora de Brasília que solicitou minha ajuda para saber um pouco mais da minha terra:

Minha terra tem um clima que confunde até o sabiá
De manhã chove e faz frio
De tarde não sei como vai "tá".

Minha terra é de uma secura
Que até as árvores tiveram que se adaptar
E se vai visitá-la, tenha um soro
Para seu nariz humidificar.

Minha terra está localizada no cerrado, Planalto Central
Aqui turista encontra diversidade gastronômica e cultural

Na minha terra estudar pra concurso é a atual moda
e o povo daqui é formado de cabeça, tronco e roda

Na minha terra tudo é longe e diversão custa caro
Se divertir de coletivo é difícil
Sofre quem não possui carro.

Na verdade minha terra pela corrupção está manchada
Mas não é por isso que ela, por seu povo não é amada

Eu gosto da minha terra, sempre saio e viajo pelo país
Mas e à ela que retorno e mesmo reclamando me sinto feliz.
13/01/2011