quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Diário de leitura outubro/2014 parte II

(38°/2014) Dia de formatura e uma noite de sonhos e planos. Planos que não se realizam ou se desfazem no decorrer da vida de Emma e Dexter. Suas vidas estão ligadas por um sentimento que se desenvolve no decorrer da amizade e que não se justifica pelo contato físico/sexual, pois não ocorre na noite da festa de formatura e nem nos primeiros anos de amizade. 
Dexter, o típico bom moço que se envolve com o mundo artístico e tem a obrigação de ser fútil e leviano e Emma que não tendo situação financeira como a de Dexter, experimenta todo tipo de emprego para chegar onde deseja. Então, ambos chegam ao enfim juntos, até que a morte os separou.
O século XXI tem como característica literária (não sou profissional da área, apenas observadora) a escrita ficção/jornalística, fantasiosa (Senhor dos Anéis, Guerra dos Tronos, Harry Potter, A batalha do Apocalipse...) e de finais trágicos. Basta ler livros como: O caçador de pipa, A cidade do sol, A culpa é das estrelas, A menina que roubava livros, Se eu ficar... e Um dia. 
O último tem a escrita cativante, porém no final, pareceu uma sombra do livro "Um amor pra se recordar" (se fosse uma versão menos compacta da felicidade do enredo de ambos os personagens). Parece que o autor não economizou tinta para o início/meio e no fim escreveu o com pressa. Válido o tema do alcoolismo.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Diário Literário Outubro


(37°/2014)Uma adorável coincidência no ambiente de trabalho, pois todos sabem da minha paixonite por livros. Indagada sobre o filme, nem sabia que estava em cartaz e detesto ler por modismo (salvo exceção, A Culpa é das Estrelas). A colega de trabalho então, prometeu convencer a filha de 12 anos a me emprestar o livro e me deixou estupefata ao citar que a mocinha já havia lido nesse ano quarenta livros. O sentimento de solidão se dissipou, afinal existem pessoas como eu, viciadas em leitura. 
A leitura é envolvente, o tema principal é a tragédia que nos desvia da rotina e muda o percurso, o trajeto, o caminho. Um dia que poderia ser um a mais, se tornou o último para o núcleo familiar de Mia. O livro aborda então as lembranças da sua vida com sua família, melhor amiga, namorado e sua paixão por música. Os capítulos se alternam entre o passado e a luta, que justifica o título "Se eu ficar", de Mia que está em coma e é a única sobrevivente. Impossível não umedecer os olhos e refletir. 
Tranquila por ser uma literatura para adolescentes, me indaguei por quê  a maioria dos adolescentes não curtem ler. Hoje o mercado tem produzido literatura própria para idade, com os impasses da fase e nem são histórias tão suaves assim. Essa mesmo aborda temas difíceis até para um adulto lidar. Espero que autores brasileiros produzam, pois precisamos desse tipo de material em sala de aula. 
Nada contra Machado de Assis e outros, eu o amo e minha primeira monografia foi sobre sua obra mais conhecida, mas lê-lo até mesmo em HQ no ensino fundamental, é de dar calafrios. Lógico que para o PAS/UNB é super válido. Preciso registrar que Thalita Rebouças já escreve para o público juvenil e espero que Eduardo Spohr, acrescente esse tipo de trabalho ao seu talentoso dom literário.
A autora finalizou muito bem com um suspense que deixa na mente a certeza, "quero ler o próximo". Como brinde o livro vem com as primeiras páginas da continuação "Para onde ela foi". Indico!




Mais que um carpinteiro - Josh MacDowell e Sean McDowell
O título é bem chamativo e tem muita relação com a experiência espiritual do autor. A participação do seu filho, por mais científica que seja, torna parte do livro tediosa. O testemunho no último capítulo é emocionante e de forma resumida, sim, Cristo é mais que um carpinteiro. Indico.





Ortodoxia - G. K. Cherterton
Leitura complexa, porém possível. Apologia ao cristianismo paralela aos questionamentos do período e contrária às filosofias e doutrinas do início do século XX. Yancey afirmou que se tivesse que escolher um único livro fora a Bíblia, escolheria "Ortodoxia". Bom, eu escolheria "O Evangelho segundo Jesus Cristo" do ateu Saramago.


Super indico o trabalho do jornalista Lucas Figueiredo, revisado pelas professoras Júnia Ferreira Furtado (UFMG) e Carla Maria Junho Anastasia. Possível de leitura e compreensão não apenas ao público acadêmico, mas em geral. Muito gostoso de ler e não é cansativo o excesso de informação fornecido no decorrer dos capítulos que mesclam fatos mundiais, de Portugal e da colônia portuguesa no período da corrida exploratória do ouro. 


Presente desejado, presente ganho! Catarina governou 34 anos,depôs o próprio marido e modernizou o Império Russo. Leitora dos iluministas, sempre é citada quando o assunto é despotismo esclarecido. O autor tomou como base passagens de diários e cartas da czarina. Rejeitada por sua mãe, por ter nascido mulher, logo é usada pela mesma como degrau para o crescimento. Sofia (Catarina) é chamada aos 14 anos para contrair o matrimônio com o futuro imperador da Rússia, mesmo tendo que abrir mão do protestantismo e participar de disputas políticas territoriais. É possível ler não acontecimentos históricos russos, a intimidade da alcova de Catarina, detalhes pitorescos do espaço privado e público e também  assuntos paralelos fora da Rússia,como a independência das colônias inglesas e a Revolução Francesa. 640 páginas envolventes. 


Excelente autora que conseguiu acertar em suas três obras. Os temas são: tecnologia, filhos, escola, vizinhança e Bridget, com seu jeito singular de ser. Na primeira obra a autora colocou a personagem na busca de um alguém idealizado para acabar com sua solteirice. Na segunda, Bridget está namorando e tem que enfrentar a perigosa "inimiga água-viva" e o mercado de trabalho, sem contar que não foi fácil manter o namoro. Já na recente obra e talvez última de Bridget, a mesma ficou viúva,  precisando cuidar de dois filhos sozinha e recomeçar a vida. O fabuloso nas três obras é a capacidade da autora em conciliar seus temas com humor e conseguir enfatizar a loucura da personagem que no fundo só quer acertar. Na verdade, muitas de nós temos um pouco de Bridget na alma. O acaso acaba abençoando Bridget e ela sempre vai acertar de forma distraída.O desfecho de todas as obras é sensacional. 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

FOCO LITERÁRIO 2014 DR. IRVIN D.YALOM



O dr. Irvin D. Yalom é um psiquiatra norte americano e autor de várias obras, porém a maioria só conhece "Quando Nietzsche chorou". Tudo começou com a obra "Mentiras no Divã", gostei da sinopse e foi paixão à primeira lida! Ele consegue mesclar enredos e os personagens estão de forma harmônica conectados no mesmo livro. O tema central é a relação entre paciente e médico no processo de terapia e demonstra que o profissional não está à margem de dilemas existenciais que possibilitam contratransferência com os pacientes. "O carrasco do amor" já resenhado anteriormente (http://sallybarroso.blogspot.com.br/2014/08/agosto-diario-literario.html) são vários enredos e mais uma vez o processo trilhado entre paciente e médico sendo citado sempre o trabalho conjunto para reconhecer autos enganos, traumas, medos, autossabotagens e a transferência e contratransferência (tema sempre citado em suas obras). "Mamãe e o sentido da vida" é bem parecido, sendo o primeiro capítulo autobiográfico, demonstrando o conflito com sua mãe e a análise de sonhos. Maravilhoso mesmo, na minha opinião, é "A cura de Schoupenhauer"! O autor mescla capítulos de terapia em grupo guiada pelo médico Julius Hertzfeld e a biografia do filósofo do século XIX, Schopenhauer. Ao tomar conhecimento de um câncer, Julius decide analisar o seu maior fracasso como profissional. Lembra então de Phillip Slate que teve sua cura sexual com a Filosofia do misantrópico filósofo. Tendo outras vidas envolvidas na obra literária é possível para leigos, inclusive em todas as suas obras, o conhecimento da psicoterapia de ambos os lados, paciente e profissional. Indico todos, tendo uma maior indicação pelo último resenhado. 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Ficção histórica


Salamina, uma ilha onde ocorreu a terceira Guerra Médica (Maratona, Termópilas e Salamina) entre persas e
gregos. A figura principal foi Temístocles e é sobre ele que começa o enredo, demonstrando o tratamento dado nas aulas de gramática para eupátridas (aristocratas) e novos ricos comerciantes, que era seu caso. Após o Prólogo, a fuga de Apolônia da cidade de Erétria devido à invasão dos persas, iniciando os primeiros passos para a guerra de Maratona (490 a.C).

Referências sobre Sólon, considerado um dos sete sábios da Grécia Antiga e que em 594 a.C iniciou um reforma na pólis ateniense. Foi dele a abolição da escravidão por dívida e outros feitos. Diálogo entre o personagem tema do livro (Temístocles) e Clístenes (enfermo): "Kratos tou demou. Demou kratos: Demokratía!"

Batalha de Maratona (1ª guerra entre persas e gregos). Relatos de Heródoto sobre os erétrios e sobre a morte de Milcíades e Dário; relato de Plutarco sobre Temístocles; e inscrição de Xerxes em Persepólis.

Segunda Guerra Médica (1ª Maratona/3ª Salamina) entre gregos e persas na Termópilas onde compareceram 300 espartanos (não apenas eles, né!?). O grande lance foi a posição grega no estreito do desfiladeiro que bloqueou o caminho. Traído por Efialtes morreram de forma heroica. Frases conhecidas, Xerxes: "Rende-te e entrega tuas armas!" Leônidas: "Vem buscá-las!" Oficial de Xerxes: "Lançaremos tantas flechas que cobrirão o sol!" Leônidas: "Melhor, combateremos à sombra".

Desfecho com a última Guerra Médica dos persas versus gregos. O autor no final descreve os autores e fontes que utilizou fazendo uma boa crítica a Heródoto. SUPER INDICO!

Diário literário!


Do mesmo autor de "Quando Nietzsche chorou". A intenção agora é dissecar a complexidade das emoções humanas por meio do relacionamento de três terapeutas e seus pacientes. O primeiro é Seymour, médico conceituado que é acusado de má conduta sexual com uma de suas clientes.

Podemos ler em um capítulo sobre o dilema entre uma análise que pode durar anos ou uma terapia rápida, pois a última acaba sendo sempre preferida para apenas aliviar os sintomas do paciente. Em outro capítulo lemos sobre transferência erótica na terapia; o autor no personagem de Ernest fala sobre a ortodoxia freudiana e o misticismo junguiano; a pedagogia do egoísmo, pensar em si mesmo acima de tudo.

Interessante o debate entre os personagens Ernest e Paul sobre pacientes que não são sinceros com seus terapeutas ou consultam dois ao mesmo tempo para avaliar se ambos chegam a mesma conclusão. Costuma-se chamar de pírricos (de vitória pírrica, utilizada para expressar uma vitória obtida a alto preço, com prejuízos irreparáveis).

Outro debate com os mesmos personagens, dois terapeutas que seguem linhagens diferenciadas. Debate e relatos sobre os grandes terapeutas e suas experiências sexuais com pacientes, com exceção de Freud. Tudo muito impactante, não o ato e sim o resultado. Após pesquisas, realmente é o que temos pra hoje. Nada que diminua a importância da terapia, mas apenas a ciência de que certos benefícios atuais foram resultados de experiências impróprias.

O autor consegue envolver os personagens e dissecá-los entre pacientes e médicos, demonstrando a função da terapia e seu desenvolvimento.
"Excepcional! Início, meio e fim! INDICO!

Agosto! Diário literário!


Livro onde o autor descreve casos clínicos sendo o primeiro capítulo sobre a obsessão amorosa e como a paciente Thelma se agarrou à uma lembrança passada por estar insatisfeita com o presente. Segundo caso clínico, paciente com câncer em tratamento que se esconde no assédio sexual e na indiferença ao próximo. Ponto máximo da terapia quando o profissional (autor do livro) começa a questionar sua negação "De um modo geral, é melhor não enfraquecer uma defesa, a menos que ela crie mais problemas do que soluções, e a menos que tenhamos algo melhor para oferecer em seu lugar". Muito válido para nossas negações diárias.

Capítulo três: A mulher gorda. Bom, ele utilizou desse título para demonstrar o significado de transferência (quando o paciente erroneamente vincula sentimentos anteriores ao terapeuta) e contratransferência (sentimentos irracionais semelhantes que o terapeuta tem em relação ao paciente). A paciente Betty é obesa e terapeuta, abomina obesidade por motivos que não me cabe escrever aqui pelo peso que pode causar em pessoas com baixa estima. Nesse caso, ambos estão se curando, paciente e profissional. Talvez por isso que eu goste tanto da Literatura estrangeira, os profissionais de lá são menos narcisistas e mais sinceros a ponto de registrar em um livro.

Capítulo: morreu o filho errado. O caso da mãe que ao perder a filha negligencia os devidos cuidados aos filhos vivos. Sobre a culpa e a dificuldade em prosseguir ou aceitar o luto. Sobre as transferências de desejos não realizados que sobrecarregam os filhos.Se alguém quer aprender a viver com os mortos, precisa aprender a viver com os vivos.

Capítulo cinco "eu jamais pensei que isso aconteceria comigo". A senhora que aceitou a morte do marido após o brutal assalto. Uma simples bolsa com seus excessos pode nos descrever... Que coisa.

Capítulo seis "não seja gentil" Outro caso relacionada à idade. Cartas antigas que mantiveram anestesiado o paciente por se agarrar ao medo de envelhecer. O passado sendo aquele que mantém vivo quem não consegue enfrentar o processo lógico da vida.

Capítulo sete "dois sorrisos"utilização de hipnose para lidar com uma dor física. A paciente segue os conselhos do psiquiatra e revela mágoas . Bom, eu seguiria o conselho de dar fim à vida do meu cachorro caso fosse o necessário. Leitura do capítulo "três cartas fechadas"...o tipo de ansiedade que acovarda e mobiliza.

Capítulo "monogamia terapêutica" um caso de bipolaridade. Que não é esse modismo, um dia triste, um dia irritado, um dia focado (isso seria o espectro bipolar). Mudança de personalidade (novela Irmãos Coragem, exemplo típico)e achei genial a abordagem terapêutica. É possível avançar na vida com esse transtorno.

Último capítulo (que triste) sobre sexualidade. "Como Freud abordou, a angústia sexualmente inspirada é expressada através de meios indiretos." Para o autor, com igual frequência, o oposto seja verdadeiro: outras angústias se mascaram como angústia sexual. A psicanálise leva muito em consideração os sonhos e também a terapia em grupo. Achei interessante o autor descrever sua experiência, não sendo apenas ficção. Indico.


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Resenhando 18° e 19°/2014 JUNHO


19° livro lido em 2014, o autor começa escrevendo sobre civilização e seus conceitos na introdução. Depois aborda no primeiro capítulo sobre a China e Lao-Tsé, Confúcio e Li (o anjo banido). Índia: de Buda a Indira Gandhi (que não teve parentesco nenhum com Gandhi e tive o privilégio de conhecer mais no livro "O sári vermelho" de Javier Moro). Um detalhe interessante sobre o budismo depois do período de Ashoka em Ceilão (e tão atual aqui no Ocidente): "Fiquei chocado (o autor) ao ver na parede de um mosteiro budista uma grande pintura mostrando o amável fundador do budismo ((uma das suas cinco regras morais era não matar nenhum ser vivo)distribuindo punições ferozes no inferno. Quando protestei, um monge me explicou que, a menos que a religião pregasse igualmente o terror, a virtude e a bênção, não conseguiria controlar o desenfreado individualismo da humanidade.

Egito - Das pirâmides a Akhenaton; hipótese da construção das pirâmides; código moral; arte e finaliza com breve biografia de Akhenaton e Ramsés. Filosofia e poesia no Antigo Testamento: o nascimento de uma nação. Os profetas; os filósofos; os poetas. Termina o capítulo praticamente "filosofando"...

Grécia - expansão geográfica; Heráclito, Safo, Pitágoras e Sólon (primeira parte). A época áurea de Atenas - o período entre o nascimento de Péricles e a morte de Sócrates, considerado o mais notável da história mundial para alguns.Finalizando Grécia e mesclando com Macedônia de Platão a Alexandre, o Grande.

Breve análise da Roma Republicana nos aspectos: familiar, religioso e disciplinar. Maneiras pelas quais o caráter romano foi moldado.Resumo sobre as guerras púnicas (Roma X Cartago). Fim da primeira parte sobre Roma que finaliza com a morte de César. O autor é muito objetivo e resume bem. De Nero a Marco Aurélio (na verdade o início do governo do seu filho Cômodo.

Primeiro relato que leio onde o autor não utiliza Flávio Josefo para descrever Jesus e o período histórico. Citou apenas Tácito, os evangelhos e epístolas.Capítulo sobre o crescimento da Igreja, o reverso da medalha, de perseguidos a perseguidores. Assim, cresce a religião denominada cristianismo na Idade Média. Ainda sobre Heloísa e Abelardo e a canção medieval.

Renascimento parte I: Norte da Itália, Florença e outras. A família Médici. Sobre o Renascimento parte II, metade do capítulo sobre Leonardo da Vinci.O Renascimento parte III sobre papas, mecenatos, Maquiavel.O declínio de Veneza e sobre a arte veneziana, o artista Ticiano.

A Reforma parte I. Sobre John Wyclif, o Cisma Papal (1378-1417), Jan Hus, Jerônimo de Praga, Desidério Erasmo (Elogio da Loucura)e a Alemanha às vésperas de Lutero (1300-1517). Capítulo excepcional para àqueles que costumam apontar apenas Lutero como "o cara" da Reforma sem analisar o contexto ao redor do mesmo que acabou possibilitando o acontecimento.

A Reforma - parte II Lutero e os "comunistas" (1517-1555). Sobre a indulgência de Leão X e Johann Teztel. O último vendeu indulgência perto de Witterberg (Frederico tinha proibido a pregação da mesma de 1517 em seu território).Os compradores perguntaram para Lutero e pediram para atestar a eficácia. Ele recusou. Textel o denunciou e tornou seu nome imortal na História. A Reforma como Revolução; A Dieta de Worms (1521); A Revolução Social (a guerra dos camponeses 1522-1536)e a visão de Lutero sobre o assunto (desça o sarrafo!); O "comunismo" anabatista (desvinculados dos menonitas e batistas norte-americanos) e o triunfo da Reforma (1525-1555). E ainda sobre o "herói" Lutero venerado por muitos: "Pois um reino deste mundo não pode sobreviver a menos que exista uma desigualdade entre os homens, de modo que alguns sejam livres, alguns prisioneiros, alguns súditos.

Sobre a Reforma Católica (1517-1563): Santa Teresa de Ávila que fundou alguns mosteiros carmelitas dotados de disciplina religiosa. Aliás, a escultura "O Êxtase de Santa Teresa" de Gian Lorenzo Bernini tenta (até consegue...) descrever uma de suas visões que adquiriram forma de êxtase religioso; Inácio de Loiola, também muito dotado de disciplina religiosa, fundador da Companhia Jesuítica (na época o objetivo dele e de um pequeno grupo era outro)e o Concílio de Trento (1545-1563).

Final do livro com Shakespeare (Renascimento)e Francis Bacon (Iluminismo)na era de Elisabete I (Reforma). Indico!

18° livro lido em 2014: cinco anos de pesquisa e o tema dividido em dois livros. O primeiro, da Pré-História até o Renascimento e esse, do Iluminismo até os dias atuais.Iluminismo, metade do século XVII e início do XVIII, começando o capítulo com os bailes de máscaras.Luís XIV - o Rei Sol da França e Charles II - Rei da Inglaterra: nada de demonstrar emoções. No período iluminista, seduzir e abandonar.Finalizando o capítulo sobre o Iluminismo: erotismo versus pornografia,os libertinos, Don Juan, Marquês de Sade, Casanova, a Revolução Francesa, a caminho do século XIX e os papéis distintos baseados na moralidade.

Início do período "Romantismo" de 1800 a 1914. Um tipo de amor impossível. Influência de Goethe. Do amor cortês ao amor romântico.A tradição romântica do século XII retorna no início do século XIX sob medida para a classe média. No que diz respeito à repressão sexual, mas não neste aspecto, foi marcado pela presença avassaladora de uma pequena mulher: a rainha Vitória. Sua época recebeu seu nome e sua marca.Sobre a mulher no período romântico.

O lance da boneca francesa que passa de uma mulher em miniatura para um bebê. A boneca que antes fora uma confidente foi substituída pelo aprendizado do papel materno. Eis que em 1920 surge o animal de pelúcia, pense!Já o animal de estimação ganhou importância desde a Corte de Luís XIV que rompeu com a indiferença cristã diante do animal que diziam ser desprovido de alma. A afeição de Rosseau a seu cão ajudou bastante na mudança de sentimento. Até o piano se tornou confidente que traduzia queixas e sua evolução está registrada em várias literaturas de época.

Sobre o namoro, casamento e outros comportamentos na era vitoriana.Freud e a psicanálise, diferente da psiquiatria, que apenas tinha como pretensão manter a sociedade livre da loucura alheia. Na psicanálise surge a possibilidade do indivíduo falar sobre si e sobre sua sexualidade no século XX.A doença feminina do século, obviamente a histeria. Caso de Bertha Pappencheim (Anna O.) e o relato de Joseph Breuer que a auxiliou pelo método da cura pela fala. Biografia dos transgressores: George Sand (Amantine Aurore Lucile Dupin), Oscar Wilde e Auguste Rodin. Belle époque...

Fim do capítulo sobre a era romântica, período victoriano e como o livro se trata em geral do Ocidente, o amor idealizado, que estraga relações reais. Papéis definidos historicamente e difíceis de modificar.A loucura toda na era do jazz e a crise de 1929.Muito interessante o tema "A força de Hollywood" e "A Segunda Guerra". Fim do capítulo "Século XX: primeira metade".

Penso que o título deveria ser "O livro das mulheres" porque a mulher aparece como protagonista na História diversas vezes. Mulheres sendo a mudança pelos seus comportamentos não padronizados pela sociedade mudando radicalmente o curso histórico, ou sendo vítima dos mesmos padrões e não participando de forma ativa. O livro todo é assim. Fim do capítulo Século XX: pós-guerra. Repetitivo demais ou tudo é muito cíclico.


Século XX: Revoluções. Rapaz, o chamado Contracultura foi uma loucura; movimento hippie; Woodstock; AI-5; movimento feminista (e saiba que a queima do sutiã não rolou, não nesse momento); movimento gay (pela segunda vez a autora afirma que a pílula possibilitou a saída do armário!); momento Stonewall; e um feed-back do livro 01 e 02 da pré-História aos dias atuais. Indico!

domingo, 22 de junho de 2014

17°/2014 Anarquia e cristianismo


Conheci esse autor (sociólogo/teólogo/protestante francês) na leitura de "Política de Deus Política do Homem" um estudo sobre o livro bíblico de Reis. O livro "Anarquia e Cristianismo" é uma aula de História! O autor deixa claro que rejeita absolutamente a violência e descreve a anarquia do ponto de vista de um cristão. Também aponta os motivos de desgosto do anarquismo com o cristianismo, fonte de muitas guerras. Dá-lhe História! No capítulo sobre "Bíblia, a fonte de anarquia". O autor começa o capítulo afirmando que anarquia (an-arkhé) não é negação de domínio ou desordem. O homem ocidental está tão persuadido de que a ordem na sociedade só pode ser estabelecida por um poder central forte, que questionar esses poderes, para ele, equivale a semear a desordem. Vale lembrar de Lutero e a revolta dos camponeses, só para reflexão. Entre outros assuntos é abordado para dar base ao título do capítulo: Referência sobre a Bíblia Hebraica, Jesus e a autoridade da época, o Apocalipse e o contexto histórico no qual foi escrito, a Epístola de Pedro (1 Pe 2.13-17)e Paulo em Romanos 13.1-7. No capítulos finais uma aula de História e demonstração de como o Estado absorveu o cristianismo nos primeiros séculos d.C: Sínodo de Elvira (313); conversão de Constantino (312-313); Sínodo de Arles (314)e o concílio de 314. Finalizando: "os cristãos engajados precisam evitar cair no balaio da ideologia em voga no momento. A Igreja foi monarquista na época dos reis, imperialista com Napoleão, republicana na República e agora socialista (a Igreja Protestante, ao menos) socialista como todo mundo". Palavras de um sociólogo e teólogo protestante. Indico!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Revolta armada




Laurentino Gomes é autor dos livros 1808, 1822 e agora 1889. O autor na introdução comenta a falta de prestígio no calendário cívico brasileiro do episódio recente chamado Proclamação da República. Seus personagens são menos conhecidos que Tiradentes, Pedro Álvares Cabral e outros. Não justificando, mas apenas comentando, relata que o evento não resultou de uma campanha com participação popular, e sim foi um golpe militar com escassa e tardia participação das lideranças civis. O sangue que não foi derramado na derrubada da monarquia, verteu nos 10 anos seguintes (02 guerras civis, Revolda da Armada, Revolução Federalista, Canudos totalizando +ou- 35 mil vítimas). Aconteceu mais por esgotamento da monarquia do que do vigor dos ideais e da campanha republicana, com fortalecimento da Lei Áurea que deu combustível e o descontentamento nos quartéis desde o final da Guerra do Paraguai.
A improvisada cerimônia de Proclamação da República aconteceu sob a Marselhesa, o hino nacional da França e hasteou-se uma bandeira cujo desenho imitava os traços do estandarte dos EUA, substituindo apenas as cores azul e branco das faixas horizontais pelas cores verde e amarelo. A palavra república não era mencionada na noite daquele dia (15/11), nem mesmo no manifesto que o governo provisório divulgou assinado por Deodoro anunciando a deposição da família real e o fim da Monarquia. A consulta popular prometida por Benjamin Constant aconteceria apenas em abril de 1993, ou seja, 103 anos após 15 de novembro de 1889 em um plebiscito nacional. Venceu a República.
O capítulo 03 começa com o autor fazendo um resumo sobre a situação educacional brasileira no ano da Proclamação da República (de cada 100 brasileiros, somente quinze sabiam ler...). A agricultura respondia por 70% das relações comerciais e oito entre dez brasileiros moravam na zona rural. O autor relata, além desses dados, situações da Guerra do Paraguai e seus efeitos colaterais, as transformações urbanísticas das grandes capitais, Mauá - dos investimentos até a falência -, o café e a migração do Nordeste para o Sudeste, tal qual a importação de estrangeiros para trabalhar no lugar dos escravos. As rebeliões do Primeiro Reinado e da Regência são em sua grande maioria citadas, até findar com a frase "Quero já!" de D. Pedro II, episódio conhecido como o Golpe da Maioridade.
No capítulo "Miragem", a nobreza exótica e tropical, diferente da nobreza europeia, onde os títulos de nobreza eram hereditários. A farta distribuição de títulos e cargos como barganha nas relações de poder. Tudo tão atual. Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Habsburgo e Bragança, mais conhecido como dom Pedro II, governou o Brasil por 49 anos, começando como um adolescente e deposto em 1889 a duas semanas de completar 64 anos. A criação e educação de D. Pedro II e seus amores extraconjugais, bem mais discretos que os do seu pai. As viagens, as manias, os protocolos, o cotidiano do Imperador Pedro de Alcântara, como gostava de ser chamado. Sobre o Século das Luzes, muito interessante os relatos do contato de D. Pedro II e Graham Bell na Filadélfia. Sobre o mecanismo que reproduz a voz humana, D. Pedro II "Meu Deus, isso Fala! Eu escuto! Eu escuto!"; e D. Pedro II com Victor Hugo, autor de Os miseráveis. Insistência do Imperador. 
Capítulos sobre os republicamos, sobre a mocidade militar e o positivismo. Fundação da primeira agremiação positivista brasileira no RJ em 1876 e a divisão em 1890 em duas vertentes. A primeira, religiosa e a segunda ideológica e política. Permaneceu a segunda." Sobre o Marechal Deodoro da Fonseca, o fundador da República e sua frase antes do 15 de novembro: "República no Brasil é coisa impossível, porque será uma verdadeira desgraça. Os brasileiros estão e estarão muito mal educados para republicanos. O único sustentáculo do nosso Brasil é a monarquia; se mal com ela, pior sem ela". Pense se o cidadão queria o ato!
Capítulo sobre Benjamin Constant, professor de matemática e tenente-coronel. Benjamin não foi um personagem secundário na queda do Império. Sua carreira foi marcada por episódios polêmicos.
Capítulo sobre os abolicionistas e sobre as leis bizarras em relação à escravidão, tipo Eusébio de Queiroz, Ventre Livre chegando na Lei Áurea. Sobre a vida de Nabuco, José do Patrocínio, André Rebouças, Luís Gama... Sobre movimentos abolicionistas urbanos contra a permanência da escravidão rural. Sobre o Ceará e Amazonas, províncias que aboliram a escravidão no Brasil, Caifazes, Quilombo do Jabaquara e outros temas (inclusive um texto que você percebe na prova para professores retirados do livro do jornalista/autor; nada contra, mas nunca pensei...). Finalizando: "A Lei Áurea abolia a escravidão, mas não o seu legado" Emília Viotti da Costa.
Capítulo sobre Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafael Gonzaga, resumindo, Princesa Isabel. Acusada de católica fervorosa e submissa ao marido Conde d´Eu (estrangeiro) seus problemas com os republicanos e maçônicos começaram na Questão Religiosa entre 1872 e 1875. Ao anistiar os bispos envolvidos, Isabel fomentou ataques à monarquia que durariam até à assinatura da Lei Áurea. "Então senhora, seus destino é o convento" disse Silveira Martins à princesa que morreu no exílio, em 1921.
Sobre D. Pedro II e seu estado de saúde antes da Proclamação da República. baile na Ilha Fiscal em 09 de novembro de 1889. Atitudes do Imperador e do Marechal Deodoro diante do golpe armado, deslocado das ruas, sem qualquer participação popular, que chamamos hoje de Proclamação da República. Indico.




Karl Marx e Freud como base literária



A autora fez parte do início da luta pelos direitos femininos no Brasil em plena Ditadura Militar. Hoje, aos 83 anos, quase cega, pede ajuda financeira para poder continuar produzindo. Gostei dessa frase "Não trocaria esses 82 anos que tenho hoje pelos meus 30 anos”. Antes de ser feminista, a autora trabalhou com a Igreja progressista. Estudou física, mas acabou largando para se casar, não tanto pelo casamento, mas segundo a mesma, pela esquizofrenia da ciência. No início dos anos 60, descobriu a possibilidade de esquerda dentro da Igreja, mas após o golpe viu a entidade fechar acordos com os militares. Em 71 entrevistou Betty Friedman que acabou deixando uma péssima visão do que seria ser feminista, visão que persegue a causa até hoje. Tornando-se conhecida e lançando obras, tem seus livros apreendidos pelos militares e viaja então para os EUA. Segundo a autora, foi um porre de liberdade! Na volta ao Brasil, o movimento operário exige que o movimento feminista lute por uma causa comum, a de classes. Tendo que escolher, optou pela luta específica, afinal a opressão da mulher era anterior à sociedade de classes. Nasce assim o livro pós pesquisa, “Sexualidade da mulher brasileira - corpo e classe social no Brasil." O livro é resultado da pesquisa que fez, descrevendo o resultado em capítulos: uma descrição sobre a sexualidade feminina e a masculina com os seus impasses; a separação e a união para cada sexo; a visão materna no sexo masculino ... Tudo muito tenso. A primeira parte finaliza com o capítulo sobre o privado e o público. O comportamento de cada sexo nesses espaços. A questão é mais cultural que biológica Na segunda parte a autora começa a dar forma no título da sua obra, onde seu momento homem foi ao entrar no universo masculino do poder, comércio e política. Descrição das revoluções das décadas de 60 e 70 e os movimentos esmagados na década de 80, tudo em nome dos "bons costumes”. Fim da terceira parte com uma viagem louca da autora sobre pré-história e afins. Não explica muito bem o título, a não ser pelo fato de ter entrado no mundo da concorrência capitalista... parece mais um relato histórico da guerra dos sexos tendo sempre como apoio textos de Karl Marx e Freud.