quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Madame Bovary - Flaubert


Bom, hoje terminei a leitura de Madame Bovary, meu último livro como meta literária de 2012 na estante do site Skoob http://www.skoob.com.br Digo que seu final trágico me impactou da mesma maneira que “Memorial de Convento” de José Saramago. Leitura que me deixa assim meio sem fala e a pensar nas intempéries da vida. A meditar nas causas e confesso que tenho reflexões que não consigo colocar no papel.

Flaubert foi processado após publicar Madame Bovary por "publicações obscenas" e “obra execrável sob o ponto de vista moral”. Foi absolvido e é dele a frase tão conhecida “Madame Bovary cest moi”. Acredito que a acusação não se deu apenas pelos casos adúlteros de Emma, mas as críticas contidas na obra contra a Igreja, sociedade e as banalidades da burguesia. Afinal, a obra faz parte do realismo, sendo influência para Eça de Queiros e Machado de Assis.

Cresceu como romântico e tornou-se adepto do antirromantismo para encarar a realidade. Talvez por isso sua heroína "Emma" comete o suicídio. Apesar de detalhista, não chega a ser cansativo, mesmo quando se trata do chapéu de Charles Bovary ao chegar na escola da cidade. O fracasso do pai, a submissão da sua mãe, a personalidade forte da primeira esposa e o romantismo de Emma que é dada por seu pai a Charles por não ter que dar um grande dote, demonstra nas páginas iniciais o que Flaubert mais estudou, a estupidez provinciana.

Emma (a protagonista) ao contrário de Charles Bovary é ambiciosa e se frustra ao continuar na normalidade da vida pacata no meio rural após o casamento. Charles “cumpria suas pequenas tarefas cotidianas como um cavalo de circo”, enquanto Emma “buscava saber o que significavam as palavras felicidade, paixão e embriaguez, que tão belas lhe pareceram nos livros”. Livros ... então! Os romances são os culpados pelos sonhos demasiados altos de Emma.

Então, seja como for, Emma possuía uma insatisfação incontrolada que levou à destruição. A sua busca pelo ideal romantizado, não está ausente na sociedade atual. Essa constante busca de satisfação no consumo, na aparência e na paixão.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Retrospectiva literária 2012 (parte V)






Uma história da Índia
Depois de ler As montanhas de Buda, do mesmo autor, me interessei por esse livro. O título se remete ao Sári Vermelho fiado por Jawarharlal Nehru em um dos vários períodos em que esteve preso e a peça de roupa, típica da Índia, foi usada no casamento pela sua filha Indira Gandhi, sua nora Sônia e sua neta Priyanka. O livro é um romance que aborda a história da dinastia Nehru-Gandhi paralela a história da Índia independente, começando pela morte de Rajiv aos 46 anos no ano de 1991.

Rajiv, marido de Sonia Gandhi, uma italiana de Orbassano, foi vítima de uma atentado terrorista. A mãe de Rajiv, Indira Gandhi e avô Nehru, também foram assassinados. Os três atuaram no cargo de Primeiro-Ministro da Índia e lutaram para manter o país independente. Um país repartido pelas religiões, crenças e costumes. Agora, o partido pede que Sônia assuma a presidência do maior partido democrático, porém ela é uma estrangeira e tem aversão à política. Enquanto decide e sente a dor do luto, Sônia lembra como conheceu Rajiv. O autor então descreve os períodos de cada um dos componenentes da família no espaço privado e público, descrevendo lutas religiosas, corrupções, intrigas familiares, relações internacionais e outros temas que ocorreram na história da Índia. 




Ingênuo patriotismo
O autor descreve nessa obra as estruturas sociais e políticas do Brasil da Primeira República, enfocando os fatos históricos do governo de Floriano Perixoto.

O livro (que foi publicado inicialmente em folhetins no ano de 1911) está dividido em três partes. Chamo essas partes de "o hiperfoco" (linguagem de TDAH) de Policarpo Quaresma, protagonista da obra. Nesses três momentos da sua vida ele se lança de corpo e alma a um ideal sempre baseado no patriotismo.

Já na primeira parte o personagem é apresentado como patriota e não sei se o "seu triste fim" se deu por ter sido um patriota sem ambições políticas ou administrativas (pg 19). Gostei muito dessa parte sobre Policarpo que acho que vou até utilizar como texto da avaliação globalizada sobre História do Brasil (9º ano):

"Não se sabia onde nascera, mas não fora decerto em São Paulo, nem no Rio Grande do Sul, nem no Pará. Errava quem quisesse encontrar nele qualquer regionalismo; Quaresma era antes de tudo brasileiro. Não tinha predileção por esta ou aquela parte de seu país, tanto assim que aquilo que o fazia vibrar de paixão não eram só os pampas do Sul com o seu gado, não era o café de São Paulo, não eram o ouro e os diamantes de Minas, não era a beleza da Guanabara,não era a altura de Paulo Afonso, não era o estro de Gonçalves Dias ou o ímpeto de Andrade Neves - era tudo isso junto, fundido, reunido, sob a bandeira estrelada do Cruzeiro".

Ao meu ver o trecho acima descreve bem as riquezas do nosso país. Então, essa é a primeira parte do livro onde o protagonista conhecedor das nossas belezas naturais decide escrever um manifesto solicitando que a nossa língua geral seja a tupi-guarani. Óbvio que ele não vai ser levado a sério, chegando mesmo a ser internado em um hospício. Nessa parte gostei muito do personagem Ricardo Coração dos Outros que ensina Quaresma a tocar violão, instrumento que sofre discriminações na época. A descrição de Lima da alta sociedade suburbana carioca é maravilhosa.

Na segunda parte Quaresma resolve ir cuidar de um sítio, plantar e colher e entre uma semente e outra analisa a pobreza da comunidade rural a sua volta e disputas políticas no campo. Pode-se conciliar com a República Oligárquica que substitui o Brasil já agrário do Império. Aliás ele faz críticas sobre a ajuda do governo aos estrangeiros e descaso do mesmo com o povo brasileiro. Sua luta contra as saúvas é o ponto alto dessa segunda parte.

A terceira Quaresma se alista para o exército de Floriano contra um levante que realmente aconteceu na posição de major. Ricardo Coração dos Outros também se alista de forma "voluntária". Nessa última parte Lima Barreto dá maior ênfase ao presidente Floriano Peixoto e as formas como as posições e cargos são adquiridos nessa máquina administrativa chamada governo. Nada diferente da atualidade, aliás quantas semelhanças há na obra e na nossa realidade atual. Bem, sem contar o final do livro, o título já diz tudo e triste as reflexões que Policarpo faz sobre patriotismo e consequências.  





Espionagem em tempos de Guerra Fria
Tom Clancy é conhecido por seus livros sobre intrigas políticas e descrições de tecnologias militares, O Coelho Vermelho, não poderia ter sido diferente. A história acontece em três lugares, EUA, Inglaterra e URSS. Em cada um desses lugares há embaixadores que na verdade são espiões da CIA, FBI e KGB. O início achei um pouco cansativo por contar os detalhes das adaptações desses agentes secretos em outras nações. A emoção começa quando um funcionário do alto escalão da URSS por questões políticas decide mandar matar o papa polonês. O então funcionário das comunicações da KGB por um encargo de consciência decide pedir auxílio ao embaixador norte-americano que está em solo russo. A missão então é tirar esse desertor em segurança, o coelho vermelho, sua esposa e sua filhinha. Recheado de intrigas políticas, corrupção e opiniões sobre o comunismo russo, o autor enaltece sua pátria. Lógico, em um período de Guerra Fria, não havia uma terceira escolha. Também é possível analisar por meio desse livro, os luxos que haviam para os camaradas russos que faziam parte da diretoria do Partido Socialista Russo, o que não era possível à população russa em geral. 





Kinsom e Yandol ...
As montanhas de Buda: A odisseia de duas monjas tibetianas apaixonadas pela liberdade. Javier Moro. Esse livro além de barato (R$ 9,90) nos traz informações sobre a opressão chinesa no Tibete e os princípios budistas. Impossível ficar insensível e não chorar diante das torturas e sofrimentos cometidos às monjas cativas (Kinsom e Yandol) e ao povo tibetiano. O autor a partir de estudos, viagens e entrevistas nos permite descobrir esse desrespeito aos direitos humanos.
Também traz informações sobre a filosofia budista, princípios que fortaleceu as duas monjas e várias outras que foram vítimas de torturas. Para o Budismo, apenas o homem pode lutar contra o sofrimento e vencê-lo por seus próprios meios. Todas as coisas são efêmeras... inclusive o sofrimento.
Os relatos de violência são fortes, por exemplo esse da monja Kinsom (condenada a três anos por ter gritado Viva o Tibete!):
"Foi horrível. Os soldados me acossaram com inimaginável crueldade. Obrigaram-me a me deitar sobre a mesa, e, enquanto um abria minhas pernas, o outro enfiava o cassetete elétrico em minha vagina... desmaiei. Acordei quando despejaram um balde de água gelada no meu rosto".
Após a saída da prisão, as duas vão participar de uma verdadeira odisséia para conseguir atravessar a pé o Himalaia até encontrar o dalai-lama no exílio, em Dharamsala, na Índia.
Um tipo clássico de história que fica do lado de fora dos livros didáticos.

Retrospectiva literária 2012 (parte IV)





Mitologia Grega
O universo, os deuses e os homens (Jean-Pierre Vernant)é difícil de largar. Esse livro foi indicação da professora Danielle Nastari no último curso de Introdução à História da Arte (janeiro) e muito dos mitos que ela citou, fazem parte do mesmo. O autor, assim como Platão, chama esses mitos gregos da Antiguidade Clássica de fábulas de ama-de-leite, pois eram os mitos que costumava contar para seu neto Julien antes de dormir. Assim como ele, também me encanta a forma como os mitos passaram de uma geração à outra na Antiguidade, fora de qualquer ensino oficial, sem transitar pelos livros, para formar uma bagagem de comportamentos e saberes, várias regras de conduta e bons costumes. Apenas inspirados pela deusa Mnemosýne (Memória). O texto tem uma linguagem simples, combinado com Filosofia, História, Antropologia e Linguistíca.





Sobre o carteiro e sobre o poeta
O carteiro e o poeta é um livro de leitura rápida, ainda que seu autor confesse que levou 14 anos para terminá-lo.
O livro é sobre a relação do poeta chileno Pablo Neruda e um carteiro. Contrariando a tradição de se tornar pescador assim como seu pai, Mario consegue um trabalho de carteiro particular do poeta Pablo Neruda. Sua curiosidade pela poesia de Neruda e a paixão avassaladora por Beatriz, vai ser os motivos de aproximação do carteiro ao mundo poético de Neruda.
Neruda vai auxiliar Mário a conquistar Beatriz e a enfrentar a fúria da futura sogra. Ao receber o pedido de ajuda de Mario, Neruda responde "Filho, eu sou só um poeta, mais nada. Não domino a exímia arte de destripar sogras".
Então o carteiro usa os próprios versos de Neruda para convencê-lo: O senhor tem de me ajudar, porque o senhor mesmo escreveu "Não gosto da casa sem telhado, a janela sem vidros. Não gosto do dia sem trabalho e da noite sem sono. Não gosto do homem sem mulher, nem da mulher sem homem. Eu quero que as vidas se integrem, acendendo os beijos até agora apagados. Eu sou um poeta casamenteiro". Obviamente, o carteiro deixou o poeta sem alternativa.
Além de conter uma linguagem poética e cheia de metáforas, há um fundo histórico do Chile, da quase eleição de Neruda e o golpe militar que tirou Salvador Allende da presidência e subjugou o país a uma ausência da democracia e dos direitos de uma nação.






A Guerra dos Tronos
O americano George R.R. Martin consegue prender sua atenção logo no início do livro A Guerra dos Tronos, primeiro livro da série, As Crônicas do Gelo e Fogo. Fiquei tão atraída que li 592 páginas em 09 dias.
O livro remonta à Idade Média, e ainda que exista componentes inexistentes, como ovos de dragão e lobos gigantes, o autor se reporta à situação geográfica do homem medieval.
A Grande Muralha foi inspirada na Muralha de Adriano, concluída pelos romanos em 126. Essa muralha tinha como objetivo separar o mundo civilizado dos bárbaros. O autor visitou os restos dessa muralha em 1980, numa viagem à Inglaterra.
A inspiração para a criação dos Patrulheiros do Norte veio das ordens militares e religiosas medievais. Seus membros eram monges-guerreiros vestidos com mantos brancos e uma cruz vermelha no peito (Templários). Também juravam fidelidade vitalícia à uma causa, assim como os Patrulheiros do Norte.
Na guerra pelo trono entre Stark e Lannister há uma vaga semelhança entre o conflito entre as casas de York e Lancaster. Conflitos de família poderosas eram comuns nesse período, assim como as contendas por terras.Lendas, medos de monstros e seres malignos também.
Jaime, o Regicida, irmão e amante da rainha Cersei, demonstra bem o cavaleiro. Também há no livro torneios que existiam no medievo, quando os combatentes exibiam as suas habilidades.
Esse livro tem conquistado vários adolescentes em idade escolar, sendo possível citar muitos trechos do enredo para representação do período medieval.  





Os pecados capitais no clero
Na minha opinião, O crime do Padre Amaro é a melhor obra realista que já li até hoje. Eça de Queirós não me chocou apenas pelo romance avassalador entre o padre Amaro e Amélia, mas na riqueza de detalhes dos costumes de um período ainda impregnado de misticismo e pieguices. No início inocentei o Padre Amaro, pois nunca houve de sua parte vocação para batina e sim um destino planejado por uma carola que o criou desde novo. Mas, após os seus atos egoístas, profanos e nefastos para satisfazer seus instintos carnais, utilizando do seu poder clerical (óbvio que o fim trágico de Amélia e da criança também me impactaram) me fizeram condenar o padre.Eis o poder de Eça de Queirós! Aliás, o autor utilizou de personagens de batina praticantes dos sete pecados capitais e de situações onde foi mesclado das mais variadas formas os interesses seculares, políticos e mundanos com os interesses e poderes religiosos. Para muitos o preço pago por Amélia e seu filho foi o pago por ter se tornado uma barregã, mas psicologicamente falando (sou leiga no assunto) a devoção e a pieguice em excesso auxiliou e muito no seu fim. Fechado com chave de ouro, o autor conseguiu casar o pensamento religioso (e hipócrita na minha opinião) sobre uma realidade ilusória. A sociedade em declínio pelo pensamento místico, a pobreza, a miséria ao redor dos religiosos e a frase de um dos padres:
"vejam toda esta paz, esta prosperidade, este contentamento ... meus senhores , não admira realmente que sejamos a inveja da Europa!" Uma ótima leitura, indico!

Retrospectiva literária 2012 (parte III)






Identidade alheia
Tertuliano Máximo Afonso é um simples professor de História e se encontra entediado com sua rotina. Divorciado, mantém uma relação não formal com a funcionária de um banco, Maria da Paz. Esta, que mora com sua mãe, procura de todas as formas uma decisão da parte do professor. Há muitos conflitos nessa relação, assim como, na relação com a sua mãe, dona Carolina e o seu senso comum, que visita-o nas horas mais inusitadas. Os vários diálogos que acontecem no decorrer da trama são muito interessantes e fazem valer a pena a leitura.
A mudança na vida do professor acontece quando seu colega de trabalho, o professor de Matemática, indica um filme segunda classe. Para surpresa de Tertuliano, o balconista/ator é sua cópia física mais que fidedigna. Depois disso, há meias verdades e mentiras inteiras para desvendar esse mistério. Em uma época de iniciação à informática, o trabalho de pesquisa foi minucioso.
Após uma busca, Tertuliano finalmente descobre Antônio Claro. Após o primeiro encontro, a paz se tornou distante para ambos. Para piorar a situação, Antonio Claro decide passar a noite com Maria da Paz, que infelizmente não foi contemplada com a verdade inteira. Sem ter o que fazer, Tertuliano não apenas permite, como empresta documentos e roupas para Antonio. Seguindo a Lei de Talião, passa a noite com Helena, esposa do seu sósia. Com todas essas capacidades humanas de ação, a identidade se confunde com a semelhança física e a mais prejudicada nesse labirinto cretense foi Maria da Paz. Pagou com a própria vida.
Agora, o que se achava duplicado, sendo único, tem que assumir a identidade alheia e perder a sua. E Helena, a frágil que vivia na base de remédios, é aquela que acaba dando a solução e desfecho final. Porém, quantas cópias duplicadas ainda terá Tertuliano, agora Antonio Claro, destruir? 





Sobreviver à perca
"O luto diz quem você é sozinha", é a frase que achamos na introdução do livro "A memória de uma amizade eterna" de Gail Caldwell. A autora decidiu escrevê-lo para relatar o início da amizade com a também escritora Caroline Knapp e desabafar a dor por sua perda.
Gail é uma mulher do Texas, gosta de nadar, viver isolada e tinha uma cachorra Clementine. Caroline era mais nova que Gail, filha de um psicanalista e uma artista introvertida,remadora apaixonada e também tinha uma cachorra, Lucille. O que as duas tinham em comum além da paixão por seus animais de estimação era o alcoolismo e a luta contra a dependência, já superada no início da amizade. Gail veio de uma família onde todos bebiam e Caroline além do alcoolismo também teve que vencer aos 20 anos a anorexia.
Os primeiros capítulos vamos conhecer o início e a consolidação dessa amizade, assim como o crescimento do afeto que uma sentia pela outra. Vamos conhecer suas características, os conflitos em uma amizade por suas diferenças e as semelhanças que as unem. Depois a autora relata as causas da sua dependência alcoólica e o árduo caminho trilhado para deixar de beber. Rodeada de pessoas e incentivos ao consumo "social" de bebida, ela consegue parar de beber.
Os últimos capítulos relatam o diagnóstico de Caroline, câncer. Daí em diante, estar do lado de alguém que se tem ciência da morte é o que nos conta a autora de uma forma tão profunda, que é muito difícil não se emocionar. Principalmente para quem já conhece a dor do luto. "Sei que nós nunca superamos as maiores perdas; nós as absorvemos, e elas nos fazem criaturas diferentes, geralmente mais gentis. Às vezes, eu acho que a dor é que produzr a solução. O luto e a memória criam as suas próprias narrativas." (pg 170)
Depois de 13 anos de convivência, Gail também perde para morte sua cadela Clementine, sendo também mais uma prova de superação a longo prazo. E com tantas dores a autora se despede, satisfeita por dentro de mesmo deprimida ainda estar viva e o que é melhor, sóbria. Com uma lista de projetos a seguir, pois a "vida o mapa da vida de uma pessoa é desenhado por sorte, circunstância e determinação". (página 171).
Muito lindo! Indico! 
 





Ser mulher ...
A Cidade do Sol é de autoria de Khaled Hosseine. Ele é o mesmo autor de O caçador de Pipas, então nem precisa falar muito, pois seu talento literário já é conhecido mundialmente. A história é de duas mulheres, Marian e Laila, que diga-se de passagem, parecem que nasceram para sofrer (óbvio que isso é uma ideologia, o desrespeito aos direitos das mulheres não podem ser baseados em destino ou vontade divina, coisa que acontece infelizmente não só na literatura). As duas por turbulências históricas acabam se tornando esposas do mesmo marido. Esse romance cita muitos fatos históricos ocorridos no Afeganistão (e que acabam por dar destino à vida dos personagens) e muitos costumes de opressão ao sexo feminino. É um livro que indico!


Uma revolução satirizada
A Revolução dos Bichos é uma obra do escritor George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair. Aliás, o nome do programa Big Brother foi inspirado em outra obra literária sua “1984”. A Revolução dos Bichos só foi publicado em 1945, período inclusive que os E.U.A demonstrava seu poderio militar em Hiroshima e Nagasaki. O livro é uma metáfora ao regime implantado por Josef Stálin na Rússia Soviética. Orwell nunca visitou o país e seu objetivo era passar uma imagem de como o regime stalinista realmente era.
Infelizmente após sua morte, a CIA comprou o direito de filmar o livro e houve modificações na cena final no desenho animado produzido na Inglaterra. Na versão modificada os animais tomam a casa da fazenda ocupada pelos porcos, enquanto que na obra literária não há como distinguir os exploradores de animais que o precederam. O medo era capitalismo e socialismo ser considerado a mesma coisa.
A leitura do livro é proibida até hoje na China e na Coréia do Norte e no mundo islâmico também, pelo uso de porcos como personagens.
O escritor se tornou um ícone dos que combateram o stalinismo e todas as outras ideologias totalitárias e sua obra possibilita até os dias de hoje uma comparação com a Rússia de Stálin.
Sobre a Granja do Solar na Inglaterra – não poderia citar a Rússia, afinal os soviéticos eram aliados dos ingleses na luta contra o nazi-fascismo no ano de sua publicação.
O major – Karl Marx
Homens – burguesia e/ou capitalismo
Nem precisar dizer que o Sr. Jones é o Czar Nicolau II e que ambos respondem às manifestações com violência.
Os porcos representam a burocracia soviética que passaram a ter privilégio assim como os membros do partido único soviético.
Napoleão passou a decidir sobre os problemas da granja, assim como Stálin criou um regime de partido único. Os outros partidos haviam sido proibidos. Eis a crítica de Orwell, os partidos únicos, os regimes totalitárias, as ditaduras e não o socialismo, pois era um socialista assumido.

Retrospectiva literária 2012 (parte II)






Esse livro é uma daquelas conquistas que se têm quando menos se espera. A autora, na época (1976) desempregada, teve a brilhante ideia de fazer uma pesquisa sobre um tema pouco explorado. Além da pesquisa sem auxílio da internet, conseguiu escrever uma saga, sendo esse livro o primeiro da série. Nesse, o enredo se dá há 35 mil anos, cogitando (nada afirmado na decáda de 70) a possibilidade de terem sido contemporâneos os Neandertais e os Cro-Magnons.

Após um terremoto que vitimou todo o seu clã, uma pequena criança tenta sobreviver aos perigos da selva, animais selvagens, fome, frio e desidratação. Após conseguir se manter em busca de um lugar seguro, a pequena desmaia. O clã do Urso da Caverna, está em busca de abrigo, e Iza, a curandeira encontra a pequena criança desmaiada. Após pedir autorização ao chefe, Brun, Iza tenta à base de ervas, manter a criança viva. Nesse clã, há uma forte hierarquia começando pelo Mog-ur (Creb) o feiticeiro, o líder, o segundo em comando e que tem que cuidar do fogo e as mulheres. O feiticeiro é portador de deficiência física, o que faz todos acreditarem que isso o separa para ser intermediário entre o mundo dos espíritos e o mundo dos humanos. Ele não precisa obedecer. O líder deve decidir pelo grupo. Tanto o homem quanto a mulher aceitavam seus papéis sem questionar. Portadores de ritos de passagens e cerimônias religiosas, se submetem aos espíritos protetores de seus totens e no momento de encontro com a criança diferenciada fisicamente, procuram moradia tanto para o clã, quanto para os espíritos. Recheado de detalhes do período, tipo instrumentos e o trato com as ervas pelas mulheres.

Ayla pertence a um grupo diferente, um grupo que possui a capacidade de evolução, de aprendizado, tanto física quanto cognitiva. Os humanos do Clã da Caverna, chegaram ao máximo da sua evolução, mesmo possuíndo armazenagem de memória avançada. Porém, Ayla por causa de um desastre foi incluída nesse clã e precisa evoluir sob as limitações impôstas ao sexo feminino. Como por exemplo, não tocar em uma ferramenta de caça e quando necessário ser submetida à violência para demonstração do poderio do sexo masculino. Diante desses "detalhes" Ayla decide e consegue utilizar uma funda (que é proibida ser tocada por mulheres) e o que é pior, decidi caçar. Seu desenvolvimento tem sido possível devido sua capacidade evolutiva, porém perigoso até mesmo para sua sobrevivência dentro das leis "naturais" do clã.

A forma violenta utilizada (até hoje) para subjugar o sexo feminino ao masculino é bem detalhado. O conhecimento feminino nas curas através das plantas também. A rejeição do novo (no caso Ayla) pelo que não pode mais evoluir (Broud, o futuro líder do Clã dos Ursos) torna-se uma questão de sobrevivência. Apesar das relações complexas para o período, ótima descrição das mudanças climáticas na Pré-História, na coleta de raízes, no armazenamento, na elaboração de utensílios de uso individual ou coletivo, na caça em grupo, nas explicações transmitidas oralmente e na imitação (demonstração da presença cênica desde então).





As Pedras do Poder
O livro "As pedras de Roma" narra de forma romanceada a biografia de Giovanni de Medici (1475-1521). Livro construído a partir de registros escritos por Serapica dos comentários e anotações do papa Leão X (Giovanni de Medici). Há um rico relatório nas páginas iniciais das decadência dos Médicis e a forma como o papado se tornou um negócio de famílias. O gosto de Giovanni por tertúlias artísticas e literárias o aproximou ainda jovem de humanistas, filosófos e pensadores, mas também de toda forma de obtenção do poder e troca de cargos. Uma família bastante citada é a dos Bórgias, principalmente Lucrécia e seu pai, Rodrigo Bórgio, ou o Papa Alexandre VI. Esse, morto por envenenamento abre portas para a sucessão papal. Muitos detalhes históricos, artísticos e mitológico.

Óbvio que os comentários feitos por Leão X o colocaram em permanente inocência. Apesar disso, há muitos detalhes da época, da sociedade, das razões que apenas confirmam a falta de capacidade de equilibrar poder e religião. No quesito dívidas, impostos, indulgências que perdoavam antes mesmo de pecar, descaso com a espiritualidade da Instituição e da realização de uma reforma urgente, Leão X foi igual ao seu antecessor. Amante das belas artes, investiu pesado em monumentos colossais e tertúlias literárias que incentivassem o desenvolvimento humano em todas as áreas. Um autêntico mecena renascentista.

Uma ótima leitura baseada em referências mitológicas e biográficas dos contemporâneos do Papa Leão X. Abre uma possibiidade de maior compreensão do período. INDICO!




Um livro voltado para o público masculino, porém dotada da curiosidade de Eva, tive que lê-lo. Os três autores trabalham o versículo de Genêsis 3,6, que relata que Adão estava próximo à Eva e nada fez para evitar que a mesma experimentasse do fruto proibido por Deus. Partindo desse evento, é comum observar o silêncio no sexo masculino, quando na verdade a fala poderia evitar maiores problemas.
Também é criticada a Teologia da Receita, que ensina aos homens a utilizar os princípios bíblicos numa fórmula de sucesso. Essa Teologia está recheada de receitas que ensinam a solucionar problemas e cumprir responsabilidades.
Porém, o chamado ultrapassa o individualismo. Se Deus criou a partir do caos utilizando a fala, o homem quando se calou, introduziu o caos na criação. Os autores relatam exemplos bíblicos e pessoais para dar bases às suas teorias. Muito bom! Indico rapazes (e Evas curiosas!).  



Uma outra análise de Calígula
O autor Allan Massie de forma audaciosa relata resultados de suas pesquisas históricas nesse romance. O objetivo é dar um certo equilíbrio no conhecimento da personalidade de Gaio - Calígula, que só é conhecido pelas suas insanidades e excessos em nome do poder e do medo.

O livro é narrado por Lucius, general que lutou ao lado de Germânico e conheceu Gaio ainda pequeno. A pedido de Agripina (mãe de Nero), Lucius tem a tarefa de escrever a biografia de Calígula, após a sua morte. A primeira parte narra as intrigas e contêm detalhes do governo de Tibério, assim como, todas as suas ações que acabaram influenciando no comportamento de Gaio. Essa parte finda com a morte de Tibério e todas as hipoteses da mesma.


A segunda parte narra seu governo, seu romance incestuoso com Drusilla, sua relação com Cesônia, a paixão de legiões pelo mesmo, fato não citado em suas biografias. Essa é a base do romance biográfico de Calígula, um homem que segundo a História, não dominava nem a própria cabeça e vontades. Grande conquistador, talvez isso o torne tão semelhante a Roma do seu tempo. Rico em detalhes, demonstra a imaginação fértil do escritor, óbvio, especialista na área.



É possível uma outra visão de Gaio após a leitura, mas também a confirmação das suas insanidades já conhecidas por todos. Frutos de um contexto conturbado de uma Roma em processo de decadência. Após sua morte, Cláudio, seu tio assumiu seu lugar, casando logo após com Messalina. Agripina após intrigas, leva Cláudio a matar Messalina pelos adultérios e casa-se com seu próprio tio. Ato praticado para garantir o reinado futuro de seu filho Nero.


Retrospectiva literária 2012 (parte I)






Shah Muhammad Rais, é o personagem chamado de "Sultão Khan" no livro "O livreiro de Cabul" de Asne Seierstad. Em "Eu sou o livreiro de Cabul", Shah em poucas páginas e utilizando de seres mitológicos da Noruega (pátria mãe da escritora)tenta apresentar a sua versão dos fatos. Ferido por ter sua hospitalidade dada à escritora retribuída com detalhes da intimidade da sua família e pela omissão de fatos importantes pela mesma, Shah explana a situação do seu país e costumes que não foi criado pelo mesmo. É complicado julgar a partir de uma visão ocidental sobre outra cultura, e muitos dos fatos fornecidos pela autora poderiam e podem de forma trágica prejudicar todos os que foram envolvidos no seu livro. Podemos citar a forma como ela descreveu o banho da mãe do personagem ou as fantasias eróticas do seu filho com meninas órfãs. Em um país onde os costumes são pautados pela religião e por guerras, é impróprio acreditar que apenas um homem é o causador de tanta angústia, principalmente para as mulheres da sua casa. Não o inocento e nem o condeno, pois sendo verdade, em todos os países há excessos cometidos às suas mulheres. Não é uma prioridade do Afeganistão. Gosto de ler autores que denunciam esses abusos porque nasceram e viveram nesses países, como por exemplo, Khaled Hosseine, autor dos livros "Cidade do Sol" e "O caçador de pipas". A autora pecou ao omitir a questão histórica e bélica do país e se centrar apenas no cotidiano da família. 






Drauzio Varella começa contando episódios já relatados em seu livro "Estação Carandiru" e seus trabalhos realizados em vários presídios paulistas. Agora nesse livro, a visão será daqueles que estão do outro do lado da cela, não mais libertos daqueles que estão dentro das grades.
descreve também a forma como os agentes eram selecionados, da cadeia desde o período monárquico até o século XX, os aprendizados possíveis e as percas "inevitáveis". O livro contêm alguns relatos da vida pessoal e familiar daqueles que têm como profissão manter trancados os homens considerados os mais perigosos da sociedade em condições desumanas.
Drauzio disponibiliza sua opinião sobre o sistema penitenciário, relata sobre alguns casos de tortura nos presídios e a "diminuição" após o surgimento dos Direitos Humanos e o crime organizado que ganhou força nos presídios paulistas com o massacre de 1992. Também trata sobre os funcionários que se tornam cumplices dos presos e dos vários familiares que são presos por tentarem entrar com drogas de várias maneiras e por vários motivos.
Um relato breve e objetivo do sistema carcerário paulista, do ponto de vista daqueles que têm por função manter em ordem os presos. O autor descreve o relacionamento dos carcereiros com os presos, com seus familiares, chefes e com um sistema que cobra deles a solução que deveria ser do próprio sistema. Há repetição de vários episódios já descritos no seu livro "Estação Carandiru".  



Resultado de 20 anos de pesquisa e do mesmo autor de "O Padrinho" (livro que trata sobre máfia e já rendeu muito dinheiro para Hollywood) é uma descrição fictícia sobre o cardeal Rodrigo Bórgia (papa Alexandre) e dos seus filhos César, Juan, Lucrécia e Jofre.

O autor descreve muito bem os conflitos entre os reinos da Espanha e da França pelos territórios papais. Descreve bem o luxo papal, as trocas necessárias para se manter no poder, as alianças realizadas por meio do casamento, as técnicas de guerras, vestimentas e cria histórias com personagens históricos como Maquiavel, Leonardo da Vinci e Michelangelo Buonarroti.

Após a morte do papa Alexandre, o livro é finalizado de uma forma bem resumida (talvez porque o livro foi finalizado por Carol Gino - namorada na época de Mario Puzo). Há o relato sobre a eleição do cardeal Giuliano della Rovere (que assumiu o nome de Júlio II, aliás antes dele houve um papa eleito que permaneceu apenas 27 dias)e os dias finais de Cesar Bórgia. 





Para o autor, o ser humano passa a vida interpretando os fatos repetindo as explicações corriqueiras. Diante de uma pergunta simples sobre a vida, o autor aceita o desafio de explanar o livro bíblico "Eclesiastes" de autoria do Rei Salomão. Para Ed, Salomão foi um homem que tudo viveu e chegou à conclusão tão conhecida por todos "tudo é vaidade". Para não cair no erro de viver esse tédio, há o convite para duvidar - pois o oposto da fé não é a dúvida e sim o medo -, notar, perceber, analisar e sugestões pautadas nos versículos e outros autores citados.
O autor, com base no livro bíblico de Eclesiastes, abordas temas e propõe análises para vencer a injustiça, a religião e o dinheiro. "Feliz é aquele que deseja o que possui e não aquele que deseja o que não tem. Se alguma mensagem afirma que Deus deve ser usado como meio, e não como fim em si mesmo, não é o evangelho de Jesus Cristo. O evangelho de Jesus prega a satisfação da alma em Deus. O evengelho apresentado como fonte de acesso aos desejos da alma é um evangelho distorcido. Usar Deus para a obtenção de objetos de desejo é perverter a relação, porque, na verdade, a nossa experiência com Deus deve nos dar a satisfação naquilo que possuímos, e não acesso àquilo que desejamos. Quem quer ajeitar a vida com ajuda espiritual deve procurar um caminho diferente do evangelho de Jesus".
O capítulo 07, Vencendo a pretensão, na minha opinião é o mais interessante. O autor sugere atitudes mediante os cinco argumentos baseados em Eclesiastes, "há o imutável, há o imponderável, há o incontrolável, há o inconciliável,e há o incognoscível". O livro bíblico, lido por muitos apenas partes específicas, cita casos onde o crime, a injustiça, a desgraça atinge tantos os bons quanto os maus. De forma clara e objetiva, Ed René trata nos últimos capítulos esses fatos. É necessário vencer a insensatez, a ausência de sentido, o tempo e a luta pela sobrevivência. Tópicos tão atuais e ao mesmo tempo já analisados pelo homem considerado o mais sábio da História cristã." 

sábado, 15 de dezembro de 2012

DEUS SEGUNDO SPINOZA (1.600...)


“Pára de ficar rezando e batendo no peito! O que eu quero que faças é que saias pelo  mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.

Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.

O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro.

Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.

E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim.Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?

Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato?

Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações?

Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti.

Baruch Spinoza

Quase

Ainda há pouco, conversando com a Cacau por telefone, sobre vários assuntos, ela me indicou esse texto. Lógico que tem tudo a ver com que falávamos, "os quases" da vida. 

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
(Autoria atribuída a Luís Fernando Veríssimo, mas que ele mesmo diz ser de Sarah Westphal Batista da Silva, em sua coluna do dia 31 de março de 2005 do jornal O Globo)

domingo, 25 de novembro de 2012

Atualização literária


Me falta inspiração para atualizar meu blog. Não é falta de tempo, é vontade mesmo. O ano de 2012 foi de lascar, mas em tudo Cristo me sustentou. Agora, que bom ter na leitura uma possibilidade de refúgio, de ida e vinda, de aprendizado. Já são 55 livros lidos e poderiam ter sido mais, porém o fútil de vez em quando tem que nos tirar da seriedade que contém a vida. No momento estou lendo 09 livros, e faço isso com facilidade, um capítulo por livro. Todos nós devemos separar um tempo para fazer aquilo que gostamos. Respeito quem não gosta de ler, mas me fascina quem gosta. 

Um breve relato de alguns livros que estou lendo:


"O Historiador" é uma ficção-histórica sobre o Conde Vlad III (Vlad Tepes), o Empalador, que reinou na Valáquia no século XV.  Fruto de 10 anos de pesquisa da autora sobre o tema. O nome deriva da raiz latina que significa dragão ou demônio (Drakulya), título honorário de Vlad. Drácula foi meio que eternizado por Bram Stoker, que além de criar uma criatura vampiresca, tomou como base relatos superticiosos de camponeses. O interessante é que o livro de Bram em nenhum momento menciona o nome de Vlad. Após ler sobre o livro, muitos o comparam com o livro de Bram Stoker, que apesar do vampirismo acentuado, fez uma crítica ao choque entre a cultura racional inglesa e a cultura superticiosa do Leste Europeu. Bem, todos sabemos que Hollywood tomou conta do assunto. 
 Em "O Historiador" já nos primeiros capítulos é possível perceber partes da História Medieval, História do Império Otomano e História Contemporânea (período da Guerra Fria). A autora consegue com muita imaginação preencher as lacunas entre a realidade e a ficção. O livro tem como enredo também a história de uma garota de 16 anos que descobre na biblioteca do pai em Amsterdã uma carta ... Há várias descrições das cidades (países) citadas ou visitadas, geograficamente e/ou culturalmente."


A mulher de trinta anos faz parte da obra máxima de Honoré de Balzac "A comédia humana - estudos de costumes - cenas da vida privada". Tido como inventor do romance moderno, Balzac duplicou às mulheres da época a idade do amor. Não apenas isso, mas também descreveu muito bem a França e os franceses no período entre a Revolução Francesa e a Restauração. Prova disso está nas páginas iniciais onde Júlia com seu pai assisti o desfile de Napoleão em 1813 e a fuga da mesma após a queda do imperador. Muito interessante o comentário sobre a tia de Vitor: "A tia não chorou, pois a Revolução deixou às mulheres da antiga monarquia poucas lágrimas nos olhos. Outrora o amor e mais tarde o Terror as familiarizaram com as mais pungentes peripécias, de modo que elas conservam em meio aos perigos da vida, uma dignidade fria, uma afeição sincera, mas sem efusão, que lhes permite serem sempre fiéis à etiqueta e a uma nobreza de atitude que os novos costumes cometeram o grande erro de repudiar.
Talvez a intenção inicial de Balzac era a crítica ao sexo masculino (ou feminino mesmo), e não apenas aos costumes da época. A descrição sobre o pai de Júlia (a protagonista) e sobre Vitor (seu marido) nos possibilita essa interpretação. "Conselheira do marido, ela dirigia suas ações e sua fortuna. ... Antes de mais nada, seu instinto tão delicadamente feminino dizia-lhe que é muito mais belo obedecer a um homem de talento do que conduzir um tolo, e que uma jovem esposa, obrigada a pensar e a agir como homem, não é nem mulher nem homem, abdica todos os encantos de seus sexo..." (pg 53) Enfim, Júlia tem uma anemia existencial após o seu casamento que de tão bem descrita, não chega a ser fútil. Apaixona-se por outro homem, porém a maternidade a impede (levando inclusive ao trágico - em relação a Arthur). Agora isolada de todos, elite e esposo -, espera a benção da morte. Vejamos o caminho que vai ser trilhado. 
 
Esse livro faz parte da minha meta literária de 2012. Tenho como meta 06 livros e acabei deixando esse de lado. Talvez eu não leia até o final do ano, não tem problema, obviamente. O autor, Flaubert foi processado após publicar Madame Bovary por "publicações obscenas". Cresceu como romântico e tornou-se adepto do antirromantismo para encarar a realidade. Talvez por isso sua heroína "Emma" comete o suicídio (pois é, já sei o final!). Apesar de detalhista, não chega a ser cansativo, mesmo quando se trata do chapéu de Charles Bovary ao chegar na escola da cidade. O fracasso do pai, a submissão da sua mãe, a personalidade forte da primeira esposa e o romantismo de Emma que é dada por seu pai a Charles por não ter que dar um grande dote, demonstra nas páginas iniciais o que Flaubert mais estudou, a estupidez provinciana.

 


Estou apaixonada por esse livro. Me foi indicado na aula de Mitologia Grega pelo professor. O resumo abaixo não é meu, foi extraído do site Skoob. 

Sinopse - Ayla, A Filha das Cavernas - Coleção Filhos da Terra Vol. 1 - Jean M. Auel

Nesta aventura pré-histórica ambientada há cerca de 35 mil anos em algum lugar da Europa, Ayla é a heroína de 5 anos que perde os pais em um terremoto e é resgatada por um grupo de uma outra tribo - o Clã do Urso das Cavernas. A pequena Ayla é uma cro-magnon, representante de uma espécie mais evoluída, e o clã que acolhe a menina é formado pelos últimos Neandertais. Eles se sentem ameaçados pela presença estrangeira, e à medida que Ayla cresce e amadurece, suas tendências naturais desabrocham, tornando-a o centro de uma brutal e perigosa luta pelo poder.
Bom, os outros livros, alguns têm sido um pouco cansativo, mas é muito raro eu abandonar um livro. Espero que não seja o caso. 
Saudações literárias.