terça-feira, 17 de junho de 2014

Karl Marx e Freud como base literária



A autora fez parte do início da luta pelos direitos femininos no Brasil em plena Ditadura Militar. Hoje, aos 83 anos, quase cega, pede ajuda financeira para poder continuar produzindo. Gostei dessa frase "Não trocaria esses 82 anos que tenho hoje pelos meus 30 anos”. Antes de ser feminista, a autora trabalhou com a Igreja progressista. Estudou física, mas acabou largando para se casar, não tanto pelo casamento, mas segundo a mesma, pela esquizofrenia da ciência. No início dos anos 60, descobriu a possibilidade de esquerda dentro da Igreja, mas após o golpe viu a entidade fechar acordos com os militares. Em 71 entrevistou Betty Friedman que acabou deixando uma péssima visão do que seria ser feminista, visão que persegue a causa até hoje. Tornando-se conhecida e lançando obras, tem seus livros apreendidos pelos militares e viaja então para os EUA. Segundo a autora, foi um porre de liberdade! Na volta ao Brasil, o movimento operário exige que o movimento feminista lute por uma causa comum, a de classes. Tendo que escolher, optou pela luta específica, afinal a opressão da mulher era anterior à sociedade de classes. Nasce assim o livro pós pesquisa, “Sexualidade da mulher brasileira - corpo e classe social no Brasil." O livro é resultado da pesquisa que fez, descrevendo o resultado em capítulos: uma descrição sobre a sexualidade feminina e a masculina com os seus impasses; a separação e a união para cada sexo; a visão materna no sexo masculino ... Tudo muito tenso. A primeira parte finaliza com o capítulo sobre o privado e o público. O comportamento de cada sexo nesses espaços. A questão é mais cultural que biológica Na segunda parte a autora começa a dar forma no título da sua obra, onde seu momento homem foi ao entrar no universo masculino do poder, comércio e política. Descrição das revoluções das décadas de 60 e 70 e os movimentos esmagados na década de 80, tudo em nome dos "bons costumes”. Fim da terceira parte com uma viagem louca da autora sobre pré-história e afins. Não explica muito bem o título, a não ser pelo fato de ter entrado no mundo da concorrência capitalista... parece mais um relato histórico da guerra dos sexos tendo sempre como apoio textos de Karl Marx e Freud.

Romance pré-histórico




Volume 02 da saga "Os filhos da Terra" (indicação do professor de Mitologia Grega, sr. Nikolaos Fotopoulos) dá continuidade à trajetória de Ayla na Série “Filhos da Terra”. A autora em 1976 estava desempregada e teve a ideia de escrever uma aventura pré-histórica. Em pesquisas não baseadas no mundo virtual, agradou a comunidade arqueológica internacional por seu retrato fiel da história da humanidade.
A personagem principal foi criada pela tribo dos Neandertais, mesmo pertencendo aos "outros". Suas diferenças físicas (evolutivas) foram motivos de estranhamento pelo grupo. Expulsa pelo novo líder teve que abandonar o filho e sobreviveu três anos sozinha em uma caverna. Do grupo, Ayla aprendeu a crença nos amuletos para proteção, o totem protetor (caverna), a propriedade das raízes medicinais e outros. Ainda que eles não tivessem ciência de termos como "proteína", "carboidratos" e "gorduras", essa seleção nutritiva possibilitou a sobrevivência, assim como a lembrança como base para o aprendizado.
Nessa obra, aparecem novos personagens e novas tribos, como os homens Jondalar e Thonolan, homens Cro-Magnon. Seus instrumentos acabam definindo também o grau evolutivo e as convivências permitem boas trocas de técnicas de instrumentos. Já são citados espíritos da natureza e a explicação dada por essas espécies e a influência sobre o grupo. Ritos sexuais para a fertilidade e as estatuetas femininas de pedra representando a visão humana da terra como a mãe de todos.
Também podemos analisar a observação do ser humano nas mudanças climáticas; o armazenamento e os trabalhos manuais; Há a presença de comunidades ribeirinhas e a construção primitiva de barcos com troncos de árvores, assim como o trabalho com o couro da camurça. Ayla acaba salvando a vida de Jondalar e sendo diferenciados, tentam se comunicar. Com uma enorme facilidade de aprendizado, a comunicação sendo possível, eles debatem sobre as suas crenças (totemXDeusa mãe). Ayla também domestica uma égua, fato novo para Jondalar. 
Sendo uma ficção que em dados momentos é romanceada e compostas de detalhes que tornam cansativa, a obra é válida para a análise do período Pré-histórico. Indico.

Triângulo amoroso na corte brasileira


A intenção da autora (que curto demais!) é revelar detalhes íntimos (ADORO!) do triângulo amoroso formado pelo imperador D. Pedro I, a imperatriz D. Leopoldina e Domitila, a marquesa de Santos. Na obra há a descrição da beleza natural do Rio de Janeiro e do cotidiano da cidade de forma constante. Os capítulos iniciais abordam o casamento real por procuração em Viena, sem a presença do noivo. Também relata sobre a paixão por Noémie Thierry, fato que quase impediu a aliança com a Casa de Habsburgo. Sendo treinada para ser uma esposa real, Leopoldina se adapta à corte, porém em toda a sua vida é tratada com indiferença por ser estrangeira. A vida social da corte é mesclada com a religiosidade e diversas festas santas. O livro também aborda o nascimento e morte dos filhos do casal, a volta de D. João VI a Portugal, o Dia do Fico, as viagens de D. Pedro I às províncias para apaziguar os ânimos separatistas e os vários conflitos entre brasileiros e portugueses. No relato da Independência, vários nomes e cargos, o que torna em um dado momento, a leitura cansativa. Finalmente sobre o triângulo amoroso, a exposição de várias cartas trocadas entre Domitila e D. Pedro I e a forma como a amante dominava seu par e a cena política. O livro finaliza com a morte da Imperatriz, o difícil rompimento entre os amantes e o novo casamento do imperador. Indico.

Artemísia Gentileschi


Artemísia Gentileschi foi uma artista que se destacou por vários motivos. Podemos citar entre eles o fato de ser a primeira mulher a entrar em uma Academia de Artes formada apenas por homens há muitos anos. Também sobreviveu da sua arte e suas pinturas registraram cenas bíblicas e mitológicas com a presença da violência. Com sua filha (ou sozinha) ela viajou por Roma, Florença, Veneza, Nápoles e Londres. Filha do também artista, Orazio Gentileschi, foi violentada sexualmente pelo professor e amigo da família, Agostino Tassi. A obra começa com o julgamento, onde demonstra também o pensamento atual que a culpa sempre será da vítima. Após o fracasso do julgamento, Artemísia casa por conveniência e se muda para Florença. Sua vida conjugal foi dividida entre a arte e a maternidade. Rejeitada a princípio pela Academia, suas obras começam a ser solicitadas a partir da ajuda de Michelangelo Buoranotti. Admitida em 1616 na Academia de Artes, passa também a ter encomendas da poderosa família Médici. Na obra, a presença do personagem histórico, Galileu Galilei. Artemísia parte sem o marido para Gênova, a pedido de um mecenas. Depois retorna a Roma e Londres, ao encontro novamente de seu pai. Apesar de ser um romance histórico, há a presença de relatos artísticos do período renascentista e uma possibilidade de conhecer, mesmo que não seja de forma mais aprofundada, a pintora que não quis pintar flores e seres inanimados como as mulheres da época. INDICO!

Romance do século XXI - aos diagnosticados e medicados


Primeiramente, o filme é uma contradição em relação ao livro. Por se tratar de transtornos de personalidades, faltou fidelidade até mesmo para a compreensão do mundo de Pat (bipolar) e Tiffany (depressão). De forma resumida, Pat é um professor de História que recebe alta do hospital psiquiátrico e retorna ao lar sem ter memórias recentes, principalmente em relação à sua ex-esposa. De forma obsessiva, tudo que ele faz em relação a manter sua cura é para terminar o tempo afastado, só que ele não sabe que o mesmo tem uma ordem judicial para se manter distante dela. É nesse contexto que aparece Tiffany, tão obsessiva quanto Pat. Suas histórias de vida apontam que os distúrbios passaram a fazer parte de suas vidas a partir de eventos traumáticos (Pat – adultério da esposa e Tiffany – morte do marido que ela assumiu a culpa). O papel da mãe de Pat e de seu psiquiatra é muito interessante, principalmente para quem precisa do tratamento dos transtornos. Já em relação ao pai, o que se percebe é a indiferença em relação a Pat, a obsessão pelo futebol e a ira impulsiva que ele não controla, o que por si só pode tornar o distúrbio uma possibilidade hereditária. Não sou da área. A amizade de ambos é a amizade mais bizarra que eu vi de forma literária. Já encontrei amor estranho que deu certo, por exemplo, "fulano" e Blimunda em Memorial de Convento de José Saramago. Pat e Tiffany não é o tipo de casal como Eduardo e Mônica, "fulano" e Blimunda ou Sherek e Fiona... O esforço de Pat, ainda que o objetivo torne-o compulsivo é muito interessante, ao levar em conta que a maioria das pessoas ditas sadias desiste cedo demais (seja dos objetivos ou do tratamento). Finalizo dizendo que o livro é o romance do século XXI de pessoas cada vez mais medicadas e diagnosticadas, o que não quer dizer que o livro em si é não seja um lindo relato que apesar das limitações psiquiátricas, todos podem alcançar seus objetivos. 

História do mundo em 50 frases

A intenção do autor é analisar frases conhecidas e apresentar de forma cronológica o contexto histórico no qual a frase foi proferida. Algumas frases e resumos:

O primeiro capítulo é sobre a frase "Conhece-te a ti mesmo" com dúvidas sobre quem de fato a pronunciou (Quílon - estadista espartano, Tales de Mileto - um dos Sete Sábios do Oriente, Sólon - estadistas também presente na visita dos Sete Sábios do Oriente ou Femónoe, a sacerdotisa do Oráculo de Delfos). Quem esculpiu na entrada do Oráculo de Delfos foi Quílon, só que a pedido de Femónoe, ainda assim a tendência aponta para Tales de Mileto, enfim... sua filosofia era que o conhecimento próprio nos traria soluções. Não fiz uma pesquisa profunda sobre essa questão.

"Sabes como ganhar uma batalha, não sabes como explorar uma vitória". Por mais que eu cite essa frase em situações onde as pessoas sabem mais viver em tempos de guerras e não nos tempos de paz, o contexto histórico é um pouco diferente. Dita por Maharbal para Aníbal, general cartaginês, que não quis invadir Roma na batalha de Canas. 

"A sorte está lançada" dita por Julio César antes de atravessar o Rubicão com suas tropas, porém a frase é do poeta Menandro. O autor não só explicou a frase como fez uma mini biografia de César.

"Errar é humano (e permanecer no erro é próprio dos imbecis)" dita por Marco Túlio Cícero, mas a frase é de Demóstenes contra o rei da Macedônia, Filipe II. A frase também foi elaborada por São Jerônimo "Porque é tão humano equivocarmo-nos como inteligente é admitir o erro". Da filosofia grega, para o latim e após para a Idade Média. Sensacional.

"Carpe diem" de Horácio, tão mal interpretada em um certo período histórico até os dias de hoje. Após a morte de Julio César quando Octávio assume Roma como imperador, Roma estava tipo nós na operação tartaruga da PM, temerosos. O povo romano queria voltar a respirar em paz. "Aproveita o dia de hoje e não confies no amanhã"... a tradução acertada pode ser compreendida como agarre, colha, ... afinal Horácio antes de ser patrocinado por Caio Cilnio Mecenas (mecenato!) passou por grandes dificuldades. Disse ele certa vez: "A pobreza me levou à poesia". Assim fica mais fácil entender o "Aproveita o presente!" (tradução para o português). 

"Lavo as minhas mãos" de Pôncio Pilatos. Me amarrei na versão histórica que não culpa apenas os judeus pela morte de Cristo e sim responsabiliza o próprio autor da frase. O esperto acalmou o povo e o seu superior, danadinho. 

"O dinheiro não tem cheiro" quando o general Vespasiano (governando Roma) impõe tributo sobre a urina para curtir um tipo de pele e seu filho não gosta. 

"Com este símbolo vencerá" Constantino, essa nem precisa explicar, só sinalizar para o cristianismo político econômico que temos a partir de então.

"Dividir para governar" Luís XI (1423-1483). Tão atual! O cidadão tanto fez, que seu filho Carlos recebeu como herança uma França unida e ampliada, na qual o poder do rei aumentara de forma considerável.

"Os fins justificam os meios" Nicolau Maquiavel (1469-1527) frase do livro "O Príncipe" super conhecida. Obra dedicada ao poderoso Lourenço de Médicis e provavelmente o modelo de príncipe foi César Bórgia. O conselho de Maquiavel de utilizar a violência como meio para obter um fim tinha o objetivo de criar um Estado seguro num tempo inseguro. Tão atual!

"Aqui estou, de outra maneira não posso" Martinho Lutero (1483-1546). Bom, segundo o autor a frase é lenda, assim como não está provado que ele tenha cravado na porta da Igreja de Wittenberg o texto com as suas teses (ele teria apenas distribuído o texto). Na hora que a Igreja pediu que ele se retratasse, ele negou e disse ao fim do discurso "Que Deus me ajude!" e não a frase do título. O autor fez uma mini biografia de Lutero e da Reforma Protestante.

"No meu Império nunca se põe o sol" Carlos V (1500-1558). Hoje essa frase poderia ser usada em relação aos serviços domésticos ou quando na empresa o trabalho não acaba nunca. No contexto histórico, Carlos foi herdeiro do trono da Espanha, Países Baixos, da Flandres, da Áustria, da Boêmia e de extensas zonas da Itália. Assim como territórios conquistados por Cristovão Colombo. Além de proteger fronteiras, manter cidades, ainda teve que lhe dar com a Reforma Protestante, sendo ele extremamente católico.

"O conhecimento é poder" Francis Bacon (1561-1626) na obra Meditationes Sacrae de 1597. O sentido era "Pois a ciência é, em si mesmo, poder". Na segunda edição, publicado em inglês "O conhecimento é, em si mesmo, poder". Em 1620 " a ciência do homem constituiu a medida do seu poder". Logo, o sentido da frase atualmente parece ser de conhecimento que resulta em poder. Bom, é isso ... não sei o que fizeram com a ciência.

"Penso, logo existo". René Descartes (1596-1650). A frase sempre parece solta, pois quase ninguém leva em conta que o autor da mesma transformou no método da sua ciência e no fundamento de todo o conhecimento: a dúvida.

"O Estado sou eu!" Luís XIV (1638-1715) conhecido com o Rei Sol. Sua marca registrada, egocentrismo e a fé inabalável de ser um eleito de Deus. Eu gosto desse personagem histórico, uma figura. Com a Revolução Francesa veio a resposta que soou por toda a França "O Estado somos nós.

"Laissez faire!" Pierre de Boisguilbert (1646-1714) Utilizada pelos partidários (fisiocratas) da instauração de um modelo alternativo ao mercantilismo. Resumindo: para combater a intervenção estatal do período absolutista, "Deixar a liberdade e a natureza trabalharem". Depois em 1776, usada por Adam Smith, "laissez faire, laissez passer", a mão invisível que organiza entre os agentes econômicos sem restrições governamentais. Precursor do sistema econômico liberal clássico (neoliberalismo Margareth Tatcher e outros).

"O homem nasce livre, porém, em todos os lados está acorrentado" Jean-Jacques Rousseau (1712-1788). Tornou-se subitamente famoso aos 37 anos quando escreveu um texto para um concurso proposto pela Academia de Dijon "Em que medida a arte e a ciência contribuíram para a melhoria dos costumes?" Rosseau detona afirmando que não contribuiu pra nada, muito pelo contrário, serviu apenas para mascarar a injustiça da sociedade. Pense!A Academia abriu um segundo concurso "Tipo como havia surgido a desigualdade e etc?" De forma resumida, o homem ao marcar território para propriedade deu início à opressão e desigualdade. Respostas que podem ser lidas no seu livro O Contrato Social que inicia com a frase tema.

"Tempo é dinheiro" Benjamin Franklin (1706-1790)Sua história é bem conhecida, relacionada com a Independência dos Estados Unidos e elaboração do projeto de Declaração de Independência de Thomas Jefferson. Na mais pura tradição puritana e condição de americano prático, ligou atividade e a fé em Deus na fórmula otimista: "Ajuda-te a ti mesmo, e Deus te ajudará!" Na sua obra "Conselhos para um jovem comerciante" o primeiro conselho rezava a frase tema.

"Se não tem pão, comam brioches" Maria Antonieta (1755-1793). O mais provável é que ela não tenha dito tais palavras no período da Revolução Francesa. Rousseau, escritor de sucesso na época escreveu suas Confissões e alguém provavelmente extraiu a frase e relacionou com Antonieta. Na menção do filosofo ele nem cita nome. Tal princesa falou quando viu o povo faminto e alguns opinam por Maria Teresa de Espanha (1638-1683), a esposa de Luís XIV. Quando Rousseau escreveu, Antonieta ainda era uma menina e vivia na Áustria.

"A revolução devora os seus filhos" (Pierre Victurnien Vergniaud - 1753-1793). De revolucionário (Revolução Francesa) à decapitação no período do Terror de Robespierre. (Acho que vi isso na Revolução Russa, eu só acho). A Democracia também "assim como Saturno tem devorado seus filhos".

"Quarenta séculos vos contemplam" Napoleão Bonaparte 1769-1821. Supostamente disse aos seus soldados na campanha militar no Cairo/Egito diante das pirâmides.

"A guerra é uma mera continuação da política por outros meios" - Carl von Clausewitz (1780-1831). Do seu livro "Da guerra" publicado pela esposa após sua morte. Gostei mais da frase "O saber deve converter-se em capacidade.

"A propriedade é um roubo" - Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865)Provavelmente não se opunha à propriedade privada em si, mas os lucros obtidos que não tivessem sido obtidos com o próprio trabalho. "Clara" distinção entre possessão e propriedade. Desenvolvimento individual, livre de qualquer tutela.

"Proletários de todos os países, uni-vos!" Karl Marx (1818-1883). Gostei muito do texto sobre o autor da frase, pois não foi o extremista que ataca e muito menos o utópico que idolatra Karl Marx. Muito interessante.

"Falem baixo e andem com um grande bastão" - Theodore Roosevelt (1858-1919). Ainda que o ursinho Ted tenha recebido o nome por causa de Roosevelt, a frase que na verdade é um provérbio africano demonstra uma política utilizada até hoje. Na época, a política externa ficou conhecida como big stick, que resumindo é "fingir ser amigo da democracia e ajudar os países a mantê-la e descer o cacete em países que atrapalharem os projetos dos EUA. Diferente da Doutrina Monroe que se resumia em não mexam conosco que não mexeremos com vocês. A política de Roosevelt vai mais de encontro com o Destino Manifesto.

"A confiança é boa, mas o controle é melhor." Vladimir Ilich Lenin (1870-1924)- Lenin nunca escreveu explicitamente essa ideia, contudo nas suas obras encontra-se frase parecida. Outra frase também muito citada era o velho provérbio russo "confia, mas verifica". Seja como for, aconteceram fatos que distorceram o princípio socialista francês Louis Blanc "Cada um de acordo com as suas capacidades, cada um de acordo com as suas necessidades.

"Deus não joga dados". Albert Einstein 1879-1955 Frase que escreveu para Max Born, um dos representantes da mecânica quântica. Tipo a ideia do acaso (quântica) não é compatível com a ideia de Spinoza de previsibilidade de todos os acontecimentos naturais, ideia partilhada por Einstein. O que chamamos de acaso é apenas falta de conhecimento sobre as causas.

Quereis a guerra total? Joseph Goebbels (1897-1945). Pena que não foi abordado a outra frase "diga uma mentira mil vezes e se tornará verdade", dita pelo ministro de propaganda de Hitler. Mas, o contexto é o mesmo.

O inferno são os outros. Jean-Paul Sartre (1905-1980) Após a morte, no inferno, com o estorvo da existência dos outros, não podem mais morrer e nem matar, afinal todos já estão mortos. O tal inferno não era de enxofre e sim da convivência com o outro. O interessante é que no final da peça teatral "A porta fechada" escrita em 1944, os personagens decidem não irem para a liberdade e permanecem na existência do inferno.Do outro. Mais ou menos isso, eu acho.

A tentativa de criar o céu na terra produziu sempre o inferno. Karl Raimund Popper (1902-1994). Crítica ao comunismo e fascismo.

Eu sou berlinense. John F. Kennedy (1917-1963). Tipicamente campanha eleitoral que se aproveita do período histórico, no caso, o bloqueio de Berlim ocidental por parte da União Soviética.

Para os apaixonados em História, indico! 


sexta-feira, 25 de abril de 2014

O SERMÃO DO DIABO - MACHADO DE ASSIS

O SERMÃO DO DIABO

1893, setembro

Nem sempre respondo por papéis velhos: mas aqui está um que parece autêntico; e, se o não é, vale pelo texto, que é substancial. É um pedaço do evangelho do Diabo, justamente um sermão da montanha, à maneira de São Mateus. Não se apavorem as almas católicas. Já Santo Agostinho dizia que "a igreja do Diabo imita a igreja de Deus". Daí a semelhança entre os dois evangelhos. Lá vai o do Diabo:

"1º E vendo o Diabo a grande multidão de povo, subiu a um monte, por nome Corcovado, e, depois de se ter sentado, vieram a ele os seus discípulos.
"2º E ele, abrindo a boca, ensinou dizendo as palavras seguintes.
"3º Bem-aventurados aqueles que embaçam, porque eles não serão embaçados.
"4º Bem-aventurados os afoitos, porque eles possuirão a terra.
"5º Bem-aventurados os limpos das algibeiras, porque eles andarão mais leves.
"6º Bem-aventurados os que nascem finos, porque eles morrerão grossos.
"7º Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e disserem todo o mal, por meu respeito.
"8º Folgai e exultai, porque o vosso galardão é copioso na terra.
"9º Vós sois o sal do money market. E se o sal perder a força, com que outra coisa se há de salgar?
"10. Vós sois a luz do mundo. Não se põe uma vela acesa debaixo de um chapéu, pois assim se perdem o chapéu e a vela.
"11. Não julgueis que vim destruir as obras imperfeitas, mas refazer as desfeitas.
"12. Não acrediteis em sociedades arrebentadas. Em verdade vos digo que todas se consertam, e se não for com remendo da mesma cor, será com remendo de outra cor.
"13. Ouvistes que foi dito aos homens: Amai-vos uns aos outros. Pois eu digo-vos: Comei-vos uns aos outros; melhor é comer que ser comido; o lombo alheio é muito mais nutritivo que o próprio.
"14. Também foi dito aos homens: Não matareis a vosso irmão, nem a vosso inimigo, para que não sejais castigados. Eu digo-vos que não é preciso matar a vosso irmão para ganhardes o reino da terra; basta arrancar-lhe a última camisa.
"15. Assim, se estiveres fazendo as tuas contas, e te lembrar que teu irmão anda meio desconfiado de ti, interrompe as contas, sai de casa, vai ao encontro de teu irmão na rua, restitui-lhe a confiança, e tira-lhe o que ele ainda levar consigo.
"16. Igualmente ouvistes que foi dito aos homens: Não jurareis falso, mas cumpri ao Senhor os teus juramentos.
"17. Eu, porém, vos digo que não jureis nunca a verdade, porque a verdade nua e crua, além de indecente, é dura de roer; mas jurai sempre e a propósito de tudo, porque os homens foram feitos para crer antes nos que juram falso, do que nos que não juram nada. Se disseres que o sol acabou, todos acenderão velas.
"18. Não façais as vossas obras diante de pessoas que possam ir contá-lo à polícia.
"19. Quando, pois, quiserdes tapar um buraco, entendei-vos com algum sujeito hábil, que faça treze de cinco e cinco.
"20. Não queirais guardar para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem, e donde os ladrões os tiram e levam.
"21. Mas remetei os vossos tesouros para algum banco de Londres, onde a ferrugem, nem a traça os consomem, nem os ladrões os roubam, e onde ireis vê-los no dia do juízo.
"22. Não vos fieis uns nos outros. Em verdade vos digo, que cada um de vós é capaz de comer o seu vizinho, e boa cara não quer dizer bom negócio.
"23. Vendei gato por lebre, e concessões ordinárias por excelentes, a fim de que a terra se não despovoe das lebres, nem as más concessões pereçam nas vossas mãos.
"24. Não queirais julgar para que não sejais julgados; não examineis os papéis do próximo para que ele não examine os vossos, e não resulte irem os dous para a cadeia, quando é melhor não ir nenhum.
"25. Não tenhais medo às assembléias de acionistas, e afagai-as de preferência às simples comissões, porque as comissões amam a vangloria e as assembléias as boas palavras.
"26. As porcentagens são as primeiras flores do capital; cortai-as logo, para que as outras flores brotem mais viçosas e lindas.
"27. Não deis conta das contas passadas, porque passadas são as contas contadas, e perpétuas as contas que se não contam.
"28. Deixai falar os acionistas prognósticos; uma vez aliviados, assinam de boa vontade.
"29. Podeis excepcionalmente amar a um homem que vos arranjou um bom negócio; mas não até o ponto de o não deixar com as cartas na mão, se jogardes juntos.
"30. Todo aquele que ouve estas minhas palavras, e as observa, será comparado ao homem sábio, que edificou sobre a rocha e resistiu aos ventos; ao contrário do homem sem consideração, que edificou sobre a areia, e fica a ver navios..."

Aqui acaba o manuscrito que me foi trazido pelo próprio Diabo, ou alguém por ele; mas eu creio que era o próprio. Alto, magro, barbícula ao queixo, ar de Mefistófeles. Fiz-lhe uma cruz com os dedos e, ele sumiu-se. Apesar de tudo, não respondo pelo papel, nem pelas doutrinas, nem pelos erros de cópia.


in A Semana - Gazeta de Notícias - 04/09/1892.

Fonte: A Semana - Machado de Assis - W. M. Jackson Inc. - 1946

sexta-feira, 14 de março de 2014

Quem gosta de ler é melhor do que quem assisti BBB?

Alguém, por um motivo desconhecido, disse que o mundo precisava de mais pessoas como eu, que gostem de ler ao invés de assistir Big Brother e novelas. 

Após reflexão e conhecendo várias postagens posso pontuar minha opinião sobre isso. Acredito que existe um vício quando a vida deixa de ser interessante e nos torna um voyer. 

A diferença está na intenção de se assistir tais programas. Quem  me garante que em certos momentos ler para mim não foi uma fuga da realidade ou um interesse em personagens literários?

 Não considero mais inteligente quem leia, não acredito em pessoa mais inteligente e sim mais esforçada. Alguns vão ter que se esforçar mais do que outras pessoas para alcançar algo. Mesmo a meritocracia não sendo regra geral. 

Sempre julgo a intenção de quem produz um livro ou um programa e a intenção de assisti-lo. Se for entretenimento, quem sou eu para julgar? Mesmo sendo irreal, ninguém pode aprender nos ditos programas banais? 

Sobre quem lê ser mais elegante! Discordo, sempre leio dez livros ao mesmo mesmo e não sou elegante, tenho estilo próprio que é diferente. 

Sobre ser perigosa? Sim, iremos usar situações literárias que aprendemos nos livros, hehe, sempre dá certo. 

Leitura pra mim foi um prazer quando criança  me senti sozinha e ali tive que decidir como reagir diante do desamparo de afeto quando criança. O que estava ao meu alcance era um livro chamado Força para Viver. Graças a Deus, pois não me sentindo mais desamparada, criei o hábito e o gosto pela leitura. 

Ler antes de dormir sempre me ajudava no sono, pois até pra sentir sono precisa ter foco, pelo menos no meu caso. Depois da acupuntura tenho apagado e dormido sem interrupções.

 Não forço ninguém a ler, tentei motivar meu filho, mas nunca obriguei. Quando identifico um leitor, invisto e tenho trocas maravilhosas. 

Leitura torna uma viagem longa em prazerosa, torna um engarrafamento impossível de estragar meu dia e sempre que sinto sentimentos ruins leio. 

Eu admiro uma capacidade na criação e elaboração de um livro, crônica e artigo. É a intenção de quem produz e de quem lê que precisa ser analisada. Não li Cinquenta tons de cinza (apenas os primeiros nove capítulos e achei sagaz a ideia) por falta de tempo. Não prometo que não vou ler. 

Pedi o livro do Lobão na estante Skoob, pois sempre me baseando em páginas dos outros tomei posicionamentos e quero formular o meu, pois sou capaz disso. 

Não sou melhor do que ninguém por ler muito, meu único conselho é que o que se gosta de fazer não tire sua obrigação existencial que é viver. Existem intenções que podem nos tencionar à alguma opinião. Não me acho superior, apenas uma leitora compulsiva que tem muita imaginação e achou o instrumento certo para trilhar o caminho da vida. Só isso.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Dia Internacional da Mulher










Amanhã, 08 de março, DIA INTERNACIONAL DA MULHER. Decidi não escrever os fatos que resultaram nessa data, apesar de que historicamente a mesma exista para relembrar e não comemorar. Acredito que haja motivos para ambos, relembrar as opressões e comemorar as vitórias. Tentei encontrar homens para oferecer esse texto e não mulheres, felizmente (pois corri o risco de não achar nenhum) achei dois amigos docentes e decentes. 

O primeiro, Roque Oliveira, por ser um homem que sendo um bom cidadão, bom filho, bom professor e bom amigo que poderia até se achar no direito de “ser” machista. Sendo das Exatas, confesso que sabe mais de História que eu, e nunca se sentiu na necessidade de me diminuir para que ele se tornasse superior. Ele sabe quem é.
O segundo, professor de Educação Física, Salatieu Eurípedes, pois me chamou recentemente de feminista e eu tão cansada desses debates com “amigos” próximos neguei irritada. O mesmo disse: sim, você é, pois luta por igualdade, luta por melhores condições do sexo feminino, se expõe ao máximo contra a violência doméstica e sexual. Logo respondi, “sim, eu sou”. Que visão perfeita de um homem a respeito de uma feminista que por conhecê-la tão bem não se baseou em estereótipos. Dedico esse texto a ambos. Acredito que na sociedade exista uma pequena parcela de homens como vocês, espero encontra-los. 

A intenção do texto é fazer um relato histórico sobre algumas opressões patriarcais, tentando não ser anacrônica, mas para demonstrar aos que desconhecem a História, que tudo isso tem gênese e permanece por vários motivos que não vou citá-los aqui, pois a perpetuação de uma opressão é feita por ambos os sexos, por isso que não ofereço esse texto de maneira alguma às mulheres (vou me contradizer de certa forma no final). Elas não acreditam que um departamento dê certo apenas com mulheres, elas acreditam que ao se envolver com um homem casado a safada é a mulher, elas julgam mulheres por suas vestes e assim vai. Enfim, somos todos treinados pelo senso comum a agir assim, mas temos o livre arbítrio diante da injustiça, pois o silêncio dos bons é tão nocivo quanto à guerra em escala mundial. Não quero aqui debater Teologia, pois como afirmou Marx, a religião é o ópio do povo. Saindo um pouco do contexto histórico e me reutilizando da frase para o contexto afirmo que é muito fácil falar do plano de salvação, quando historicamente não se é a vítima. Mais fácil ainda é citar a vontade de Deus e esquecer que não devemos nos contentar com o século atual. 

Bom, oferecido o texto, gostaria agora de fazer os devidos agradecimentos, já que nunca houve e nunca haverá opressão contra a mulher, pois elas se tornaram vulgares, mães solteiras, ganham mais que os homens, estudam ao invés de cuidar da casa e resumidamente, são o câncer da sociedade contemporânea. 

Gostaria de agradecer:

- aos escritores da História que anularam minha participação no Neolítico, na domesticação de animais e agricultura (sei que estás a pensar na era tecnológica e o que tem com isso. Não gastarei meu latim com você, ameba que se diz pensante). 


- às sociedades patriarcais da Idade do Metal que na propriedade de terra e bens ao descobrir a herança se apossou do meu corpo. Não para uma aliança harmônica dotada de amor e sim para a certeza que o herdeiro era de fato merecedor;

- aos maridos de Atenas (se não sabe o motivo, se vira);

- aos maridos espartanos que me enxergaram como procriadora;

- a Aristóteles que ao perceber a ausência de um dente me enxergou inferior a si mesmo;

- ao exército romano que violentou minhas filhas por orgulho ferido ao perder a guerra para uma rainha celta na era de Bronze;

(coisa demais para agradecer... pulemos um pouco)

- aos vários escritores medievais que me consideraram maldita por vir de uma costela torta e ter tornado assim minha vida um inferno desde então;

- aos vários casamentos que me deram como contratos sociais por interesse próprios e não o meu;

- aos inquisidores que me queimaram por ranger o dente ao dormir;

- aos escritores que descreveram as ameríndias vulgares e não levaram em conta costumes tribais;

- aos projetos de estado durante certas guerras que me obrigaram (e aos meus filhos) a sair de casa e trabalhar em fábricas e se sentiram ofendidos, pois não quis e não pude voltar;

- aos pregadores que professam até hoje as doutrinas paulinas e não citam os relacionamentos de Cristo com as mulheres (inclusive sustentado por várias);

- aos queridos amigos e amigas que acreditam que a violência sexual só existe devido à roupa da vítima;

- aos mesmos que acreditam que uma mulher apanha em casa é porque gosta mesmo é de apanhar;

- aos maridos que descansam em seus lares enquanto nos aproveitamos do resultado da pílula e da queima de sutiãs, trabalhando em dois lugares, dentro e fora de casa;

-aos que me tentam me intimidar pela escolha em ter apenas um filho e ficar solteira, pois estudar e cuidar de marido é cansativo e eu pretendo passar em um concurso;

- aos chateados que iludidos pelo Estado e toda sua exploração, acredita que tiramos algo deles;

- aos bestializados que se deparam com mulheres em funções ditas “masculinas”;
- aos inseguros que precisam tentar nos diminuir para se sentirem superiores e sempre terminam a fala como palavras: hormonal, geniosa, “feminista”, mal comida, falta de sexo, falta de macho...

Se você não se identificou em nenhum desses agradecimentos, abstenha-se de criticar, pois posso saudar-te com Príapo. 

Mas de verdade, quero mesmo agradecer esse texto às mulheres que não se intimidam. Gostaria de citar várias, historicamente falando, e algumas que conheço pessoalmente, mas sei que vários textos vão fazer essa honra. Ofereço esse texto pra mim, que sou mulher com “H” (háháhá) maiúsculo e não nasci mulher, mas me tornei (Beauvoir). E finalizando, oferecer aos homens que sei que existem e que não se intimidam com mulheres como nós. Conseguem enxergar nossos traços femininos e nossa delicadeza, e participam dessa luta. Sim, precisamos dos homens, porém homens em processo de cura, curados e “femininos, sem perder o jeito masculino (Pepeu Gomes)”. Findo assim, um dia antes da data, gosto de me anteceder.  Sei que posso não agradar, from hell. 

Os: citei pouco, cite levei, mas quem de fato conhece a História, as estatísticas, e quem percebe de fato as injustiças ao seu redor, sabe que não é necessário o excesso.  Que venha os outros dias, após o dia 08/03.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Reflexão sobre o "deus cupido"

- Pastor, o sr. acredita que Deus tem um príncipe pra nós?

- Mana querida, não acredito não.


- E por que pastor?


- Por entender que Deus me deu a capacidade de fazer escolhas...


- Mas se ele escolher é melhor!


- Sim, amiga, mas Deus anda meio ruim de pontaria...


- Como assim?


- Nunca vi tanta separação dentro da igreja como nestes dias.


- O que isso tem a ver com pontaria?


- Deus virou cupido de crente, com arco e flecha, atirando para juntar pessoas.


- Pastor, o sr. acredita nisto?


- Não mana, quem acredita é você!


- Eu me casei duas vezes, mas não deu certo.


- Agora espera o príncipe?


- Sim.


- Me desculpe, mais quantos anos você tem?


- 46 pastor.


- E está solteira esperando o príncipe há quanto tempo?


- 6 anos.


- Mana, não serviria um plebeu não? Príncipe é coisa meio difícil de achar...


- Pastor! rsrsrs. Minha benção está a caminho!


- Sei... Qual a sua profissão?


- Sou advogada.


- Foi Deus que escolheu?


- Não pastor, fui eu.


- E porque você não deixou que ele escolhesse?


- Por que na bíblia não tem isso.


- E onde tem na bíblia que Deus escolherá seu marido?


- Não sei pastor... Mas já vi várias pessoas pregando isto.


- Mana, o que mais tem em nossos dias é gente maluca com uma bíblia na mão!


- O sr. acha pastor?


- Amiga, tem gente pregando coisa que até o diabo duvida...


- Sei não pastor...


- Qual o seu tipo de homem?


- Gosto de homem moreno, sarado, tipo tanquinho, e alto. rsrsrs


- Sei... E se Deus escolher para você um loiro, branquelo, barrigudo, tipo lombada, e baixinho?


- Pastor, aí é maldição, não é benção!


- Sei... Você, então, está questionando a vontade de Deus?


- Não pastor! Mas não quero isso não!


- Sei... o príncipe só serve se for do seu jeito?


- É pastor... Por isso estou perseverando...


- Então você não acha que seria mais fácil você mesma escolher?


- Faz sentido pastor... Mas eu não sei escolher, já detonei 2 casamentos!


- E porque você não sabe escolher jogou o abacaxi para Deus?!


- Pastor, estou ficando confusa...


- Imagina eu mana, que ouço isso quase todo dia...


Carlos F.S. Moreira