quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Diário Literário - agosto/2013


A tentativa excessiva de ironia já é percebível na abertura intitulada de "Como deixar de ser latino-americano". Esse excesso cômico não era tão acentuado no primeiro livro de Leandro Narloch e ao finalizar o livro, acredito que a parceria com Duda Teixeira, também jornalista, foi muito infeliz. Aos historiadores que abominam livros escritos por jornalistas, preparem-se para odiar ainda mais ou nem leiam. 

Na introdução, os autores explicam o surgimento do termo latino-americano e as principais semelhanças históricas: massacre de índios, escravidão negra, ditaduras - combatendo o criador do termo que usava como semelhança apenas o idioma. Após isso os autores citam em tópicos "a receita" para se preparar um bom latino-americano. Polêmico, ainda que engraçado. Para eles o livro tem como alvo o falso herói latino-americano e os capítulos estão divididos em: Che Guevara, incas maias e astecas, Simón Bolivar, Haiti, Perón e Evita, Pancho Villa, Salvador Allende. 
 
O primeiro capítulo trata sobre Ernesto Che Guevara e sobre quatro contradições, segundo os autores, entre sua vida e a admiração que ela inspira. As fontes são extraídas das principais biografias e de instituições como órgãos de direitos humanos e associações de familiares de mortos e desaparecidos políticos. Também são citadas palavras de Guevara escritas em livros, manifestas e diárias. Inclusive, um dos discursos de Che sustentado pelos autores, não encontrei em minha pesquisa. 

Sobre incas, maias e astecas (capítulo 2) foi banal citar o escritor mexicano Octavio Paz: “Aqueles que definem a conquista como um genocídio dos povos americanos cometem um erro grave", historicamente falando, ridículo da parte dos autores. No mesmo capítulo "Os índios conquistadores” o erro foi o quesito conquistas, claro que houve e há aqueles que ficaram/ficam do lado dos saqueadores, mas generalizar se utilizando do nome de um historiador aqui e outro acolá, é absurdo. Sim, houve os extermínios de vizinhos inimigos, mas a forma que esses autores findam o capítulo espetando o "presidente indígena de um certo país andino" é um vômito. Suas fontes são péssimas, antes tivesse assistido o filme do Mel Gibson. 

O capítulo sobre o Haiti é o mais cansativo e dá-se a impressão de lacunas. Sobre Evita e Perón, narra a vida do militar que comandou o país entre 1946 e 1955 e também entre 1973 e 1974. O autor vai desde a independência da Argentina em 1816 e os principais acontecimentos até 1920 que tornaram o país avançado em quesito renda per capita e educação, até que chegou Perón, segundo os autores, o nosso Getúlio Vargas. A partir desse capítulo, o livro parece uma narração de futebol. 

Capítulo sobre Francisco Pancho Villa (Doroteo Arango), um dos protagonistas da revolução contra o ditador Porfírio Diaz (México). Muito interessante, o próprio Pancho interpretou (The Life of Pancho Villa) a si próprio em um filme norte-americano. O título já diz tudo: "O latifundiário mais famoso de Hollywood". Último capítulo sobre Salvador Allende com direito a citar o poeta Neruda e no epílogo, os restos mortais dos personagens narrados no livro. A intenção é nobre, não existe herói cem por cento, mas eu considero esse livro como uma aberração histórica, lixo literário e besteirol, tipo revista VEJA. Fico do lado de Fernando Morais na 7ª Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto): 

Foi então a vez dele contestar uma informação publicada por Morais sobre o episódio das larvas jogadas pela governo americano nas plantações de batatas em Cuba. “Use um pouco do dinheiro que você ganha com direitos autorais e vá até os Estados Unidos checar isso. Nós não vamos ficar aqui brigando pelas batatas cubanas”, finalizou Morais.

NÃO INDICO! 

sábado, 24 de agosto de 2013

Eu gosto de ler e confesso que já... (diário de uma leitora – parte II)



Eu gosto de ler e confesso que já... (diário de uma leitora – parte II)

Já li narrações paralelas à dor do momento, citando aqui, “Fora de Mim” de Martha Medeiros no primeiro capítulo ou “Uma vida com propósitos” de Rick Warren (um oásis no deserto ocasionado pelas circunstâncias). Já corri louca a uma livraria em busca de algum livro que pudesse me ajudar na missão de ser mãe, professora, mulher e viúva (“Manual de sobrevivência para pais de adolescentes” de Lúcio Barreto Júnior, “Perdi alguém que amava” de Helen Alexander, “As cinco linguagens do amor das crianças e adolescentes” de Gary Chapman e Ross Campbell e outros mais). 


Li bons livros depois que o leite derramou, livros que no momento certo poderiam ter me ajudado muito. Li livros que fui apaixonada até o final confuso – leia-se “O mundo de Sofia” de Jostein Gaarder. Sem contar nos finais que te deixam chocadas por dias e dias e você não tem ninguém pra conversar sobre essa sensação, falo sobre “O memorial de convento” de José Saramago. “O crime do Padre Amaro” de Eça de Queirós também te deixa perplexo no final, sem contar o que acontece com “Ana Terra” de Érico Veríssimo. 


Aceitei indicações de amigos literários e professores (“Negras Raízes” de Alex Halley – o melhor livro lido até hoje; A saga “Os filhos da Terra” de Jean M. Auel – indicação de um professor grego que ministra aulas de Mitologia Grega na UnB e “O universo, os deuses, os homens” de Jean-Pierre Vernant, indicação da professa de História da Arte, Danielle Nastari). Também tive indicações de alunos e gostei demais (“A batalha do Apocalipse” de Eduardo Spohr – gostei tanto que já vou ler o terceiro livro desse autor brasileiro – , e “As crônicas de gelo e fogo” de George R.R. Martin, que acompanho até hoje lendo e assistindo o seriado. O mesmo aluno me indicou os dois livros, Leonardo da 8ª série, mas tiveram outros e me sinto muito mal se não citar “Eu sou o número quatro” de Pitaccus Lore e "Rangers: Ordem dos arqueiros" de John Flanagan). 


Ainda sobre indicações, não posso deixar de citar a autora chilena Isabel Allende que minha grande amiga Maria Luiza me apresentou. Já estou no segundo livro dela “El Zorro”, com mais dois na lista de espera. Ganhei livros da minha irmã e me apaixonei, tipo “A menina que roubava livros” de Markus Zusak e “A cidade do sol” de Khaled Hosseine (seu novo lançamento está na lista de espera “O silêncio das montanhas”).


Comprei livros por estarem em promoção e me apaixonei pelo autor, por exemplo – Javier Moro, comecei com “As montanhas de Buda” e atualmente estou lendo “O Império é você” (terceiro livro lido e mais um do autor na espera). Já li livros por causa do filme, “A letra escarlate” de Nathaniel Hawthorne, é um exemplo. Já odiei filmes por causa da diferença com o livro, tipo “Divã”, “Uma mente brilhante” e “O nome da rosa”.

Hoje tem autores que antes lia e hoje não leio mais, por exemplo, Augusto Cury, Paulo Coelho e Jô Soares. Prefiro não explanar meus motivos aqui. Também abandonei livros no meio do caminho, pois nada me é obrigatório quando o assunto é fazer por prazer. Posso citar “Mulheres que correm com os lobos” de Clarrisa Pinkola Estés, “O Silmarillion” de J.R.R. Tolkien (quando decidi começar a curtir o autor, não entendi merda nenhuma) e estou pensando seriamente em abandonar “Guia politicamente incorreto da América Latina”, pois a qualidade narrativa de Leandro Narloch caiu muito com essa nova parceria dele. Ao contrário, já reli livros como, “Chega de Regras” de Larry Crabby e “O evangelho maltrapilho” de Brennan Manning (três livros dele lidos só nesse ano) e sempre releio o meu preferido “O pequeno princípe” de Antonie de Saint-Exupéry.


Pretendo começar a ler as sagas "O Senhor dos Anéis" e as "Crônicas de Nárnia", assim como  o autor Nelson Rodrigues. Também pretendo voltar a ler Machado de Assis (leitura possível apenas pós 30 anos) e ...

(continua em diário de uma leitora parte III)




Eu até gosto de ler, mas não leio todo dia. (diário de uma leitora parte I)



Eu até gosto de ler, mas não leio todo dia. (diário de uma leitora parte I)


Confesso! Gosto de ler. A questão é que gosto de ler mais do que você, só isso. Por mais que pareça que gosto de ler demais, passo dias sem ler. Dos poucos detalhes da minha infância que me recordo, um deles é o primeiro livro que li. Sem incentivo, sem metas na escola – ainda que tenha me surpreendido com o prêmio da Biblioteca da E.C.409 Norte que recebi como a melhor leitora na 5ª série –, sem ser leitura obrigatória. Sempre tive biblioteca em casa, fui até ela por conta própria. Abro parênteses, tenho irmãs que também gostam de ler, não no meu ritmo, mas também gostam. A leitura de livros é uma característica mais acentuada nas mulheres da família.



Aonde vou, com exceção da academia, levo um livro. Sem obrigação de lê-lo. Gosto de emprestar, ainda que tenha recebido muitos calotes literários em minha jornada. Sempre tive passos voluntários às Bibliotecas, sem contar inúmeros cadastros, visitas em livrarias sem compromisso e um detalhe: não é meu forte livro com imagens. Sempre treinei a imaginação enquanto leio e isso ano passado foi decisivo em uma recuperação neurológica quando uma síndrome que me foi acometida. 



Nunca tentei convencer ninguém pelo gosto da leitura, nem mesmo meu filho. Sempre que me pedia um livro, eu comprava. Assim também para sobrinhos e outros amigos. Nunca procurei um relacionamento que goste de livros, mas confesso, tive relacionamentos que não compreendiam esse gosto literário. Nunca encontrei alguém que lesse tanto quanto eu, pois eu leio muito, tipo 60 livros por ano e 10 livros ao mesmo tempo. Tenho um ritmo próprio, um livro no ônibus na ida, outro na volta e um capítulo dos outros antes de dormir. Não leio toda noite, só se tiver vontade. Sinto-me constrangida quando alguém me apresenta dizendo que leio muito, parece que sou de outro mundo. 



Quando tive esgotamento mental nesse ano, culparam a leitura. Foi-me proibido ler antes de dormir, larguei até de dormir com os gatos e no fim, não tinha nada a ver o estado físico com as letras e nem com os pelos felinos. Não durmo mais com os gatos, mas voltei a ler antes de dormir. Sim, sou TDAH! Leio páginas diversas vezes, porque percebo que perco o foco durante a leitura. Tenho livros que não lembro de que se trata, ainda mais antes do tratamento com meltifenidato (2004). Vejo pessoas citando acontecimentos e percebo que passou batido. Vou ao livro e dou uma espiada. Costumo ler muitas resenhas antes de ler, e não tenho problemas em saber o final. 



Eu adoro livros que narram fatos ausentes na História oficial e nos livros didáticos (exemplos e indicações: “Escândalos Reais” de Michael Farquhar e “As grandes amantes da História” de Michael Kent). Disseram-me: cuidado! sobre alguns livros e mesmo assim li: “O livro capa preta de São Cipriano” e “Ele veio para libertar os cativos” de Rebbeca Brown. Até hoje não sei o perigo de lê-los. Li livros com temas polêmicos que mexem com a nossa comodidade religiosa “O Evangelho segundo Jesus Cristo” e “Caim” ambos de José Saramago (do autor já li seis livros), “Eunucos pelo reino de Deus” de Uta Ranke Heinemann, “A Bíblia nas suas origens”, “A ética protestante e o espírito do capitalismo” de Max Weber, “O desaparecimento de Deus” de Richard Elliot Friedman, “As prostitutas na Bíblia” de Jonathan Kirsch e “Sexualidade e erotismo na Bíblia” de Santos Benetti. 



Confesso que os livros fazem muito mais sentido quando casa com o que já vivi e senti. Têm os livros manuais, espirituais, históricos, mas eu sei na epiderme sobre a sensação de Sabrina em “A insustentável leveza do ser” de Milan Kundera, assim como também sei sobre Teresa em “o sono compartilhado é o corpo delito do amor”. Sei de Elizabeth Gilbert em “Comer, rezar e amar” quando desesperada sem saber o que fazer, sente dentro de si uma voz dizendo “vá dormir”, pois era a única coisa a se fazer no momento. 




Sei da ansiedade e percepção de desajustamento na sociedade de Brigdet Jones (livro de Helen Fielding com 320 páginas que devorei em poucas horas) e da sua distração no cotidiano. Sei da busca terapêutica de Mercedes (Divã – Marta Medeiros) que encontra suas respostas nas suas próprias perguntas nas sessões terapêuticas. Assim como ela, sei bem o que é sentir saudades de momentos e de quem era naqueles momentos e saber que isso não significa que sinto saudades da pessoa envolvida nisso.  

(continua)

domingo, 18 de agosto de 2013

Diário literário - agosto 2013






Bom, comprei esse livro por causa do título que de alguma forma se remetia ao "Comer, rezar e amar" de Elizabeth Gilbert. Claro, percebi algumas semelhanças, como por exemplo, o motivo que leva os personagens a realizarem a trajetória após um divórcio, no caso de Elizabeth, um divórcio e um amor fracassado.

No livro "Comer, rezar e amar" a autora viaja para Itália (prazer/comida/cultura), Índia (devoção/cultura) e Indonésia (equilíbrio/cultura) e suas experiências são descritas de forma bem detalhadas. No caso de "Beber, jogar e fuder" o relato é sucinto, óbvio.

No primeiro livro a personagem é a autora, no segundo, o personagem é Bob Sullivan, um gerente de contas em uma agência de publicidade que resolve trilhar o desconhecido após 08 anos de casamento, um divórcio e o adultério. Andrew Gottlieb não demonstra que ele seja Bob, não que eu tenha lido.

Sua trajetória foi: Irlanda (pubs/bebedeira cultural/costumes), Las Vegas (cassinos/adrenalina/comportamentos) e Tailândia (prazer hedonísticos/se remete mais a si mesmo) e se no primeiro livro, Elizabeth teve sua guru indiana, seu amigo cowboy texano e o velho xamã, Bob também vai ter os modernos Colins (pubs), Rick (cassinos, golfe e acessos ao tratamento VIP) e Peter.

Enquanto Elizabeth vende sua ideia antes de viajar, Bob Sullivan gasta suas economias. Ambos encontram o segundo amor, o maduro, na última experiência/trajetória, sendo que Bob conhece Alicia na Irlanda. O encontro dos dois na Tailândia, na minha opinião, foi a parte mais divertida de todas. O autor é muito criativo e consegue fazer uma experiência masculina não ser fútil, trivial e nem mesmo vulgar. O direitos do livro foram comprados pela Warner Bros antes mesmo de ser publicado. Indico! Certeza de boas risadas.


The Tudors - O seriado


Pronto! Consegui assistir a série completa de The Tudors (quatro temporadas) depois de várias procrastinações, afinal, sou mais dada à leitura do que imagens. 

A dinastia Tudor (casa real de origem escocesa, governou o Reino Unido entre 1485-1603), a série trata em específico de Henrique VIII, 2° rei da dinastia e que reinou mais de 30 anos. A explicação da beleza do ator que interpreta o monarca (Jonathan Rhys Meyers) é mais convincente que a desculpa para Thiago Lacerda ter interpretado Garibaldi. Explicaram que, quando mais jovem, o monarca era encantador e possuía vários atributos intelectuais e comportamentais. Então tá?! Sem rejeições. 

Bom, não vou fazer uma análise histórica, com críticas ou elogios, pois vi que já tem muito disso na internet, e os erros históricos são repetitivos em várias páginas. Não vou repetir aqui. Que tem alguns erros históricos isso tem, mas me convenceu mais que "Os Bórgias". Sem dúvida. 

A primeira temporada (1518-1530) parece conter os maiores erros históricos (no que trata de Tomás Wolsey e a irmã do rei e seu casamento com o rei de Portugal). Por mais que a ruptura com a igreja sempre tenha sido atribuída pela rejeição da mesma em anular o casamento com a rainha Catarina de Aragão (1ª esposa), sabemos que não foi bem assim. Nobres, fazendeiros e a burguesia mercantil ganhou muito mais influência política com a ruptura. Sem contar a própria Coroa com a expropriação dos feudos e a substituição da autoridade divina da Igreja, fortalecendo o direito divino dos reis. Bom, é dado muito ênfase a isso no seriado e nos vários livros didáticos que temos por aí. 

Na segunda temporada (1531-1536) não curti muito a atriz que fez Ana Bolena (Natalie Dormer) apesar que interpretou muito bem, no último episódio. Até hoje há um debate se as acusações contra Ana Bolena (2ª esposa) são verídicas, leia-se até incesto com o irmão. Sua decapitação ter sido feita por uma espada tem uma explicação bem interessante. Nessa temporada que ocorre de fato a ruptura com a Santa Sé e a criação da Igreja da Inglaterra. Bem original a questão do conflito do sucessor do rei e sua preocupação em ter um herdeiro do sexo masculino, obviamente. Nessa temporada se me recordo bem, que morre Thomas More, o autor do livro A Utopia, pois não rejeitou a fé católica. Então percebe-se que não foi uma Reforma apenas política, também havia a obrigação de rejeitar as doutrinas católicas. Nessa temporada percebe-se a influência protestante na corte e nas decisões do rei, coisa que vai diminuindo nas demais.

Na terceira temporada (1536-1540) eu estranhei a mudança de atriz que interpreta Jane Seymour e detalhe, ela casa-se (3ª esposa) de branco. Pensei ter sido coisa da Rainha Vitória. Com a morte de Jane Seymour, o rei fica mal pacas, conversando só com o bobo da corte. E quantos de nós pensávamos que esse só tinha a serventia de divertir, rs. Tendo que casar novamente, Henrique acaba influenciado por Thomas Cromwell (que aliás, muito bem interpretado) casa-se com Ana de Cléves (4ª esposa). Nessa temporada que aparece Hans Holbein, retratista renascentista alemão do século XVI. O pintor esconde as marcas que Ana possuía no rosto, o seriado também. Mas, aparece a rejeição do rei ao casamento, que acata realizá-lo pela necessidade de aliança com a liga protestante. Essas alianças são demonstradas o seriado todo, ora a França, ora a Espanha, faz e desfaz e em todas as críticas que li, não encontrei nenhuma sobre o papel dos embaixadores na corte. Nessa temporada também demonstra a Peregrinação da Graça, uma revolta popular contra a Reforma Religiosa e toda a destruição dos monastérios. Ana de Cléves vai ser rejeitada e seu casamento anulado, tornando por decreto irmã do rei. Os motivos da separação não ficam evidentes no seriado, apenas o desinteresse físico, mas historicamente foi mais do que apenas isso. No seriado eles ficam juntos sexualmente falando, bom é o que parece, mas parece que de fato não foi bem assim.

A quarta temporada (1540 até sua morte) fica mais corrida que a terceira, os primeiros episódios são sobre o casamento com Catarina Howard (5ª esposa) de 17/18 anos que é decapitada a mando do rei (adultério) e também sobre o casamento com Catarina Parr (6ª esposa). Há a conquista de Bolougne e fica cansativo quanto a isso. Nessa temporada que é demonstrado a tradução da Bíblia para a própria língua do povo, o que o rei critica por surgir questionamentos. Leia-se Anne Askew (demonstra a tortura à mulher) queimada na fogueira por questionamentos quanto à consagração do pão e vinho. Então no final o rei rejeita a primeira pintura de Hans Holbein e mando-o fazer outro retrato, o mais conhecido de todos. E the end.



Bom, eu indico o seriado pelos detalhes (históricos de fato) da corte, das intrigas, do figurino (criticado por alguns) pelo estilo e estrutura gótica presente, pelas questões religiosas (Ato da Supremacia), o Artigos da Fé da Igreja Anglicana, torturas, guerra, papel dos embaixadores, o papel da mulher no casamento e no quesito reprodução, o direito divino dos reis, figuro, mobiliário, e etc, etc, etc.

(É, a imagem tem apenas cinco mulheres, sei lá, devem ter cortado, não fui eu).

terça-feira, 13 de agosto de 2013

TDAH - Minha Hidra de Lerna



Procrastinação é uma palavra que me persegue em atos, quer dizer, na ausência deles. Não creio que seja apenas comigo, ou obrigatoriamente com quem tenha diagnóstico de TDAH. Só é mais potencializado ou há uma predisposição. 

Às vezes eu penso que procrastinação é uma sabotagem, um autoflagelo ou um vício na culpa. Sim, culpa. A educação de uma criança é baseada na culpa, a religião também, tudo envolve culpa, e alguém tem que manter vivo esse vício. Claro, muitos hão de discordar. É melhor defender o vício, do que negá-lo.Também acho que minha realidade é uma, logo meu ponto de vista também.

Não é drama, nunca me permitiram isso, não aprendi a me permitir. Não concordo com fóruns e discussões onde o discurso é o enredo triste, a narrativa soturna, que não conseguiu isso, nunca terminei aquilo, nunca ... nunca... nunca. E isso virou hino que anda rotulando a muitos. Virou regra, padrão, e quem lê um livro inteiro, finaliza uma faculdade, se sobressai na vida profissional, deve estar com o diagnóstico errado. Lembrando que 75% do que li até agora foram de pessoas sem diagnóstico fechado, apenas baseado em sintomas e fracassos.

 Aprendi a ser andorinha sozinha, pois no meu verão quem luta é eu. Acho válida toda forma de amor, toda manifestação de luta, mas sem apresentar alternativas, não concordo. É entregar ao outro, o poder de fazer o manual da minha vida. Se meu exemplo de superação não serve, saio da multidão e me torno exceção no meu panteão solitário. 

Sim, me adaptando ao mundo dos “diferentes”, pois o mundo não para e não se adapta a mim. Enquanto aos “iguais”, experiências me mostraram que são intolerantes e não tão dispostos a lutar contra vícios e hábitos (ainda possuo 95% deles, acredite, 5% faz um diferença do caramba) e aceitar histórias de conquistas, pois isso seria o mesmo que dizer: isso é possível, não se esconda tanto na falta de possibilidade que essa sociedade desigual te impõe, ou não falta de recurso, ou na falta de remédio. 

Enquanto existir alguém pra culpar, e uma história triste a manter, existirá uma necessidade nova surgindo que vai tratar os sintomas e nunca a causa. Também fui e sou judiada por um sistema e vários itens que me deixam em desvantagem, mas olha só, eu tenho boas histórias pra contar. Meu tratamento não é só meltifenidato. Estou treinando meu foco, enfrentando o tédio da rotina, as emoções não tão ritmadas, a impulsividade não convidada, quero ser justa pra toda e qualquer conquista coletiva que houver, inclusive manter as minhas, senão vai dar na mesma. Eu seria a desigualdade, a ditadura da minoria. 

Eis aí minha Hidra de Lerna, vencendo uma cabeça por dia, por ano, por década, até o dia que conseguirei chegar ao seu coração.Não esquenta com a minha opinião, eu chamo o TDAH assim, e na mitologia o foco não era na Hidra e sim no cara. Pra mim, pode ser uma Hidra de Lerna, pra você uma Górgona, onde você precisa de algo para não virar pedra, porque se pedra já está, desconheço na mitologia algo que modifique isso. Beijos distraídos, sem foco.


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Diário Literário agosto/2013


20° livro do ano ainda ... snif. Esse ano não quebro meu próprio recorde. 

Culpa e Graça: uma análise do sentimento de culpa e o ensino do Evangelho
Psiquiatra suíço, começou sua vida profissional como médico em Genebra em 1928. A primeira parte do livro aborda a extensão da culpa humana e a segunda, o perigo de discutir o julgamento de quem pode ser culpado ou não. A terceira parte, já que o livro é uma análise do sentimento de culpa e o ensino do Evangelho, é sobre a forma como Cristo ofereceu o perdão aos desprezados e a severidade àqueles satisfeitos em si mesmo. 

A culpa em alguns casos pode ser patológica, talvez fruto de uma educação onde pais e mestres projetaram os seus próprios preconceitos, problemas e culpas na educação das crianças. A busca pela aprovação e a fuga da rejeição do outro também está relacionada à culpa. No contexto atual, os complexos influenciam as pessoas na leitura do Evangelho, onde uma palavra de condenação alivia mais que uma palavra de consolo e esperança.

Para o autor, a questão não é a culpa, toda a trajetória condenatória e doutrinária da Lei, fez-se para que todos fossem culpados e condenados, cumprindo assim um projeto de Salvação. Essa consciência de culpa sadia, aproxima aquele que crê de Deus. O problema não é sentir culpa, é sentir-se condenado e fazer dessa condenação um karma necessário para alívio de uma culpa patológica, imposta ou doutrinária. 

Fazer parte de uma sociedade onde todos condenam e todos se defendem acentua o sofrimento para quem tem problemas com a culpa, sendo quase impossível reconhecer a falsa culpa da culpa moralista e cultural. A última parte são citadas várias passagens bíblicas que negam as doutrinas legalistas e moralistas. Também cita a importância da psicanálise como auxílio para a cura possível do ser humano. Indico!