segunda-feira, 14 de abril de 2025

O quarto ao lado - Pedro Almodóvar


Eu ando pelo mundo prestando atenção
Em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar (Adriana Calcanhotto)

    Devo começar informando que muitas críticas que li sobre o filme O quarto ao lado de Pedro Almodóvar, citaram a ausência das ditas cores tão presentes em seus filmes. Incrível que foi a primeira coisa que percebi, pois uma das características do diretor é usar das cores para transmitir o humor do personagem/situação. Elas estão bem presentes, mas de uma maneira mais "outono", digamos assim. Bom, não vou dar muitas informações técnicas sobre o filme, só resumir em: Julianne Moore e Tilda Swinton. Já é o bastante para você confiar que vai ser interessante. Um diretor genial e duas atrizes fenomenais. Acrescento que é baseado na obra literária de Sigrid Nunez "What we are going through" (O que você está enfrentando) e é a primeira produção em inglês. 

    Bom, duas grandes amigas do passado, Ingrid e Martha. Trabalharam juntas e bem íntimas... na época. Pausa no relacionamento dessa amizade por um distanciamento de tempo e espaço. A primeira se tornou uma escritora famosa e que em seu último livro debate o tema da morte, algo que ela não compreende. A segunda, reporter de guerras que vivenciou muitas tragédias e mortes. As duas tem bagagem cultural e isso vai ser debatido em vários momentos do filme. Martha está vivendo a sua própria tragédia pessoal: um câncer. Após participar de tratamentos como cobaia toma uma decisão a qual envolve Ingrid, a eutanásia. 

    A partir de agora não vou mais falar do enredo, apesar de ser digno de reflexão, afinal é um filme que cita aquecimento global, mundo pós pandemia, solidão, amizade, pessimismo, otimismo, morte e afins. Agora em diante serão as minhas próprias reflexões. Eu detestei Martha. Isso parece algo cruel, afinal é ela que está morrendo e a morte tem esse poder de absolver tudo e todos. Martha tem um conflito com a sua filha e ela tem um motivo para tudo o que fez. A filha ausente em um momento tão delicado e Martha querendo poupá-la, só fortalece a "bondade" da mãe abandonada, que, se analisarmos bem, abandonou a filha ao viajar tanto. 

    O que fortaleceu a minha opinião sobre ela foi a fala do seu ex-contato físico e sexual, Damian (John Turturno), para Ingrid (que também se relacionou/relaciona com ele em um outro formato mais "humano"). Martha tinha pressa em suas relações íntimas e ele chega a citar a palavra "terrorismo". Mas se dermos um maior zoom, ele não é tão diferente de Martha na sua racionalidade diante da vida e da morte. Por isso que será ele o responsável em achar uma advogada para Ingrid. A escritora sempre transfere essa racionalidade para "não quero falar sobre isso agora" ou "vamos falar sobre isso depois". O melhor diálogo foi entre ele e Ingrid:

"Perdi completamente a fé de que as pessoas façam a coisa certa". Damian

"Há muitas formas de viver dentro de uma trágedia" Ingrid 

    Sobre Ingrid, sei que pessoas assim existem. Me refiro a grandeza do seu coração. Mas eu tenho a sensação que foi mais por não saber dizer "não". Martha em certo momento disse que sabia do sucesso da amiga escritora. Por que nunca ligou? Por que as duas não se mantiverem conectadas? Sei que a vida moderna faz mulheres com carreiras de sucesso tomarem decisões dificeis no campo da maternidade e relacionamentos. Sei também que é mais uma das provocações reflexivas do diretor. Mas a frase de Ingrid mediante a informação da câncer da amiga "como eu não fiquei sabendo?" me faz pensar que não eram tão íntimas assim para Ingrid ter que aceitar a escolha da amiga. Ela não foi obrigada, mas a partir da primeira visita teve a sua vida transformada e foi entrando de novo na vida de Martha a partir de pedidos da amiga doente, não por iniciativa própria. 

    Claro que existiam outras amigas que negaram o pedido de Martha fazendo de Ingrid a última opção. Será que era apenas porque Ingrid deixava claro em suas obras que tinha medo da morte? Ao meu ver, qualquer amiga servia.  Volto a repetir, não eram mais íntimas e ela nem sabia do câncer.  A forma como ela passa a agir para colocar o seu plano em ação,  a forma como só pensa em si mesma e passa a justificar como consequência da doença e tratamento, ignorando os sentimentos de Ingrid só reforçaram a minhã visão dela como EGOÍSTA. 

    Deixando de lado o que eu nem chamo de análise, mas apenas de devaneios pessoais, claro que é um filme digno de debate e vinho. As possibiidades de um filme tão curto são dignas de reuniões semanais para pincelar cada item gerador de reflexão. Até o local ambientado em Nova York me pareceu um pouco provocador, já que a cidade norte-americana é uma excelente referência para vida acelerada e líquida. Só é possível parar para refletir em uma situação como a de Martha? Bom, mais um devaneio pessoal. 

    Finalizemos com Edward Hopper e as referências do artista na casa escolhida por Martha. A fotografia total dessa casa nos dá uma sensação de ser a obra cinematográfica dentro de um quadro pintado por Hopper. Aliás, suas obras abordam finitude, contemplação, solitude e sentimos uma mesclagem de Hopper e Almodóvar na seleção de cores. Genial. Há muitas referências literárias, cinematrográficas, musicais e até guerras. Não é um filme simples para quem não conhece todas as citações, porém, possível. 

    Claro que indico para uma abordagem na psiquê humana sobre como enfrentar o fim e como lidar com as questões que deixamos para depois e esse depois chega. Martha acaba transferindo para Ingrid o depois "mãe e filha" - "ela nunca me contou isso sobre o meu pai". Ingrid recebe como presente, talvez a amiga já soubesse disso. Martha lidava com guerras, mas não conseguia lidar com o conflito entre ela e a sua filha. Deixou apenas uma carta para a amiga e uma para a polícia. Para a filha, bens materiais. No quesito das escolhas, bem sabemos que nem todos podem desistir em nome da dignidade diante do óbito e que a grande maioria não tem material poético elitizado para ser paliativo diante da finitude da vida. Mas como bem disse a personagem Ingrid "há várias maneiras para se viver dentro de uma tragédia". Ninguém está imune a passar por elas. 

*é a minha primeira impressão após assistir o filme. Depois de conversas com amigas e reflexões, sei que algo vai mudar (ou não) sobre Martha. Ninguém atravessa uma ponte sozinha quando o assunto é relacionamento e o outro decide por muro. Escrevo em outra postagem qualquer mudança de opinião. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Memórias Póstumas de Brás Cuba

 

Sobre o autor, Machado de Assis (1839-1908), já existe um vasto material que descreve a trajetória literária do maior escritor brasileiro. Logo, serei breve em minha contribuição a partir da leitura que acabei de findar (out/2024). Quem nunca escutou algo sobre a célebre dedicatória "Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas" precisa conhecer o enredo sério e irônico contado pelo próprio morto: Brás Cubas.

As memórias autobiográficas começam pelo seu enterro, afinal, trata-se de um defunto autor que fez parte da elite carioca do século XIX. Brás Cubas faleceu aos 64 anos, solteiro e com apenas 11 amigos. Herdeiro, viveu usufruiu dos privilégios que a riqueza dos seus pais lhe proporcionou. Claro que a quantia herdada trouxe impasses na partilha com a sua única irmã, Sabina, e seu cunhado, Cotrim. Intrigas e conciliações que são descritas na obra literária. 

A obra, parte do Realismo a qual Machado fez parte, tinha como objetivo descrever a sociedade como ela realmente era na época. Sendo assim, podemos conciliar a descrição do protagonista com o Brasil Imperial que enviava jovens abastados para estudar Direito na Europa e após o retorno ao Império, ocupavam cargos políticos que determinavam o caminhar da nação escravocrata, desigual e elitizada. 

Claro que é notável a ironia sobre o funcionamento da engrenagem social e política de letras mortas sancionadas ou vetadas pelo Poder Moderador. Judiciário já funcionava, porém embasado pelo positivismo e cientificismo, teorias circulantes da época. Humanitismo, apresentado por Quincas Borba, declarava-se acima de todas as demais crenças religiosas ("Cristianismo é bom para mulheres e mendigos"...) e justificava as fases históricas da sociedade para normalizar o funcionamento do status quo

Conhecedores da teoria de Comte talvez comparem as fases teológica, metafísica e a positiva com as fases do Humanitismo de Quinca Borbas: estática, expansiva, dispersiva e contrativa. Longe de mim me aprofundar nesse assunto. Meu intuito é apenas apontar essa metáfora paródica - que eu acho sensacional - de Machado sobre as teorias deterministas da época.

Claro que há muito a dissertar sobre os enlaces românticos e personagens secundários, mas eu como fiel discípula de Machado de Assis, sempre defenderei que, apesar de ser um romance, o autor sempre quis explanar a sociedade em que estava inserido. Como funcionário público, a Literatura sempre foi a sua porta-voz. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Mar Morto/Jorge Amado

 


Jorge descreve a comunidade pesqueira e a forma resignada e mítica que todos ali aceitam os seus destinos.

Se é doce morrer no mar, não é tão suave viver para o mar. Também não é tão fácil viver como sombra, como parte, como dependente, como esposa daqueles que para o mar vivem.

Não é somente sobre Guma. É sobre Lívia; sobre Rosa Palmeirão; sobre Maria Clara; sobre Esmeralda e outras mulheres destinadas ao papel de coadjuvantes de seus companheiros.

Iemanjá, Iara, Janaína, Santa de Mont Serrat, seja qual for o nome: personifica os vários papéis femininos de excelência e papel central. Nem que seja no mundo mítico, pois para as esposas e filhas só cabem esperar seus amados. Para devolver ao mar: vivos ou mortos.

No meu mundo particular, lembrei de 1989, eu com 11 anos. Cabuçu/BA. Garçonete na barraca de praia do vô. Vó uma mulher brava. Quase sequestrada pelos ciganos. Pesca em noite de lua cheia. Mangue. Siri. Caranguejo. Salinas. Marisco. Lavagem de corda de caranguejos vivos na beira da praia. Que máquina do tempo a literatura me proporcionou.


domingo, 23 de junho de 2024

A Vergonha - Annie Ernaux

 



A Vergonha de Annie Ernaux é o livro do mês de junho do grupo de leitores da Biblioteca Nacional de Brasília. Também é  livro do meu retorno ao grupo depois de vários anos sem participar. Annie Duchesne (nome da escritora) é francesa, escritora e professora. Já está com mais de 80 anos, bastante tempo para conhecer a si  mesmo, já que seus romances são sobre classe e gênero baseador na própria vida. Em 2022 recebeu o Nobel de Literatura "pela coragem e acuidade clínica com que descortina as raízes, os estranhamentos e os constrangimentos coletivos da memória pessoal". 

O livro tem a seguinte frase de abertura "meu pai tentou matar minha mãe num domingo de junho, no começo da tarde". Tal fato acompanhou a escritora/protagonista por anos, então ela decide descrever sua vida antes e depois do ocorrido. Como uma catarse. Como uma procura por algo que justificasse o ato e aliviasse a sensação de vergonha que passou a sentir desde os seus 12 anos. O pai, a mãe a ela nunca falaram sobre a violência doméstica daquele dia, então a partir da escrita da sua memória, ela vê a possibilidade de escrever sobre aquilo que não se quer falar. 

Muito além da visita às memórias do ano de 1952, Annie vai até o Arquivo da sua cidade natal em busca das notícias locais da época. A escrita é uma forma de destrinchar, esquartejar, fazer uma autópsia não apenas do ato, mas também da sociedade, dos costumes, do sagrado e do profano que dirigia gerações e determinava posições sociais dentro e fora de várias famílias. É um livro curto, direto e reflexivo. Bastante reflexivo. 


segunda-feira, 17 de junho de 2024

Diários de uma apotecária

 Já é sabido que tenho uma grande dificuldade em ler mangás. Ainda que aconselhado por médicos especialistas, por se tratar de um exercício para o cérebro, principalmente para nós pós 40 anos, eu tenho muita resistência. Mas há sempre uma exceção, eis a minha: Diários de uma apotecária (Kusuriya No Hitorigoto). 

 Gosto muito de assistir vídeos curtos no facebook (sim, algumas pessoas ainda acessam) e vi muitos sobre Maomao, a protagonista do anime que foi lançado em outubro de 2023 na crunchyroll (plataforma de animes). Foi amor no primeiro episódio. Não foi possível ano passado fazer uma pesquisa sobre ela, pois poucos tinham conhecimento sobre o anime. Não tinha nem distribuidor dos mangás em português, que passaram a ser distribuídos nesse ano pela Panini. Assisti a 1ª temporada, ainda estou lendo o 4º mangá (dependendo da distribuição no Brasil). 


Originalmente é uma light novel (são livros japoneses com foco em adolescentes e jovens adultos). Vale destacar que a história da obra está bem mais avançada na light novel e possui eventos que ainda não foram adaptados para o mangá e nem para o anime. 

Situado em um país do Oriente, o enredo gira em torno de Maomao, uma jovem farmacêutica que trabalha no distrito da luz vermelha. Ela é sequestrada e vendida ao palácio imperial como criada, mas sua personalidade curiosa e excêntrica permanece intacta. Cada episódio do anime gira em torno de um mistério que ela acaba resolvendo com os seus conhecimentos de apotecária (farmacêutica). Tem humor, tem romance que chipamos (só perguntar para quem assiste), tem costumes da antiguidade, vestimentas e tem a Maomao. 

Os pais de Chihiro

 Confesso que a única cena que me choca na animação japonesa "A Viagem de Chihiro" é a transformação dos seus pais em porcos. Acreditava que era devido o comportamento de ambos diante de uma comida que eles nem sabiam a quem pertencia, mas não é bem esse o motivo. 

Nesse processo em que me encontro de pesquisa (meu artigo em fase de pesquisa e escrita: Artes Visuais/Arquitetura/Studio Ghibli), acabei me deparando com a explicação do estúdio a uma carta que questiona esse momento. Primeiro vou reescrever o autor brasileiro Viktor Danko (no livo A animação japonesa através dos tempos página 70):


"...há um significado mais profundo, segundo a carta do estúdio, os pais de Chihiro na verdade sofreram tal transformação devido a uma acontecimento conhecido como "A Bolha Financeiroa Imobiliária do Japão", esta foi uma bolha econômica no Japão, ocorrida de 1986 a 1991. Os preços das ações do setor imobiliário ficaram muito inflacionados o que gerou um colapso da bolha que dutou mais de uma década de assetamento dos preços das ações em 2003. A bolha de preços de ativos japoneses contribuiu para que a população se referissem a esse príodo como "a década perdida". 

Abaixo a parte da resposta do Studio Ghibli a fã:

"...Sobre o pai de Chihiro se transformar em um porco, falando claramente, a comida não o transformou em porcos, mas o verdadeiro porco interno emergiu. Isso não foi uma mudança imediata, mas sim mais similar a Chihiro gradualmente esquecendo seu nome na casa de banho, apenas se lembrando quando Haku conta para ela (...).... Seus pais por outro lado são "comidos vivos", uma vez transformados em porcos essas pessoas nunca mais serão humanas de novo, e sua mente e corpo se tornarão aquelas de um porco. Isso não é exclusivo do mundo da fantasia. De acordo com o diretor, há aqueles que realmente se transformaram em porcos durante A Bolha, e ainda não sabem que se tornaram porcos. É estranho que ainda continuem a dizer que precisam de mais e mais. "

terça-feira, 30 de abril de 2024

A animação japonesa através dos tempos




    O livro A animação japonesa através dos tempos (Viktor Danko)  nasceu após a conclusão do autor da sua dissertação de mestrado, onde ele analisou os filmes do diretor japonês Hayao Miyazaki. Interessante a sua percepção sobre a preocupação do diretor e o foco de seus filmes da figura feminina. O livro se propõe a apresentar a história da cinematografia animada japonesa. Segue as influências literárias, a gênese do cinema, o contexto hhistórico pré e pós 2GM e as influências sobre o diretor Miyazaki.



    No capítulo 1 - As artes que influenciaram o mangá e a animação japonesa temos a apresentação da  introdução do Budismo no século VI no Japão, com a sua escrita, as artes plásticas, as artes sacras e a influência chinesa que fizeram parte das primeiras produções artísticas japonesas até que chegassem ao nível de adaptação para o estilo de vida nas ilhas do Japão. O início da produção das próprias narrativas japonesas de caráter histórico ou religioso, poesias, ficção, batalhas e eventos históricos marcam o início da literatura. O desenvolvimento dessa literatura é apresentada no capítulo desde o seu primórdio passando pelo período do governo do xogunato de Tokugawa - período, inclusive de grande produção artistica. O capítulo encerra com a abertura forçada do Japão ao resto do mundo, levando ao desenvolvimento de outras formas gráficas e trazendo alterações nas narrativas.

    No capítulo 2 - A influência de outros países para a literatura ilustrada no novo contexto histórico do Japão, o autor Inicia com a restauração Meiji, o que ocasionou, entre diversas mudanças artísticas, a fusão da tradição japonesa e as novas técnicas e estilos estrangeiros. Após o breve relato do desenvolvimento do mangá, o capítulo finda com a quebra da bolsa de valores (1929 NY) e como ela influenciou no tipo de histórias que seriam produzidas.

    No capitulo 3 - O princípio do cinema de animação no Japão - temos os registros dos primeiros filmes de animação japonesa (1907), uma breve apresentação de animadores japoneses e estúdios, as charges políticas e a utilização do cinema de animação como forma de propaganda para o público mais jovem. Já no capítulo 4 - A influência da Segunda Guerra Mundial nos filmes de animação e nos mangás - A guerra não apenas mudou o cenário político e econômico dos países envolvidos como afetou a forma de pensar e fazer arte. A maneira dos japoneses representar metaforicamente seus inimigos, as narrativas e temáticas tiveram forte teor bélico. O teor nacionalista pós guerra é censurado pelo período de ocupação norte-americana. O teor se torna moral e com papel educador. A ocupação também faz com o que o Japão faça aderência ao modelo econômico capitalista, modificando a estética dos mangás que passam a sofrer influências da Walt Disney, surgindo o mangá moderno. Valores nacionais japoneses são proibidos até 1947 quando a constituição japonesa proíbe toda as formas de censura.

    Animações japonesas durante o pós-guerra e ocupação Norte-Americana, título do capítulo 5, temos  vários exemplos de animações nipônicas, diretores, personagens e temáticas Os trabalhos de Osamu Tezuka, que simplificou as técnicas de produção, diminuindo gastos e unindo produção com as histórias que produzia em mangá. O surgimento das animações na televisão, a consolidação dos gêneros de animações e seus públicos albos e como as animações japonesas tomaram o mercado internacional.

No útlmo capítulo, temos a biografia de Hayao Miyazaki, nascido em 1941, Tóquio, que cresceu em um ambiente repleto de aeronaves. A guerra teve grande impacto em sua vida. Desde jovem teve interesse em ser artista de mangá e no capítulo nos é apresentada a sua trajetória profissional como designer, animador e diretor. Em 1985 funda com Takahata e Suzuki o estúdio Ghibli. O processo de criação dos filmes do estúdio, a apresentação e aceitação no mercado internacional, influências e personagens.Muitas informações bem apresentadas em um livro com poucas páginas. Até agora, único livro que consegui para a pesquisa do meu artigo. Indico! 


segunda-feira, 29 de abril de 2024

Amar é simples...

 Uma breve pausa do meu artigo para indicar o livro de um casal de amigos. Amar é simples a gente que complica (Rogério Dias e Verônica Jacomini)

Bom, eu tenho muito a escrever sobre eles, mas, só me vem a mente a apresentação sincera da esposa: "leva 3 dias para lavar a louça (😁) e faz as melhores comidas". Sobre ela, ele apresenta: "é a pessoa que sonho e desejo passar toda a minha vida". Lindo de se ler. ♥️

Tive a honra de cadastrar na estante Skoob (a maior plataforma dos leitores do Brasil)

Amar é simples Estante Skoob


Meu primeiro histórico de leitura por lá: 

Autores brasilienses, casados e amigos que achava que conhecia até então. Porém, é na fala do outro (esposo sobre esposa e vice versa que temos um olhar mais íntimo sobre ambos). Um material maravilhoso! Um dia a dia divertido e leve, ainda que, haja situações de conflitos. Os textos são sérios. As ilustrações espelham que, no fundo, estamos todos tentando acertar. Basta descomplicar e colocar muito humor no dia-a-dia. Uma leitura leve para o final ou início do dia. Não é uma doutrina, é um manual cirúrgico sem muitas delongas. Estou na Linguagem do Amor, bem no início. Indicando para todos que não desistiram da convivência a dois. 

Indico! 



quinta-feira, 4 de abril de 2024

Desabafo e atitude dessa leitora em 2024

Desabafo 


É possível perceber a minha ausência por aqui e ela está intimimamente relacionada com a minha atual situação na vida pessoal nos dois últimos anos. "Estou empreendedora"😪. Explico: nada contra (apenas algumas observações sobre a ilusão que se tem sobre o empreendedorismo no Brasil), mas não foi algo que escolhi ou planejei. Estou fazendo o meu melhor e dando conta de uma forma surreal. 

O que mais me chateia é a falta de tempo em fazer o que eu amo: LER! Dois anos que tive que iniciar leituras como mangás, HQ´s e afins. Repito novamente: nada contra, até a favor. Mas, a relevância para a minha satisfação pessoal foi bem mínima e o retorno seja financeiro ou espiritual foi quase nulo😢. Não me julgue, nossas formas de enxergar o mundo são diferentes. 

Esse bate-papo fica para um podcast (eis uma coisa que pretendo muitoooooo um dia fazer. Sem neura e pressa). Um adendo: tenho escutando o Podcast Para dar nome as coisas (Spotify). Tem me ajudado nesse momento de "estou" e "não sou". 


Atitude

Bom, sou graduanda de Artes Visuais (é um rolê muito louco) e resumindo estou escrevendo o projeto do meu artigo de conclusão de curso. Custei a decidir pelo tema. Pensei em animeventos na minha cidade, cosplay e a cultura, a educacão artística e o surdo e perdi um semestre só nessa indecisão. Como sou uma jovem senhora hiperfocada, decidi por Studio Ghibli. 

Assim como foi com Machado de Assis (minha primeira monografia na Licenciatura de História), o Studio Ghibli também é uma paixão da fase adulta. Machado de Assis pós 30 anos e agora Studio Ghibli pós 40 anos. Já aviso que não sou uma conhecedora de tudo o que diz respeito ao tema. Queria ter mais tempo e dedicação para usufruir da arte fenomenal do Studio. 

Então... Decidi fazer do meu blog em 2024 um diário de projeto e escrita do meu artigo. Registrar aqui descobertas, curiosidades e etc. 


Sobre os livros, continuo com a leitura daqueles que não consegui terminar em 2023 (apenas 5!) e coloquei como meta a leitura deles pelo menos 3x por semana. O app Skoob é muito bacana pois ele te ajuda em desafios e sempre foi (pelo menos pra mim) há anos uma forma de eu organizar a minha leitura e não me sentir sozinha. Não tenho a riqueza de ser rodeada por leitores. 

Você me acompanha?


sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

O ano de 2023 e as leituras

 Não finalizei nenhum livro em 2023. Estão todos pela metade. Por causa de uma nova atividade profissional tive que consumir mangás. Doeu muito a minha cabeça no início (a leitura é realizada da direita para a esquerda e de cima para baixo) e confesso que volta e meia fugia para a leitura dos HQ´s.