Do que leio, assisto, sinto e absorvo. Nunca será uma verdade absoluta, apenas um ponto de vista ou a vista de um ponto. Talvez uma dedução equivocada do meu olhar diante do mundo. Um olhar humano cheio de CID´s sem a presença da IA. Ela não devaneia. Então pra mim não serve. Eu quero o luxo do erro da falta de coesão textual. Aqui na solidão impossível de quem lê e carrega personagens e enredos dentro de si, me leio e releio. Para mim, é o suficiente. Os devaneios são meus, é tudo que tenho.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Diário Literário janeiro/2015 parte IV
06/2015 - Diário da Queda - Micuel Laub
Escrita por um autor brasileiro, Diário da Queda é uma obra de ficção e autobiografia. Gira em torno de três gerações de uma família judia e o foco é o trauma pessoal que cada integrante dessa família carrega. O avô do personagem central foi prisioneiro de Auschwitz, sendo esse seu trauma. Ao cometer suicídio, torna o ato o trauma do seu filho e pai do personagem já citado. Já o trauma desse é a participação em uma brincadeira de aniversário entre alunos judeus com um aluno não judeu, por nome João. Após essa tragédia, ele muda de escola, mas passa a agora a ser perseguido por ser judeu em uma escola não judaica. O autor vai misturando passado e presente e aborda o tema alcoolismo, citando também o livro até então por mim desconhecido "É isto um homem?" Primo Levi. Temas conflituosos, mas escritos com leveza e possíveis de trabalhar até em sala de aula.
05/2015 - Paixão Índia - Javier Moro
De ficção histórica, Javier Moro domina! (O Sari vermelho/As montanhas do Buda/O Império é você - lidos e bem apreciados). Paixão Índia aborda sobre o casamento e relacionamento entre Anita Delgado (espanhola) e o marajá de Kapurthala, Jagatjit Singh. Ela, com apenas 17 anos, bailarina e sem estudos, viaja para Índia e torna-se a princesa de Kapurthala. Não que isso significasse muito para ela dentro da Índia colonial e tradicional, pois não era a primeira esposa e tratava-se de uma ocidental. Mas, apesar de toda perseguição das demais esposas - que Anita desconhecia a existência quando viajou para Índia -, o marajá a trata com preferência, levando-a para suas viagens e eventos sociais. Como pano de fundo, podemos apreciar fatos históricos que envolveram a Índia sob o governo britânico, como a Grande Guerra e o processo de Independência da Índia. Logo, Gandhi aparece na obra. Também podemos analisar comportamentos excêntricos dos marajás indianos e o relacionamento que os mesmos possuíam com o governo britânico. Das viagens de Anita com o marajá, um fato me chamou muito a atenção. Me refiro ao romance entre John Walter (Lord Montagu) e sua secretaria Eleanor Thorton. Em sua homenagem, Lord Montagu encomendou uma pequena estatueta (The Whisper) para colocar no capô do seu Rolls-Royce, atitude que seria tomada por outros proprietários desse modelo de carro. A morte de Eleanor é citado no livro. São vários detalhes, fatos e comportamentos possíveis de conhecimento na obra. Inclusive o seu final identifica a situação atual da Índia após a sua Independência. Indico.
domingo, 18 de janeiro de 2015
Diário literário: janeiro/2015 Parte III
04/2015 - Ele está de volta/Timur Vermes
Classifico esse livro em uma única palavra: inteligente. Para primeiro romance, o autor não só está de parabéns como torço do fundo do meu coração que prossiga sua carreira literária. Ele está de volta! Ele quem!? Hitler! Adolf Hitler. Só que apenas os leitores e o personagem sabem disso. Não, não há em nenhum momento a defesa de Hitler sobre seus atos no passado, mas a exposição da sociedade atual e sua hipocrisia. A crítica ácida dos comportamentos humanos, da mídia, dos meios informativos boçais, do que pode ser considerado humor e do modelo político liberal-democrático. Claro, mesmo a Alemanha sendo o local do romance, respinga em todo o Ocidente. Detalhe: o cara saca muito de Hitler, lógico, estudou História (hihi). O tema não é fácil, nem simples, muito menos curado ("judeu não é tema para piada!"), mas ainda assim o autor consegue tirar bons risos do leitor ("cachorros e seus excrementos na rua"). Confesso que pela capa nem quis saber, mesmo estando na lista dos mais vendidos. Foi uma indicação insistente da "cazamiga" Amanda que, mais uma vez acertou em cheio. Super indico.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Diário Literário: janeiro/2015 Parte II
03/2015 - A assinatura de Jesus/Brennan Manning
Já li alguns livros do Manning (O Evangelho Maltrapilho, O impostor que vive em mim e Colcha de retalho). A assinatura de Jesus nada mais é que a cruz do calvário e o sacrifício de Cristo em nossas vidas. Nesse livro o autor aborda assuntos como: O nosso ego (que é o equilíbrio entre Id e Superego, e para conseguir tal façanha, nada mais propício que render nosso ego diante da cruz); a igreja atual com toda sua erudição e apelo à emotividade; a fé que não deve residir apenas no intelecto ("Quando amamos alguém, mil argumentos não representam uma prova, nem mil objeções representam uma dádiva"); sobre o nosso chamado individual; sobre discipulado e discipulados; sobre como a igreja primitiva evangelizou apenas com o exemplo da comunhão que possuía entre irmãos ("As pessoas querem ser irmãos, sem antes aprenderem a ser filhos"); sobre a idolatria da autodepreciação (sim, uma forma de idolatria); sobre a oração e sua prática, mesmo diante da falta de vontade; sobre a segunda conversão, a noite escura (o sentimento que nos acomete de ausência de Deus); sobre exemplos de pessoas que começaram bem, fracassaram e atingiram o alvo de Cristo na caminhada (Pedro, Tiago e Filipe); sobre a necessidade de simplicidade em uma comunidade consumista e sobre as nossas emoções, que são boas, apenas precisam de amadurecimento na graça do Senhor (somos cristãos e não estoicos). Linguagem simples e vários exemplos e citações que enriquecem a mensagem do livro. Super indico.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Diário literário janeiro/2015 parte I
01/2015 - Como eu era antes de você/Jojo Moyes.
Primeiro livro findado no tal de Kindler, que minha cazamiga Amanda me emprestou. A princípio fiquei receosa, meio "acho que a bateria pode acabar se eu levar no ônibus", "e o cheiro de livro novo!?" ou "e para ler o final, como faço vez em quando!?". Pura resistência. Você consegue levar "trocentos" livros de uma única vez. Me senti traidora no começo, mas passou. Quando li o título, lembrei de um comentário sobre "livros de menininhas", não me cativou muito. Porém, fui percebendo que havia ali um tipo de desemprego e analisando o assunto acabei me apegando ao tema. Aliás, aos temas. Louise, ex-garçonete precisa ajudar aos pais na renda doméstica e isso implica em aceitar qualquer emprego. Logo eu discordo da maioria das resenhas virtuais sobre ela ser uma garota sem ambição. Era a realidade dela. Sua irmã, egocêntrica e narcisista, mãe solteira, também teve que trabalhar em uma floricultura. Em algumas pessoas como Lou, o que faltava era estímulo e não ambição. Então, aparece Will. Vítima de um atropelamento, ficou em uma cadeira de rodas. Era dele que Louise teria que cuidar, não como enfermeira, mas como acompanhante. Louise também tem um namorado, que diga-se de passagem, um nojo em pessoa. Com o relacionamento conturbado com Will, que devia durar seis meses, Louise começou a explorar outros mundos e tem diante de si a difícil missão de fazer Will desistir de dar fim a própria vida. Ótimas reflexões sobre o modo como deficientes são vistos e tratados pela sociedade e o polêmico tema "eutanásia". Leitura simples, não sei qual o problema em chamar de clichê, mas nos faz refletir sobre o outro e sobre todo potencial que o outro enxerga em nós, antes de nós mesmos conseguirmos enxergar. Super indico.
02/2015 - Freud me segura nessa!/Laura Conrado
À primeira vista, parece uma cópia barata de Bridget Jones. Mas, logo elas se separam. Cat, desejava muito amadurecer, Bridget de forma distraída vai acertando os passos na vida. No primeiro livro "Freud me tira dessa", Cat se apaixona pelo analista, perde amores para outras (inclusive sua irmã) e resolve problemas com sua mãe. Desempregada, no segundo livro ela vai tentar a sorte em Nova York. De cara, um namorado e é aí que os problemas começaram. Ela então conhece a psicanalista brasileira Sofia e as conversas de consultório representadas no livro são ótimas. De fazer refletir. Com seu amigo Fernando, a atriz Emma e a puritana Candice, Cat divide o apartamento, a vida, as expectativas e como o leão (coragem), o homem-de-lata (coração) e o espantalho (Cérebro), a nossa Dorothy vai administrar os sonhos dos amigos (meio Amélie Poulien). Vale muito a pena. Clichê!? Talvez. Super indico.
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
48/2014 Del amor y otros demonios
(Juro que a intenção é o treino da escrita do espanhol, que não é simples. Não mesmo. Algumas frases peguei do livro, outras de sinopses soltas - que não é plágio -, outras consegui formar sozinha... exercitando).
En 26 de octubre de 1949, Gabriel García Márquez recebió de su jefe la orden de ver el vaciamento del hospital que fue vendido para construir en su lugar un hotel de cinco estrellas. En una cripta descubrió una cabellera que medía veintidós metros. Es un conto inspirado en una leyenda que le fue contada a Gabriel García Márquez por sua abuela sobre una niña de doce años cuya cabellera le arrastraba, que había muerto del mal de rabia por el mordisco de un perro, y era venerada en los pueblos del Caribe. Sierva Maria de Todos los Ángeles fue mordida por un perro con el mal de rabia. Ella es hija del marqués de Casalduero y Bernarda Cabrera. Fue criada por la negra Dominga de Adviento que gobernó la casa hasta su muerte. En la cultura que rodea a la niña, el mal de rabia es relacionado con la posesión demoníaca. Ella no presenta síntomas de mal de rabia, mismo así es recluida en el convento de Santa Clara. Le superstición primava en la sociedad en que vivia. También es un enredo que queda al mundo de los criollos, Don Ygnácio es una caricatura de la aristocracia. Obispo don Toribio de Cáceres y Virtudes excede al de alto representante de la religión oficial y fiel ejecutos de las prácticas de la inquisición. La representación de los afrocolombianos eres como una etnia primitiva por sus costumbres. Sus personajes son ambiguos, parte de una comunidad sin rumbo cierto, inestable y confundida. Me gusta las partes que tiene História.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
O Pequeno Príncipe filme, livro e afins.
Aproveitando a febre que já começou devido ao trailler da animação que sai em 2015 do Pequeno Príncipe e da minha releitura (47/2014), vou deixar registrado um pouco sobre o livro. Primeiro, dizer que a música foi muito bem escolhida "Somewhere Only We Know" da banda Keane, na voz de Lily Allen. http://www.vagalume.com.br/keane/somewhere-only-we-know-traducao.html
O livro de Antoine de Saint-Exupéry é clichê, tão clichê que chego a ficar espantada quando alguém lê e afirma que não entendeu nada. Ainda que não conheça a biografia do autor, pois não tem como não relacionar a obra com a vida do mesmo, é estranho não entender a mensagem que O Pequeno Príncipe tenta transmitir.
O livro foi publicado em 1943 nos EUA, um ano antes da sua morte. O autor escreveu em sua estadia em Nova York, após o início da 2ª Guerra Mundial, chegando até a visitar Recife. Nos EUA tentava convencer a entrada na guerra. A dedicatória foi para seu grande amigo Léon Werth, escritor francês e crítico de arte, além de anarquista e filho de judeu. Na época isso era um peso e tanto. Enquanto Saint estava em Nova York, Léon passou a guerra em Juan, região montanhosa ("essa pessoa grande mora na França e ela tem fome e frio").
Saint realmente esteve no Deserto do Saara com seu navegador, André Prévot, na Líbia em 1935. Passaram grandes dificuldades, inclusive alucinações. Foram salvos por um beduíno. A data, que ele no final cita de seis anos que teve contato com o pequeno príncipe, meio que bate com esse fato na vida do autor.
O autor cita sobre seu dom podado pelos adultos e é sabido que Saint foi uma criança difícil, desorganizada e viveu com a morte do pai uma transição de aristocracia rica para uma inferior financeiramente (astrônomo turco que é julgado pelas vestes). A mensagem inicial é um desabafo de como os adultos não entendem e também desestimulam a criatividade infantil. A intenção da sociedade é a padronização ("e a dedicar-me de preferência à geografia, à história, à matemática, à gramática").
Bom, filosoficamente falando, o autor fala de uma criança que saiu do seu pequeno planeta (nosso mundo particular, nosso campo de visão limitado) ainda inocente. Apaixonado pela sua rosa (característica da transição entre a infância e a adolescência) e que, apesar do seu cuidado com seu planeta, foi ferido pelo temperamento da rosa (vida adulta).
O primeiro contato da criança com o piloto é um pedido estranho "Por favor... desenha-me um carneiro!". No primeiro momento o piloto enxerga "um homenzinho extraordinário", afinal como ele mais pra frente admite "Talvez eu seja um pouco como as pessoas grandes. Devo ter envelhecido". Depois que ele o trata como criança. O príncipe acha estranho o fato do piloto desejar amarrar o carneiro, pessoas grandes tem medo e querem se apossar de tudo.
No pequeno planeta havia a rosa, que como sabem, tratava-se de Consuelo de Saint-Exupéry, mocinha de gênio "forte". Os vulcões foram inspirados em sua terra e sendo três, fica fácil citá-los: Cierro Vierde (inativo), Santa Ana Vulcão e Izalco, na Cordilheira de Apaneca. Consuelo tinha asma assim como a flor tinha horror das correntes de ar. O relacionamento de ambos foi complicado e após o contato com a raposa, quando o príncipe vai ter com as rosas, fica claro a questão dúvida sobre o casamento e da infidelidade, mas apenas Consuelo lhe interessava.
A criança visitou seis planetas antes da Terra:
1° rei sem súditos - exigir de cada um o que cada um possa oferecer e o julgamento a si mesmo;
2° vaidoso - necessidade do adulto de autoafirmação;
3° bêbado - fuga da realidade, falta de amor próprio e vícios; comportamentos de autossabotagem;
4° empresário - necessidade de valorizar o que se é e não o que se tem;
5°acendedor - preso ao regulamento sem questionar;
6°geógrafo - teoria sem prática.
Esses planetas são as críticas ao mundo dos adultos. Seu primeiro contato na Terra seria com a serpente, deixando claro que é preciso morrer para voltar à infância; (bom, não tenho certeza). A criança não tem medo, afinal para voltar à sua amada rosa, terá que morrer. Uma linguagem poética.

Então chega o momento da raposa, que na minha opinião é o mais lindo. Gosto do livro não pelo pequeno príncipe, mas pela raposa. É o momento da mensagem. A responsabilidade nos relacionamentos e o que é essencial, é além da aparência (adultos só enxergam o chapéu). A raposa aceita o desafio do rito de cativar o pequeno príncipe, mesmo sabendo que ele iria embora para sua rosa. Assim, mesmo sem possuir (amarrar o carneiro e possuir estrelas) tornaram-se eles únicos um para o outro.
Inclusive no deserto do Saara, Saint teve contato com uma Feneco, raposa do deserto e provavelmente as falas do personagem, são da antiga colega Silvia Hamilton Reinhardt.
Os adultos não cativam e não se deixam cativar. Querem ser adorados (rei), elogiados (vaidoso), fogem (bêbado), valorizam posses (empresário), seguem regulamentos que teorizam o amor sem questionar (acendedor) e não praticam o que dizem saber (geógrafos). A inocência morre, mas o amor não sobrevive ao orgulho, é necessário morrer "mas, eu era jovem demais para saber amá-la" (serpente). É necessário entender os ritos para criar laços (raposa) e compreender que somos seres defeituosos, assim como àqueles a quem dedicamos o nosso amor ("deveria tê-la julgado por seus atos, não por suas palavras").
Saint conseguiu pilotar na Segunda Guerra Mundial, mas não chegou a ver seu livro publicado em francês. Custou para seu corpo ser encontrado e tem todo um histórico sobre o assunto. Agora é aguardar a animação... suspirando.
Isso poderia ser o final de tudoEntão por que nós não vamos
Para um lugar que só nós conhecemos?
Isso poderia ser o final de tudoEntão por que nós não vamos
Para um lugar que só nós conhecemos?
sábado, 20 de dezembro de 2014
Diário literário dezembro/2014
46/2014 O primeiro autor escreveu o Mundo de Sofia, por si só, ótima referência. Um livro bem compacto sobre um assunto tão extenso. Linguagem fácil e resumindo: conceitos como monoteísmo, monolatria, politeísmo, panteísmo e animismo; Cerimônias religiosas em forma de culto, liturgia, sacrifícios, oferendas, ritos de passagem; Com históricos e costumes: 1- as religiões com origem na Índia (hinduísmo e budismo); 2- religiões do Extremo Oriente (confucionismo, taoísmo, xintoísmo); 3- religiões africanas; 4- religiões do Oriente Médio (judaísmo, islamismo, cristianismo com suas difusões: Igreja Católica Romana e a Ortodoxa, Luteranismo e ramificações); 5- filosofias de vida não religiosa (humanismo, materialismo e marxismo); Últimos capítulos sobre as novas tendências religiosas que sincretizam com antigas religiões e o Brasil, ênfase ao pentecostal e neo-pentecostalismo. Indico para um maior entendimento do outro e loterância à crença do próximo.
Confesso que pedi esse livro pela estante Skoob e não prestei atenção. Quando chegou fiquei sabendo que era ficção em doze contos. Não que eu não leia ficção histórica, até gosto, mas enfim. Li! O prefácio é da historiadora Mary Del Priore, e a maioria dos contos gira em torno da vida na corte no Rio de Janeiro ou no burgo paulistano. Vão apresentar personagens como o Chalaça, Rafael Tobias de Aguiar (líder da Revolução Liberal de 1842 e último marido da marquesa), Dona Leopoldina, Maria Benedita (irmã da marquesa e também amante de D. Pedro I e serviçais da época. Alguns tentam justificá-la, outros condená-la. Afinal, Domitila não foi uma amante comum. Com todo respeito ao autor do conto quatro (A múmia, a alma e a marquesa), detestei apenas esse conto. É possível imaginar o quadro da época, refazer espaços geográficos e costumes. Indico.
domingo, 14 de dezembro de 2014
Diário Literário - Onze Minutos/Paulo Coelho
44/2014 - Não lia Paulo Coelho desde os 20 anos. Antipatia literária. Então, li Onze Minutos, numa sentada só! Antes de ler, fiz como sempre, a pesquisa de resenhas. Parecia um livro clichê que conta a historinha da moça do interior que vira garota de programa no exterior. Bom, resumidamente é isso mesmo e ele ainda faz de forma tão rápida que parece uma narração futebolística. Talvez eu esteja lendo muito autores realista com excessos de descrições. Maybe. Bom, Maria (nome de guerra) que de fato existe acabou indo para Genebra e lá a prostituição é legalizada pelo estado. As prostitutas devem ter autorização de permanência e residência, pagar seguro social, exames periódicos e por aí vai. Maria é uma mulher que observa demais e registrou tudo durante o período que trabalhou como garota de programa. Relatos de experiências na profissão, com a família, projeções e claro, desejava um dia poder divulgar tudo isso. Onze minutos é o tempo do sexo no programa. Ainda que fosse 45 minutos, tirando teatralidade, conversas e impasses o objetivo acontecia em 11 minutos. Como observadora percebe que de fato toda a humanidade se move para o sexo, ainda que não saibamos. Mas todo o esforço, seja qual for, se resume em onze minutos. Hoje, casada e mãe de duas filhas, ainda mora no exterior. Indico! (Na imagem, Paulo Coelho e Maria).
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Diário de Leitura - dezembro/2014
(43/2014) Um artigo, um único artigo em uma rede social foi o suficiente para tornar febre e conhecido o autor da obra Amor Líquido, Zygmunt Bauman. Claro, será motivo de estranhamento a leitura do restante da obra, pois os diversos artigos que surgiram até então, abordam apenas o assunto do prefácio (#prontofalei).
O tema geral do livro é relacionamento. Sem garantia de permanência e com a necessidade de serem atados frouxadamente para que possam ser outra vez desfeitos, são os atuais relacionamentos da sociedade moderna.
O herói do livro e repito o tema, oscila entre a aflição e o desejo de atar-se, porém com o temor do encargo da limitação da liberdade que sente necessidade para manter-se... atado. O foco nos relacionamentos atuais se concentrou na satisfação própria, gerando assim relacionamentos de bolso (acessíveis quando necessários).
Especialistas de relacionamentos inclusive, sugerem que os mesmos sejam vistos como investimentos e que, a exigência de compromisso seja evitada. O segredo, segundo eles é manter a porta aberta, afinal nunca se sabe se um próximo investimento poderá trazer mais satisfação pessoal.
Então, o autor se utiliza de termos da virtualidade. Não condena os relacionamentos que sobrevivem à distância e tempo e começaram a partir do contato virtual. O autor toma emprestado termos como "rede", "conectar" e "desconectar" para avaliar os relacionamentos de bolso. Os amores líquidos de hoje podem ser desconectados antes mesmo de serem odiados e, "relações virtuais" são aquelas com facilidade de desengajamento e rompimento.
Até o fim do primeiro capítulo o autor na verdade descreve o que já está exposto, por isso a sensação de "deslumbramento" mediante o que não tinha rótulo. Para os próximos capítulos o autor também vai tratar os demais relacionamentos como líquidos e como mercadoria. De forma sociológica ele mescla pensamentos de filósofos e sociólogos com programas de relacionamentos norte-americanos e filmes.
De tal forma, consegue tratar assuntos como anarquia e xenofobia e comparar a manutenção dos relacionamentos com o desenvolvimento histórico das cidades. Com certeza, ninguém pensou nisso até então. Para ele, o ser "ilhado" da cidade incluído no "global" tenta ser um todo com os demais, mesmo sendo direcionado pelo mercado à individualização... tudo de forma satisfatória.
Resumindo, a sociedade atual com toda sua insegurança tem gerado a atual ética dos relacionamentos. Pessoas se conectam para depois de desconectarem, virtualmente ou não. Facilidade e satisfação sempre foi o slogan de venda. O exterior sociológico espelhando o interior individual. Indico!
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