terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Texto III - Memórias Póstumas de uma Paixão


Texto III – Por favor, não insista!

Luciana olhou para o céu nublado, suspirou e pensou: essa situação de novo!? Pablo parecia um cara ótimo, carinhoso, tinha um bom papo e o melhor, sabia dançar. Era muito insistente, queria sair em plena terça, quinta, segunda, queria vê-la de qualquer jeito. Ela dava desculpas, ficava off-line e ele prometia que não ia mais importunar. Ela até lhe deu um beijo, para ver se sentiria algo que a motivasse a tentar. 
Não conseguia sentir nada, mesmo sabendo que ele era um bom partido. Talvez até fosse a pessoa certa, mas na hora errada. O fato era que ele não a teria, pelas feridas que ela possuía naquele momento e pela incapacidade de brincar com os sentimentos das pessoas. 
Tinha receio de estar abrindo mão da felicidade, mas o medo de estar repetindo a mesma história era muito maior. Era sempre assim, de forma cíclica. A paixão não dava certo, o fim era trágico e nesse meio tempo entre se conformar e prosseguir aparecia alguém. Ela contava o relato do relacionamento, os motivos do fim, na ilusão que ele não fizesse o mesmo. Mal sabendo que aquela atenção que mais parecia interesse ingênuo, era a captação de suas fraquezas para atingir seu tendão de Aquiles se necessário. 
Então Luciana anestesiava a dor passada, se sentia curada e mais uma vez se entregava. Mas, antes disso o medo da dor a fazia tentar não prosseguir, obter a certeza de que aquele ser teria a paciência necessária para compreender aqueles sintomas comportamentais de um coração que ainda se contorcia em dor. Ele insistia, dizia que compreendia, pedia uma chance para fazê-la esquecer a dor e a enchia de mimos e momentos felizes.
Quando finalmente resolvia enfrentar os medos e prosseguir, quando já estava apaixonada, ele a abandonava. Usava seus defeitos, dores, fingia sofrimento e apenas se afastava. Não atendia aos telefonemas, não enviava respostas às suas trinta mensagens virtuais, dizia aos seus amigos em comum estar sofrendo muito com a sua indecisão e que estava apenas abrindo mão da mulher amada para que ela descubra se o que sente é amor. Um lord.
 
Luciana podia até culpar aquele homem tão dedicado, carinhoso, bondoso, atencioso e que lindo, um ótimo cozinheiro. Mas ele era perfeito, ela que era a culpada pelo desperdício da oportunidade de finalmente ser feliz. Agora, sozinha e sofrendo, ficava se remoendo, culpando seus medos e sua infantilidade. Humilhava-se, implorava, dizia estar disposta a se satisfazer com restos e sobras, pagar preços altos e fazer sacrifícios, mas ele apenas fingia estar muito magoado. 
Aquela linda moça ruiva, de pernas bem torneadas, sorriso iluminado, inteligência ímpar, capacidade única, se sentia um lixo. O tempo passava, e no momento entre se conformar e prosseguir aparecia alguém. Tudo do mesmo jeito, só mudava a raça, a religião, a nacionalidade, o estado financeiro e intelectual, mas a situação era a mesma. Quando menos esperava, a fofoca chegava ao seu ouvido, aquele ser que a deixou com a culpa do fim, já tinha há tempos outro alguém, estava muito feliz em Babylon e você com um mosaico de culpas para lidar. 
E começava tudo de novo com a característica única que sempre tinha alguém disposto a insistir. Luciana olhou para o cinza do céu, um belo nublado e suspirou. Lamento Pablo, mas não vai ser possível, por favor, não me ligue mais, não insista mais e compreenda se for capaz. Decidida a se enfrentar e permanecer nesse ostracismo voluntário, decidiu não se entregar mais à chuva, depois de uma pneumonia mal curada. E foi nesse momento que começou a perceber que precisava mesmo era se amar para ser amada. 

Fevereiro/2011 Sally Barroso 
Esboço de um livro que teria por título "Memórias Póstumas de uma Paixão" (sobre mim, sobre pessoas, sobre paixões)

Texto II - Memórias Póstumas de uma Paixão


Texto II – Malditas lembranças


Cínthia sabia que estava apegada apenas às lembranças e nem tanto ao homem com quem compartilhou vários momentos felizes. Estava presa às sensações que sentiu, as risadas, os passeios, o sexo, o gemido, o mar, ela sabia. Sabia também que aquele homem, nem a faria no mínimo satisfeita, em uma relação baseada em convivência, relacionamento e compromisso. 
Aliás, nem nome ele dava aos relacionamentos, pois ele gostava de viver momentos e ela não tinha sido domesticada para isso, ela queria pagar sim um alto preço para ter esses momentos ao lado daquele ser que não tinha nada a ver com ela, mas precisava de segurança pra isso. 
Não obtendo e sendo vítima daquele comportamento sutil e masculino que ao desejar abandonar se faz abandonado, deixou-a no vácuo, cheia de dúvidas e culpas. Sim, sim! Ele mentiu, culpa dele. Você se iludiu, culpa sua. O fogo da paixão não deixou você perceber nada com clareza, mas em um dado momento a razão te fez pressão e você optou em parar de se humilhar. E o que restou? As malditas lembranças. 
Esses momentos, em forma de lembranças que confundem e fazem Cínthia, Maria, Josefa, Grace idealizar, desejar um retorno de novela, um telefonema, um e-mail, uma pitada de ódio. Mas, nada acontece e para pior a situação, o tempo se torna lento e eterno. Só restou uma herança, um pacote com as malditas lembranças. Pra que servem afinal?
            Seria uma forma de não deixar morrer a sensação momentânea de felicidade que sentiu? Um ataque das paixões que militam contra sua alma e a tornam cativa? Talvez porque lembramos do último e não do primeiro ou terceiro homem que acreditamos ser o grande amor da nossa vida? Para nos mutilar com a verdade de ter sido tudo teatro? 
Cínthia não tinha as respostas e chorava ao lembrar desses momentos. Saudade? Falta de amor-próprio? Não. Apenas a conseqüência de uma tentativa frustrada, de um risco desnecessário, momentos certos com a pessoa errada, mas e quem afinal, tem bola de cristal?
O fim: desastroso. Mas, não forte o suficiente para apagar esses flashes dessas malditas lembranças. E nesse processo, sobreviver é sua meta atual. Até que Cínthia compre no mercado clandestino uma bola de cristal, um manual ou um radar de encantados disfarçados. 
14/01/2011 Sally Barroso

Texto I- Memórias Póstumas de uma Paixão



Remexendo nos meus escritos achei por acaso um esboço de um livro que estava sendo escrito por mim, de várias crônicas sobre o fim de uma paixão. Achei interessante meu ponto de vista na época. O título seria "Memórias Póstumas de uma Paixão". Então, segue o texto I, levando em conta minha péssima coesão textual.


Texto I – O luto da paixão
           
A paixão parece ser uma trajetória bem linear, com começo, meio e fim, pelo simples e único fato de ser uma paixão. Não que ela seja ruim, mas não é sua característica a permanência. Mesmo não tendo regras de quando, como e quem, vários motivos rompem a transição, a metamorfose, a saída do casulo para o vôo de se transformar em amor. 

Os motivos desse rompimento podem ser vários: insegurança, trauma, falta de reciprocidade, traição, ilusão, medo ou falta de interesse e honestidade de uma das partes. Só se percebe a existência desses motivos depois de várias pérolas produzidas pela dor. Por incrível que pareça, essa dor não impede a repetição desse processo linear do luto da paixão, e acabam sendo contínuos e permanentes. Um vício subconsciente. 

Alguns buscam ajuda profissional, uns não conseguem perceber e vão vivendo até que bem, esse processo linear sem maiores problemas. Já outros desistem de tentar e preferem a solidão ou apenas culpam os outros e vai saber. Cada caso é um caso. Mas, é inevitável que aconteça, ela morre ...

Seja como for, no velório dessa paixão, alguém chora o luto sozinho. Alguém se torna o responsável pelo homicídio involuntário de um sentimento que ainda está bem vivo e latente dentro de si. Alguém tem que reagir. Alguém tem que perdoar. Alguém tem que odiar. Ah... Esse alguém... 

E nesse processo, registramos as memórias póstumas do que restou e vai saber o que fazemos com elas. Não sabemos o que vem depois do luto ... Mas para alguns, a paixão chega e o enlutado, com um panteão de pérolas, com o troféu da sobrevivência vai ou não se entregar. Resta saber se dessas memórias póstumas agora anestesiadas e esquecidas, esse ser, vai fazer ou não desse luto um manual de instrução. 

Sally Barroso
Início: 14/01/2011 Brasília/DF

domingo, 27 de janeiro de 2013

Morri/Tragédia em Santa Maria - RS

"MORRI"
Fabrício Carpinejar

"Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça. A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta. Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa. A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013. As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa. Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio. Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda. Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência. Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa. Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram. Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo? O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista. A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados. Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro. Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal. As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso. Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu."
 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A inveja e o Facebook segundo especialistas

Que coisa hein!? Será?!

LONDRES, 22 Jan (Reuters) - Testemunhar as férias, a vida amorosa e o sucesso profissional dos amigos no Facebook pode provocar inveja e causar sentimentos de infelicidade e solidão, segundo pesquisadores alemães.

Um estudo realizado em conjunto por duas universidades alemãs encontrou uma inveja desenfreada no Facebook, a maior rede social do mundo, que agora tem mais de 1 bilhão de usuários e produziu uma plataforma inédita para comparações sociais.

Os pesquisadores descobriram que uma em cada três pessoas sentiu-se pior e mais insatisfeita com a própria vida depois de visitar o site, enquanto pessoas que passearam por lá sem contribuir foram as mais afetadas.

"Ficamos surpresos ao ver quantas pessoas têm uma experiência negativa do Facebook, com a inveja fazendo-as se sentirem sozinhas, frustradas ou com raiva", disse à Reuters a pesquisadora Hanna Krasnova, do Instituto de Sistemas da Informação na Universidade Humboldt de Berlim.

"A partir de nossas observações, algumas dessas pessoas vão então sair do Facebook ou pelo menos reduzir o uso que fazem do site", disse Krasnova, aumentando a especulação de que o Facebook poderia chegar a um ponto de saturação em alguns mercados.

Pesquisadores da Universidade Humboldt e da Universidade Técnica de Darmastadt descobriram que fotografias de férias eram a maior causa de ressentimento, com mais de metade dos incidentes de inveja provocados por imagens de viagens no Facebook.

A interação social foi a segunda causa mais comum de inveja, com os usuários podendo comparar quantas felicitações de aniversário receberam em relação a amigos no Facebook e quantos "curtir" ou comentários foram feitos em fotos ou posts.

"O acompanhamento passivo provoca emoções amargas, com os usuários invejando principalmente a felicidade dos outros, o modo como os outros passam as férias e como socializam", disseram os pesquisadores no estudo "Inveja no Facebook: Uma Ameaça Oculta à Satisfação da Vida dos Usuários?", divulgado na terça-feira.

"A presença disseminada e onipresente da inveja em Sites de Redes Sociais é mostrada para minar a satisfação de vida dos usuários", afirmaram.

Eles descobriram que pessoas com trinta e poucos anos eram mais propensas a invejar a felicidade familiar, enquanto as mulheres eram mais propensas a invejar a atratividade física. Esses sentimentos de inveja fizeram alguns usuários se gabarem mais sobre suas conquistas no site administrado pela Facebook Inc. para aparecerem sob uma luz melhor.
Os homens postavam mais conteúdo autopromocional no Facebook para fazer com que as pessoas soubessem sobre suas realizações, enquanto as mulheres destacavam sua boa aparência e vida social.

Os pesquisadores basearam suas descobertas em dois estudos envolvendo 600 pessoas, e os resultados devem ser apresentados em uma conferência sobre sistemas de informação na Alemanha, em fevereiro.

O primeiro estudo analisou a escala, o âmbito e a natureza de incidentes de inveja provocados pelo Facebook, e o segundo em como a inveja estava relacionada ao uso passivo do Facebook e à satisfação com a vida.

Os pesquisadores disseram que os entrevistados em ambos os estudos eram alemães, mas esperavam que os resultados fossem os mesmos internacionalmente, já que a inveja é um sentimento universal e possivelmente impacta o uso do Facebook.

"Do ponto de vista de um provedor, nossas descobertas assinalam que os usuários frequentemente veem o Facebook como um ambiente estressante, que pode, no longo prazo, por em perigo a sustentabilidade da plataforma", concluíram os pesquisadores.

Que ...

Revirando meus textos antigos achei um que escrevi para minha irmã mais velha (Kelly) não lembro nem mais o motivo. Hoje ele me serviu de orientação. Coisas da vida. Tenho dito!

Que a tua fé seja pelo menos do tamanho do teu medo

Que o tempo que gasta em discutir seja pelo menos o mesmo gasto em profetizar vitórias

Que cultives o amor o mesmo tanto que cultivas o ódio

Escute mais sobre a Graça, escute menos sobre o pecado

Escute mais sobre perdão, escute menos sobre culpa

Que o tempo de oração seja o mesmo gasto em preocupação

Tenha tempo para perder

Respire fundo quando se irritar

Diga "ops!" quando errar

e "êita ferro!" quando acertar

Olhe ao seu redor e reconheça as sementes, cultive-as pensando no fruto que anseia

e para finalizar escute quando precisar "Do it" Lenine
20h26 02/02/2009

domingo, 20 de janeiro de 2013

Seria Cristo machista?


Seria Cristo machista? 

Não, pois Ele não faz acepção de pessoas. Porém, isso não significa que os seus "enviados", "ungidos" e "escolhidos" do sexo masculino não o sejam. Muitos se baseiam na sugestão apostólica de Paulo sobre o que permitir ou não permitir à mulher dentro do espaço "igreja", obviamente, de forma anacrônica. Falta conhecimento por parte dessas pessoas que estão à frente de qualquer coisa, paciência. Paulo falava sobre sinagoga e procedimentos da época (1 Coríntios 14:34,35). Tudo bem que o Livro Sagrado, utilizado para perpetuar acepções, injustiças e preconceitos não demonstra que o papel da mulher seja de figura pública dentro da igreja. Que bom para todas nós, que temos o privilégio de sermos sal fora do saleiro. 

Chato é perceber homens podando os talentos das mulheres dentro desse espaço de localização geográfica, sendo que talentos e dons foram dados a ambos os gêneros, ou não? Mas, crendo que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Cristo, há mulheres e mulheres, inclusive houveram aquelas que até sustentaram o ministério do Salvador (Mt 27,55-56 e Mc 15,40-41). Minha fala aqui não é o convite ao feminismo gospel, de maneira nenhuma. Mas, apenas desabafando que certas atitudes machistas dentro da igreja em nome de "Deus"  são arcaicas. Infelizmente igreja não é lugar para debater esses comportamentos. Como Historiadora posso afirmar que foi e é nesse espaço que essas injustiças tem sido legalizadas, perpetuadas e justificadas.


Mas, sabe ... não me lembro de nenhum momento que Cristo se dirigiu à uma mulher dentro da sinagoga. O encontro Dele com elas foi fora desse espaço geográfico. Então porque se prender a tanta insegurança masculina? Oremos por eles. Fora da igreja Cristo tocou em mulheres, perdoou e permitiu proximidade e mudança a todas que assim o desejassem. E sobre Paulo, machista? De maneira nenhuma. Deixou para nós o mais fácil, submissão (que não significa omissão ou anulação de si mesma. Lógico, depende muito das escolhas pessoais) e ao homem o mais difícil: amar a mulher como Cristo amou  a Igreja e por ela dar a vida. 

Esse é o Jesus que conheço, esse foi Paulo. Jesus o verdadeiro pastor, Aquele que busca, direciona, cuida, zela ... qualquer omissão daqueles que se nomeiam ou são nomeados como tal não é pastoreio, é vaidade. Tenho dito. Ao pastor que poda o sexo "frágil", orações. Ao pastor que enxergou e enxerga a mulher, meus mais nobres e sinceros agradecimentos. E sempre que percebo um comportamento machista dentro do espaço geográfico chamado "igreja" eu lembro que não é incentivado pelo Bom Pastor, pois esse eu conheço!

Estudos sobre Jesus e as mulheres:

Ao tratar do divórcio se preocupou com o repúdio à mulher e a sua exposição ao adultério Mt 19,3-12 e Mt 5,32/Olhar para uma mulher de forma impura (intenção impura no coração) Mt 5,28/Cura da mulher do fluxo sanguíneo (na época era considerada uma mulher impura, nenhum homem a tocaria) Mt 9,19-22 Permitiu ser tocado por uma mulher, que lindo!/A ressurreição da filha de Jairo Mt 9,23-26/A mulher cananéia Mt 15,21-28/A mãe de Tiago e João Mt 20,20-28/A mulher e o vaso de alabastro Mt 26,6-13/mulheres que observavam e serviam Jesus com seus bens Mt 27,55-56/mulheres após a ressureição de Jesus Mt 28,01-10/A mulher sírio fenícia Mc 7,24-30/Oferta da viúva pobre Lc 21,1-4/ressurreição do filho da viúva de Naim "se compadeceu dela e disse: não chores" Lc 7,11-16/A pecadora que ungiu os pés de Jesus Lc 7,36-50/Marta e Maria Lc 10,38-42/cura da mulher encurvada no sábado Lc 13,10-17/A mulher de Samaria Jo 4,1-30/Jesus ungido por Maria em Betânia Jo 12,1-8 e muito mais.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Diário Literário 2013 ...

Hoje findei meu primeiro livro do ano, Divã - Martha Medeiros. Depois de 2010 de uma angústia existencial que tive e parecia ser o inverno mais longo da minha vida, nunca mais li nada da autora. Na época li livros como Don-Stop e esse livro Divã nem é lançamento. Já havia assistido o filme e não leio o livro depois do filme, me frustra.

Parece (se eu acreditasse nisso, talvez até passe a acreditar...) aquelas leituras necessárias, tal qual foi na época. Estava separando alguns livros para presentear (pois quero muito me desprender de livros que acumulo e não leio - uma baita tentativa de libertação literária) e ao separar o livro citado abri uma página e CARALHO: o livro tratava da minha personalidade, mesmo que não trate da minha pessoa. 

E li com fome, de quem separa parágrafos, linhas, frases e palavras que descrevam e tragam à tona sensações do passado e presente. Céus!? Foi minha expressão. Que estranho. Estranho. Estranho pacas. 

Não vou dar o livro, não agora,... sublinhei todo e o máximo que consegui foi emprestar para uma colega de trabalho com a observação que não demore (não costumo fazer isso). Mas, segue aqui uns pequenos trechos para que eu, apenas eu ou a quem interessar, ler e enfrentar toda batalha interna que eu precise lutar. 

"Não sei bem o que dizer sobre mim. Não me sinto uma mulher como as outras. Por exemplo, odeio falar sobre crianças, empregadas e liquidações. Tenho vontade de cometer haraquiri quando me convidam para um chá de fraldas e me sinto esquisita à beça usando um lencinho amarrado no pescoço. Mas segui todos os mandamentos de uma boa menina: brinquei de boneca, tive medo do escuro e fiquei nervosa com o primeiro beijo. Quem me vê caminhando na rua, de salto alto e delineador, jura que sou tão feminina quanto as outras: ninguém desconfia do meu hermafroditismo cerebral. Adoro massas cinzentas, detesto cor-de-rosa. Penso como homem, mas sinto como mulher. Não me considero vítima de nada. Sou autoritária, teimosa e um verdadeiro desastre na cozinha. Peça para eu arrumar uma cama e estrague meu dia. Vida doméstica é para os gatos" (página 09)

"Sou tantas que mal consigo me distinguir. Sou estrategista, batalhadora, porém traída pela comoção. Num piscar de olhos fico terna, delicada. Acho que sou promíscua, ... São muitas mulheres numa só, e alguns homens também." (página 11)

"Se ser feliz para sempre é aceitar com resignação católica o pão nosso de cada dia e sentir-se imune a todas as tentações, então é deste paraíso que quero fugir. Não estou disposta a inventar dilemas que não existem, mas quero reencontrar aqueles que existem e que foram abafados por esta minha vida correta" (página 14)

Eu, Sally Barroso, fui criada sem mãe: "Fui uma criança incompleta... eu, que tinha todos os motivos para sofrer, dispensei a chance. Se sofrer era tudo o que esperavam de mim, eu surpreendi sendo madura antes da hora, evitando dar trabalho ao meu pai. De tanto esforço para não capitular diante da tragédia, de tanta vontade que eu tinha de ser adulta, de tantas ausências ao meu redor, forcei uma precocidade e resolvi me salvar sozinha" (página 15)

"Eu praticamente não tive referências femininas, eu sempre fui minha própria referência. E, como já lhe disse, sou mezzo mulherzinha, mezzo cabra da peste, o que nunca me fez sentir entre iguais no salão de beleza". (página 22)

"Não há consolo para a impossibilidade" (página 38)

"Acho que é essa minha mania de auto-suficiência, de sempre querer dar conta da minha vida sozinha" (página 53)

"A sinceridade sempre parece mentirosa" (página 57)

"mundanças me parecem atraentes e ao mesmo tempo assustadoras" (página 61)

"desde que eu despertei para a leitura e que passei a sentir o sabor das coisas de uma forma muito mais entusiasmada, desde que eu soube que podia pensar e o pensamento era livre ,que dentro do meu pensamento ninguém poderia me achar, desde que meus seios cresceram e eu descobri que pessoas tinha cheiro, desde lá até aqui eu me pergunto: por que não me oferecer para aquilo que não fui preparada? Eu tenho as armas de que necessito para me defender, e mesmo que eu perca, eu ganho, já perdi algumas vezes e sei como funciona a lei das compensações." (páginas 62/63)

"O que me faz parecer assim tão forte?" "... sou a que segura a barra de todos, a voz que manda e desmanda, a que não dorme à noite, pensando, pensando, pensando" (páginas 64/65)

"Não estou sendo pessimista, as coisas começam e terminam antes que possamos ordená-las racionalmente, por dentro a coisa já vem gritando há dias" (página 66)

"As pessoas mais importantes foram as que não ficaram" (página 149)

"Sofrer não é romântico, é terapêutico" (página 130)

Bom, por aqui eu paro. Preguiça mesmo. Compromisso com o trabalho, pois aprendi com meu pai que seja o que for, como for, o trabalho ocupa, cura e que é nele que aprendemos a separar as coisas e sobreviver. Ainda que a meta seja viver, tem momentos que sobreviver é uma vitória e tanto. 

Don´t let me down girl!



Se o inverno não congelar o verão, e o verão não negar a necessidade do inverno, volte. 

Se a primavera cumprir o seu papel, ciente do outono, permaneça. 

Se as palavras ditas na angústia da incerteza não apagarem as promessas ditas na certeza da possibilidade, volte. Caso contrário, não as esqueça, pois elas podem voltar, ainda que se nasça de novo, leva tempo para aprender um novo caminhar. 

Se a distância apagar o sorriso e o som da voz, esqueça, mas se o tempo apagar os erros, permaneça. 

Se a paixão é despedida, o amor é permanência. Ele seleciona o que lembrar, ele decide voltar. 

Que ninguém sinta culpa pela paixão que sentiu ... que ninguém sinta culpa do que não persistiu.

Que a culpa não seja o arauto soturno das ambivalências contidas na alma de um sofredor, mas é fato, certas feridas, só são curadas, pela persistência do amor. 

Se tudo for um rascunho para o que de melhor ainda há de vir, agradeça, foi bom pra você, foi bom pra mim.

Mas se de tudo só ficaram adeus sem despedida, caminho sem partida, ponto sem final, tudo bem, acontece, só não permita na vida se tornar normal.  

By Sally Barroso - os tons que não escolhi, mas vivi. 

domingo, 13 de janeiro de 2013

Nunca fui

"Eu nunca fui uma moça bem-comportada.

Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços.

Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo. Não estou aqui pra que gostem de mim. Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho. E pra seduzir somente o que me acrescenta.

Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra.

A palavra é meu inferno e minha paz.

Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.

Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.

Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.

Por isso, não me venha com meios-termos,com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar...

Eu acredito é em suspiros,mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.

Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.

Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma,no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo.

Eu acredito em profundidades.

E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos.

São eles que me dão a dimensão do que sou."

Maria de Queiroz