Bom, me falta tempo! Até agora só li três livros, pois meu trabalho tem necessitado de horas de leitura, uma leitura totalmente diferenciada, diga-se de passagem. Mas, estou sem metas para 2013. Apesar que quero tanto mais tempo para poder ler...
Meu terceiro livro do ano que presenteei com muito carinho para meu chefe.
A Graça em meio a dor
Já conhecia algumas obras de
Philip Yancey, mas a leitura de "Para que serve Deus: em busca da
verdadeira fé, foi apaixonante. Talvez porque o autor descreve antes do
relato de suas palestras, suas pesquisas sobre o lugar, cultura e
história do local que foi convidado, nos aproximando do tema e público
escolhido. O desafio principal do livro é falar de Deus mediante a dor e
a perca. O livro está dividido em capítulos, que podem ser chamadas de
ocasiões tensas em que o autor levou o tema "graça divina".
O primeiro capítulo lida com o atentando em Virginia Tech em abril de
2007.No segundo capítulo, em uma visita à China comunista, uma frase que
não é dele mas vale a pena registrar: "Quem lê a História descobre que
os cristão que mais fizeram pelo mundo presente foram precisamente
aqueles que mais pensaram no mundo futuro (...) Mire o céu, e você vai
ver a terra como lucro. Mire a terra, e você não vai ter nem uma coisa e
nem outra" C.S. Lewis"
No capítulo "No fundo do poço, a gente grita por socorro",Yancey
transcreve sua palestra em Green Lake em 2004, sobre a evangelização de
mulheres prostitutas, com a participação de representantes de 45
organizações e trinta países. Lindo capítulo. Profundo.
Yancey nunca escondeu sua opinião sobre sua criação em um contexto
legalista/religioso/sulista e sua vivência na Faculdade Bíblica no sul
dos Estados Unidos. Em abril de 2007, o mesmo foi convidado pela
terceira vez para palestrar nessa faculdade e o tema escolhido foi "Ah,
se eu então soubesse..." "Eu gostaria de ter sabido como apreciar dois
mundos ao mesmo tempo" - nessa parte o autor fala sobre as regras
obrigatórias que ensinavam a se portar dentro da faculdade e não fora
dela. Enquanto o mundo debatia a Guerra do Vietnã os alunos nessa
faculdade debatiam o hipercalvinismo; "Eu gostaria de ter sabido como
cultivar a vida interior", na sua opinião, as regras podem apresentar a
tentação de confiar no comportamento exterior em vez de cultivar a vida
interior,e por último: "Eu gostaria de ter conhecido a graça aqui na
faculdade".
Em Cambridge, agosto de 2008, Yancey descreveu sua palestra que tinha
como tema a vida de C.S. Lewis. Sua adorável apreciação pelo prazer que
era para o mesmo como o gotejar da graça que unificava os dois mundo, o
visível e o invisível. Lewis não via nenhuma necessidade de afastar-se
do mundo e fugir do prazer e conseguiu enfocar o cristianismo puro e
simples, chegando a ser descrito pelo fundamentalista Bob Jones Jr como
cristão. ("Esse homem fuma cachimbo, esse homem consome álcool, mas eu
de fato acredito que ele é um cristão! Bob Jones Jr.). Um desafio para
os eremitas-cristãos da pós modernidade, ao meu ver.
No capítulo "O grupo improvável" Yancey transcreve sua terceira palestra
na igreja carismática na África do Sul que começou em 1979 com treze
membros e cresceu somando agora 35 mil. O autor chegou a visitar o Museu
do Apartheid, onde cada visitante recebia uma classificação racial,
sentindo assim como era o dia a dia das pessoas que viveram o processo
desumano do Apartheid. Nesse capítulo há muita informação sobre o
processo da troca de governo que pôs um fim abrupto ao Apartheid e
empossou africanos negros. O novo regime não cedeu à política da
vingança, porém a alegria da mudança histórica fora trocada pelos
desafios de corrupção, AIDS, drogas e problemas que acompanham o
crescimento de vários grupos humanitários e religiosos.
No capítulo "A partir das cinzas" Yancey palestrou em Memphis em
novembro de 2008 e o assunto para "Sobre esta Rocha" foi o momento de
escolha presidencial nos EUA, onde Barack Obama venceu (1° mandato).
Yancey aborda sobre a importância de construir a casa sobre a Rocha, e
levanta (utilizando-se de outros autores) muitos questionamentos sobre
política e Evangelho. Achei muito interessante o relato sobre a
Revolução Laranja na Ucrânia em 2004, onde a corrupção eleitoral em um
resultado foi divulgado por uma deficiente auditiva que na língua de
sinais não seguiu o texto e denunciou o fato. Levando o país à Revolução
citada.
No Oriente Médio em 2009, Yancey realizou um ciclo de palestras,
enfrentando um choque de civilizações e levando o tema graça para uma
minoria sitiada de cristãos. Já em Chicago em agosto de 2003, o tema
"Por que eu gostaria de ser alcoolico?" tem como pano de fundo a
fundação e importância dos grupos espalhados pelo mundo sob a sigla A.A.
O último capítulo trata sobre a palestra em Mumbai em novembro de 2008,
no mesmo período em que terroristas do Paquistão desembarcaram no centro
de Mumbai e atacaram dez pontos diferentes. Yancey levou o tema graça
em um local diferente do planejado e finaliza com a frase de Gandhi
"Olho por olho, dente por dente, e logo o mundo inteiro será de cegos e
desdentados". No Posfácio ele faz uma análise sobre as situações
desagradáveis que esteve envolvido e sobre a o desafio de falar sobre a
graça divina em meio à dor. INDICO!"

Tão atual
Conheci George Orwell em "A Revolução dos
Bichos" e já conhecia essa sua maneira "engajada" de atacar todo e
qualquer sistema totalitário. Na verdade, esse é o seu pseudônimo, seu
nome verdadeiro é Eric Arthur Blair, nome que poucos conheciam. Nascido
na Índia Inglesa, em uma família de baixa alta classe média, decidiu
tornar-se escritor após largar o emprego de policial, pois "odiava o
imperialismo ao qual estava servindo". Viveu na pobreza e demorou para
ganhar dinheiro com seus escritos. Morreu em 1950 na miséria,
lamentavelmente.
A princípio, 1984 é cansativo. A maioria das pessoas sabem que a partir
dele surgiu o programa "Big Brother". O título deveria ser 1948, mas
como iria ficar muito na cara para os regimes totalitários da época, o
título foi mudado para 1984. O local onde acontece o enredo, a
"Oceania", foi uma congregação de países de todos os oceanos. Além da
crítica aos sistemas políticos totalitários, percebe-se que o autor
também manda o recado em relação toda e qualquer transformação da
realidade, para isso existem no romance órgãos com essa função, como por
exemplo o Ministério da Verdade, onde o protagonista Winston Smith
trabalha. (Comparação perfeita à mídia em geral).
Smith é o cidadão-comum e participa de uma sociedade nivelada, onde o
indivíduo é reduzido e serve ao governo e ao mercado através do controle
total. Winston se incomodava com algo que não sabia descrever e sua
vida tem uma mudada total após o contato com Júlia. Até a vida sexual do
cidadão era controlada pelo Partido. Após descobertos e levados à
tortura, são domesticados e passam a aceitar de forma espontânea todo o
sistema que antes eram contrários. O autor, assim como Milan Kundera
(Thomaz em A insustentável leveza do ser), descreve o rebaixamento
profissional de Smith, trajetória de milhares de pessoas contrárias aos
regimes totalitários. E no final, Smith está adaptado ao sistema, e é
fiel de fato ao Grande Irmão (Big Brother).