terça-feira, 6 de maio de 2025

Dia da Matemática e a cura pela Literatura

 


    Hoje, 06 de maio, é o Dia Nacional da Matemática. Quem sempre teve/tem dificuldade na senhora dona Matemática coloca o dedo aqui! Eu, sempre eu! Lembro até hoje da professora de matemática Filomena da E.Classe 410 Norte do Ensino Fundamental (antigo 1º grau).  Ela foi uma excelente professora mas na época não tínhamos adaptações para TDAH e o meu laudo veio bem tardio. 

    Sobre a tabuada, aprendi de uma forma bem dolorida e eu não aconselho como prática pedagógica. Caso eu acertasse a tabuada toda eu ganhava um melzinho e caso eu errasse apenas uma, levava palmatória. Essa conta não fecha até hoje. Também aprendi com o apoio de pauzinhos (subtração) e contar nos dedos (adição). No meu tempo de ginásio,  o racíocionio lógico não foi muito valorizado e isso me prejudica até hoje. Aproveitei a data para um desabafo... mas você vai perceber que tem relação. Confia! Leia até o final, por favor. 




    Eu sempre tive interesse nas bibliotecas que frequentei na idade escolar ou até adulta no livro O homem que calculava de Malba Tahan pela capa e título. Achava que Malba era do sexo feminino e o conteúdo pela capa seria algo tipo "As mil e uma noites". Mas a palavra "calculava" mexia um pouco com os traumas da matemática. Em 2011 decidi ler sem muitas expectativas. Gente! Fiz as pazes com a MATEMÁTICA! Outra surpresa: a autoria do livro é masculina e de nacionalidade brasileira. Fiquei chocada e lembro com muito carinho dessas surpresas literárias. 



    Malba Tahan é o pseudônimo de Júlio César de Mello e Souza, um professor e engenheiro carioca conhecido por sua paixão pela matemática e sua capacidade de torná-la acessível a todos. Ele conseguiu no livro conciliar a narrativa com problemas matemáticos, apresentando a história de Beremiz Samir, um viajante persa com grande talento para cálculos. O livro explora a matemática de forma lúdica e acessível. Lembro que passei a ler e a querer resolver os problemas. Resumindo: me sentia estimulada a resolver por causa do personagem. Você acaba tendo contato com vários conceitos matemáticos, como proporções, equações, geometria, probabilidade, entre outros. Me tornei expert em matemática? Não. Mas foi uma reaproximação prazerosa e me mostrou uma outra forma de enxergar os números e cálculos. 



    Sobre a data comemorativa que passou a existir após a promulgação da Lei 12835/2013 sob o governo de Dilma Roussef: 

Art. 1º Fica instituído o Dia Nacional da Matemática, a ser comemorado anualmente em todo o território nacional no dia 6 de maio, data de nascimento do matemático, educador e escritor MALBA TAHAN. Art. 2º O Poder Executivo incentivará a promoção de atividades educativas e culturais alusivas à referida data.


Deixo então essa sugestão de leitura e Feliz Dia da Matemática! 

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Sobre o 1º de maio - Dia do trabalhador

 


Quero ser sucinta e deixar aqui a sugestão do registro do fotógrafo Sebastião Salgado. Que eu acho phodhástico. 

Só pra resumir, o 1º de maio era um dia de fechamento de ano contábil em algumas fábricas, onde trabalhadores tinham seus contratos encerrados e/ou renovados em Chicago. Começaram uma campanha a partir da data e de uma greve, que foi seguida por muitas outras cidades (3/05/1886). Os trabalhadores começaram a pedir redução de jornada de trabalho (era de 17h). Polícia neles, como sempre. Mortes, inclusive. Não vou escrever sobre movimentos operários, Intentonas Socialistas, Anarquismo, Greves Gerais e etc.

 A data não surge com Vargas, mas o trabalhismo. Essa coisa florida de desfiles, "parabéns" e tudo aquilo que tira o foco da luta por melhorias e garantias dos direitos dos trabalhadores. Reconhecimento sim, esquecimento, jamais. 

O fotógrafo Sebastião Salgado registrou 132 imagens de trabalhadores braçais no período entre 1986 e 1992 em 25 países (Trabalhadores, uma Arqueologia da Época Industrial). Se para nós ainda há muito o que lutar, imagine para a galera registrada nas fotos.

https://www.culturagenial.com/fotos-sebastiao-salgado/


Dia da Literatura Brasileira


 1° de maio — Dia da Literatura Brasileira foi o dia escolhido para celebrar a literatura nacional porque, nessa data, comemora-se também o aniversário do escritor José de Alencar. É dia, portanto, de enaltecer a obra desse autor, e também de empreender ações que possam incentivar a leitura de obras nacionais, pois o Brasil possui grandes títulos e autores, como Senhora, de José de Alencar; Dom casmurro, de Machado de Assis; Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus; A hora da estrela, de Clarice Lispector; entre tantos outros.

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Muito Louca - Netflix

 


    Bom, eu busquei filmes de 90 minutos (tenho TDAH e filmes longos são torturantes pra mim) e na verdade a duração de Muito Louca é de 1h34. Tudo bem! Eu e meu esposo ficamos vidrados em Natalia Oreiro, atriz e cantora uruguaia, que fez o papel de Pilar. People, é comédia. Ponto! Mas eu penso como Freud "Brincando a gente pode falar tudo,inclusive a verdade".


    Pilar é uma profissional que está na transição do pai para o filho em uma empresa de publicidade e agora é chefiada por um jovem que anseia por inserir as novidades virtuais em campanhas tradicionais. Percebemos a presença de uma influencer (que descobrimos que só participa da tal campanha publicitária por causa de Pilar, uma mulher quase quarentona). Toda essa tecnologia deixa Pilar deslocada e insegura. Quem nunca? (Nós geração 50/60/70). 

    Enquanto isso, vive amizades que não desconectam do aparelho telefônico, de um enteado que não a respeita e de um marido que não a auxilia nas tarefas domésticas. Quem nunca? Porém, um amigo de anos vai se casar com uma moça da geração atual, e juro, sem dá spoiler, achei Pilar, deveras corajosa. Mas o que quero apontar mesmo é a figura do psiquiatra/psicólogo. Por mais que seja uma produção argentina, percebemos uma mulher medicamentada que aceita tudo e em nada é auxiliada pelo profissional. Quem nunca em várias nacionalidades?

    Um rito, que no decorrer do filme, coloca Pilar no centro da ação, demonstra que o poder de limite e ação sempre esteve nela e com ela. O filme é interessante por abordar conflito de gerações, tecnologia, decisões, saúde mental e limites. Não é o final que eu esperava (geração passada), mas muito válido. 

Era uma vez um sonho - filme Netflix

    Juro por todas as musas gregas que eu não conhecia esse filme de 2020 e que acabei escolhendo por acaso. Assino a plataforma de streaming Netflix por ter em seu catálogo a maioria das animações japonesas do Estúdio Ghibli. Por que não usufruir? Meu esposo ama filmes (eu, não muito) e nesse dia decidimos algo bem café com leite. Bom, não foi. Um tema bem punk! 

    Gente, eu amo Glenn Close desde Atração Fatal (1987) e saiba, ela simplesmente é o foco do filme Era uma vez um sonho. Eu sempre gosto de pesquisar críticas do que assisto: antes, durante e depois. Meu esposo vive me criticando por isso. Enfim, essa sou eu. Em uma dessas pesquisas descobri que o filme é baseado na biografia/livro (1ª imagem) do vice do atual presidente norte-americano Donald Trump, J. D. Vance. Eita!


    O que mais me deixou alegre diante de um enredo familiar super complicado por causa do uso de drogas da mãe de J.D. Vance é que ela está limpa há algum tempo. Depois de Eu, Cristiane F, 13 anos, drogada e prostituída  ou Só por hoje e sempre (biografia Renato Russo) e a atualidade desses personagens (o que me deixa triste), claro que saber que que B. Vance (mãe) continua na luta me dá esperança. O filme não ultrapassa a fase do vício. 


     Voltemos a Glenn Close, que atuação! Gente, o que seria de J. D. Vance sem a ação dessa avó? Quanto de culpa ela leva na criação de B. Vance? Não sei. A decisão foi dele e com muita dificuldade está lá, sendo visto. Sabemos que o enredo poderia ter sido diferente, como de muitos que seguem nesse contexto familiar de dependência química. Antes de finalizar, olha essa foto e a semelhança entre a personagem real e a Glenn que faz o papel da avó. 


INDICO!

domingo, 20 de abril de 2025

TEA - Um guia resumido

 


    O livro também foi comprado pelo mesmo motivo citado na postagem anterior e também é um copilado de capítulos escritos por vários especialista na área da Educação. O capítulo I aborda sobre a importância do mapeamento genético para identificar mutações específicas que estão associadas ao TEA. O capítulo foi escrito por Amanda Leal, especialista em área inclusiva, Terapia Cognitiva Comportamental, desenvolvimento infantil e Terapia ABA. 

    Para mim, que já li muito sobre TDAH e quase nada sobre TEA, o livro me trouxe mais informações novas sobre o tema. O capítulo sobre Mães de Autista Severo (TDI): dores ocultas escrito por Maria Gorete, psicóloga clínica e especialista em TCC, ABA e Autismo descreve sobre o papel das mães e como necessitam de suporte. Fiquei um pouco em dúvida porque a autora coloca a sigla TDI no título e tive que reler algumas vezes para entender a conciliação entre  autismo severo e Transtorno Desintegrativo da Infância (TDI). Bom, não vou explanar o que entendi com receio de explicar errado, mas vou pesquisar mais. No final do capítulo tem endereços de Ong´s de apoio para famílias com autistas. 

    Novamente o capítulo que mais gostei foi da profissional Ana Cordeiro (que citei na postagem anterior) Fundamentos Filosóficos da Análise do Comportamento. No capítulo temos os princípios básicos da análise comportamental aplicada (ABA) que não é um método de trabalho e sim uma ciência muito interessante. Tudo é comportamento e comportamento é tudo o que fazemos. Bom, eu indico muito esse capítulo ou um aprofundamento no tema. Achei sensacional!

    A doutoranda em Educação Deise Saraiva escreve sobre Caminhos para inclusão na Igreja Cristã, tema que eu achei muito pertinente. Ela explana a técnica C.E.A.M e demonstra procedimentos possíveis para auxiliar o membro autista na programação religiosa. Nesse capítulo que conheci o termo Teoria da Mente, ausente em pessoas com autismo. 

    O livro é um bom pontapé para o aprofundamento do tema tão urgente na área educacional. Não é um guia completo, mas em nada diminui a possibilidade em acrescentar na nossa área educacional. Também da Editora APMC. 

TDAH - Um guia resumido


    Comprei o livro após uma excelente capacitação profissional com a neuropsicopedagoga Vanísia Rocha. Deixo o site dela aqui como indicação Vanísia Rocha. A profissional escreve apenas em um capítulo, pois o guia possui capítulos escritos por vários autores. São capítulos curtos que não se aprofundam na temática e possuem referências bibliográficas. Fiz várias pesquisas após a leitura. 

    O capítulo que mais gostei foi Impactos Gerais do TDAH na fase adulta escrito pela pedagoga Ana Cordeiro, inclusive coordenadora editorial desse livro. O capítulo Contextualização e orientações básicas acerca do TDAH em crianças também é escrito por ela, que informa sobre os tipos de transtorno e dá algumas dicas de adaptações para evitar comportamentos indesejados. 

    Achei muito necessário o capítulo Transtorno de Humor ou Déficit de Atenção e Hiperatividade? escrito por Gilmara Sousa. Ela usa o exemplo de um diagnóstico em uma criança que passava por uma situação específica e que acabou refletindo em seu desenvolvimento escolar. Antes de qualquer diagnóstico fechado, foi realizado uma pesquisa desde a gestação até o contexto familiar. Rastreamento neuropsicológico e social, muito necessário diante dessa onda de diagnósticos e medicação na infância. 

Outro tema muito importante é  O TDAH e a importância do Plano Educacional Individualizado. Ainda que exigido, muitas escolas não construem o PEI e não adequam o ensino para alunos laudados. O capítulo foi escrito por Thamiris Batista, mestra em Educação, pedagoga, Psicopedagoga e Especialista em Neuropsicopedagogia, Educação Especial e Análise do Comportamento Aplicada. 

    Não que os outros capítulos não sejam importantes, mas registrei aqui apenas aqueles que eu gostei. Uma leitura possível nos dias corridos, mas repito que resumido, por se tratar de capítulos de autores diferentes. A Editora é a APMC e achei pouco material sobre livros, autores e editora. Tanto que a imagem é do livro que adquiri. Indico a leitura. 



 

sábado, 19 de abril de 2025

Uma História não contada - Petrônio J. Domingues


    Comecei a ler o livro Uma História Não Contada: negro, racismo e branqueamento em São Paulo no pós-abolição em setembro de 2020. Finalizei agora (abril/2025), afinal não é uma leitura para "devorar" e sim pesquisar, analisar, refletir e compartilhar. O autor, Petrônio José Domingues, é professor e historiador especializado no estudo da História do Brasil pós-abolição. O livro aborda exatamente o racismo construído no pós-abolição em São Paulo.

    O abolicionismo de cunho institucional, sistema escravista insustentável e aumento de consciência e articulação de luta em suas várias formas da população negra resultaram na abolição da escravatura. Quem assinou a Lei não possuía uma política reparadora para os ex-escravos e nem um plano para a transição do trabalho escravo para o trabalho livre. O problema da mão de obra era um dos principais assuntos, principalmente em São Paulo. 

    Um mito da historiografia e discurso da classe dominante agrária paulista era que havia uma quantidade insuficiente de mão de nobra no País e para suprir essa questão, era necessário a entrada dos imigrantes brancos europeis. Surgia uma força total na substituição étnica da força de trabalho que repelia os ex-escravos. 

    O racismo à paulista no pós-abolição era diferente daquele convencionado de padrão brasileiro. Havia uma política de exclusão do negro que impedia o desfrute dos mesmos direitos civis assegurados aos brancos. A segregação não era oficial, mas consolidada pelos usos e costumes que atingiu todas as instituições da vida social. A prática violenta da polícia, a exclusão nas instituições religiosas e a negação educacional fortalecia fronteiras, preconceitos e discriminações.

    O livro também explana a formação das  associações beneficentes, atividades desportivas, hospitais, asilos, escolas e lazer no pós abolição em SP. Muitas ações a partir de agrupamentos imigrantes, porém sem êxito. Uma dificuldade, uma ausência, uma lacuna que respiga até os dias atuais. Leitura super indicada e com vasto material bibliográfico que respalda o autor em números para os fatos abordados. 



Literatura nas animações do Studio Ghibli (Parte I)

     Citei na postagem anterior sobre a relação entre o título japonês da animação O Menino e a Garça (título internacional) com o livro How Do You Live? (Como você vive?) do autor japonês Genzaburo Yoshiro (1899-1981). Uma das características do Studio Ghibli, fundado em 1985, é a forma como os diretores adaptam obras literárias em suas produções. Como sigo em minha pesquisa acadêmica, achei pertinente compartilhar algumas informações, ainda mais aquelas de cunho ocidental (tema do meu TCC já explanado em outras postagens). 

    Vou começar com Nausicaã do Vale do Vento (1984) que eu ainda não assisti, pois sigo acreditando que vou conseguir ler todos os mangás que foram produzidos entre 1982 a 1994. Só li o volume 1. Oremos! O nome Nausicaã foi escolhido por Miyazaki por causa da princesa de Feácia do livro Odisseia de Homero. Conheco a obra e super indico. Fiquei me perguntando o que teria feito Hayao escolher essa personagem. Devaneios de Sally. No quesito personalidade, Nausicaã tem por referência o conto do folclore japonês A Princesa que amava insetos. Só uma curiosidade, li algo a respeito sobre Rey (Star Wars) e Nausicaã, deixo aos interessados o link Influência Japonesa em Star Wars

Ulisses e Nausícaa, de Michele Desubleo (1602-1676)

    Túmulo dos Vagalumes (1988) produzido pelo diretor Isao Takahata (1935-2018) é considerado o filme mais triste do Studio Ghibli pela maioria dos fãs. Concordo plenamente. O filme foi baseado no livro Hotaru no Haka (1937) do autor Akiyuri Nosaka (1930-2015) e a obra literária é sobre a vivência do escritor durante a 2ª Guerra Mundial. Sua cidade Kobe foi bombardeada em 1945 pela bomba B-29 e sua irmã faleceu de fome. Ele publica o conto que se torna depois um romance biográfico para se desculpar com a irmã. 

Cidade de Kobe antes do bombardeio

    O serviço de entregas da Kiki (1989) do diretor Hayao Miyazaki foi baseado no livro infantil Entregas expressas da Kiki da autora Eiko Kadono. Ela se baseou em um desenho de sua filha  de uma bruxinha com uma vassoura voando no céu escutando um rádio. Kiki tem 12 anos assim como a filha de Eiko Kadono e seu único poder é voar em uma vassoura. Seus problemas devem ser resolvidos com auxílio da sua inteligência. 

Eiko Kadono

    Na animação japonesa, Miyazaki aborda a passagem da infância para a juventude e sobre a superação da personagem Kiki desenvolvendo a sua capacidade longe orientação familiar e sem o poder da vassoura durante um tempo. Duas abordagens maravilhosas sobre a pré-adolescência feminina. Devaneios de Sally. Ah! As aventuras literárias de Kiki acontecem em 8 títulos, enquanto a animação se baseou apenas no primeiro volume. 


mangá Omoide Poro Poro

    Não achei muita informação sobre o mangá que foi a inspiração para o filme Memórias de Ontem (1991) do diretor Isao Takahata (1935-2018). Com o título Omoide Poro Poro, o mangá foi escrito por Hotaru Okamoto e ilustrado por Yuko Tone (também não há muito material na internet em português). Achei um podcast muito bacana no spotify no #96 no canal OverDriver Spotify Podcast e eles até começam o episódio informando que é uma animação pouco falada no universo Ghibli. 


    O interessante do enredo é que explana o Período Shôwa (1926-1989) e como era geral esse sentimento de nostalgia e busca por identidade em um contexto cultural e social que vivia a personagem Taeko Okajima (alter ego da autora Hotaru Okamoto). Mais interessante ainda o fato que Isao Takahata acrescentou uma adulta de 27 anos, solteira e que vivia em Tóquio para relacionar o tempo narrativo entre presente e passado. Foi um tema inédito na época e bem aceito pelo público. Interessante que nas animações do Studio Ghibli o campo é visto como o tradicional e em Memórias de Ontem vai demonstrar esse contraste entre passado e modernidade. 

To be continued 


O menino e a garça - Studio Ghibli (Parte I)

 


    Assisti O menino e a garça (2023) assim que saiu na plataforma de streaming Netflix.  Deixo bem claro que assisto as produções do Studio Ghibli com toda uma preparação  acadêmica (pesquiso antes e depois), pois o estúdio faz parte do meu artigo final na graduação de Artes Visuais. Por mais que eu esteja escrevendo sobre o encontro cultural Ocidente/Oriente dentro de uma sociedade tradicional japonesa em apenas uma animação (A viagem de Chihiro), tenho a pretensão de analisar toda (ou quase toda) a produção do estúdio. 

    Não pretendo (e nunca pretenderei) aqui escrever algo novo diante do oceano de informações que temos sobre o estúdio, diretor, histórico cinematográfico e etc. Apenas explanar minhas surpresas sobre a animação e que tudo que Miyazaki consegue mesclar (cultura ocidental e oriental) em suas produções. Para começar, O menino e a Garça, é mais uma animação semi-autobiográfica, mas com uma mudança bem significativa, o protagonista é do sexo masculino. Após a minha leitura limitada (oceano de informações), podemos afirmar que Hayao Miyazaki é Mahito Maki, um menino de 12 anos que acaba de perder a sua mãe em consequência da 2ª Guerra Mundial (1939-1945). Seu pai (Shoichi) também trabalha com a produção de aviões e há na animação um deslocamento da cidade para o campo (ou de localização) assim como Meu amigo Totoro (1988)  e A Viagem de Chihiro (2001) como início da narrativa. 


    Só uma observação, conhecemos a animação japonesa com o nome O menino e a Garça, mas sua tradução (Kimitachi wa Dõ Ikiru ka) tem relação com o título do livro lançado em 1937 e escrito pelo autor Genzaburo Yoshiro (1899-1981), How do you live? (Como você vive?), um dos livros preferidos do diretor/produtor/fundador do Studio Ghibli. O material literário trata do personagem Koperu que aos 15 anos perde o pai e vivencia o amadurecimento diante do luto. Talvez justifique um pouco a escolha de Miyazaki colocar um protagonista masculino. Devaneios de Sally. 


    A produção da animação teve início em 2016, após a terceira ou quarta aposentadoria de Miyazaki. O título foi anunciado em 2017 e a sua produção foi finalizada em 2022 (levando em consideração o próprio tempo do diretor e a pandemia COVID). Em maio de 2020 foi anunciado que 36 minutos do filme haviam sido desenhados à mão por 60 animadores (O que torna a atual trend IA/Studio Ghibli uma "afronta à vida" #entendedoresentederão). Foi o filme mais caro já produzido no Japão, segundo Toshio Suzuki (cofundador, diretor e produtor do Studio Ghibli e aquele que tem a coragem de discordar de Miyazaki). 

    No seu lançamento não teve todo o marketing tradicional, e, sim apenas a divulgação de um pôster. Ainda assim ganhou o Oscar (96ª edição) de Melhor Animação em Longa-Metragem  (2024), segunda premiação que o diretor ganhou em vida após 21 anos (O Longa A Viagem de Chihiho ganhou o prêmio em 2003 sendo o primeiro filme de língua não inglesa a levar a premiação).Cito o Oscar por ser o mais conhecido e divulgado, mas o filme teve muitas outras premiações. Bem merecido! 

"To be continued"