segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Professor de férias


2018 foi um ano desafiador na área profissional. Quem é da área educacional sabe que nos é solicitado mais que a prática da profissão. É necessário a calma, a paciência, a compreensão, o aprendizado diário, o perdão, o relevar de comportamentos hostis, o coração aberto para afetos e etc etc etc. Logo, esse descanso chamado férias é tão necessário e rico, que cada momento de leitura, de sono, de passeio, de filme, de viagem é fundamental. Então, vamos de descanso! 💕❤

Retrospectiva literária 2018


O que falar desse ano de 2018 que me ocupou tanto que li apenas 15 livros? Não há desculpas. Sei que é muito para alguns, mas para mim, foi a permissão que tarefas e pessoas me mantivessem longe da leitura. Então fica essa promessa clichê que nesse ano que está com cheirinho de novo tudo vai mudar. Pra melhor. Que não nos falte a esperança de mudanças. Que elas comecem por dentro. 

Deixo aqui registrado que participei/participo de um grupo de leitura e li quatro dos solicitados: 

- A metamorfose - Kafka (leitura de fevereiro). Meu primeiro contato com o autor. Sobre a utilidade das pessoas e como somos descartáveis quando não somos úteis. Uma reflexão cruel da realidade. 
- O velho e o mar - Ernest Hemingway (leitura de maio) - Apesar da agonia da espera e da luta até à exaustão, outra boa reflexão sobre nossa luta diária e também sobre a velhice. 
- Os Bruzundangas - Lima Barreto (leitura de outubro) - Após minha distância da leitura do grupo, retornei com essa obra brasileira. Um paralelo sarcástico sobre a sociedade brasileira. 
_ A morte de Ivan IIittch - Leon Tolstói (leitura de dezembro) - Eu arrisco dizer que é um "Memória póstumas de Brás Cubas" estrangeiro (claro, leitores entenderão). Mas pode ser que eu esteja equivocada. A trajetória até a morte. Reflexões da vida de merda que podemos levar e dos nossos anseios imbecis por posições profissionais. 

Um livro que achei muito inteligente foi:

Crer ou não Crer - Que conversa edificante entre uma padre e um ateu. De uma lucidez indescritível. Pe. Fábio de Melo foi uma pessoa que muito me transmitiu espiritualidade no ano de 2018. 

Adeus 2018 - A Deus 2019 

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Beije-me onde o sol não alcança - Mary del Priore

Primeiro lugar, eu curto muito Mary Del Priore. Segundo lugar, ela acertou em cheio nesse romance que trata de uma parte do período imperial (século XIX), em particular, do casamento de um nobre russo com uma baronesa do café brasileira. Analisando cartas trocadas por eles e publicações de jornais da época, Mary coloca como pano de fundo a sociedade cafeeira (em alta até a decadência), as transformações da corte e toda influência estrangeira, a questão abolicionista, o ambiente da colheita, das fazendas, dos tímidos avanços tecnológicos e finaliza já citando os coronéis que entraram no poder na transição do Império para a República. A leitura não é cansativa e para os amadores de História do Brasil, fica uma super dica. 

Conversas iradas com Deus - Susan E. Isaacs

Eu precisava muito ler esse livro, aliás, foi quase meu alter-ego gritando enquanto lia. Já pensou em levar Deus para o divã? Todos nós O culpamos pelos erros das nossas vidas, mas nunca pensamos em aceitar um relacionamento com Ele. Relacionamento que precisa ser alimentado por ambos. Aí que está a questão, só queremos receber e somos infantis quanto a não receber. A protagonista teve uma relação difícil com seu pai: 

" Dizer que meu pai terreno moldou minha imagem de Deus é meio óbvio para a terapia. E, infelizmente para Deus, meu pai era complicado. Quando eu era bem pequena, ele era amoroso e divertido. Conforme fui crescendo, meu pai mudou, se tornou bravo e sovina. Ele nunca tentou se comparar a Deus, mas, quando se é criança, é difícil não transpor um para o outro". (43).

Desejou muito ser fiel a Deus, mas de forma quase paranoica, o que levou a uma bulimia. Seu fracasso no amor e na carreira levou algumas vezes ao afastamento de Deus. Experimentou várias igrejas e doutrinas e no fim, percebeu que o que mais lhe faltou foi paciência. Um excelente livro para refletir sobre vida espiritual e conflitos que muitas doutrinas impõe sem necessidade. Indico! 

A Cabana do Pai Tomás - Harriet B. Stowe


A Cabana do Pai Tomás é um clássico norte-americano que só agora tive a oportunidade de ler. Acredito piamente que ele pode ser sugerido como leitura para os alunos que começarem a estudar a Guerra Civil (Guerra da Secessão), processo abolicionista e afins. Claro que nos passa a ideia de um escravo sempre passivo e pacífico, sem contar que ele era totalmente cristão (religião imposta pelo escravizador), o que não me faz acreditar em toda essa influência que dizem que essa obra teve para libertação dos escravos ("Foi a senhora que, com seu livro, causou essa grande guerra" Esta consideração do então presidente Abraham Lincoln ao encontrar-se com Harriet Beecher Stowe). Fora essas análises, podemos ver a luta pela liberdade (fuga para o Canadá), o auxílio dos quaker´s, o debate entre o Sul e o Norte sobre a escravidão (levando em conta que foi um livro escrito às portas da Guerra Civil -  lançado em março/1852 -, logo o assunto estava em pauta) e etc. Pai Tomás em particular é um escravo admirado, generoso, obediente, temente a Deus e teve seu destino dirigido pela escravidão. Estou atrás de filmes que soube que tem e de uma série da Rede Globo com um protagonista branco (Sérgio Cardoso). 

domingo, 24 de dezembro de 2017

A África explicada aos meus filhos - Alberto da Costa e Silva


A África explicada aos meus filhos - Alberto da Costa e Silva 
Um excelente livro para abordar o tema em sala de aula. Dividido por conversas, vamos analisar algumas mentiras que nos são passadas sobre o continente; sobre as políticas africanas e como surgiram os primeiros reinos na África. Também analisaremos as relações comerciais dos litorais da África com os árabes, os persas, os indianos e os indonésios. Obviamente, não sendo um povo tão isolado, está explanado os portos africanos no fim do século XV e o comércio transatlântico de escravos controlado pelos grandes da terra, pelos poderosos da Europa, da África e das Américas. Finalizado com os temas imperialismo, apartheid e África atual. Ótimo material de apoio. Indico! 

Retrospectiva literária 2017

Listinha de livros lidos em 2017: 


01 – LOWER, Wendy. As mulheres do nazismo. RJ: Rocco, 2014.
02 – KARNAL, Leandro. A detração: breve ensaio sobre o maldizer. RS: Unisinos, 2016.
03 – CORTELLA, Mário Sérgio; DIMENSTEIN, Gilberto; KARNAL, Leandro e PONDÉ, Luiz Felipe. Verdades e mentiras: ética e democracia no Brasil. Campinas, SP: Papirus 7 Mares, 2016.
04 – SILVA, Alberto da Costa e. A África: explicada aos meus filhos. RJ: Agir, 2008.
05 – GONÇALVES, Pam; RODRIGUES, Bel; FRANCIONI, Hugo e PEREIRA, Pedro. O amor nos tempos de #likes. RJ: Galera Record, 20166.
06 – GOWING, Lawrence. O Renascimento. Folio. História da Arte.
07 – HUIZINGA, Johan. O outono da Idade Média.
08 – SCHLINK, Bernhard. O leitor. RJ: Editora Record Ltda, 2009. 2ª Ed.
09 – SERRES, Alain. Picasso e o Guernica. SP: Edições SM, 2016.
10 – LUCIANA, Dalila; REGO, Lígia. Emiliano de Cavalcanti: patriarca da pintura moderna brasileira. SP: Moderna, 2003.
11 – YALOM, Irvin D. Criaturas de um dia. RJ: Agir, 2015.
12 – LOPEZ, Luiz Roberto. História do Brasil contemporâneo. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1990. 5ª Ed.
13 – LACEY, Robert. O ano 1000: a vida no início do primeiro milênio. RJ: Campus, 1999.
14 – GOWING, Lawrence. História da Arte: do neoclassicismo ao pós-impressionismo. Folio, SA.
15 – ISAACS, Susan E. Conversas iradas com Deus: uma autêntica e bem humorada memória espiritual. SP: Versus, 2011.
16 – PRIORE, Mary Del. Beije-me onde o sol não alcança: uma história de amor no século XIX. SP: Planeta do Brasil, 2015.
17 – FREITAS, Pedro Chagas. Prometo Falhar. Novo Conceito, 2015.
18 – STOWE, Harriet B. A cabana do Pai Tomás. RJ: Ediouro, 1969. 

Meta compartilhada no site http://www.skoob.com.br (uma excelente dica para leitores apaixonados). 


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Prometo falhar - Pedro Chagas Freitas


O que me chamou a atenção no livro Prometo Falhar, do autor português, Pedro Chagas Freitas, foi o título. Que liberdade é poder dizer "prometo falhar". A promessa mais óbvia do ser humano. Bem, é um livro de crônicas sobre o amor, principalmente aquele entre lençóis. Também fala de despedidas, de amores platônicos, mas o amor está presente em quase todas as páginas. Bom, confesso que ficou cansativo no final, talvez pelo excesso dos mesmos temas. Tinha crônica que se igualava à outra. Mas, uma leitura suave. Indico. 

"O amor acontece quando desistimos de ser perfeitos". 

"...pessoas como nós não procuram explicações mas sobrevivências, Deveríamos aprender a querer devagar,..." 

 "... a literatura tem a solução para tudo..." 

"As pessoas que eu amo. As pessoas que eu amo não são as melhores pessoas do mundo. Mas são pessoas. Basta-me isso para poder amá-las." 

As mulheres do nazismo - Wendy Lower


A autora (Wendy Lower), após anos de pesquisa, participa de uma análise em Zhytomyr (ex playground nazista). Nos documentos que sobreviveram a dois ataques (a evacuação nazista pela terra devastada e a destruição da cidade durante 1943), ela encontrou nomes de jovens alemãs que tiveram participação ativa na construção do império de Hitler na região.O livro aborda sobre mulheres que, tendo crescido na confusão de um mundo em rápida urbanização, nas oscilações de crises econômicas e tumultuosas políticas de massa, tiveram que encontrar um rumo no Terceiro Reich de Hitler. Horrorizadas com a violência da guerra e do Holocausto, muitas mulheres encontraram meios de se distanciar daquilo e minimizar seu papel como agentes de um regime criminoso. Já outras, por exemplo, as mulheres dos territórios do Leste, testemunharam e cometeram atrocidades num sistema aberto, e como parte do que elas viam como uma oportunidade profissional e uma experiência libertadora. A autora traz à tona, testemunhos particulares de mulheres, esposas, cúmplices e testemunhas, citando também a enfermeira como a primeira assassina em massa. Finaliza com o destino dessas mulheres que foram algumas julgadas por tribunais criados para crimes de guerra. A maioria delas não foram condenadas. Indico. 

"Supor que a violência não é uma característica feminina, e que as mulheres não são capazes de assassinato em massa, tem um apelo óbvio: dá esperança de que pelo menos uma metade da raça humana não vai devorar a outra, que vai proteger crianças e, assim, salvaguardar o futuro. Mas minimizar o comportamento violento das mulheres cria um falso escudo contra uma confrontação mais direta com o genocídio e suas desconcertantes realidade". (172)