Do que leio, assisto, sinto e absorvo. Nunca será uma verdade absoluta, apenas um ponto de vista ou a vista de um ponto. Talvez uma dedução equivocada do meu olhar diante do mundo. Um olhar humano cheio de CID´s sem a presença da IA. Ela não devaneia. Então pra mim não serve. Eu quero o luxo do erro da falta de coesão textual. Aqui na solidão impossível de quem lê e carrega personagens e enredos dentro de si, me leio e releio. Para mim, é o suficiente. Os devaneios são meus, é tudo que tenho.
sábado, 30 de dezembro de 2017
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
Beije-me onde o sol não alcança - Mary del Priore
Primeiro lugar, eu curto muito Mary Del Priore. Segundo lugar, ela acertou em cheio nesse romance que trata de uma parte do período imperial (século XIX), em particular, do casamento de um nobre russo com uma baronesa do café brasileira. Analisando cartas trocadas por eles e publicações de jornais da época, Mary coloca como pano de fundo a sociedade cafeeira (em alta até a decadência), as transformações da corte e toda influência estrangeira, a questão abolicionista, o ambiente da colheita, das fazendas, dos tímidos avanços tecnológicos e finaliza já citando os coronéis que entraram no poder na transição do Império para a República. A leitura não é cansativa e para os amadores de História do Brasil, fica uma super dica.
Conversas iradas com Deus - Susan E. Isaacs
Eu precisava muito ler esse livro, aliás, foi quase meu alter-ego gritando enquanto lia. Já pensou em levar Deus para o divã? Todos nós O culpamos pelos erros das nossas vidas, mas nunca pensamos em aceitar um relacionamento com Ele. Relacionamento que precisa ser alimentado por ambos. Aí que está a questão, só queremos receber e somos infantis quanto a não receber. A protagonista teve uma relação difícil com seu pai:
" Dizer que meu pai terreno moldou minha imagem de Deus é meio óbvio para a terapia. E, infelizmente para Deus, meu pai era complicado. Quando eu era bem pequena, ele era amoroso e divertido. Conforme fui crescendo, meu pai mudou, se tornou bravo e sovina. Ele nunca tentou se comparar a Deus, mas, quando se é criança, é difícil não transpor um para o outro". (43).
Desejou muito ser fiel a Deus, mas de forma quase paranoica, o que levou a uma bulimia. Seu fracasso no amor e na carreira levou algumas vezes ao afastamento de Deus. Experimentou várias igrejas e doutrinas e no fim, percebeu que o que mais lhe faltou foi paciência. Um excelente livro para refletir sobre vida espiritual e conflitos que muitas doutrinas impõe sem necessidade. Indico!
A Cabana do Pai Tomás - Harriet B. Stowe
A Cabana do Pai Tomás é um clássico norte-americano que só agora tive a oportunidade de ler. Acredito piamente que ele pode ser sugerido como leitura para os alunos que começarem a estudar a Guerra Civil (Guerra da Secessão), processo abolicionista e afins. Claro que nos passa a ideia de um escravo sempre passivo e pacífico, sem contar que ele era totalmente cristão (religião imposta pelo escravizador), o que não me faz acreditar em toda essa influência que dizem que essa obra teve para libertação dos escravos ("Foi a senhora que, com seu livro, causou essa grande guerra" Esta consideração do então presidente Abraham Lincoln ao encontrar-se com Harriet Beecher Stowe). Fora essas análises, podemos ver a luta pela liberdade (fuga para o Canadá), o auxílio dos quaker´s, o debate entre o Sul e o Norte sobre a escravidão (levando em conta que foi um livro escrito às portas da Guerra Civil - lançado em março/1852 -, logo o assunto estava em pauta) e etc. Pai Tomás em particular é um escravo admirado, generoso, obediente, temente a Deus e teve seu destino dirigido pela escravidão. Estou atrás de filmes que soube que tem e de uma série da Rede Globo com um protagonista branco (Sérgio Cardoso).
domingo, 24 de dezembro de 2017
A África explicada aos meus filhos - Alberto da Costa e Silva
A África explicada aos meus filhos - Alberto da Costa e Silva
Um excelente livro para abordar o tema em sala de aula. Dividido por conversas, vamos analisar algumas mentiras que nos são passadas sobre o continente; sobre as políticas africanas e como surgiram os primeiros reinos na África. Também analisaremos as relações comerciais dos litorais da África com os árabes, os persas, os indianos e os indonésios. Obviamente, não sendo um povo tão isolado, está explanado os portos africanos no fim do século XV e o comércio transatlântico de escravos controlado pelos grandes da terra, pelos poderosos da Europa, da África e das Américas. Finalizado com os temas imperialismo, apartheid e África atual. Ótimo material de apoio. Indico!
Retrospectiva literária 2017
Listinha de livros lidos em 2017:
01 – LOWER, Wendy. As mulheres do
nazismo. RJ: Rocco, 2014.
02 – KARNAL, Leandro. A detração:
breve ensaio sobre o maldizer. RS: Unisinos, 2016.
03 – CORTELLA, Mário Sérgio;
DIMENSTEIN, Gilberto; KARNAL, Leandro e PONDÉ, Luiz Felipe. Verdades e
mentiras: ética e democracia no Brasil. Campinas, SP: Papirus 7 Mares, 2016.
04 – SILVA, Alberto da Costa e. A África:
explicada aos meus filhos. RJ: Agir, 2008.
05 – GONÇALVES, Pam; RODRIGUES, Bel;
FRANCIONI, Hugo e PEREIRA, Pedro. O amor nos tempos de #likes. RJ: Galera
Record, 20166.
06 – GOWING, Lawrence. O Renascimento.
Folio. História da Arte.
07 – HUIZINGA, Johan. O outono da
Idade Média.
08 – SCHLINK, Bernhard. O leitor. RJ:
Editora Record Ltda, 2009. 2ª Ed.
09 – SERRES, Alain. Picasso e o
Guernica. SP: Edições SM, 2016.
10 – LUCIANA, Dalila; REGO, Lígia.
Emiliano de Cavalcanti: patriarca da pintura moderna brasileira. SP: Moderna,
2003.
11 – YALOM, Irvin D. Criaturas de um
dia. RJ: Agir, 2015.
12 – LOPEZ, Luiz Roberto. História do
Brasil contemporâneo. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1990. 5ª Ed.
13 – LACEY, Robert. O ano 1000: a vida
no início do primeiro milênio. RJ: Campus, 1999.
14 – GOWING, Lawrence. História da
Arte: do neoclassicismo ao pós-impressionismo. Folio, SA.
15 – ISAACS, Susan E. Conversas iradas
com Deus: uma autêntica e bem humorada memória espiritual. SP: Versus, 2011.
16 – PRIORE, Mary Del. Beije-me onde o
sol não alcança: uma história de amor no século XIX. SP: Planeta do Brasil,
2015.
17 – FREITAS, Pedro Chagas. Prometo
Falhar. Novo Conceito, 2015.
18 – STOWE, Harriet B. A cabana do Pai
Tomás. RJ: Ediouro, 1969.
Meta compartilhada no site http://www.skoob.com.br (uma excelente dica para leitores apaixonados).
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Prometo falhar - Pedro Chagas Freitas
O que me chamou a atenção no livro Prometo Falhar, do autor português, Pedro Chagas Freitas, foi o título. Que liberdade é poder dizer "prometo falhar". A promessa mais óbvia do ser humano. Bem, é um livro de crônicas sobre o amor, principalmente aquele entre lençóis. Também fala de despedidas, de amores platônicos, mas o amor está presente em quase todas as páginas. Bom, confesso que ficou cansativo no final, talvez pelo excesso dos mesmos temas. Tinha crônica que se igualava à outra. Mas, uma leitura suave. Indico.
"O amor acontece quando desistimos de ser perfeitos".
"...pessoas como nós não procuram explicações mas sobrevivências, Deveríamos aprender a querer devagar,..."
"... a literatura tem a solução para tudo..."
"As pessoas que eu amo. As pessoas que eu amo não são as melhores pessoas do mundo. Mas são pessoas. Basta-me isso para poder amá-las."
"O amor acontece quando desistimos de ser perfeitos".
"...pessoas como nós não procuram explicações mas sobrevivências, Deveríamos aprender a querer devagar,..."
"... a literatura tem a solução para tudo..."
"As pessoas que eu amo. As pessoas que eu amo não são as melhores pessoas do mundo. Mas são pessoas. Basta-me isso para poder amá-las."
As mulheres do nazismo - Wendy Lower
A autora (Wendy Lower), após anos de pesquisa, participa de uma análise em Zhytomyr (ex playground nazista). Nos documentos que sobreviveram a dois ataques (a evacuação nazista pela terra devastada e a destruição da cidade durante 1943), ela encontrou nomes de jovens alemãs que tiveram participação ativa na construção do império de Hitler na região.O livro aborda sobre mulheres que, tendo crescido na confusão de um mundo em rápida urbanização, nas oscilações de crises econômicas e tumultuosas políticas de massa, tiveram que encontrar um rumo no Terceiro Reich de Hitler. Horrorizadas com a violência da guerra e do Holocausto, muitas mulheres encontraram meios de se distanciar daquilo e minimizar seu papel como agentes de um regime criminoso. Já outras, por exemplo, as mulheres dos territórios do Leste, testemunharam e cometeram atrocidades num sistema aberto, e como parte do que elas viam como uma oportunidade profissional e uma experiência libertadora. A autora traz à tona, testemunhos particulares de mulheres, esposas, cúmplices e testemunhas, citando também a enfermeira como a primeira assassina em massa. Finaliza com o destino dessas mulheres que foram algumas julgadas por tribunais criados para crimes de guerra. A maioria delas não foram condenadas. Indico.
"Supor que a violência não é uma característica feminina, e que as mulheres não são capazes de assassinato em massa, tem um apelo óbvio: dá esperança de que pelo menos uma metade da raça humana não vai devorar a outra, que vai proteger crianças e, assim, salvaguardar o futuro. Mas minimizar o comportamento violento das mulheres cria um falso escudo contra uma confrontação mais direta com o genocídio e suas desconcertantes realidade". (172)
Biografia de Charles Bukowski - Howard Sounes
O autor (Howard Sounes) teve como base para elaboração da biografia do poeta Charles Bukowski, entrevistas de amigos próximos, amantes, parceiros de copo, colegas de trabalho, escritores, editores e membros da família. Também contou com cartas do poeta, ainda inéditas, e entrevistas filmadas e impressas. Óbvio, seus mais de quarenta e cinco livros de poesias e prosas, sem mencionar as centenas de revistas onde seu trabalho apareceu. Eis a biografia do escritor profano, vadio e bêbado. Quando sóbrio, calmo, educado e respeitoso. Porém, quando bêbado, transformava-se em "Bukowski, o Maldito": malicioso, polêmico e até mesmo violento. Tímido, afirmava que a bebida não era uma muleta, e sim uma necessidade.
O livro relata nas primeiras páginas eventos importantes na vida do poeta, como por exemplo: o casamento dos pais na Alemanha; a ida para América em 1923 pelo colapso da economia alemã; as várias surras que levou do pai, também por causa da dislexia (odiou seu pai sempre); as piadas por causa da sua aparência dos amigos da escola (teve tanta acne, que chegou a ficar um semestre sem aula para tratar). Ao ser expulso de casa, fez várias viagens e teve moradas em locais inóspitos (casos que ele escreveu em seus poemas).
Dissecando um pouco do poeta e da biografia:
Charles fez a escolha pela poesia, pois para ele "é a maneira mais curta, bonita e explosiva" de dizer o que queria. O relacionamento (primeiro) com Jane Cooney Baker (personagens: Betty, Laura e Wanda no filme Barfly). Esse relacionamento desastroso e movido a muito álcool levou Charles a hostilizar suas amantes várias vezes (fora a noção de feiura que perseguia desde a infância). Jane que apresentou o outro vício que ele levaria por toda a vida, corrida de cavalos.
Casamento com Barbara Frye (a personagem Joyce, de Cartas na Rua), que o persuadiu a se matricular em um curso de Artes. Ele não ficou. Ela não conseguia entender como um homem que havia sido publicado em uma revista com Jean-Paul Sartre podia vadiar pela casa bebendo cerveja e lendo folhetos de corridas. Ele voltou a trabalhar no correio como trainee de encarregado de distribuição. Após o aborto, sua esposa arrumou um amante e deu entrada no divórcio, acusando de crueldade mental. A morte da mãe de câncer e anos depois do pai, de ataque cardíaco. Primeiro livro publicado em 1960.
FrancyEye engravida de Bukowski e ela nega o pedido inesperado de casamento da parte dele. Moraram juntos, mas incompatíveis desde o início. Nascimento de Marina e logo a separação. Bukowski sempre ajudaria sua ex e única filha. Publicação do segundo livro. Ironia (umas das...) da carreira de Bukowski é que seu sucesso final deveu-se, em grande parte, ao trabalho árduo de um cientista cristão que não bebia nada além de chá gelado (seu empresário). Bukowski começar a alcançar o estilo perseguido desdes os vinte anos, inspirado pelo estilo de prosa direta de John Fante e pela poesia de Pablo Neruda. Com o nascimento da coluna semanal no jornal O Open City de John Bryan nascia também o personagem "O velho safado".
Havia uma diferença entre o Bukowski das cartas e o de carne e osso. Blazek afirmava que, nas cartas, Bukowski se permitia ficar vulnerável porque estava distante e seguro. Seu antagonismo e agressividade afloravam quando ficava frente a frente com as pessoas. Os pequenos livros de Black Sparrow Press e a coluna no Open City o transforam em uma celebridade local, e algumas pessoas no correio ressentiram-se disso. A administração chegou a mandar investigar sua vida, até que chegaram a conclusão que ele não era um comunista. Bukowski arrisca-se ao sair do emprego para se lançar à literatura.
Depois de Jane Baker, o grande amor da vida do poeta foi a escultora Linda King, que ele conheceu em 1970. Era morena e tinha 30 anos e logo após o seu casamento teve um sério colapso mental. O romance dela com Bukowski se deu por causa da escultura da cabeça dele, pois ela não tinha interesse nele, a princípio. Fez com que ele parasse de beber, mando-o parar de tomar Valium e o fez entrar em uma dieta e praticar exercícios. Ela ficou desconcertada com a intensidade dos sentimentos dele... e ciúmes. De tal maneira que chegou a golpeá-la, a ponto de quebrar o seu nariz. O relacionamento acabou em 1972, depois de idas e vindas.
Bukowski ficando famoso: seus livros vendiam bem, sua personalidade chamava a atenção e sua obra também. Vale ressaltar que Bukowski usava uma linguagem baixa para se referir a mulheres e relação sexual. Já no seu romance Factotum, não há 'putas'. São todas mulheres com quem ele tenta se relacionar. Ele as admira de longe e acha que não está à altura delas. Em suas obras, o poeta descrevia os seus passos, amores e desamores. A biografia relata seu sucesso na Europa, as filmagens sobre sua vida (em vida deu vários palpites). Finaliza, obviamente, com sua luta contra um câncer e várias fotos. Para os apaixonados, muito indicado.
Felicidade ou morte - Clóvis e Karnal
"E também a ideia de atrelar a felicidade a coisas denúncia uma impossibilidade de satisfação, porque basta ir à rua para percebermos que não temos muito mais do que temos. E sempre será assim. A grande promessa da nossa sociedade é que sempre haverá aquilo que não temos e, portanto, desejamos" (Clóvis) "Associamos felicidade à possibilidade de muitas escolhas, e a realidade parece contrariar esse desejo: mais escolhas parecem ofuscar a felicidade". (Karnal).
A obra acabou se tornando algo que Karnal critica, um livro de auto ajuda, só que para intelectuais. E no caso desse, aconselho assistir as palestras também. Indico o livro, obviamente! Nele está registrado a erudição de Karnal e a simplicidade intelectual (sim, é possível) de Clóvis sobre um tema sempre em pauta, a felicidade. As citações de Karnal enriquecem, e Clóvis tem umas sacadas tipo humanas sobre o tema. De gente como a gente. Filosofia e História com um final de auto ajuda (fala final do Karnal, aliás ambos deixam uns conselhos no capítulo final). Indico! Leitura rápida.
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