Do que leio, assisto, sinto e absorvo. Nunca será uma verdade absoluta, apenas um ponto de vista ou a vista de um ponto. Talvez uma dedução equivocada do meu olhar diante do mundo. Um olhar humano cheio de CID´s sem a presença da IA. Ela não devaneia. Então pra mim não serve. Eu quero o luxo do erro da falta de coesão textual. Aqui na solidão impossível de quem lê e carrega personagens e enredos dentro de si, me leio e releio. Para mim, é o suficiente. Os devaneios são meus, é tudo que tenho.
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
Hibisco Roxo
terça-feira, 24 de novembro de 2020
Notas do Subsolo
terça-feira, 10 de novembro de 2020
A Imensidão Íntima dos Carneiro
Não lembro quem me indicou. Saí perguntando para os meus amigos e ninguém conhecia. Pedi pela estante skoob e dei dois créditos nele. Então, me prontifiquei a lê-lo antes dos demais da fila.
Bom, suponhamos que eu não conheça a minha avó, mas carregue em mim uma herança familiar e por ser pesada demais, preciso refazer seus passos e conhecer o início de tudo.
Assim é a obra A imensidão Íntima dos Carneiros do escritor brasileiro Marcelo Maluf. Os eventos citados não são leves, mas a maneira de escrevê-los é poética. Confesso que tive que voltar algumas vezes para compreender a quem pertencia as lembranças. O escritor mescla realismo fantástico, símbolos e sentimentos familiares na possibilidade que a oralidade permite.
Marcelo perpassa por três gerações (avô, pai, filho) e investiga o passado, tendo a liberdade de reinventar e recriar o enredo familiar por meio da literatura.
Das montanhas do Zahle, da Guerra Civil do Líbano, das barbáries sofridas por sua família, da infância em Santa Bárbara do Oeste, as vozes do neto e do avô se misturam. Marcelo precisa se libertar da herança familiar, pois:
"O medo estava no princípio de tudo".
terça-feira, 20 de outubro de 2020
Cultura Letrada: Literatura e Leitura
Acho o assunto muito pertinente. É um livro fino, mas o seu conteúdo e a possibilidade de reflexão valem muito a pena. Bom, no término do século XX, a imprensa começou a se dedicar nas escolhas dos melhores representantes dos anos mil e novecentos em diversas categorias. Eleições dos melhores romances e autores de ficção (mundial e brasileiro) foram promovidas. Nem preciso informar que desde então surgiu duas classes de literatura: a popular e a erudita. A escola ensina a ler e a gostar da literatura, entretanto o que quase todos aprendem é o que devem dizer sobre determinados livros e autores, independentemente de seu verdadeiro gosto pessoal.
Para que uma obra seja considerada Grande Literatura ela precisa ser declarada literária pelas chamadas "instâncias de legitimação". Universidades, jornais, revistas especializadas, livros didáticos... Assim, o que torna um texto literário não são as suas características internas, e sim o espaço que lhe é destinado pela crítica. O prestígio social dos intelectuais encarregados de definir Literatura faz que suas ideias e seu gosto sejam tidos não como uma opinião, mas como a única verdade, como um padrão a ser seguido.
Infelizmente, a escola tende a aproximar-se da opinião dos intelectuais e esquecer (ou estigmatizar) o gosto das pessoas comuns. Obras não eruditas são avaliadas como imperfeitas e inferiores, quando na verdade são apenas diferentes. Podemos sim, nas escolas, ler os livros preferidos pelos alunos e discuti-los em classe. Podemos comparar com texto eruditos para entender e analisar como diferentes grupos culturais lidam e lidaram com questões semelhantes ao longo do tempo.
quarta-feira, 14 de outubro de 2020
Angústia Graciliano Ramos
"Há nas minhas recordações estranhos hiatos"
Seria suas angústias os hiatos de suas recordações ou suas recordações os hiatos de suas angústias?
O que sabemos é que o início e o fim do romance dão-se com o estado profundo de angústia que domina o Sr. Luís da Silva. A sua capacidade de consciência vai engendrando matematicamente passado e presente, construindo com a memória o seu futuro crime.
Daqueles que o cercam, um constante sentimento de desconforto e deslocamento:
"Insuportável!" (Diante dos desfavorecidos)
"Não podemos ser amigos!" (Diante dos mais abastados)
Homem introvertido que luta para ter a "dignidade dos bípedes" torna-se revoltado contra tudo e todos à medida que a memória incumbe-se de selecionar suas lembranças.
"Tão bom José Baía! Ninguém falava alto, ninguém lhe mostrava a cara feia".
Essa insistência da memória em crimes e criminosos soma-se a uma notável influência psíquica que transforma sua inércia em brutalidade. Ato que não correspondeu à expectativa, visto a continuação do círculo vicioso da angústia existencial.
domingo, 13 de setembro de 2020
O Alienista - Machado de Assis Parte I
Sobre a obra machadiana O Alienista (médico que tratava os alienados da época) não quero ser repetitiva sobre tudo que há no mundo virtual sobre o tema. Estou trabalhando Machado no artigo da minha Pós e me interessei por um curso que aborda Literatura e Loucura. Semana passada foi o Médico e o Monstro. Enfim. Vida que segue.
O Alienista é um conto para a maioria e uma novela pela sua estrutura narrativa. Informação repetitiva sobre a obra. Publicado em 1882, eu acho. Não podemos esquecer o plano de fundo histórico da literatura machadiana sobre a sociedade do século XIX. Nem deixar passar batido sua representação de costumes e transformações que ele vivenciou. Seu estilo é repleto de humor e crítica.
Simão Bacamarte, médico que estudou em Universidades europeias importantes e de renome, não aceita propostas de regências e tal. Volta para Itaguaí, sua cidade natal no Brasil. A Medicina é a sua causa maior. Aí está a chave principal machadiana da obra. Uma elevação exagerada da forma que o médico se enxerga e a forma como exalta a Medicina. No período em questão fervilhavam as teorias científicas, principalmente o empirismo positivista. Não são raras as frases:
"Homem de Ciência, e só de Ciência, nada o consternava fora da Ciência"
"Imagem vivaz do gênio"
"Raro espírito que era"
Até mesmo a escolha da esposa, D. Evarista, demonstra a exaltação em questão, ele não importa com a beleza. Segundo a Ciência, as condições fisiológicas e anatômicas eram suficientes para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Não aconteceu. Após um vasto estudo sobre as causas e curas da infertilidade da "mulher" e a desistência do tema, começa a Odisseia de Simão em estudar na prática a patologia cerebral. Isso pode ser um sintoma do final do conto (sem spoiler). O começo da sua empreitada. Aliás, a todo momento percebo que Bacamarte é perfeito aos olhos alheios, mas, para os olhos machadianos, há apontamentos interessantes de perceber no desenrolar do enredo.
Bom, a Igreja está presente, claro. Seja sem o entendimento, "confessou desconhecer a existência de tantos doidos no mundo" (Padre Lopes); com as explicações bíblicas, "quanto a mim, só se pode explicar...segundo nos conta a Escritura"; ou pela crítica "isso de estudar sempre, sempre, isto não é bom, vira o juízo".Lembrando que a Igreja cuidava em sua grande maioria das caridades aos "dementes" da época. Quando não, a própria família trancava em uma alcova, na própria casa até a morte.
Dementes. Qual seria a medida de Bacamarte para incluir na Casa de Orates/Casa Verde os seus estudos empíricos? Tudo aquilo que era considerado fora do padrão social da época. Sem querer descrever a história da Loucura, vou citar casos como: furiosos, mansos, monomaníacos, loucos por amor, delirantes, alucinados, todos aqueles considerados mentecaptos para o médico. Com a fusão de tratamentos medievais (sanguessugas) e tratamentos (modernos) paliativos, medicamentosos e influências estrangeiras (literatura árabe e lusitana), ele buscar a causa e a cura.
Igreja, política, ciência, sociedade tudo na linha tênue entre loucura e sanidade. Se antes, comportamentos excêntricos e até pobreza eram diagnosticados como loucura, agora a presença de bons costumes é a causa máxima a ser estudada na Casa Verde. Como permanecer moral, piedoso, benevolente, honesto, ... em uma sociedade corrupta e corruptível? (atemporal).
Muito a dialogar sobre o tema. Por ora, apenas uma degustação.
domingo, 26 de abril de 2020
O Poço (Netflix)
Milagre da Cela 7 (Netflix)
sexta-feira, 10 de abril de 2020
Filme Agnus Dei
domingo, 5 de abril de 2020
Literatura #dicas #isolamento #covid19
1 - A Peste - Camus
2 - Ensaio sobre a cegueira - Saramago
3 - O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Marquez
4 - Chão de ferro - Pedro Nava
5 - O deserto dos tártaros - Dino Buzzati
6- 1984 - Orwell
#dica #livros #fiqueemcasa #literatura










