Como se tornar um tirano tem uma pitada sarcástica para talvez, aliviar o comportamento de genocidas históricos. Baseado no livro de 2011, O manual do ditador: por que o mau comportamento e quase sempre boa política dos cientistas políticos Bruce Bueno de Mesquista e Alastair Smith, a produção conseguiu fazer uma versão meio tiktoniana com 6 episódios de 30 minutos.
O episódio 1 começa com nada mais e nada menos que o nazista Adolf Hitler (1889-1945), em como esse austríaco conseguiu passar de um desconhecido para um líder condutor das maiores atrocidades cometidas pela Alemanha nazista. Não vou escrever muito, pois ficará para a próxima postagem sobre outra série da Netflix sobre os atos nazistas de Hitler e alta patente alemã. Mas, resumidamente é sobre como assumir o controle a partir de insatisfação coletiva (Tratado de Versalhes e Crise de 1929 na Alemanha pós 1ª Guerra Mundial) e a criação de um bode expiatório (judeus e minorias).
Saddam Hussein (1937-2006), ditador iraquiano, morto em 2006 por enforcamento é o tema do episódio 2. A tática era a ameaça aos seus rivais, por exemplo, ameaçar de tortura aos familiares e após conseguir uma confissão falsa, eliminar literalmente seus opositores. Nem sempre esses opositores faziam parte dos inimigos de Saddam. Ele começou com a prática dentro dos seus aliados que não concordavam com alguns comportamentos tidos como desproporcionais, ou seja, violentos. Claro que deixarei aqui a minha crítica histórica a produtora do documentário, pois faltou muitos líderes "democráticos" que levaram "democracia" para algumas nações e as ações militares em nada deixaram a desejar as práticas militares dos ditadores abordados. Leia-se ocupação norte-americana em países do Oriente.
Ainda sobre o episódio 2, a Netflix cita algumas ações relacionando com Hitler e Hussein: esteja em toda parte (Polícia Secreta) com uma rede de informações confiante. Também explana bem as táticas de ambos os ditadores de manipulação e humilhação a todos a sua volta. No episódio 3, eu conheci um pouco de Id Amin (1925-2003) e como não conhecia muito, fui pesquisar. O tema central é reine pelo terror e eu não vejo outro título melhor. As ações do ex-pugilista de 1,90 e 110 quilos são terrivelmente inenarráveis aqui no meu blog (citei as características físicas, pois ele intimidava pela altura). Só um adendo para a tática muito conhecida de usar Deus como justificativa para as atitudes de muitos que ele usou para expulsar milhares de asiáticos de Uganda, pois para ele, o Divino determinou tornar o País totalmente negro. Esses asiáticos eram imigrantes do Império Britânico na Índia, e claro, continuo aguardado documentários sobre o tema.
Quero abrir um parentese aqui sobre a frase usada em um dos episódios "quem controla o passado, controla o futuro". Foi colocado como frase de origem a um oficial de alta patente alemã, mas essa frase é de George Orwell (1903-1950) em sua distopia 1984 para representar um Estado totalitário. Inclusive, como alguns comportamentos atuais nas democracias estão "cheirando" a fascismo, essa frase está sendo repetida diversas vezes e muitas explicações no Tik Tok e vídeos curtos do Instagram não citam a fonte da frase. Por exemplo, novilingua também é um termo do mesmo livro, e é uma língua oficial fictícia com a função de reduzir o vocabulário e impedir qualquer oposição política. Totalitário, porém uma observação necessária. Conhece o programa Big Brother? Criado a partir do Grande Irmão, o olho que tudo vê, também parte do romance distópico de Orwell.
Já li muito sobre o regime totalitário de esquerda de Josef Stálin (1922-1953), mas foi um fato novo a manipulação que ele fazia em fotografias que há anos seguem como fidedignas ao contexto histórico. Sim, como caracteristíca de regime totalitários (seja de extrema direita ou esquerda) a manipulação da mídia e propaganda é quase um modo operante de manual básico. Mas eu achei a tecnologia avançada para a época (me julguem, eu sei que fui inocente). Claro que as fotos que ele modificou auxiliaram e muito no objetivo dele ser aceito pela ala que aceitava Lênin (1870-1924 - foto acima) e esse controle da verdade era algo que justificava suas atrocidades até com ex-aliados do Partido Comunista (Leia-se Trotski 1879-1940, que exilado no México foi assassinado por ordem de Stálin). Na foto abaixo ele mudou até as suas características físicas, pois teve váriola e a imagem está sem nenhuma marca comum a quem teve a doença.
No episódio 5, o tido como revolucionário Muammar Gadaffi (1942-2011) em sua busca por criar uma nova sociedade usou como táticas o controle social pela mudança de pensamento. No Livro Verde, o ditador criava uma Terceira Teoria Universal que ia contra a temas que são usados em palcos políticos até hoje: o anticomunismo (soviético) e o anti-capitalismo ocidental. Os regimes totalitários sempre vão usar o pluripartidarismo como uma ameça e defender o unipartidarismo de Estado como uma solução. Claro que na democracia, nem todos os partidos políticos defendem as causas da população. As opiniões sobre Gadaffi são controversas, pois de uma lado ele subiu o índice de desenvolvimento com o petróleo local e possibilitou a educação feminina.
Porém, quando o assunto é "coloque a mulher no seu devido lugar", os relatos biográficos recentes sobre a Guarda Amazônica de Gadaffi relatam abusos sexuais e essas mulheres virgens após relações íntimas com o ditador, não voltavam para as suas famílias de maioria islâmica. A propaganda de empoderamento feminino convencia dentro e fora do seu controle social, pois há relatos de amazona que entrou na frente de Gadaffi e morreu com vários tiros para protegê-lo. O seu nacionalismo árabe e o pan-africanismo unidos ao anti-imperialismo manteve o controle social na Líbia e após a intervenção norte-americana, deixou como herança guerra civil e crise humanitária.
Mas, não vou escrever muito, pois há muitos desencontros de informações sobre o calendário Juche (que começa com o nascimento do fundador em 1912) e seu desuso, isso ou aquilo sobre a Coreia do Norte e, para não colocar relatos permitidos pelo regime ou visões ocidentais, prefiro pesquisar mais e terminar indicando o documentário. A linguagem é acessível, o tom do manual de como se tornar um tirano é proposital e logo quem desconhece a História, tem uma breve resumo de como pessoas comuns conseguiram convencer multidões por ideologias, inimigos em comum, controle midiático e uso de violência militarizada. "A cadela do fascismo está sempre no cio", pensamento adaptado de Bertold Bretch (1898-1956), no mostra que devemos ficar atentos e desconhecer é permitir novamente.





