Do que leio, assisto, sinto e absorvo. Nunca será uma verdade absoluta, apenas um ponto de vista ou a vista de um ponto. Talvez uma dedução equivocada do meu olhar diante do mundo. Um olhar humano cheio de CID´s sem a presença da IA. Ela não devaneia. Então pra mim não serve. Eu quero o luxo do erro da falta de coesão textual. Aqui na solidão impossível de quem lê e carrega personagens e enredos dentro de si, me leio e releio. Para mim, é o suficiente. Os devaneios são meus, é tudo que tenho.
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Katseye
Beleza Plástica - Netflix
sábado, 5 de setembro de 2026
Cem anos de solidão (livro e Netflix)
Antes de qualquer coisa, quero avisar que li a obra do autor colombiano, Gabriel García Márquez (Prêmio Nobel da Literatura 1982) duas vezes. Reeiltura. A primeira vez, foi um devoro desproporcional da obra prima que tinha em minhas mãos, e a segunda, um pouco mais lenta e sem tanta paixão.
Pois bem! A Netflix adaptou a obra literária em duas partes e vale ressaltar que, Gabo nunca quis saber disso, pois queria preservar a imaginação dos seus leitores (em todos os livros escritos por ele). Sim, é algo bem preciso (imaginação), logo, a sra. Netflix recorreu aos filhos do escritor, Rodrigo García Barcha e Gonzalo García Barcha, que decidiram vender os direitos para a Netflix em 2019. Nós, leitores obcecados, ficamos apreensivos.
A bonita prometeu e entregou! Para começar, é bom informar que a obra em suas duas versões, faz parte do estilo literário Realismo Mágico. O que torna sensacional, pois mescla a naturalidade do absurdo, raízes culturais, crítica social e política. De cabeça, posso indicar Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Machado de Assis (1839-1908) e Incidentes em Antares (1970) de Erico Verissímo (1905-1975). Indico os dois!
A primeira parte da obra da Netflix, apresentou a fundação de Macondo e da família Buendía. Finda com as questões ideológicas do Coronel Aureliano Buendía e suas guerras. Só não podemos esquecer que as 32 guerras civis lideradas pelo coronel contra o regime conservador na obra da Netflix, refletem a instabilidade política crônica dos países latino-americanos no século XIX e início do século XX. Assim como os conflitos reais na Colômbia (como a Guerra dos Mil Dias), as lutas do coronel esvaziam-se de ideologia original e viram um ciclo mecânico de violência e poder pelo poder.
A segunda parte da adaptação de Cem Anos de Solidão na Netflix retrata a profunda transformação de Macondo e o desgaste inevitável da família Buendía sob o peso de suas tragédias e da modernização. Se a primeira parte focou no Coronel, a segunda parte foca na exploração dos trabalhadores e na tentativa de organização primária sindical diante da corporação que controlava extensões de terras na Colômbia e lucrava pagando pouco e oferencendo formas precárias de trabalho. Se não fosse Gabo, o massacre de 1928 jamais seria deflagrado, haja vista o próprio governo apagou vestígios do massacre das Bananeiras.
A importância da adaptação e da obra literária (que é atemporal) é o uso do realismo mágico para deflagrar novamente a tentativa da retirada da soberania dos Países da América Latina pelo imperalismo norte-americano. Lembrar é preciso! O enredo da família Buendía, que diante das fracassadas tentativas de resistir ao destino, repete tragédias e são envolvidos nas tramas políticas do povoado, compõe a trama e o urdume que somos todos nós, latinos.
De forma espetacular, o fim da estirpe Buendía nos lembra a inevitável Ouroboros, o ciclo do começo e do fim, na criação e da destruição. Aureliano Babilônia e seu filho Aureliano Rodrigo, diante do fim de Macondo, o último sendo consumido pelas formigas, o bebê de cauda, a tal temida cauda das relações incestuosas. "O primeiro da estirpe está amarrado a uma árvore e o último está sendo comido pelas formigas". Sensacional a adaptação! Atores e atrizes! Direção! Fotografia! TUDO!
domingo, 5 de julho de 2026
Disputa em Tokyo: a corrida do Edo/Heliot G. Lima
Essa resenha deveria ter saído há mais tempo, mas confesso que eu absorvi a leitura de uma maneira bem particular. Explico! Primeiro, tive acesso em período turbulento de faculdade e estágio obrigatório e é um livro recheado de detalhes culturais. Não dá pra ler sem um caderno de anotações e sem um tempo hábil pela excelência da escrita. Outro detalhe importante: é um livro escrito por um amigo aqui de Brasília (que inclusive está escrevendo seu segundo livro), o autor Heliot G. Lima Link Ebook Amazon @disputaemtokyo Instagram
A aventura começa quando o atual imperador japonês, após a reconstrução de um antigo rio da capital japonesa, Tokyo, resolve fazer uma disputa para escolher os novos protetores do lendário Rio Edo. Mas, tal corrida vai trazer à tona antigos conflitos que envolvem os atuais participantes. Não apenas conflitos, mas a ganância de poderosos que, aliada às inovações tecnológicas, anseiam em lucrar com as águas milenares do rio. Ser parte dos clãs protetores é a melhor oportunidade para alcançar o objetivo da rica e poderosa família Fuuté e se preparem para conhecer métodos desonestos para alcançar o objetivo, ter o domínio do Rio Edo.

Antigo local de Edo e atual localização de Tóquio
Nessa fantasia, conhecemos as irmãs Toshiko e Harumy, parte do clã Nawa, acusado de ser o responsável pela extinção completa da Rio. Sim, o curso do rio foi afetado pelas catástrofes da região e com o passar do tempo as nascentes foram soterradas e suas águas contaminadas. O crescimento da cidade também afetou a tradicional "serpente azul que cuspia arco-íris" e com o passar das gerações e avanço da tecnologia, muitos duvidavam da existência no passado desses clãs protetores. A disputa se dá após a ação do imperador e emergir o Rio Edo e os templos que ficavam à margem do "dragão azul".
Edo: a barragem do rio Otonashioji. Impressão japonesa de Utagawa Hiroshige (1797-1858) século XIX. Coleção particular.
Para além de restabeler um patrimônio material, o imperador procurava anular intermediários capitalistas sobre o Rio. Por isso, os descendentes dos clãs protetores foram convocados para uma corrida no próprio Rio. É aqui que os destinos se encontram, ligando as irmãs com os jovens Catatau e Ken Tetsuo, divulgadores de vídeos sensacionalistas na web. Ken, um jovem paulistano e Catatau, brasiliense da Capital do Brasil, caem de paraquedas e auxiliam as irmãs não apenas a avançar na corrida, mas a combater as táticas assassinas da Corporação Fuuté.
Essa corporação não conta apenas com forças humanas, mas com o auxílio de máquinas que desejam o extermínio da raça humana. É nessa ficção científica e aventura fantasiosa que vamos conhecer detalhes da cultura nipônica. A riqueza de detalhes da mitologia, arquitetura, costumes, hidrografia, lutas marciais tornam o enredo uma enciclopédia rica para os leitores que apreciam o universo japonês. O autor demonstra todo o seu conhecimento baseado em seus estudos na antiga capital japonesa, apresentando para nós detalhes das Eras passadas e características de drenagem e conservação dos canais hidrográficos. São 360 páginas de muita contribuição e se preparem para a reviravolta inesperada (pelo menos por mim) do final. Indico!
segunda-feira, 29 de junho de 2026
A Cabeça do Santo - Socorro Acioli
Como um livro publicado em 2014 se tornou um fenômeno em vendas dez anos depois? O que colocou a escritora, jornalista e professora Socorro Acioli e o seu livro A Cabeça do Santo entre os mais vendidos e emprestado na plataforma da Biblioteca MEC Digital? FLip 2023 Busca Mec Digital MEC A Cabeça do Santo
Socorro Acioli já escrevia histórias infantis e paralelo a isso, guardava reportagens sobre uma escultura colossal que estava sem a cabeça no munícipio de Caridade (97 km de Fortaleza, sua terra natal). Única brasileira a participar da oficina de roteiro em 2006/Cuba com o consagrado Gabriel García Marquez (1927-2014), escreveu em dois dias o resumo do atual best-seller que conquistou brasileiros e já foi traduzido para outros idiomas.
| Gabo e Socorro Acioli no workshop em Cuba 2006 |
Gabo aprovou e incentivou uma produção cinematográfica, fato que está atualmente em planejamento pela produtora Joana Mariani. No quesito realismo mágico (gênero literário), o autor não teve dúvidas sobre as possiblidades daquele resumo de Socorro Acioli. O livro foi publicado em 2014 pela Companhia das Letras e foi seguindo a trajetória árdua conhecida pelos autores nacionais. . Claro que o talento da escrita da autora é uma explicação óbvia para que a indicação boca-a-boca continue, sendo em 2026 leitura em vários grupos literários. Mas, devemos concordar que o advento das parcerias entre editoras e influencers deu um up nas redes sociais. A geração tiktokiana passou a conhecer em poucas páginas uma crítica social da exploração econômica e política e a força que há na fé de um povo limitado materialmente. O município de Caridade/CE (década de 80), tinha como prefeito o sr. Raul Linhares Teixeira, que desejava a partir de uma escultura de 33 metros aquecer a economia local com o turismo religioso. Contratou o artista Francisco Barbosa de Oliveira (Franzé D´Aurora) para o trabalho. Eu fiquei bem curiosa sobre a verba disponível de um município para tal façanha e provavelmente foi limitada, o que explica a não continuidade. Primeiramente não seria no local que o corpo do santo encontra-se, mas diante de uma adversidade no início da construção mudaram o local e por causa dos ventos fortes e a necessidade de fortalecer internamente, não havia mais dinheiro e colocar a cabeça seria um risco real. |
Como historiadora, eu tenho muitas dúvidas sobre a aprovação de uma obra a nível municipal, mas eu não vou me aprofundar nessa temática. O tio do ex-prefeito na época era deputado e fazia parte da equipe do governo e vale lembrar que no período do regime militar, essas obras faraônicas eram padrão e muitas empreiteiras se beneficiaram. Não estou acusando ninguém de nada, só fazendo uma observação que para a época, seria aprovada tranquilamente sem muitas indagações e quando o assunto é religião, a devoção ganha o apreço popular. |
Samuel sofre um ataque de cães selvagens e dentro da cabeça abandonada, tenta se recuperar da ferida. Ao conhecer Francisco de uma forma nada convencional, comenta que escuta vozes, o que poderia ser um delírio febril por causa da mordida bem inflamada. Seria Samuel dotado de dons espirituais? Francisco, um pré-adolescente, vê nas escutas uma possibilidade de ganhos e após uma primeira tentativa com sucesso, o casamento de Madeinusa e doutor Adriano, a fé perdida pelo corpo sem a cabeça, retorna em forma de romarias das cidades vizinhas e reavivamento da cidade em forma de turismo religioso local.
sábado, 27 de junho de 2026
Devaneios sobre o conde Drácula
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| Caleb Landry Jones como princípe Vladimir 2025 |
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| O advogado não sabe que o homem do quadro é Vlad mais novo |
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| Casamento cristão ortodoxo entre Mina e Jonathan na versão 1992 |
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| Noivas de Drácula (súcubas) com trajes orientais (grego) 1992 |
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| Gárgulas animadas servem o conde Drácula 2025 |
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| O empalamento era um padrão da Antiguidade com a função de avisar os inimigos e desobedientes dos castigos possíveis. Vários reinos praticavam e foi até a Idade Média/Moderna |
segunda-feira, 22 de junho de 2026
Hitler e o Nazismo: início, meio e fim (Netflix, 2024)
Confesso que estou escrevendo após assistir a série duas vezes, pois preciso confessar, eu sempre assisto mais de uma vez qualquer conteúdo histórico como historiadora e espectadora comum (sim, eu sou!). A série Hitler e o Nazismo: começo, meio e fim da plataforma de streaming Netflix de 2024 é indicada (por mim) pela linearidade excelente que vai de Adolf Hitler (1889-1945), um desconhecido, até o auge como chanceler da Alemanha nazista e os crimes cometidos que resultaram na bárbarie sem precendente na História Mundial.
Não que traga algo novo historicamente falando, mas a linearidade (já citada) e a linguagem acessível possibilita a compreensão que, como pessoas comuns podem convencer e fazer um grande estrago. O documentário vai do período anterior a ascensão de Hitler até a sua atuação na 1ª Guerra Mundial ou Grande Guerra (1914-1918) até o julgamento de Nuremberg, sem esquecer que passa pelo Holocausto ou Solução Final. Uso certos termos, pois tenho alunos como leitores.
O julgamento no Tribunal de Nuremberg é na perspectiva do jornalista, historiador e escritor estadunidense William L. Shirer (1904-1993), que foi testemunha dentro da Alemanha no início da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) e escreveu relatos significativos sobre o nazismo e sobre o julgamento de Nuremberg. Ele morreu em 1993 e a voz narrativa no documentário é IA (inteligência artificial). Além das recriações que permitem contextos da época, o documentário possue áudios novos e nunca escutados.
Bom, eu quero aqui registrar situações que me chamaram a atenção como historiadora, professora de História e pessoa comum (sim, eu sou e são posições diferentes!):
O fato de Franz von Papen (1879-1969), que foi chanceler em 1932 e vice chanceler de Hitler de 1933 e 1934. Ele acreditou que teria controle sobre Hitler e permitiu a sua ascensão, pois tinha interesses em enfraquecer a República de Weimar (1919-1933).
Mas, Sally, não é muito devaneio? People, Hitler não faria nada do que fez sem degraus para a sua subida ao poder. Enquanto não enterdermos isso, acharemos que Hitler chegou e fez o que fez sozinho, e não foi bem assim. Estamos falando de uma nação estava fértil para as suas ideologias contra o Tratado de Versalhes pós 1ª Guerra Mundial e oportunidade diante da crise do Liberalismo econômico de 1929 nos EUA.
Falemos bem pouco sobre Geli Raubal (1908-1931), a sobrinha parte da grande fofoca entre historiadores, mas sem grandes provas até então. O que sabemos de fontes oficiais era que o líder nazista afirmava ser comprometido com a Alemanha (Nacionalismo) e sem tempo para romances. Mas, a fofoca era que ele era bem tóxico com a sua sobrinha. Que cada um assista e tire as suas conclusões.
Um fato que quero registrar aqui é sobre o navio com +900 judeus rejeitados por Cuba e EUA em 1939 e como Joseph Goebbels (1897-1945), ministro de Propaganda Nazista usou esse fato a favor da Solução Final contra os judeus e minorias:
O navio em questão é o transatlântico alemão MS St. Louis, que zarpou de Hamburgo em maio de 1939 transportando 937 refugiados judeus (em sua maioria alemães) que fugiam do regime nazista. A embarcação ficou mundialmente conhecida após ter sua entrada negada por Cuba, pelos Estados Unidos e pelo Canadá, sendo forçada a retornar à Europa. Fonte
Outros episódios relatados na série e que merecem o registro da minha parte (então é bem pessoal):
Claus von Stauffenberg (1907-1944), um oficial NOBRE, que participou da invasão da Polônia (causa do início da 2ª GM) e entre outras operações militares, da Operação Barbarossa (GENTE, invasão da URSS) como oficial de estado maior. Porque tipo assim, precisamos tirar essa venda dos olhos em acreditar que todos assistiam aos exageros de Hitler e apoiavam. Chegou a um limite e podemos citar a Operação Valquíria, planejada por oficiais alemães que NÃO deu certo, mas que, comprova que alguns, até dentro do alto escalão, perceberam o exagero do ditador nazista. Certo, assisti o filme com Tom Cruise de 2008, mas não quero indicar por motivos bem pessoais.
Prefiro indicar A Menina que roubava Livros (filme 2014 e livro 2009), se o assunto for a não aceitação das atitudes nazistas dentro da Alemanha.
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| Fonte citada na imagem |
Evan Braun (1912-1945) e seu amor cego pelo ditador nazista, citemos rapidamente. Por que quero falar sobre ela? Para demonstrar que, muitas mulheres se encantaram e pagam preços altos pela aceitação de homens que não desejam o mesmo. Vale citar que, quando preso, Hitler foi bem tietado. Amante do homem CONSERVADOR que amou durante anos, casou um dia antes da sua morte. A maioria dos vídeos que temos acesso atualmente se deve a prática de Eva em filmar o dia-a-dia de Hitler. Uma curiosidade: Eva era tão progressista perto da propaganda conservadora de Hitler, que nos faz refletir sobre muitos desejos masculinos conservadores atuais que condenam mulheres progressistas e exaltam mulheres conservadoras, mas que no íntimo ...
Outra situação levantada pela série é a relação entre Ernst Röhm (1887-1934) e Hitler. O primeiro era cofundador e líder da SA (tropa paramilitar nazista e grande amigo de Hitler), assassinado na Noite das Facas Longas (30/06 a 1º/07 de 1934). Para demonstrar como o grande ditador teve que começar a perseguir grupos (minorias e homoafetivos) por pressão do próprio grupo. Claro que nada justifica as suas atitudes, mas como no percurso o discurso moralista prevaleceu como verdade.
Uma das coisas que mais me embrulhou o estômago (de novo e de novo), além das cenas filmadas de enforcamento dos julgados no Tribunal de Nuremberg, foi o fato que muitos foram poupados na Operação Paperclipe e levados para os EUA para lidar com a URSS durante a Guerra Fria. Passaram pelo julgamento com imunidade e dane-se o que fizeram, pois a necessidade de enfrentar a URSS foi mais importante que a culpa pelos seus feitos.
Acho válido como historiadora, professora de História e espectadora comum.
quarta-feira, 17 de junho de 2026
Studio Ghibli (41 anos) e o meu TCC sobre A Viagem de Chihiro (2001)
Em abril de 2024 eu fiz um desabafo e decidi voltar a alimentar o meu blog com um diário da pesquisa para o meu TCC (dez/2025) na gradução em Licenciatura em Artes Visuais. Até alimentei durante um tempo, com espaços entre as postagens pela dinâmica das responsabilidades da vida adulta, mas foi bem pouco perto do que eu desejava.
Segue os links
Animação Japonesa Através dos Tempos Vitor Danko
Literatura nas animações do Studio Ghibli
O meu último semestre com a a Instituição de Ensino não foi fácil, e isso foi um gatilho de saúde mental tão forte, que fiquei muito tempo sem poder absorver a alegria de ter escrito um trabalho tão lindo sobre algo que amo e tem muita relevância pra mim.
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| A Viagem de Chihiro: o uso da animação em sala de aula para análise da cultura ocidental e o estudo da sua intersecção na cultura tradicional japonesa TCC - Licenciatura Artes Visuais |
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| Chihiro e um Dosojin Arte do período Jomon (14.000 a.C – 300 a.C). |
Claro que o capítulo mais difícil foi separar os frames e detalhar elementos culturais nipônicos e de culturas ocidentais, não apenas concretos, mas comportamentais. Não tem como não conciliar (citação do cerimônia do chá japonês que faço e as modificações comportamentais das fuligens - Susuwataris - que mudam radicalmente suas funções de Meu vizinho Totoro para proletários explorados por uma porção de prazer fulgas como pagamento).
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| Nada aqui, na entrada de Yubaba, é tradicional nipônico, por mais que a Casa de Banho seja um espaço secular e religioso. |
A animação pode ser um instrumento que interage com a metodologia utilizada em sala de aula, além de ser uma estratégia para o desenvolvimento das habilidades e competências no ensino da Arte. Animês e mangás são produtos importantes da cultura pop japonesa e atualmente consumidos em grande escala pelo público brasileiro https://gqcanimes.com.br/brasil-e-um-dos-maiores-mercados-de-anime-do-mundo-revela-diretora-da-crunchyroll/. A realidade dos estudantes da atualidade é a vivência em um tempo real e virtual ao mesmo tempo, o que exige dos docentes a promoção de um ensino-aprendizagem que conecte os saberes dos estudantes com o contexto escolar.
Ao escolher uma cultura diferente da nossa, levei em consideração a competência 3 da BNCC que procura que o estudante possa valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. A classificação de idade da animação japonesa A Viagem de Chihiro é livre, porém, para o meu objetivo de análise, acreditei que algumas cenas não seriam de fácil compreensão para crianças das séries iniciais do Fundamental I, como a cena dos porcos, e sem fundamentação pedagógica para as séries finais do Fundamental II.
Compreender que há a necessidade intencional e pedagógica de auxiliar o estudante no processo de consumo cultural faz parte do objetivo para que ele tenha autonomia e criticidade diante do que decide de forma voluntária consumir. Com o auxílio de capturas de imagens da animação, apontei elementos culturais do ocidente e do oriente com o objetivo auxiliar na percepção das características visuais de cada elemento e com base na contextualização qual a sua origem.
Educar o olhar do estudante utilizando de mídias que dialoguem com os seus interesses é uma habilidade que o docente deve obter no processo ensino-aprendizagem. Não há mais barreiras culturais após o advento da globalização e precisamos renunciar a processos pedagógicos que focam apenas na teoria e memorização. Utilizar novas tecnologias em um contexto educacional que não tem mais como retroceder, é buscar o diálogo com o nosso aluno, permitindo o uso de uma linguagem visual já conhecida por eles fora do contexto escolar.
A animação japonesa escolhida, muito além da possiblidade de contextualizar e analisar processo históricos artísticos, também possibilita a reflexão sobre identidade, desafios, relações de trabalho, consumo e outros temas que são abordados. No processo ensino-aprendizagem atual, não há mais a disciplina isolada, pelo contrário, de forma interdisciplinar e intencional, ela deve dialogar com outras linguagens para que o maior beneficiado seja o nosso estudante.
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| Quarto do filho (Boah) de Yubaba. O excesso do luxo que aumentava o ego da criança. Luxo importado a possível a partir da exploração do proletariado. |
A família de Chihiro faz parte de um momento histórico e pontual de uma crise de inflação imobiliária que se conectou ao consumo desenfreado resultando em parques temáticos abandonados. Seus pais, vítimas do pensamento consumista, são transformados em porcos pelo desrespeito ao espaço alheio e religioso. Mesmo não sendo o objetivo deste trabalho, só na introdução da animação, já temos material para interdisciplinaridade. Podemos traçar paralelos entre o encontro cultural entre ocidente e oriente em cenários escolhidos propositalmente pelo diretor Hayao Miyazaki.
Ao conhecermos sua biografia e a forma como ele insere em seus trabalhos a sua opinião sobre vários assuntos, percebemos que a posse de Yubaba de objetos artísticos do ocidente/oriente é uma crítica ao modelo ocidental de consumismo para ostentação e divisão de classes. Por isso Zeniba é a manualidade artesanal que conecta quem faz com o resultado da obra (que é a cura do Sem Face e do filho de Yubaba - Boh, que querendo ou não, é sobrinho de Zeniba. A animação japonesa foi feita para o público japonês, claro que há a intencionalidade em aconselhar a nova geração. Como eu amo a cena abaixo e as várias reflexões possíveis, mesmo fugindo do meu tema).

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