Confesso que estou escrevendo após assistir a série duas vezes, pois preciso confessar, eu sempre assisto mais de uma vez qualquer conteúdo histórico como historiadora e espectadora comum (sim, eu sou!). A série Hitler e o Nazismo: começo, meio e fim da plataforma de streaming Netflix de 2024 é indicada (por mim) pela linearidade excelente que vai de Adolf Hitler (1889-1945), um desconhecido, até o auge como chanceler da Alemanha nazista e os crimes cometidos que resultaram na bárbarie sem precendente na História Mundial.
Não que traga algo novo historicamente falando, mas a linearidade (já citada) e a linguagem acessível possibilita a compreensão que, como pessoas comuns podem convencer e fazer um grande estrago. O documentário vai do período anterior a ascensão de Hitler até a sua atuação na 1ª Guerra Mundial ou Grande Guerra (1914-1918) até o julgamento de Nuremberg, sem esquecer que passa pelo Holocausto ou Solução Final. Uso certos termos, pois tenho alunos como leitores.
O julgamento no Tribunal de Nuremberg é na perspectiva do jornalista, historiador e escritor estadunidense William L. Shirer (1904-1993), que foi testemunha dentro da Alemanha no início da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) e escreveu relatos significativos sobre o nazismo e sobre o julgamento de Nuremberg. Ele morreu em 1993 e a voz narrativa no documentário é IA (inteligência artificial). Além das recriações que permitem contextos da época, o documentário possue áudios novos e nunca escutados.
Bom, eu quero aqui registrar situações que me chamaram a atenção como historiadora, professora de História e pessoa comum (sim, eu sou e são posições diferentes!):
O fato de Franz von Papen (1879-1969), que foi chanceler em 1932 e vice chanceler de Hitler de 1933 e 1934. Ele acreditou que teria controle sobre Hitler e permitiu a sua ascensão, pois tinha interesses em enfraquecer a República de Weimar (1919-1933).
Mas, Sally, não é muito devaneio? People, Hitler não faria nada do que fez sem degraus para a sua subida ao poder. Enquanto não enterdermos isso, acharemos que Hitler chegou e fez o que fez sozinho, e não foi bem assim. Estamos falando de uma nação estava fértil para as suas ideologias contra o Tratado de Versalhes pós 1ª Guerra Mundial e oportunidade diante da crise do Liberalismo econômico de 1929 nos EUA.
Falemos bem pouco sobre Geli Raubal (1908-1931), a sobrinha parte da grande fofoca entre historiadores, mas sem grandes provas até então. O que sabemos de fontes oficiais era que o líder nazista afirmava ser comprometido com a Alemanha (Nacionalismo) e sem tempo para romances. Mas, a fofoca era que ele era bem tóxico com a sua sobrinha. Que cada um assista e tire as suas conclusões.
Um fato que quero registrar aqui é sobre o navio com +900 judeus rejeitados por Cuba e EUA em 1939 e como Joseph Goebbels (1897-1945), ministro de Propaganda Nazista usou esse fato a favor da Solução Final contra os judeus e minorias:
O navio em questão é o transatlântico alemão MS St. Louis, que zarpou de Hamburgo em maio de 1939 transportando 937 refugiados judeus (em sua maioria alemães) que fugiam do regime nazista. A embarcação ficou mundialmente conhecida após ter sua entrada negada por Cuba, pelos Estados Unidos e pelo Canadá, sendo forçada a retornar à Europa. Fonte
Outros episódios relatados na série e que merecem o registro da minha parte (então é bem pessoal):
Claus von Stauffenberg (1907-1944), um oficial NOBRE, que participou da invasão da Polônia (causa do início da 2ª GM) e entre outras operações militares, da Operação Barbarossa (GENTE, invasão da URSS) como oficial de estado maior. Porque tipo assim, precisamos tirar essa venda dos olhos em acreditar que todos assistiam aos exageros de Hitler e apoiavam. Chegou a um limite e podemos citar a Operação Valquíria, planejada por oficiais alemães que NÃO deu certo, mas que, comprova que alguns, até dentro do alto escalão, perceberam o exagero do ditador nazista. Certo, assisti o filme com Tom Cruise de 2008, mas não quero indicar por motivos bem pessoais.
Prefiro indicar A Menina que roubava Livros (filme 2014 e livro 2009), se o assunto for a não aceitação das atitudes nazistas dentro da Alemanha.
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| Fonte citada na imagem |
Evan Braun (1912-1945) e seu amor cego pelo ditador nazista, citemos rapidamente. Por que quero falar sobre ela? Para demonstrar que, muitas mulheres se encantaram e pagam preços altos pela aceitação de homens que não desejam o mesmo. Vale citar que, quando preso, Hitler foi bem tietado. Amante do homem CONSERVADOR que amou durante anos, casou um dia antes da sua morte. A maioria dos vídeos que temos acesso atualmente se deve a prática de Eva em filmar o dia-a-dia de Hitler. Uma curiosidade: Eva era tão progressista perto da propaganda conservadora de Hitler, que nos faz refletir sobre muitos desejos masculinos conservadores atuais que condenam mulheres progressistas e exaltam mulheres conservadoras, mas que no íntimo ...
Outra situação levantada pela série é a relação entre Ernst Röhm (1887-1934) e Hitler. O primeiro era cofundador e líder da SA (tropa paramilitar nazista e grande amigo de Hitler), assassinado na Noite das Facas Longas (30/06 a 1º/07 de 1934). Para demonstrar como o grande ditador teve que começar a perseguir grupos (minorias e homoafetivos) por pressão do próprio grupo. Claro que nada justifica as suas atitudes, mas como no percurso o discurso moralista prevaleceu como verdade.
Uma das coisas que mais me embrulhou o estômago (de novo e de novo), além das cenas filmadas de enforcamento dos julgados no Tribunal de Nuremberg, foi o fato que muitos foram poupados na Operação Paperclipe e levados para os EUA para lidar com a URSS durante a Guerra Fria. Passaram pelo julgamento com imunidade e dane-se o que fizeram, pois a necessidade de enfrentar a URSS foi mais importante que a culpa pelos seus feitos.
Acho válido como historiadora, professora de História e espectadora comum.




