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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Hitler e o Nazismo: início, meio e fim (Netflix, 2024)

 


    Confesso que estou escrevendo após assistir a série duas vezes, pois preciso confessar, eu sempre assisto mais de uma vez qualquer conteúdo histórico como historiadora e espectadora comum (sim, eu sou!). A série Hitler e o Nazismo: começo, meio e fim da plataforma de streaming Netflix de 2024 é indicada (por mim) pela linearidade excelente que vai de Adolf Hitler (1889-1945), um desconhecido, até o auge como chanceler da Alemanha nazista e os crimes cometidos que resultaram na bárbarie sem precendente na História Mundial. 

    Não que traga algo novo historicamente falando, mas a linearidade (já citada) e a linguagem acessível possibilita a compreensão que, como pessoas comuns podem convencer e fazer um grande estrago. O documentário vai do período anterior a ascensão de Hitler até a sua atuação na 1ª Guerra Mundial ou Grande Guerra (1914-1918) até o julgamento de Nuremberg, sem esquecer que passa pelo Holocausto ou Solução Final. Uso certos termos, pois tenho alunos como leitores.

    O julgamento no Tribunal de Nuremberg é na perspectiva do jornalista, historiador e escritor estadunidense  William L. Shirer (1904-1993), que foi testemunha dentro da Alemanha no início da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) e escreveu relatos significativos sobre o nazismo e sobre o julgamento de Nuremberg. Ele morreu em 1993 e a voz narrativa no documentário é IA (inteligência artificial). Além das recriações que permitem contextos da época, o documentário possue áudios novos e nunca escutados.


    Bom, eu quero aqui registrar situações que me chamaram a atenção como historiadora, professora de História e pessoa comum (sim, eu sou e são posições diferentes!):

    O fato de Franz von Papen (1879-1969), que foi chanceler em 1932 e vice chanceler de Hitler de 1933 e 1934. Ele  acreditou que teria controle sobre Hitler e permitiu a sua ascensão, pois tinha interesses em enfraquecer a República de Weimar (1919-1933). 

    Mas, Sally, não é muito devaneio? People, Hitler não faria nada do que fez sem degraus para a sua subida ao poder. Enquanto não enterdermos isso, acharemos que Hitler chegou e fez o que fez sozinho, e não foi bem assim. Estamos falando de uma nação estava fértil para as suas ideologias contra o Tratado de Versalhes pós 1ª Guerra Mundial e oportunidade diante da crise do Liberalismo econômico de 1929 nos EUA. 


    Falemos bem pouco sobre Geli Raubal (1908-1931), a sobrinha parte da grande fofoca entre historiadores, mas sem grandes provas até então. O que sabemos de fontes oficiais era que o líder nazista afirmava ser comprometido com a Alemanha (Nacionalismo) e sem tempo para romances. Mas, a fofoca era que ele era bem tóxico com a sua sobrinha. Que cada um assista e tire as suas conclusões. 


    Um fato que quero registrar aqui é sobre o navio com +900 judeus rejeitados por Cuba e EUA em 1939 e como Joseph Goebbels (1897-1945), ministro de Propaganda Nazista usou esse fato a favor da Solução Final contra os judeus e minorias:

O navio em questão é o transatlântico alemão MS St. Louis, que zarpou de Hamburgo em maio de 1939 transportando 937 refugiados judeus (em sua maioria alemães) que fugiam do regime nazista. A embarcação ficou mundialmente conhecida após ter sua entrada negada por Cuba, pelos Estados Unidos e pelo Canadá, sendo forçada a retornar à EuropaFonte

    Outros episódios relatados na série e que merecem o registro da minha parte (então é bem pessoal):

    Claus von Stauffenberg (1907-1944), um oficial NOBRE, que participou da invasão da Polônia (causa do início da 2ª GM) e entre outras operações militares, da Operação Barbarossa (GENTE, invasão da URSS) como oficial de estado maior. Porque tipo assim, precisamos tirar essa venda dos olhos em acreditar que todos assistiam aos exageros de Hitler e apoiavam. Chegou a um limite e podemos citar a Operação Valquíria, planejada por oficiais alemães que NÃO deu certo, mas que, comprova que alguns, até dentro do alto escalão, perceberam o exagero do ditador nazista. Certo, assisti o filme com Tom Cruise de 2008, mas não quero indicar por motivos bem pessoais. 




    Prefiro indicar A Menina que roubava Livros (filme 2014 e livro 2009), se o assunto for a não aceitação das atitudes nazistas dentro da Alemanha. 

Fonte citada na imagem


    Evan Braun (1912-1945) e seu amor cego pelo ditador nazista, citemos rapidamente. Por que quero falar sobre ela? Para demonstrar que, muitas mulheres se encantaram e pagam preços altos pela aceitação de homens que não desejam o mesmo. Vale citar que, quando preso, Hitler foi bem tietado. Amante do homem CONSERVADOR que amou durante anos, casou um dia antes da sua morte. A maioria dos vídeos que temos acesso atualmente se deve a prática de Eva em filmar o dia-a-dia de Hitler. Uma curiosidade: Eva era tão progressista perto da propaganda conservadora de Hitler, que nos faz refletir sobre muitos desejos masculinos conservadores atuais que condenam mulheres progressistas e exaltam mulheres conservadoras, mas que no íntimo ... 

    Outra situação levantada pela série é a relação entre Ernst Röhm (1887-1934)  e Hitler. O primeiro era cofundador e líder da SA (tropa paramilitar nazista e grande amigo de Hitler), assassinado na Noite das Facas Longas (30/06 a 1º/07 de 1934). Para demonstrar como o grande ditador teve que começar a perseguir grupos (minorias e homoafetivos) por pressão do próprio grupo. Claro que nada justifica as suas atitudes, mas como no percurso o discurso moralista prevaleceu como verdade. 

  Uma das coisas que mais me embrulhou o estômago (de novo e de novo), além das cenas filmadas de enforcamento dos julgados no Tribunal de Nuremberg, foi o fato que muitos foram poupados na Operação Paperclipe e levados para os EUA para lidar com a URSS durante a Guerra Fria. Passaram pelo julgamento com imunidade e dane-se o que fizeram, pois a necessidade de enfrentar a URSS foi mais importante que a culpa pelos seus feitos. 



Acho válido como historiadora, professora de História e espectadora comum. 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

It: Bem-vindos a Derry (HBO/2025) - Contexto histórico até o episódio 6

 Que é sabido que a HBO lançou recentemente uma série que é o prelúdio de It: a coisa, talvez não seja novidade. Diante de tanto material virtual produzido sobre os filmes e série, vou me deter no fundo histórico, obviamente por ser historiadora. Bom, só acrescentar antes de tudo que toda essa obra cinematográfica é baseada no romance de terror do autor Stephen King lançado em 1986, It (a coisa). 


No livro, os períodos são divididos em dois. O primeiro: 1957-1958 que foi apresentado no primeiro filme It: a coisa (ambientado no final da década de 1980).

 O segundo período na obra literária: 1984-1985 foi apresentado no segundo filme, It: capítulo 2 (ambientado em 2016). 

Já a série It: bem-vindos a Derry, o período vai ser ambientado em 1960, contando a origem da força cósmica que se alimenta de medos, traumas e se apresenta na maioria das vezes como o palhaço Pennywise. Não são as únicas obras produzidas sobre o It, mas cito apenas essas três, pois elas foram produzidas pelo mesmo diretor Andy Muschietti. 


O pano de fundo em Derry é o pós-guerra  conhecido como período da Guerra Fria (1947-1960), temática que explanei na postagem anterior ao comparar com Stranger Things Stranger Things e It: bem-vindos a Derry. A presença das Forças Armadas norte-americana e de uma missão secreta coexistem com a missão de contar a origem da Coisa. Nos diálogos entre os militares há várias citações sobre o conflito entre EUA e URSS. Em um período que o medo poderia ser uma arma poderosa, a Missão militar e secreta Precept busca achar, capturar e aniquilar o inimigo. 

A crítica ao estilo de vida conhecido como American way of life vai sendo percebido quando a violência é aceita passivamente e de forma complacente pela sociedade. Homofobia, racismo e psicofobia são instrumentos utilizados em nome da manutenção de uma aparência idealizada pelo padrão norte-americano. Percebe-se que A Coisa não é o único mal a atuar naquele lugar. O medo não é o único alimento que o fortalece. O mal sistêmico o ampara e o deseja em um projeto de eugenia de tudo que foge do padrão da sociedade de bem. 


No segundo episódio, a recém chegada Charlotte Hanlon (Taylour Paige) e uma moradora local conversam sobre a notícia de um homem negro acusado de matar brutalmente crianças dentro de um cinema. O racismo já é exposto nos primeiros episódios, pois o fato desse acusado ser negro, já demonstra a crítica do parágrafo anterior. Charlotte, esposa de um militar que é parte da missão secreta Precept, vai se envolver nesse caso e demontrar a luta pelos direitos civis dos negros norte-americanos. Aliás, aconselho você focar nessa família (Hanlon). Ela está conectada nessa série e nos dois filmes. 

Rose (Matamaki Kimberly Norris) é uma nativa local e informa para Charlotte que algumas crianças desapareceram durante a Grande Depressão. Esse período de crise econômica que teve início em 1929 com a quebra da Bolsa de Valores NY e entrou a década de 1930 camuflou a verdadeira causa do sumiço das crianças em Derry. Durante o mesmo diálogo, ela cita a invasão dos colonizadores que invadiram terras indígenas com o uso do Destino Manifesto. Essa ideologia (usada até hoje pelos EUA) teve início no século XIX e acreditava ser um direito dado por Deus de expandir o território americano do Atlântico ao Pacífico. Ela dá embasamento para o atual imperialismo norte-americano. 


IT, a Coisa usa do medo e não fica claro como ele conhece os temores mais íntimos do indivíduo. Se ele escuta conversas ou tem poderes de leitura mental (Não lembro da leitura do livro) não fica evidente na série. Que ele influencia comportamentos já é demonstrado nos atos da comunidade, seja a professora, policial ou a passividade coletiva diante da violência contra padrões fora do idealizado. Peguei como exemplo o padre colonizador (medos dos nativos) e o Tio Sam, medo dos soldados que estavam na missão Precept.  a frase "Eu quero você" fazia parte da campanha de recrutamento militar estadunidense na 1ª GM (1914-1918). 



Bom, até a data que escrevo essa postagem se passaram seis espisódios. O último findou com a chegada de um grupo supremacista branco e anti-negros na base onde soldados negros estão dançando e se divertindo. O grupo mais notório da década de 60 foi a Ku Klux Klan e o período foi crucial para o Movimento dos Direitos Civis nos EUA para a população negra. Táticas de terrorismo, violência e intimidação contra indivíduos negros também estão sendo demonstrados na obra literária e cinematográfica, deixando claro que não é um mero entretenimento banal. Afinal, a obra lida com memórias, traumas e ecos doloridos que são superados com a ação coletiva. Stephen King é um autor e tanto. 

Claro que o livro foi escrito em alguns momentos sob efeito de drogas e bebidas e a cena do sexo coletivo que nenhum diretor quis assumir e está presente no  livro deixa qualquer um atordoado. Ele já falou a respeito em 2013:

"O ato sexual conecta a infância com a vida adulta. Os tempos mudaram desde que eu escrevi aquela cena e agora existe uma sensibilidade maior em relação ao assunto. A isso eu somaria que acho incrível que existam tantos comentários a respeito de uma única cena de sexo e se fale tão pouco dos múltiplos assassinatos de crianças na trama". 


Gosto da forma como ele não deixa cair no esquecimento essas feridas abertas da História. Se algo a mais aparecer nos próximos episódios, registrarei em uma próxima postagem parte II. Enquanto isso, vamos acompanhar e ver como vai ser o desfecho dessa primeira temporada (a promessa é de três temporadas). Lembrando que, quando se trata de HBO eu tenho um temor latente desde GOT. Oremos! 


Stranger Things e It: Bem-vindos a Derry

 O que será que Stranger Things e It, Bem-vindos a Derry tem em comum?


Será apenas o terror psicológico e o combate ao mal?

Será a faixa etária dos grupos que se dispõem a enfrentar a malignidade sobrenatural?

Será o bulling que sofrem no ambiente escolar e os conflitos familiares?



Nessa postagem darei mais ênfase a Stranger Things, já que estamos nos despedindo em 2025 com a 5ª temporada. A NETFLIX vai nos torturar no Natal e no Ano-Novo. Obrigada, infeliz! Já se passaram quatro episódios e os demais serão distribuídos nessas datas de festividades. Que nossas famílias compreendam. 

Stranger Things Netflix e It, bem-vindos a Derry HBO (prelúdio de It: a coisa) são obras ambientadas no período da Guerra Fria (1947-1991). Uma era de polarização ideológica entre EUA e URSS,. Período de corrida armamentista e tecnológica. De envio de foguetes ao espaço (pobre Laika), de espionagens, de KGB e CIA. Toda a paranóia possível aconteceu nesse período. As mais loucas teorias conspiratórias povoaram o imaginário do globo terrestre. Os experimentos que existiram eram vistos como teorias e os devaneios coletivos eram tidos como verdade. 

Claro que a Netflix acertou ao conseguir captar três gerações: meus pais (que eram adultos na época), a minha (que era adolescente) e a de vocês (que estão assistindo agora). A música da cantora britânica Kate Bush (Running up that hill - a deal with God) entrou e voltou para as paradas musicais diversas vezes por causa da série. Conhecíamos a cantora apenas pelo seu sucesso Wuthering Heights, canção da obra literária O morro dos ventos uivantes (1847) de Emile Bront (que será obra cinematrográfica em 2026 com a querida Margot Robbie no papel de Catherine Earnshaw).

Os figurinos e a playlist são excepcionais! As referências são ricas e conectam gerações Referências Irmãos Duffer Nostálgicos! Não tem como não gostar da série, por mais que alguns achem que ela é superestimada. Os irmãos Duffer sabem muito bem o que estão fazendo desde o início. Hawkins é uma cidade baseada em projetos como o MKUltra/CIA (1953-1973)  que objetivava o controle mental e manipulação da consciência. Para tal, era usada drogas psicodélicas, choques e torturas psicológicas. Os criadores da série também conheciam projetos como o Watergate e o Montauk Project. O primeiro levou o presidente da época, Richard Nixon, a renunciar. 

Ora pois, quem está acompanhando na HBO a série It, Bem-Vindo a Derry já deve ter percebido que a ambição do exército norte-americano é usar a força maligna de Derry contra o seu inimigo na época, a União Soviética. Olha a idéia! Para nós  parece absurdo, mas acredite, houveram absurdos de ambas as partes. Como historiadora eu posso te afirmar isso. Mas, estamos falando da sétima arte e suas possiblidades, o que vale lembrar que o diretor cinematográfico nem sempre vai seguir a obra literária (já que It: a coisa é baseado na obra de Stephen King/1986). Triste lembrança do fim de GOT (Game of Thrones/HBO).

Enquanto isso, vamos seguir acompanhando ambas as séries. Um dezembro com ficção científica e terror psicológico com muito fundo histórico. Adoro ser geek!