Há muitos anos átras (na época da Licenciatura em História) eu fiz um mini curso sobre A História do Cinema e lembro até hoje dos divisores de águas (segundo o palestrante do curso - não guardei muitas informações. Lembro que foi na Caixa Cultural/DF para pegar horas complementares ...) que foi o fato de fazer um filme sobre uma dupla de criminosos Bonnie and Clyde: uma rajada de balas (1967) e como Tarantino mudou a forma de fazer cinema.
Lembro que no dia, levantei a bola do filme O bom, o mau e o feio (Sergio Leone, 1966), mas fui informada que não entrava nesse divisor por pertencer ao gênero dos faroestes (Ué! então tá! Como se Faroeste e a marcha para o Oeste... bem deixa pra lá). Uma observação: conheço o filme pela música de Ennio Morricone apresentada pelo meu pai. Fica a dica! Música The good, the bad, the ugly
Visitei a Feira Tesourinha @feira_tesourinha (instagram) no dia 17/05 no Centro Cultural Renato Russo e adquiri algumas artes do artista @mandakarunohana de filmes da minha época: Bastardos e inglórios (2009), Pulp Fiction (1994) e Um drink no inferno (1996). O último salvo engano, Tarantino participou como ator. Depois farei uma postagem sobre cada um deles. Hoje é para escrever sobre Bastardos e Inglórios.
Quando participei do curso, conhecia bem pouco sobre Tarantino. Confesso que o curso me fez consumir o que eu conseguia na época (locação de DVD´s). Hoje tenho alguns filmes em DVD (apesar que poucos ainda tem esse aparelho em casa) e não somos mais da época de levar filmes para passar em sala de aula (como professor). Tudo é streaming. Mesmo não conseguindo gostar de 50% dos filmes de Tarantino, quando se trata de História, eu me rendo totalmente. Por isso que, em cada postagem, vou explicar o motivo.
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| Cena: Taverna - Bastardos e Inglórios (releitura artista Luissandro 2018 - publicado com autorização) |
Gente, Tarantino vai no mais profundo da cultura para dirigir essa obra prima. Quem estuda superficialmente, não entende cenas tipo: capítulo do leite (início), capítulo do strudel com creme de leite entre Shosanna (Melanie Laurent) e coronel Hans Land (Cristoph Waltz) e o capítulo na taverna de La Louisiane (minhas cenas prediletas). Só um acréscimo, Cristoph Waltz recebeu uma premiação como melhor ator coadjuvante e a maioria dos idiomas que ele falou no filme, ele tinha fluência. Super merecido! (Também recebeu em Django - 2012).
A cena do strudel com creme de leite é um teste para Shosanna, já que vai banha de porco (na receita tradicional austro-hungara) e Hans Land (Cristoph Waltz) saiba (talvez) da sua identidade judia (kosher). A cena introdutória do leite é material para uma postagem sobre o uso da bebida e a ideologia de supremancia branca (deixemos para depois).
A cena da taverna traz uma desconfiança do sotaque (ou ausência dele) do tenente Archie Hicox (Michael Fassbender), espião britânico disfarçado de alemão, no final da música que estava rolando. Desde a unificação da Alemanha (1871), o militarismo passou a ter uma característica lacônica (quase espartana). Então um tenente emocionado em um período de tensão militar, já não pegou muito bem.
Parece besteira, né? Mas é adentrar na cultura de uma nação para fazer um roteiro. Isso torna Tarantino excepcional. É chamado de semiótica: nada comunica apenas o que aparenta. Claro que Hinox sabia, mas algo repetido várias vezes na própria cultura acabou denunciando a sua origem. A tensão presente nas três cenas que descrevi como as minhas preferidas aqui, fazem parte da característica de Tarantino: a tensão que descarta o diálogo.
Tenho como crítica (deixando claro que sou um pequeno grão de areia e minha opinião é bem pessoal e não digna de verdade absoluta) é que colocam norte-americanos como heróis (típicos do cinema norte-americano). Por ter sido baseado na Operação Greenupa e nos combatentes que operavam na área da vegetação (maquis) para atacar tropas nazistas de surpresa, acabamos (como sempre) louvando a ação estadunidense nos conflitos de guerras mundiais. Mas, é ficção! Que estudemos História para apreciar com um olhar crítico qualquer produção e deixando claro, é uma obra-prima louvável de vários prêmios que foram recebidos.




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