terça-feira, 20 de outubro de 2026

O diabo veste prada 2 - devaneios de uma decepção

     Não assisti o filme O diabo veste prada 2 (2026) no cinema. Hoje, eu sou muito controlada sobre o "hype" (é uma grande expectativa ou alvoroço gerado em torno de um produto, lançamento, evento ou tendência que está "bombando" nas redes sociais e na mídia virtual) de certos lançamentos cinematográficos. Mas, vamos lá! O diabo veste prada 1 foi lançado em 2006 e eu te pergunto: quantos anos você tinha? Eu tinha 29 anos. Na onda de blogs (esse aqui é de 2007), vlogs, facebook, orkut e memes, quem nunca conheceu Miranda julgando as vestes de alguém? 




    O que eu quero dizer, é que, o filme atravessou gerações e sem ninguém esperar, divulgaram o 2º volume baseada (assim como o volume 1) no livro de Lauren Weisberger, quanto assistente da poderosa Anna Wintour da poderosa revista de moda, Vogue. Muitas de nós nunca tivemos contato com essa revista, mas a maioria de nós, sabíamos e sabemos quem é a Miranda Priestly (Meryl Streep) e a evolução de Andrea Sachs (Anne Hathaway) e o seu declínio em pertencer a esse mundo (final filme 1). Pois bem ... 


    Peguei um dia e resolvi assistir via streaming o volume 2, lançado em 2026, com uma certa expectativa sobre o desenvolvimento dos personagens. Talvez aí, eu tenha errado feio. Não li e não sei se seguiu o livro ou a liberdade do diretor (mesma equipe em ambas as produções - diretor David Frankel, produção Wendy Fineirman). Mas, confesso que esperava mais de uma personagem em especial e isso tem uma relação direta com o meu devaneio. Quando findou o "volume" 1 e Andrea Sachs se afastou de Miranda Priestly (Meryl Streep), puts! Pensei: ela vai se tornar uma mulher pica das galáxias! 

Meryl Streep e Anna Wintour

    O diabo veste prada 2 aborda o declínio da mídia impressa, e isso, eu entendo bem. Parte da geração que teve acesso às notícias via mídia impressa e agora via digital, entendo bem o conflito apresentado. Claro que não é só isso que é apresentado, acredito que posso usar como exemplo o último desfile (18/out/2026) da Victoria´s secret Fashion Show 2026 em Los Angeles EUA, quando Kylie Jenner foi escolhida para desfilar com o sutiã de US$ 50 milhões. Não interessa as modelos experientes, o que importa atualmente, é o número de seguidores. A influência virtual passou por cima da experiência nas passarelas. Esse complemento é apenas para demonstrar que a arte sempre vai demonstrar a sociedade na qual estamos inseridos. 

Kylie Jenner - desfile Victoria´s Secrets Fashion Show 2026

        A moda é mais política do que deduzimos! 

     Pois bem! Andrea Sachs (Anne Hathaway), ex-assistente de Miranda na versão 1, perde o cargo de assistente da Runway e de forma atropelada, retorna ao contato com a antiga chefe. Nessa versão, ela é uma salvadora de equipe do antigo emprego e eu esperava muito dela. A decepção foi grande. Insegura, despreparada e vítima do acaso, acaba resolvendo questões, com uma bondade ingênua, da sua antiga chefe. Sem vínculo algum, se liga a antiga chefe e colega, Emily (Emily Blunt), sem que ninguém peça. Qual o problema em deixar Miranda se lascar? 

    Não vou ler o desabafo biográfico de Lauren, mas confesso que gostaria muito de não ter assistido. Vinte anos e a ex-assistente da poderosa Miranda, gagueja e é enganada por Emily, sua ex-colega soberba de trabalho. Só uma observação: todas entregam muito! Mas o roteiro é estranho diante do desfecho do filme de 2006. Aparece até um affair para Andrea, mas, para mim, é Emily que está bem inserida no meio da moda com filhos e ex-marido. Miranda, diante de um herdeiro e mudanças de geração, acaba participando de um quarto menos melhor que parece ser uma crise econômica. (e não é! A geração nutella que deseja comandar). Quanto atropelo!


     Claro que é de muito bom tom citar Amari (Simone Ashley), demonstrando que, por mais que a mídia de comunicação mude, o padrão (tóxico) continua intacto. Esse local foi muito bem interpretado por Emily na versão 1. Sem contar que, o talentoso Nigel (Stanley Tucci), tão desprezado por Miranda, precisou do heroísmo de Andrea para ocupar o seu lugar de merecimento, caso contrário, mesmo criticando as vestes promocionais (leia-se BRECHÓ) de Andrea, continuaria na sombra. 


    Na verdade, todos nós fomos vítimas de traillers que prometeram muito e de ações promocionais de influencers midiáticos que juraram valer a pena. Mas, no meu caso, nada disso tem culpa. Eu absorvi o desfecho da versão de 2006 e esperava muito mais de Andrea Sachs. Os demais personagens, nenhum susto, mas não quero que me levem muito a sério. São vinte anos e assim como os contos de fada, ninguém sabe o que acontece após o "the end". É um devaneio bem pessoal.