Pois bem! Após a morte do seu marido no dia da exposição que dá abertura a série, Lúcia precisa se inclinar aos cuidados materno de uma doença não diagnosticada de Maíra. Filha única e totalmente limitada e direcionada pela super proteção da mãe, ela participa de um plano nada ético para conseguir ter a liberdade financeira que tanto merece. Logo, acredita estar fazendo o certo. Nem sempre, pois percebemos uma Maíra manipulável e uma mãe disposta a tudo para protegê-la. Ainda que as provas direcionem a cumplicidade de Maíra na tentativa de golpe sofrida por Lúcia.
O que torna essa trama mais interessante é a possiblidade de ter tido como base o golpe sofrido com as mesmas características, ou seja, envolvimento de golpe espiritual, o caso da família Boghici. Deixemos claro que a Netflix apresenta Dom de Iludir como obra de ficção e que não é uma adaptação direta. Hum, hum! Ela finge que sim e nós fingimos que acreditamos. Não me custa apresentar um dos maiores casos de estelionato e desvios de obra de arte da vida real, até para evitar mais spoiler.
Conheci o falecido marchand e colecionador de arte Jean Boghici dias átras e até escrevi aqui no blog Citação Jean Boghici. Após a sua morte em 2015, o estelionato teve início e Geneviéve Boghici se torna vítima de uma mãe de santo que afirma que sua filha, Sabine Boghici, corria risco de vida. Se na trama, os sintomas apontam para a necessidade de uma cura, na trama real, o risco da tragédia faz a mãe levar um prejuízo de 725 milhões. O caso vem à tona em 2022 e ambas as tramas apresentam a herdeira dando informações e sendo vitimizada pela mãe, ainda que tenha sido mantida em cárcere privado na própria casa. A necessidade de limpeza espiritual, assim como na série, foi o motivo que enganou e levou obras de Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Cícero Dias, Rubens Gercham e outros. Reportagem sobre o caso Boghici



