domingo, 25 de outubro de 2026

Light Novel - volume 1 Diários de uma apotecária (capítulos 3 e 4)

     Os capítulos 3 (Jinshi) e 4 (O sorriso de ninfa celestial) apesar de apresentarem Jinshi, o eunuco mais amado e odiado pelos fãs, há muita repetição sobre os temas já abordados nas postagens anteriores sobre a divisão interna das servas, consortes, culinária e a maquiagem Capítulo 1 Capítulo 2. Então, nessa postagem vou tentar acrescentar outras curiosidades sem dar spoiler.


    Vou começar pela descrição física sobre o Jinshi, descrito como possuidor de um sorriso leve, tão gracioso quanto o de uma ninfa celestial. "De cabelos como fios de seda, contornos suaves e finos, olhos alongados e sobrancelhas cheias como salgueiros. As ninfas celestiais pintadas nas pergaminhos ilustrados jamais poderiam competir com tamanha beleza". Na arte japonesa, uma Tennyo é a figura mais próxima da figura da ninfa ocidental. É uma donzela celestial ou mulher alada que é derivada das apsaras indianas, que passaram pela influência da cultura chinesa e budista no Japão. 


    A sua imagem tem algumas diferenças conforme o illustrador. A versão em mangá ilutrada por Nekokurage (pseudônimo de Erika Ikeda) e publicada pela Square Enix na revista Monthly Big Gangan serviu de base para o visual do anime. Os mangás que temos acesso da editora Panini no Brasil, são baseados nessa versão. Foi essa ilustradora que teve condenação por evasão fiscal. O mangá versão Kurata (mangaká)  é disponibilizado na revista Monthly Sunday Gene-X da editora Shogakukan. Hyuganatsu, a autora, vendeu o direito para as duas empresas sem exclusividade, simples assim, sem maiores explicações. A ilustração da versão light novel é feita por Touko Shino e sua versão também foi referência para a designer de personagens, Yukiko Nakatani, criar o Jinshi da animação. Conforme a versão, o personagem pode sofrer alterações comportamentais, mas vou não me prolongar no tema. 
versão square enix (esquerdo) versão shogakukan (direito)

    No capítulo 3, ficamos sabendo que o bilhete escrito por Maomao foi deixado em um talo de rododendro. Essa planta vai aparecer muito, pelo menos na versão animação. Originária da China, Japão, Tibete e região do Himalaia, ela é conhecida por nós como azaleia e tem mais de mil espécies e cores, podendo chegar até 6 metros de altura. 




    No capítulo 4, mais uma vez temos a informação da divisão sobre as servas, que podem ser de famílias rurais, da cidade e filhas de oficiais da corte. Maomao finge não saber ler, mesmo sabendo que poderia receber mais, pois a maioria das servas comuns são analfabetas. Ela vai explicar o motivo mais pra frente, pois ela tem o objetivo de trabalhar durante dois anos e voltar para seu lugar de origem. Substituir uma serva alfabetizada seria muito difícil e isso a prenderia mais tempo no palácio interno. Sem contar um salário mais alto, logo, seus sequestradores receberiam mais, o que ela acha um absurdo (capítulo 5 sendo adiantado). Ah! As consortes também recebiam salário, pois essa posição era vista como ofício. 

    Todos  no palácio interno entram de luto, até os servos, eunucos e consortes de baixo e alto escalão. Sem nomear o falecido, a culinária mais uma vez nos leva ao passado e presente de algumas culturas orientais. Somos informados que, durante sete dias, a carne, que já era parca, fora eliminada por completo das refeições. a carne era considerada um alimento de luxo e associado a festividade e prazeres terrenos e os enlutados deviam e devem manter uma dieta extremamente simples, focada apenas em mingaus e sopas. 

    Não dá para estender sobre o assunto, pois os ritos de luto são bem diferentes do nosso, e também passou por mudanças nas próprias sociedades japonesa, chinesa e coreana. Até os nossos aqui no ocidente, são diferenciados, após contato de culturas. Veja o dia de finados no Brasil e o dia de todos os mortos no México (só para exemplificar). Após o período de luto, sem as faixas pretas e sem a abstinência de carne, o menu do dia era sopa com minúsculos pedaços de peixe. Será que podemos chamar de caldo? Até então ela vai receber uma convocação que vai mudar a sua trajetória ali dentro do palácio interno. O eunuco sabe que foi ela a autora do bilhete deixado para a consorte, mãe da princesa, Lingli. 

    Antes de findar, deixo aqui uma descrição da Maomao sobre a edificação onde ficava a chefe das servidoras da corte: em cada um dos parapeitos havia entalhes gravados e dragões em cores vívidas enfeitavam os pilares vermelhos. Deixo a imagem abaixo (site free) de um templo na Malásia e outro na China, pois a característica de dragões nos pilares, coloridos ou não, é presente na arquitetura dos templos na China, Japão e outros na Ásia.